vento
sopra na proa
dos barquinhos de papel
que a criança desenhou
com tinta aquarela
e saíram andando por aí
no asfalto de São Paulo.
coloriram
pedra por pedra
rosto por rosto
lixo por lixo
até que
surgiu um mar
de cores
afogando
todos os moradores
daquela cidade-concreto
e então,
ela virou
papel molhado
e tinta escorrida.
Este blog não tem a pretensão de ser nada além de um lugar onde eu tenha a liberdade de escrever o que quero e você tem a liberdade de dizer o que quiser.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
cachos
enrolam
seu cachos
se enrolam em mim
cacheiam-me
a vida
que andava tão de soslaio
conturbada
problemática
bem vida mesmo
sabe
quando ela resolve
explodir
em você?
mas aí
num suspiro
alguém surge
e tem cachos
e sorriso
e que sorriso lindo que você tem, moço!
já devo ter te dito
um zilhão de gratidão né?
mas é que
não tem palavra melhor
do que essa
pra alguém
que chega tão de leve
e fica tão de leve
e
se possível,
me beije
e bem de leve
me deixe tocar nesses seus cachos tão bonitos.
enrolam
seu cachos
se enrolam em mim
cacheiam-me
a vida
que andava tão de soslaio
conturbada
problemática
bem vida mesmo
sabe
quando ela resolve
explodir
em você?
mas aí
num suspiro
alguém surge
e tem cachos
e sorriso
e que sorriso lindo que você tem, moço!
já devo ter te dito
um zilhão de gratidão né?
mas é que
não tem palavra melhor
do que essa
pra alguém
que chega tão de leve
e fica tão de leve
e
se possível,
me beije
e bem de leve
me deixe tocar nesses seus cachos tão bonitos.
tire a sua mão do meu corpo
quando digo não!
tire as suas regras do meu corpo
sendo ele meu.
tire seus gritos esbravejantes
de cima de mim.
tire suas verdades absolutas
sobre eu ser
assim ou assado.
tire seus dizeres hostis
baseados nos padrões
que tem ensinaram.
''fiu-fiu, gostosa, ei! não quer uma chupadinha?!''
SOME.
Desaparece do meu espaço
que é meu
só meu.
PARE.
De invadir a única coisa que me resta
nesse mundo machista
e cheio de opressão.
pare de invadir
o meu corpo
meu espaço
minha fala
minha vida
minhas escolhas.
se coloque no seu lugar
e não venha com suas justificativas-mal-feitas
não é não.
e sou eