terça-feira, 29 de julho de 2014

explosão
confusão

decisão
corre
na contramão
do desejo

brinca comigo
poema
como se houvesse
segurança nos meus versos tortos
por favor
poesia
pontue-me algo
no emaranhado
de reflexão
que pulsa
para

pera

como prosseguir?

lembranças
frouxas
perpassam
a poesia que não sai

inseguranças
tolas
decidem
indecisões

confiança?
esperança?
inconstância
de memórias
das histórias
que não deram certo.

poema
encontre um jeito
de terminar
dentro de mim
e me trazer o afago
das palavras honestas
que não querem fim

poema
grita grita
grita pra mim
qualquer coisa
sobre esclarecimentos
sobre histórias boas
e sinceras.

fala de qualquer coisa
que não seja dor!
fale-me de versos
que mesmo incertos
têm coragem
de sair
e ficar

mesmo que aos garranchos
como esses aqui
que escorrem
feito chuva
tempestuosa
de pensamentos.
restituir
incluir
refazer
por
você.

observar
entregar
abraçar
por
nós.

recolher
aprender
dizer
algo
que
dure
mais que um verso de saudade.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

amargura. amar dura(?)
sem armaduras,
ando
amadurecendo.

amar: dura: sendo.
preciso
de um chão
um teto
uma cama
que seja
uma mão
mas preciso
de alguma segurança
uma palavra sequer
que expresse
o que tá sendo
tudo isso pra você.

diante do meu histórico
preciso disso agora
e sei que se eu colocar;
diante do seu histórico
assustará.
mas não dá.
s'eu te perguntar te deixará inseguro
s'eu não perguntar me deixará insegura
e não posso me anular
por ti
mas posso adaptar
na calmaria
que desejamos
e precisamos
agora.

não sei se eram momentos tão oportunos pra chegar
mas com toda certeza, as energias foram as melhores
que podiam vir.

gratidão
por me fazer sentir de novo
porque eu jurava, que eu nunca mais ia me permitir.

e eu só
quero saber
como tá sendo pra ti
não tô pedindo definição
nem concretude de palavras
dizendo o que você sente.
só preciso
perguntar
se você
assim como eu
também
deseja
fazer
isso durar.


medo

cedo
esqueço
do medo.

volto

recordo
a história
passada.

medo
provém
de lá.

medo
provém
de marcas
que ficam
dentro de nós,
traumáticas
espásticas
catárticas

explodem!
mas por favor
explodam pra longe...
longe do novo espaço
que surgiu
e
mesmo
com meu medo

me lembra sempre
que é novo
e não passado
que é ele e não o outro

e ele
aaaah!

fica
respira
retira
um riso
de mim.

domingo, 27 de julho de 2014

poeta torna tudo poesia
do riso ao choro
do amor ao fel

poeta,
poderia aprender a amar menos
mas poeta para de amar
só no fim do poema.

pois é,
não ache
que porque escrevo
escrevo só pra ti
poeta
escreve pro mundo,
pode-se dizer
que explodimos
em palavras
pulsamos
em sensações internas
que correm imensamente
dentro de nós
e hora saem poesia
hora não saem nem perto
de verso.
diverso
somos diversos
e feitos de versos
que ver-si-ficam
atente a última parte
f i c a m
em toda poesia
que couber
um pouco de amor.

a gente
se estrupia
faz verso torto
mas continua
se jogando
na arte
na vida
no que couber
o mar
que há
dentro de nós.

e como já dizia meu amigo poeta:

poeta, não aprende nunca!
eu te vi
te despi
te comi
com olhar.

eu te vi
te chamei
te tirei
pra dançar.

eu te vi
te ouvi
te contei
sobre amar.

bem-te-vi
nós nos vimos
nos ouvimos
nos falamos
e amamos.

só não te vejo
num poema infinito
porque me disseram
que tudo
mesmo que lindo
é findo

feito poesia
que vê
sente
e morre
no último verso

mas eu te peço,
me veja numa prosa
porque com ti
aprendi
que ver
e sentir
basta
pra ir.
Haveria então espaço para viver o que há de mais belo?
Do beijo ao pulso.
Do sexo à palavra.
Do abraço ao olhar.
Das mãos ao toque. Toque-me. Abrace-me. Fite-me.
Esteja e
fiquemo-nos.
Leve, perto. Sem explosões momentâneas.
Algo que nos dê espaço e riso.

Visto que
a vida é dura
e cheia de empecilhos
rasgos antigos
dores passadas

Visto que
estou aqui
e você aí
e estamos

podemos então
aproveitar?

visto que
gosto de ti
gostaria de pedir
pra você
ficar.

sábado, 26 de julho de 2014

danças sobrepostas em dias sobrepostos
imensamente vivos.
corpos sobrepostos
vidas sobrepostas.
sobre(ponho) riso
onde há dor.
sobre ir
sobre vir
sobre nós
a sós
numa cama
onde escorre
amor.
sobre estar
somente
sussurrando
um pequeno poema
pedindo procê
ficar.
sobre viver

sobreviver
sobrevivo
na poesia
que vira vida
e na vida que vira poesia
com palavras que sabem viver.


terça-feira, 22 de julho de 2014

permanecer
no teu corpo,
sobre ele
renascer
dos dias de fatiga
do passado rouco
cansado , louco.

estar
no teu corpo
sobre ele
ficar
durante noites infinitas
em dias de amor
de presente sincero,
espero.
Você vai vir?

Você veio
e viu
vontade
vermelha,
suspiros
sinceros
sobre
si.
gemidos,
gestos
juntos
sobre
nós.
ternura
toda
tingida
de tudo.
tem como
ficar?
por favor
com amor,
fica.
O medo bateu na minha porta hoje. Entrou, com tudo. Maldito.
Medo provindo das marcas absurdas que deixaram em mim. Opressão. Confusão. Dor. Rasgo profundo no peito. Palavras cuspidas com todo o fel do mundo.
E.
Aí. Hoje, quando você me chamou pra estar ali
com pessoas e momentos bons, e você.
Eu.
Medo.
Demais. Tá enorme aqui dentro. Mas eu juro que tu tô tentando deixar ele ir. Estou tentando ir. E seguir. E viver tudo que couber.
Tô tão engasgada, sabe? 
Eu tenho medo de me apaixonar por esse sorriso lindo. Tenho medo de me entregar pras pessoas, desde que... Houve passado. E pessoas passadas que causaram dores tremendas. E aquela específica. Que veio, ficou de todas as formas e na hora que eu resolvi ir embora, eternizou em guerra tudo de mais bonito que havia, quando eu só precisava da paz do fim.
Marcas. Marcam lá no fundo do âmago e perpassam o corpo todo.
E agora
com novo corpo
e novo beijo
e é tudo tão novo
tudo tão nosso.
Pera. Posso usar... nosso?
Não sei o que posso usar. Nem em quem acreditar. Depois dele, rompi um laço de confiança com o mundo.
Perdão. Hoje eu cogitei ir embora. Pra bem longe
de qualquer coisa que possa existir.
Mas foi quando eu vi
que já existia
não sabemos o quê
nem como, nem pronde vai
mas tá aqui pulsando
sendo
de uma forma um tanto acolhedora e graciosa
e ah...
seu sorriso.
deixa ao menos seu sorriso ficar;
que eu prometo que eu sigo
e deixo o medo pra bem longe de nós.


Contorna
meu corpo
através da boca
que docemente
percorre
os traços
que diariamente
se perdem
em meio
a correria
o cansaço
o barulho
confusão!

e quando
você chega
suspira ao pé do meu ouvido
me chupa com os olhos
e seus lábios
correm
escorrem
em mim
e meus lábios
procuram o seu
e nossos lábios
se encontram
beijo
pulsa
tesão
pulsa
a gente
pulsa
porque vivos
estamos
sorrindo
só ri
e anda
pronde a vida desejar.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Verbos. Instantes. Correm. Tudo sempre corre por aqui. E eu, perdida, busco em palavras encontrar uma pitada de sossego pro meu coração explosivo.
Coração esse que não consegue acautelar-se e sempre atropela... vírgulas, pontos, sentimentos. Coração bagunçado, e bagunceiro. 
-Acalma-te, sossega-te. 
Nem tudo está perdido, o vento me sopra ao pé do ouvido.
-Me da um pouco do teu vento! Me diz palavras honestas. Fica. Por favor.
Vem tomar um banho de cachoeira comigo e me banha inteira
e me molha
toda.
Suplico-te, me empresta um pouco da tua cor, pra que eu possa sorrir de novo. Não fujas, não esqueças que ainda prossigo aqui, esperando a bonança, à qual tenho esperanças que chegue, e enfim eu mergulhe nela. Impávido.

-Sou tua. Mas, somos livres. Você sabe. Sempre soube, que meu amor é teu. E que te empresto todas as cores que quiser. E a esperança...
Desencadeavam-se palavras e pensamentos nos dois. Ele, longe... Tão longe que a moça não conseguia nem mimetizar a ideia de um abraço, porque quilômetros o separavam. Ventava tanto pelos lados dela, e ela só queria um abraço pra esquentar e dizer: calma, eu tô aqui.

Um abraço que pudesse trazer uma segurança mesmo que mínima, um aconchego mesmo que vago, um sorriso mesmo que tímido. Mas pra ela abraços físicos não eram suficientes. Ela queria abraçar a alma dele, o coração dele. Hoje, amanhã e depois.
Mas essa distância apunhalava seu coração já frágil e machucado e balançado por furações de outrora. Ela queria a paz, e sabia que só com ele à teria. 
-Então por que tão longe, deus do céu? Só queria entender!- disse isso no mesmo instante que uma lágrima caiu na sua mão esquerda.

Caíram. Litros infinitos de choro. Cachoeiras, mas não daquela que ela havia falado pra eles se banharem.
Escorreram, todas, enormes...
E moço lá de longe limpou-as com um sincero:
Eu te amo.

Por: Inaiara Gonçalves e João Ricardo Würch Selbach
[isso não é um poema]

fechei os olhos
e o sono já me tomava por inteira
algo dentro de mim me incitava a escrever
tava tudo tão bem
tão bonito
tão vivo
que sempre que eu lembrava dos fins
me dava um medo imenso
os fins martelavam
numa recordação
constante

não. esse não é um bom poema.
não chega nem a ser um poema
vai ver,
foi porque falei dos fins
e não de ti
e de como
é bom te beijar
e te abraçar

e eu te juro
que não sei direito
tipo assim, nada.
mas sei
que sempre gostei
de amar
seja lá como
seja lá onde
sempre
há espaço
pro amor
mesmo pós-dor
imensa
e eu te digo, foi tão imensa
que eu nem devia estar aqui
mas você
conseguiu
fazer com que eu conseguisse
me abrir aos poucos novamente

na verdade
eu consegui
e você ajudou
com esse sorriso lindo
essas prosas infinitas
as risadas
e sempre que ouço
aquela música
consigo mimetizar em minha mente
cada partezinha de você.

você tem razão,
eu sou estranha
sou diferente
sou tudo isso mesmo
que tu disse

pessoas que amam demais pessoas
soam estranhas hoje , não é?

desculpa, mas eu não consigo amar menos
esse mundo que é imenso de pessoas-amor
que me fazem seguir
mesmo em meio ao caos

e você
eu te juro
que você é tão estranho quanto eu
só que ainda
não descobriu
o quanto de amor que tem aí.

esse poema
parece que não tem fim
as palavras escorrem
e são tantas
confusas
imensas
dentro de mim.

pera. não é um poema.
é só
pera.
é só
uma vontade de dizer
que eu

gosto

de ti.


quinta-feira, 17 de julho de 2014

destroços
-acasos-
pedaços
roubados
do meu coração.


somos todas fridas
sofridas 
caladas
cansadas
de tanta
o(pressão) 

somos todas lindas
fortes
imensas
queridas

e juntas
somos todas
fridas que fortemente lutam
por mais voz
e espaço
num mundo
onde o machismo
pulsa
repulsa! temos repulsa à qualquer forma
de opressão provinda de qualquer pessoa

portanto,
não nos calaremos
gritemos!
e firmaremos passos
nós, mulheres fortes
vivas!
como flores
robustas
em um novo jardim. 


abri a janela de manhã
e o céu tava todo amarelado
minha mente, confusão
minha boca, saudade
meus olhos, sós
miravam o céu aberto
e lembravam
de todas as bocas
e sabores
dos corpos
que passaram
por aqui
conjugando versos
colando peças quebradas
tirando minha roupa
ficando
indo
deitando comigo em noites infinitas
escrevendo comigo em versos infinitos
sem métrica
sem rima
nem pontuação
só reticências
amor
e gosto doce
pairando em nós
o primeiro
o segundo
o terceiro
romperam
se foram
ficaram
me amaram
disseram
que cabia,
mas não coube.
o quarto
o quinto
o sexto
tantos
nem sei
não sei mais de nada
não sei mais escrever
nem conjugar verbos
muito menos falar de amor,
só sei me jogar de cabeça
no céu amarelado dessa manhã
que sem ritmo
pulsa
até que eu me esqueça
de nós.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

- Moço, me ajuda, por favor. Me ajuda a entender porque é que as coisas explodem tão grandemente dentro de mim.
Me ajuda a entender porque tudo é tão difícil, tudo tão complicado, porque todas as barreiras parecem ser intransponíveis. Porque eu tento, tento e nada parece ter resultado. Porque eu sou tão... tão assim, sabe?

O moço fitou a menina e pensou em o que dizer. Mas não saiam palavras. Então, abraçou-a.
Deu-lhe um abraço forte, acolhedor, abraço repleto de carinho, o qual proporcionou um raro e breve momento de segurança à menina, que percebeu enfim que podia contar com ele, que não estava sozinha. Mas, ainda assim, ela se culpava. Julgava-se como a responsável por todos os problemas que se passavam, menosprezava-se. Mas viu nele uma luz, quem sabe um norte.
Um ponto de amor num mundo tão solitário. 
Os dois então resolveram ir ao quintal colher amoras na árvore antiga que havia ali.
A menina, logo após colhe-las, escolheu uma e amassou-a com o dedo indicador, deixando-o todo avermelhado, tocou levemente na boca do moço que logo avermelhou-se também, feito tinta vermelha que escorre e pinta.
Eles sorriam e deliciavam-se com aquele suco da amora. Ela sentiu em seu peito uma alegria que era tão rara, tão única. E era ele, aquele moço, que a fazia sentir assim. Ela pensou em beijar seus lábios, mas esquivou-se. Sentiu vergonha, talvez. Ou medo de ele não aprovar. Quem dera esse moço fosse meu, pensou.
Os dois cheiravam à amora. O moço com a boca toda avermelhada se aproximou da garota. Bem de perto, sentiu sua respiração. Fitou-a. E lentamente tocou-lhe os lábios. Bocas avermelharam-se, juntas. 
Aquele beijo sensual envolveu-lhes, de modo que pareciam estar num mundo em que só eles convivem, tamanha a sintonia e tamanho o amor que brotou. Suspiros. Abraços. Mãos. Boca. Corpos enrolaram-se debaixo do pé de amora. Amorando-se.

por: Iaiá Gonçalves e João Ricardo Würch Selbach

terça-feira, 15 de julho de 2014

amigos?
amantes?
ficantes?

instantes
perpassam

confusão.

não defina
não exclua
possibilidades.

idades são feitas
para seguirem
confluências.

pessoas
encontro
prosa
beijo
abraço
medo
não.
não tenha medo
deixa ser
e couber
o que vier
pra ficar.

respirar.

caso
acaso
laço

desfaço

refaço
nós

impeço
fim
desejo
sim

segunda-feira, 14 de julho de 2014

cabe
a
antes
do mar

cabe
ser
antes
de ter

cabe
verso
antes
do fim

cabe
nós
antes
de sós?
Um riacho
acho
que consigo passar por ele
embora aja a tal da pedra no meio do caminho

mas em todos os caminhos têm pedras,
basta que as transpassemos,
independente dos seus tamanhos e imponências
são só pedras
assim como flores, são só flores
e vidas, são só vidas
e sonhos, são só sonhos
e nós, somos só nós
em nossas peculiaridades vagas
em nossos desejos ardentes

somos seres, que pensam
e inventam
se estropeiam
passam fome
fazem rasgos
trocam dores
odores humanos
escorrem em minhas narinas
perfuram meu coração
batem forte no meu peito aberto
cortam fundo
cicatrizam
e criam um nó cego
entre eu, meus sonhos
e minhas mazelas
que perduram
em versos infinitos.

por: Iaiá Gonçalves e João Ricardo Würch Selbach
flor
raiz
por um triz
quase queda
quase quebra

insistências, tentativas vãs
reminiscências, pessoas sãs

lembranças
de quando
fomos insanos
lembranças de tempos
que julgávamos áureos
lembranças de abraços
sem rumo e porquê
lembranças...
uma lágrima caiu
misturou-se com a terra
e da lágrima caída
brotou
uma flor mirrada
mas de beleza ímpar
flor que parecia estar
sorrindo
enquanto suas pétalas
ondulavam ao sabor
do vento
ventania
ia
meu corpo ia
feito flor
que acabou de nascer.

por: Iaiá Gonçalves e João Ricardo Würch Selbach

domingo, 13 de julho de 2014

uns se jogam
outros fogem
uns se entregam
outros param

vi uma flor de girassol ontem
lembrei de você,
que me jogou um beijo
e fugiu.
que me entregou a flor
e parou.

perpassa os meus versos
foge.
discorre sobre nós
para.
conjura meus poemas
hesita.
tira a minha roupa
sorri.

costura os meus dias
logo,
habita minha cama
fica.
conturba minha mente
merda.
se entrega
de verdade
vai!

cheguei
tremi
exitei

fui.
voltei
pensei.
te vi
corri,
fiquei.
retalho
espalho
retalhos
por aí

beijos
que costuram
abraços
que enlaçam
conversas
que esbarram
dias
que estendem
momentos
que acabam
noites
que divertem
gente
que esquece
camas
que nos juntam
tempo
que escorre
na vida

que surpresa.


sexta-feira, 11 de julho de 2014

foto por: Gabriela Frigo

como num furacão, a arma disparou. e saiu pétala pra todo canto da cidade. enormes, esvoaçavam conforme o vento e cobriam tudo quanto era corpo. matou muita gente. uns, morreram asfixiados pelo cheiro primaveril, outros, pela coloração. Eram margaridas de enterro. Daquelas que se coloca sobre o caixão, pro morto ficar mais bonito.
Eram todos vivos-mortos naquela cidade de pedra. Sangravam por dentro e cheiravam a azedume de cansaço. Só faltava o caixão.
Dois tiros.
E das flores atiradas
nasceram outras na rua
como aquela do Drummond
que brotou do concreto pútrido ríspido sujo
e fez o mundo virar jardim.


foto por: Gabriela Frigo

caiu
pintou
feito pincel 
cuja tinta vermelha
escorria pela parede branca
e pelos corpos dos transeuntes 
que em meio ao concreto incerto 
esbarravam um nos outros diariamente
e avermelhavam-se 
por entre as sombras da c(idade) de flor.


Palavras de maré cheia.


Pequenino, embarque no portão da minha casa; entre: a porta tá aberta.
Embarque nas confluências das nossa conversas, que hora travam, hora estendem-se. Embarque no silêncio dos nossos olhos, que quase não se viram ainda. É feito nuvem imensa que percorre o céu donde caem gotinhas. Quando eu era pequena, achava que as nuvens choravam. Cresci e descobri que quem chorava mesmo, éramos nós. 
Não houve mar suficiente pra nos deleitarmos de verdade um no outro, sentir a pele colada, o cheiro da chuva de suor que nos enrolaria.
Embarque na minha cama. Vem. Ser. Ventania.
Cadê a maré? A maré cheia de riso, de troca, ideias. Começo.
Quero um mar imenso, feito meu coração. Caminhemos sobre areia, num pôr do sol qualquer, que deixaria de ser qualquer, caso fosse nosso. Umas palavras confusas. Sim, eu já te disse, sou confusa. Tem tanta palavra aqui, tanta maré passada, tanto sal, água... Chove.
Me expresso demasiadamente e explodo. Explodo por dentro, explodo de cores, de história, de amor! De vida.
Viva.
Estou viva e você também. E estamos. E há mar! 
Amemos.
Diria que
só falta o céu aberto
coragem nas mãos
coragem no pulso
coragem!
e ir
se quiser
e couber
maré. 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

as constelações humanas retorcem nos vagões apertados de metrô
tosse.
gripe.
hepatite.
enxaqueca.
rinite.
sinusite.
bronquite.
astigmatismo.
miopia.
propensão a ceratocone

contorcem todos eles, amontoados respirando o ar alheio
suspiro
retorço
torcemos todos pra fugir dali, não é?

''Próxima estação, Sé. Desembarque pelo lado direito do trem''

Corre. Corre. Olha o relógio. Suspira. Evita o olhar alheio.
Segura a bolsa mais forte, assim que vê o pedinte de rua...
Logo ele vem e diz: ''ô moça, tem uma moedinha não?''

Finge que não escuta. Aperta o passo.

Escureceu.
Escureceu dentro dos olhos de todos nós. Cegueira escura, diária e transitória. Vai e vem, todo dia. Acorda. Toma café. Pega a bolsa. Entra no carro. Liga o rádio. Trânsito. Pane. Gritos por conta do cruzamento fechado.

Fecharemo-nos pra tudo que vier do outro?

Onde caberá n ó s?

Fecho a pálpebra das palavras que me fogem e dizem roucas.
Engasgadas.

Afastando-me das palavras conturbadas,
vejo que só me resta pedir
pedir encarecidamente que fiquem
que toquem
que vejam
que amem
agarrem!
o brilho imenso
do que somos juntos.
recolhe
tua palavra
e abraça
os verbos
da saudade
pra ver se assim
encolhido
na poesia
você se encontra
e resolve
achar
um verbo
que fale
sobre
seguir.
falta pão
falta água
falta luz
falta escola

dói
e não tem remédio

vazio
e não tem ninguém

vejo os olhinhos do menino
que empina a pipa lá no morro
e olha pro céu
desejando-o
tão azul
tão imenso

ele só queria
conseguir respirar
feito as nuvens lá de cima.
foto de: Gabriela Frigo 


la vie
le fleur

rouge

rugiram

em mim.


terça-feira, 8 de julho de 2014

A origem da chance que baila ao vento de nós.

Um dia, talvez um dia estarei longe dos cacos de vidro, esses cacos que pungem, retos... rotos. Velhos, fortes.
Longe deles nascem flores que pululam os jardins corpóreos dos dois. Não sei, creio que sejas primaveril. 
Faz menção às luzes leves em teus sonhos mais íntimos, mais risonhos. 
Ah, os dois... Tão longe, e tão perto... tão certo. Incerto. Mencionemos então certa palavra que nos ajude a mimetizar a dor da saudade e nos leve pra perto de alguma coisa que nos assegure.

Ao menos um chão, onde possamos apoiar nossos pés cansados por dores de outrora...
Ao menos um norte, que, quiçá por sorte, seja nosso.
Chão, enrole nossos corpos frios e faça-nos esquentar mesmo com o vento que ruma pra todos os cantos, sem um norte a nos dar.

Vento, faça de uma onda uma motivação para seguir... só ou diferente.
Distinto, melodioso...
Sejamos vento, então... 
E que dancem amores ao farfalhar das folhas pelo chão frio.
E que dancem os corpos dos amantes que descobriram que são o vento.

Insana talvez, seja a rota de nossas almas na brevidade que escolhemos à dedo...
Não seja discreta, farta flor... Desabroche, nas tais manhãs estrambólicas que almejas conhecer
e fica, 
até onde quiser e tentar.

por: Iaiá Gonçalves e João Ricardo Würch Selbach
foto por: Gabriela Frigo

pelos.
penúria 
de quem diz
que eles não podem estar ali.

pelos soltos
pelos livres
pelos meus
pelos seus
por nós
em liberdade corpórea.


tô cansada
de falar sobre ausências
amores passados
amores que foram
estiveram
criaram
amaram.
mas foram...

tô cansada
de falar sobre sentimentos
sentimentos que burburinham
que ficam numa inquietude
gritando: fale sobre mim poeta!
poeta?
[risos]
não vejo nenhuma poeta aqui
vejo uma moça constituída por palavras
que não sabem sair direito.
vejo palavras por todo lado
desde meu coração, até minha cabeça
mãos boca pulso
tudo!
elas estão em todo canto do meu ser
e elas brincam
fazem e refazem
conjugam amores
desfazem pavores

explodem
como as estrelas no universo.

mas não tem muito brilho não
são só palavras
puras
intactas
descoordenadas
num dia de desabafo sem rima.


pretas,
esse poema é pra vocês
sou branca
não sei.
não sei um terço do que é
machismo com racismo
opressão dupla
não sei.
mas sei de vocês
da força
do brilho
e desses cabelos que são universo
que são como flores imensas
nesse corpo tão imenso
tão seu
tão vivo
tão lindo.

muitas já morreram
muitas morrem todo dia
basta ser preto
pra pm parar
basta ser preto
pro vestibular peneirar

não tá fácil não
num mundo branco hétero-normativo
imagino que deve ser foda.

mas eu lhes digo,
tenham força
que tamo juntas
sei que é diferente
não tô igualando nada não
só tô dizendo,
que luto por vocês também.

de uma branca que não sabe poetizar, pras pretas flores dessa vida.
Cálidas são as palavras dos poetas marginais, que percorrem a rua lá de casa e me param com sorrisos enormes e palavras honestas. As palavras correm como bem entendem. As vidas escorrem pelas calçadas e alguns deles picham por aí. Colorem os muros frios e encaram as esquinas famintas.
Do que você tem fome?
Do que carece o mundo?
Vejo abraços que não se abraçam e beijos que não se beijam e vidas que não se esbarram
e
onde vamos parar?
ganhe
compre
ganhe
compre
possua isso
e aquilo 
ter sobrepõe ser
seremos algo?
Por favor. Seja algo comigo. Sejamos algo em meio a essa imensidão de palavras que explodem dentro de mim e não sabem dizer coisa alguma.
Não lhe peço dias infinitos, apenas
algo que mate a minha fome
de amor.
falta pão
falta água
falta luz
falta escola

dói
e não tem remédio

vazio
e não tem ninguém

vejo os olhinhos do menino
que empina a pipa lá no morro
e olha pro céu
desejando-o
tão azul
tão imenso

ele só queria
conseguir respirar
feito as nuvens lá de cima.

dias
passam
em reprise
no corpo
da bailarina
que dança
com os pés
esfolados
o coração
enrolado
palavras
imensas
perpassam
sua boca
e gritam
gritam
gritam
sobre
dias
que
não
sabe
se são dias
ou são noites
infinitas de paz.
Caminhei quinhentos dias

E quinhentas noites, furtivamente, nesse vale
onde pessoas esquecem de caminhar

e focam-se em frivolidades
desfocam-se de si

dispersam-se... ah, quão ruim é perder o rumo.

Rumo pra onde? Por onde? E como?
De-mê um barco, flores e mar aberto, por favor.

Algo que sirva, algo que funcione
Pra abandonar a inércia junto com o desgosto de caminhar sem vontade por mares toscos. Quero mares vivos.
Mares completos.
Eu e você.

Quero cardumes de sonhos leves. Um laço. Eu, você... Nós... Nessa vivência passeamos.
Como reticências que estendem-se e dão espaço ao imaginar. A(mar). Amaremos por entre as confluências dos mares imensos desse mundo.
Amaremos de tal forma que não haverão profundidades que nos subtraiam, que nos restrinjam... Amaremos o barco, o mar, a onda, os peixes...
Diante de tal hipótese, poetizemos
e fiquemos

juntos.

-
por: Iaiá Gonçalves e João Ricardo Würch Selbach.

domingo, 6 de julho de 2014

foto por: Gabriela Frigo

as laranjas
doces-puras
pululam
os cabelos
emaranhados
enroscam
os dias passados
preveem 
os dias futuros
dançam 
os dias presentes
e brotam
dos fios
que crescem
e hora, cortam.

foto por: Gabriela Frigo 

delicadamente
escorre sobre a pele púrpura
o sulco do talo
que percorre
a moça
fazendo-a 
gritar
gemidos
incessantes 
de uma voz
que goza
em poesia.



foto por: Gabriela Frigo


a flor nua
despi a moça

a flor
das mulheres
que bamboleiam
e lutam diariamente 

a flor das mulheres
que oprimidas
sofrem
mas que vivas
falam

as flores são nossas
não tentem tira-las de nós!

nossos corpos
nossas regras

nossas flores
nossas vozes!



foto por: Gabriela Frigo


a flor que liberta
entre as conturbações da pele
que pulsam esbarram e correm
voltam vão e vem
feito flores na imensidão de um corpo
que vive
que morre
que chora
que ri
sendo flor
sendo eu
sendo você

o amarelo
mistura-se com o escarlate
e vira dia

o azul
mistura-se com o rubro
e vira noite

as sensações misturam-se
com os corpos
e viram vida.




sábado, 5 de julho de 2014

poema
pode precisar
pular palavras
pra prosseguir

vida
vive precisando
pular histórias
pra poetizar.
Os hospitais respiram o ar noturno enquanto os pacientes dormem o sono putrefaço de dias infinitos. Não se sabe quando sairão dali. E eu passando por entre as janelas acessas, porque lá, não há noite, nem sono real. Luzes artificiais brilham o tempo todo por sobre a face daqueles corpos que um dia dançaram e sorriram. Eles ali. Eu aqui. Vendo, de fora, o corpo que se desfalece, que escorre e desfaz. Já dizia um velho amigo: viva, porque a morte é certa.
E ele tinha razão. Estamos morrendo a cada segundo que passa. Mas podemos estar vivendo a cada segundo que passa, vivendo morrendo soa bem melhor que só morrendo.
Somos tão imensos e quando essa imensidão esbarra com a imensidão do outro, é um choque tão bonito. Dois universos, que se enxergam, que se sentem, que se amam. Ou nem precisam amar. Bastar ser corpo e entender que o outro é corpo também, corpo que pensa e possui características únicas.
Parece que as pessoas não estão mais acostumadas a receber afeto.
Eu não consigo. Não dá. Tem muito amor dentro de mim. E eu preciso canalizar ele nos universos que existem ao meu redor, nos meus textos rabiscados, nos meus passeios, encontros e desencontros.
Eu. Tô viva. E você também.
Então que possamos sentir as veias pulsando, o ar entrando nos pulmões, 
os beijos
abraços

prosa e poesia

os lábios dizendo 
as mãos tocando
os pés correndo
o sexo gozando
a vida cabendo
em nós.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

medo
vamos tomar um café?
coloco uma roupa bem bonita
mãos dadas
vamos
e ainda te pago um bolo de fubá!

vai!
por favor
para de botar caraminholas
na cabeça das pessoas
e sai pra dançar com elas
um pic-nic no parque
sobe nas árvores
colhe amoras
ouve uma música
corre
pira
gira
canta
catemos
pra onde couber
e der
pra sermos.

um dia
eu sei
que você
medo,
você,

vai perder o medo de ser medo.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

vida
vai
e
volta

constante

vida
indo
e
vindo

instante

dói
cura
sente
passa
corre
fica
vai
e
finda.
respiro
inspiro
tropeço
despeço
de ti.

respiro
suspiro
tropeço
careço
de ti.

respiro
expiro
impeço
começo
de nós.


sorrir
só ir
talvez seja uma boa maneira
de não escrever boa poesia
e ao mesmo tempo
de começar
algo que só escorre
e perpassa
o papel branco

preenchendo
um espaço

colorindo
ao redor

sorrindo
só indo
prum
lugar
melhor.

seu riso
sorri pra mim
e me faz sorrir.
ex ao menos serve
pra virar palavra
poesia
papel gotejado de tinta
rabisco
memória
arte.
ex vira arte
ao menos, por aqui.
lugar em que tudo,
absolutamente tudo que se sente
cai no papel
e respinga
explode
feito vidro estraçalhado.

ex é uma coisa estranha
expira
expõe
ex-volta
e vai
e volta
e vai

vá-se embora!
do meu papel
e das minhas palavras
que cansaram
de fantasmas literários.
ponto.
pontue-me
com reticências
e palavras-sorrisos

eu sei
que foi diferente
mas
foi um diferente bom
e diferentes bons
dão boas histórias
e boas histórias
dão boas palavras-sorrisos
então
talvez
a gente dê um poema
torto que nem esse
ou uma prosa
mais torta ainda
ou uma dança
quadro
foto
mas
eu tenho certeza
que vai ter riso
muito riso com reticências intermináveis
e dias bacanas
como hoje
e talvez
amanhã.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

vento
sopra na proa
dos barquinhos de papel
que a criança desenhou
com tinta aquarela
e saíram andando por aí
no asfalto de São Paulo.

coloriram
pedra por pedra
rosto por rosto
lixo por lixo
até que
surgiu um mar
de cores
afogando
todos os moradores
daquela cidade-concreto
e então,
ela virou
papel molhado
e tinta escorrida.
cachos
enrolam
seu cachos
se enrolam em mim
cacheiam-me
a vida
que andava tão de soslaio
conturbada
problemática
bem vida mesmo
sabe
quando ela resolve
explodir
em você?
mas aí
num suspiro
alguém surge
e tem cachos
e sorriso
e que sorriso lindo que você tem, moço!
já devo ter te dito
um zilhão de gratidão né?
mas é que
não tem palavra melhor
do que essa
pra alguém
que chega tão de leve
e fica tão de leve
e
se possível,
me beije
e bem de leve
me deixe tocar nesses seus cachos tão bonitos.
tire a sua mão do meu corpo
quando digo não!
tire as suas regras do meu corpo
sendo ele meu.
tire seus gritos esbravejantes
de cima de mim.
tire suas verdades absolutas
sobre eu ser
assim ou assado.
tire seus dizeres hostis
baseados nos padrões
que tem ensinaram.

''fiu-fiu, gostosa, ei! não quer uma chupadinha?!''

SOME.
Desaparece do meu espaço
que é meu
só meu.
PARE.
De invadir a única coisa que me resta
nesse mundo machista
e cheio de opressão.
pare de invadir
o meu corpo
meu espaço
minha fala
minha vida
minhas escolhas.

se coloque no seu lugar
e não venha com suas justificativas-mal-feitas
não é não.
e sou eu quem digo
o que sinto
o que quero
e quem eu sou!

[Sobre significados embaralhados, versos tortos e suspiro confusos.]

sau.da.de

s.f. Recordação suave e melancólica de pessoa ausente, local ou coisa distante, que se deseja voltar a ver ou possuir.
Nostalgia.

vo.cê

s.m Recordação suave e melancólica presente a tempos de distância. Longe. Nostálgico. Vivo como a saudade que sibila em palavras tortas.
Um dia, criarei meu dicionário próprio e lá estarão todas as palavras que criamos juntos. Aquelas que só existem no nosso dicionário.
Bolo de cenoura com chocolate poderia ser uma só palavra. Regina não é um nome próprio, é um substantivo que significa: moça que diz para casais que vai durar. Você lembra da Regina, daquela tarde
da gente, 
e da quantidade de alegria.... e...
eu nunca vou esquecer de quando dormimos juntos.
Casais? Éramos isso? 
Já faz tanto tempo.
Foi antes do outro moço. Antes e ao mesmo tempo.
Você sabe, que eu nunca esqueci de ti. Do teu riso. Do teu beijo...
do seu abraço
mas
aquelas lágrimas que trocamos juntos
foram tão estranhas
e sempre que lembro de ti
de nós
é quase como ver um retrato velho na estante empoeirada
e sorrir, de leve, quase que num suspiro
de saudade
ou

de
amor.

quarta-feira, 25 de junho de 2014


Comecei a escrever, mas queria desenhar. Deve ser porque nunca arranjarei palavras tão confortantes quanto sua companhia e talvez linhas leves de um desenho falariam melhor do que as minhas palavras tortas. Mas não sei desenhar. Pintei até meus 12 anos e quando conheci a escrita: parei. Mas também não sei escrever. Então como é que falarei para você sobre a gratidão que eu tenho pelo universo ou pelo responsável de ter te colocado em minha vida? Não deve ter nada de muito místico. Eu exagero. As pessoas aparecem e pronto, não é? Vão embora e ponto. Você vai embora? Hm. Me fala mais de você e desse seu jeito de fazer pessoas que tão doendo, sorrirem. Me fala do teu abraço. Me abraça. Desenha comigo. Escreve comigo. É que as minhas linhas são tão tortas, moço! Desde que coisas tortas ocorreram, minhas linhas estavam completamente sem rumo. Mas eu tenho uma vontade tão grande de viver, sabe? Que não dava para parar. Tem algo dentro de mim que é maior que eu mesma e que grita: continua Iaiá! Continua que a vida é grande e a morte é certa. Eu. Eu gosto de você. E de pensar em você. E de conversar com você. E rir com você. E ir com... Pera. Tá tudo bem? Ou eu tô exagerando novamente? Mas é que. Eu preciso te abraçar e ver seu sorriso de perto. E rir, como temos rido nos últimos tempos. E ir. Pra onde você quiser. Quisermos, talvez. 
Permite-me que seja no plural?

segunda-feira, 23 de junho de 2014

rompi laços de confiança com o mundo
rompi desde que
opressão.
muita.
enorme.
moço, você nem faz ideia do que passei!
não tinha como não romper
fui estraçalhada por dentro
não, não foi um amor que não deu certo
não, não foi frustração
foi opressão
mesmo.
da pior possível.
porque a gente nunca espera
que a opressão venha
de quem amamos e diz que nos ama
e.
rompi.
rompi versos,
rompi palavras
rompi risos
mas eu juro
que tenho uma vontade imensa de te ver
e saber o que podemos ser
juntos
separados
perto
distante
não sei.
não sei mesmo
mas tenho vontade de arriscar
um toque,
talvez.
gosto de toques,
mas tenho tido medo deles
desde que
opressão.
umas risadas

-como essas, que têm sido, tão nossas-

mas não acredito em risadas
desde que
é.
você não sabe
porque eu não quis contar
não queria te assustar
com o susto que está
dentro de mim
desde que.
ah.
foi machismo
foi vingança
desamor
tanta coisa
das piores
que.
rompe sabe?
as palavras ficam engasgadas
meio tortas
mas eu juro
que
vou tentar
confiar
em você.

sábado, 21 de junho de 2014


'' a nossa música nunca mais tocou''

Estava parada e em um clique não estava mais. Foi só clicar ali e pronto. Estava tonta. De saudade, de raiva. Por que você fez tudo aquilo? Porque você cultivou rancor vinganças desamor? E tinha tanto amor! Você sabe como tinha.
Tinha riso e flores e lembro-me de quando você disse '' o sofrimento não tem nada haver com a gente'' Mas você estava errado. Porque eu nunca sofri tanto.
Engasgada. Sufocada. Estou assim. Sem palavra. Sem voz. Puta que pariu. Até as palavras foram-me arrancadas. Oprimida. Como nunca havia sido antes. Foi fácil não é? Quando somos homens e ex namorados , é bem fácil oprimir uma mulher.
Sem nada. Despida através das lembranças que resolvi recolher. E fui me cortando a cada palavra que eu lembrava. Mistifório do amor com a situação grotesca posterior. Por que você fez isso?
Não precisávamos. Você sabe que poderíamos ter tido um fim melhor.
Porque eu jurava
jurávamos
que o sofrimento não tinha nada haver com a gente.

será que se eu escrever
em todo os papéis das minhas gavetas
em todo o chão da minha casa
em toda parede

nas minhas roupas
no sutiã na calcinha
na coberta no lençol
no chuveiro
no meu corpo
na minha boca
nos meus seios

será que se eu escrever
em todo o canto do mundo
se eu escrever durante seis meses

-tempo que durou-

será que passa?

essa coisa
que todos
os amantes
os artistas
os passantes
que vivem,
sentem.
chorei
chorei
chorei
como nunca havia chorado antes.

doeu
doeu
doeu
como nuca havia doído antes.

aquela moça tava trajada de alegria
mas num suspiro
num fechar de olhos
veio a lembrança
maldita! maldita lembrança!
some da minha vida
some da minha mente
some do meu corpo
some do meu choro
choro
só havia isso
descompassadamente
cachoeiras caiam
e caiam
como algo que não tem fim
e embrulhavam
a alegria
de minutos atrás.

não adianta
fingir
que passou
moça,
não adianta
fingir que durou
moça, grita
grita palavras enormes esculpidas em seu coração
grita mais, grita tudo que houver
mas grita forte
pra ver se assim

alguém te escuta
e de algum forma
entenda
e diga
uma palavra
de alegria
ou de
flor.

sexta-feira, 20 de junho de 2014


[para ouvir ao ler: http://letras.mus.br/rubel/nuvem/]

''Nuvem
é você
Que não
Posso tocar''

-

E quando bate a saudade daquilo que não se tem?
Do abraço que não tá aqui
eu sinto
juro que sinto
quase posso dizer
que seu braço
tocou no meu
mas...
tá longe
tão longe!

-tento tocar, mas ele some como num suspiro momentâneo-

vem ser alguma coisa por aqui 
vem me ver
por favor.

essas conversas tão distantes 
quilômetros e quilômetros 
umas nuvens
uns ares
milhões de casas 
pessoas
prédios
carros
muitos carros.
estrada e mais estrada

eu aqui
você aí

e tanta coisa que parece estar no meio
dessas palavras que se entrecruzaram 
num dia qualquer
que tornou-se nem tão qualquer assim
e desde então
tem se tornado 
dias
de saudade.

Foto por: Klauss Schramm 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

[eu precisava dizer, desculpe a precipitação.]


me fala
mas me fala de verdade
o que cê tá querendo?
ou ainda não quer nada?
ou nem sabe o que querer?

me fala
por favor
me fala alguma coisa
sobre carinho
sobre a gente
sobre
conhecer
de verdade,
conhecer na essência
com riso com cor com som

-dias de prosa que não querem fim-

conhecer bem assim
como está
como estamos

me fala bem alto
dos seus medos
dos seus sonhos
dos seus beijos
me beija
me abraça

mas fica.
por favor
fica.
escreva
no concreto chamuscado
na avenida barulhenta
nas paredes tão cinzentas

nos postes
nos vidros
nas janelas

no latão de lixo
no papel de guardanapo
no caderno antigo

nas folhas de outono,
caídas pelo chão.

escreva tudo que vê
tudo que canta
tudo que gira
tudo que sente

escreva na cidade
no meu bairro
na minha rua
na minha casa
na minha cama

escreva
eu
e
você.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Faz um tempo já
que eu conheci um poeta
chamado Pedro
Lembro-me bem de como ele chegou
bateu na porta dizendo: calma moça, sai desse moço-problema
que a vida é grande!

Faz um tempo já
que eu tento escrever
comecei a uns anos
nuns garranchos pequenos
tão descompassados como esse.

Faz um tempo
e hoje o Pedro voltou
bateu na porta
já aberta
e disse: calma moça, sai desse pessimismo-inseguro
que a vida é grande!

Faz um tempo
que eu tento fazer poesia
umas saem outras rodam
outras piram

outras, vixe!
nem sinal de poema.

mas o Pedro disse,

que a vida é grande.
ei
psiu
você mesmo
vem cá vem
quero mais palavra
quero mais encanto
quero um suspiro-doce-amante

ei
psiu
brigada
de novo
por tá aqui
por construir
umas pitadas de prosa
no meio da dor.

ei
você
você mesmo
sabe aquela rua?
sabe aquela música?
essa mesmo!
então,
bora correr
você eu
mãos
abraços
talvez um beijo

feito música-de-rua
em dias de carnaval.


Durante a noite nebulosa

os olhos cansados
dos dias frustantes
calados
imersos
em tanto
olhar que não se olha
abraço que não se abraça
braços que não se tocam
pronde vamos?
até onde aguentaremos
dias árduos sem toque-afeto-arte?
dias de cursinho
de trabalho
faculdade
curso 1 curso 2 curso 3

(faça inglês!)

isso
aquilo
e sei-lá-mais-o-que

dias academicamente-fartos
vestibular tá aí
emprego tá aí
dinheiro tá aí
escolha. faça. compre.

não pense.
nem respire
nem esbarre no outro
o outro é individualmente-só-outro
e você é individualmente-só-você

indivíduos, permitam-se
pelo amor de Deus!
joguem tudo pra cima de vez em quase sempre
esqueçam essa merda de escolher. fazer. comprar.
seja
você
seja eu
seja nós
sejamos
todos juntos,

poesia.


''A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."

[Graciliano Ramos]

Não
não há poesia estandarte por aqui
não há holofotes
que explodem
que cegam
que brilham brilham
tanto tanto
que cansam
os olhos que gostam de enxergar.

Não
não há estrela de cinema
nem estrela de tv
nem estrela de empresa

[há um brilho. um brilho pouco, que quer falar.]

Não é fácil.
Não mesmo.
Num mundo tão estrela-por-toda-parte
a gente se pergunta
se é estrela de verdade
ou estrela-estandarte

terça-feira, 17 de junho de 2014

Dois poemas em um só.

C O P A
com opressão para alguns
F I F A
federação internacional filiada à
quem?

vai ter copa sim
vai ter luta sim
vai ter tudo

grite torça
mas lembre
que tem gente que morreu
operário nem cresceu
e já tinhas uns pingos
do sangue dele
escorrido pelo gramado-pedestal

corre corre operário! faz logo que é pra amanhã!
pra hoje
pra agora
que o Brasil tá chegando!

morre.

morreram muitos.

houve bomba também
desde Junho,

vai PM bate bate! bate logo que é pra amanhã!
pra hoje
pra agora
que o Brasil tá chegando!

dói.

doeu em muitos.

Desculpe
não me pintarei de verde-amarelo
não consigo não passa não sustento
diante de tanto erro
erros de prioridades

lá perto de casa não tem casa pra todos
não tem comida pra todos
não tem saúde pra todos
não tem educação pra todos
não tem pão não tem água não tem luz

tem uns olhinhos-brilhantes dos meninos que jogam bola na rua
e sonham em ser jogador da seleção.

tem umas bandeirinhas esverdeadas sob as casas feitas de papelão
tem o seu josé com a TV pequena torcendo torcendo
como em 70

e ele sussurrava baixinho: vai brasil!
não tinha nem voz mais, pra gritar

e seus netos, assistiam todos descalços ao lado do avô

paralelamente

TV trocentas polegadas
home theater
amendoim
cerveja
churrasco
pão
água
luz
saúde
educação

unha feita
verde-amarela

muito pouco pra tantos josés
muito muito pra poucos
poucos poucos

se tornarão jogadores da seleção.



São tantos nomes , tantos rostos, tanta gente, tanta vida, tanto tanto que nem cabe no papel.
Já deparou-se com algum momento de epifania em que a vida lhe confortava com as boas lembranças?
Quais são suas lembranças mais recentes?
Apagaria-as caso houvesse a possibilidade?
Uma. Duas. Três. Quantas lembranças cabem num corpo que ama?
Que dança, que vibra, que grita: v i d a a a a a a a a a a a a a
Explode(?)
Escancaram-se as lembranças dentro de nós e ficam todas ali embaralhadas num mistifório de cores e odores e sentidos. 
lembro-me bem de quando você sorriu pela primeira vez pra mim.
lembro-me bem do meu primeiro tombo quando aprendia a andar de bicicleta
lembro do chá de camomila numa noite de frio
lembro lembro perco lembro
onde está?
ainda está aí? volta volta! não fuja não
que eu te quero concreta, quero sentir novamente e conseguir segurar esse filete que perpassa nossas mentes
e vai
pra tão tão longe
e quando volta a gente abraça com medo de perder
novamente.

-------------------------------------------------
trilha sonora e fotografia do filme: Brilho eterno de uma mente sem lembranças.

[muito bom, por sinal. super indico ♥]

sábado, 14 de junho de 2014

Se eu não escrever
explodo
Se eu não amar
emudeço
Se eu não seguir
paro
Se eu não souber como,

grito
grito
grito

se eu não me achar
nem nas palavras que escorrem
percorrem meu ser
como prosseguir?

faço poesia-mal-feita
pra gritar bem alto
bem claro
tudo tudo
que vier
lá de dentro
daquele lugar escondido que todos temos
da onde brotam as lágrimas
e as paixões
que por aqui, são todas sem métrica
sem tempo
passam-uma-por-cima-da-outra

poesia
dá-me espaço
pra suspir(ar)
nesse tanto de vida
que tira todas as peças de roupa
e deixa o frio contornando a face
arrepiando-me os pelos
arrancando tudo

restando somente eucorpo coração e palavra.
Deliberado pelo universo que ali se encontrariam, lá estavam. Duas carteiras, uma atrás da outra, divididas pelas vozes dos outros que sorriam e falavam sem parar. As moças, não sabiam que ia brotar amor.
Nunca souberam de nada, pra falar a verdade. Nada cuidadosamente concreto sobre o mundo. Nada sobre ir embora.
Não dava.
Daquelas tardes de ensino médio surgiram as mais belas histórias, os maiores abraços quando haviam lágrimas. E os risos tão grandes tão vivos. Tanta coisa. Você sabe.
Mas o que fazer quando a linha que amarra e torna real balança e a cada batida do vento, ameaça sumir?
Impotente. Me sinto impotente por não escutar.
Não devia ser assim.
Tá tudo tão errado
embaralho
que nem saí direito.
Palavras palavras palavras, parece que é só isso mesmo que cabe em mim, não é?
Enquanto teu silêncio cobre os espaços quase que ensurdecedores das histórias que nunca acabam, que nunca param pra ouvir.
Ver. Sei que parece que não, mas eu te vejo, enxergo cada partezinha da tua vontade de fazer dar certo e das tuas magoas que enchem potes. Eu te amo, moça. Eu te amo demais
e eu vou fazer de tudo pra concertar isso
porque não é sempre que a vida nos cede irmãs.
Estou farta dos laços rasgados, dos que vão....... 
como os pontos que escorrem nesse texto-mal-feito.
Não consigo pontuar muita coisa
e tem lágrima demais que não querem sair. -acho que é do medo, de perder.-
Mas eu te juro. Eu te juro que essa não é uma história de pessoas que se vão.
Perdão.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

singelo.


percebi que mesmo nas confluências aquosas e salgadas há espaço pro tintilar dos sons amenos e honestamente bons. os olhos marejados -nem tão passados- pedem que eu escreva sobre essa leve doçura que percorre tuas palavras, essa leve forma de saber rir e r(irmos).
tem algo aqui dentro que aproxima e emana energia translúcida desde que as prosas começaram.
doçura foi uma palavra bem ruim
na verdade acho que algodão cairia melhor
diante de tanta confusão que aqui se passava, e tanta dor. tanta. tanta. é. 
você nem sabe da metade. 
e quando lhe mostrei os textos, não perguntou
e isso
nossa
alivia. sabe. sem perguntas sobre assuntos ruins. sem conversas cansativas sobre dias cansativos.
somente risada com sabor da bala do seu Joaquim 
sim, era o moço da doceria da minha infância.
gratidão. pelas palavras 
mesmo que novo
mesmo que desconhecido
é sempre bom sentir alívios musicais
como aquelas notas bem-vindas
em dias de sol.

"alerta: o opressor pode estar na casa ao lado!"

aí quando tu vê
o machismo, a escrotice, o sem carátismo, a opressão pesada, a vingança-sem-sentido, o ódio, as palavras estupidamente grosseiras, a opressão virtualmente e pessoalmente, a exposição da vítima e todas as formas que o imbecil conseguir de destruir com a tua sanidade mental e emocional podem vir da pessoa que tu mais amava.
aí quando tu vê
você pode ser a vítima de toda essas merdas.
e cê percebe que isso tudo não é histórinha de filme. que quando você menos imagina, as pessoas deixam transparecer o lado mais grotesco e pútrido que possuem. e oprimem da pior forma que puderem fazer. e sentem prazer nisso. e ainda conseguem se safar e sair como inocentes, diante da merda toda que fizeram.
nunca soube o que seria ter que cogitar ir à delegacia da mulher.
nunca soube o que era alguém que dizia te amar, tentar destruir tudo de mais bonito que tu possuí.
nunca senti na pele a opressão provinda de alguém que tu confiava mais que tudo nesse mundo.
e sentir os olhos marejando. e sentir o coração na mão.
e.
dói.
dói demais.

sábado, 31 de maio de 2014

Cuspia numa tigela suja de catarro, pútrida, cheia de vermes, feito tua boca, da onde saíram tantas mentiras e tanta opressão. Meu peito se enchia de lágrima, de água, de dor. E formavam-se bolhas, que estouravam, uma por uma, sempre que lembrava das imagens, das palavras, do machismo pulsante em cada parte.
Das ameaças. Dos dizeres conjugados com ácido estomacal. Chame a polícia. Chame mais um grupo de cretinos opressores pra te defender.
Chame os vermes que percorrem as esquinas.
Chame quem quiser
que a putaria já é tamanha mesmo, faça ela ser compatível ao teu caráter de merda, porque é bem do seu feitio. Seu merda.
Nunca mais rele um dedo em mim, que eu tenho nojo dessas mãos que um dia me tocaram. Eu tenho nojo do teu beijo. Do teu olho. Do teu corpo.
Não sei como pode caber tanta raiva, tanta loucura.
Cego. Você só pode ter cegado. Sinto de longe a água destilada misturada com álcool caindo sobre seus olhos semi-abertos e entrando em sua boca da onde vinham os rumores gritos horrores

some
some das minhas palavras. do meu passado. do meu coração.
que isso não é amor
isso é insanidade 
doença

some
e vai ser doente longe de mim.

domingo, 25 de maio de 2014

Não dava pra ir dormir, sem falar a respeito dos girassóis. Sabe moço, acho que cansei da poesia, hoje vou tentar, numa prosa curta (e grossa. digo. grosseiramente sem jeito) te dizer o que se passa. Anabella adorava dias honestos com luzes e bandolins. Você sabe. Sempre soube. Dos olhos gigantes e das rodas gigantes com sabor de céu. Seu beijo, me contaram, que seu beijo tinha gosto de lágrima. Lágrima sem sal. Lágrimas doces e translúcidas. Anabella se afagava com músicas efêmeras e risos partilhados em dias de parque. Mas ela nunca deixou de te amar. Porque tem algo dentro dela que é de uma imensidão absurda. Onde cabe cada pedaço de carta rasgada, fotos antigas e corpos. Elas sempre (des)ajeita tudo dentro de um corpo que não se sabem mais os poetas se era corpo ou palavras, todas amontoadas junto ao vidrinho de aquarela que explodiu. Anabella era meio Olívia, meio Maria, meio Joana. Meio mulher. Meio moça. Meio vida.
Meia vida é quanto?
Vai me cobrar pra viver? Ou os gastos com sapatos de cristais já não bastaram?
Não tenho pé pra sapato de cristal.
Não moro em castelo.
Não sou Anabella.
Mas sei das dores dela
e das palavras todas grandes querendo sair. quase. quase rasgam-lhe a garganta
pra gritar sobre saudade e olhares que ficam.
ah. e o girassóis. sim. um dia amarrarei eles em fita e lhe entregarei junto a um beijo
sem sabor de lágrima.
e ainda te ajudo a explodir um potinho de aquarela
e quebrar sapatos de cristal.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

pontuei
parte de ti

juro que fiz
de tudo
pra esquecer
os pontos que tu perdeu comigo.

mas tem algo dentro de mim
que me mostra e estanca
sempre que ouço sua voz
e lembro-me dos teus lábios-tão-bons

pare de pontuar tua vida, moço
você chega a se afogar
e leva os outros junto
nesse teu emaranhado de desilusões
e desistências
e
você sabe. que eu gosto do teu sorriso.
tenta deixar ao menos
que ele pontue.

pare
por um segundo
de ter gosto de lágrima.


me disseram que tem algo dentro da gente que não para e não rompe nem acaba
algo que pisca pisca pisca, feito as luzes de natal numa praça bonita. algo que lembra de se molhar na chuva e secar deitado na grama ao sol do fim de tarde. algo que dá abraços apertados que limpam lágrimas. algo que é imenso e profundamente simples.
algo que nos torna
nos compacta
nos envolve
e fica.
algo bem perto de amor
mas é mais
porque mesmo quando o amor dói
há um empurrãozinho
que vai dizer bem de leve:
corre
que a vida é grande demais
feito você.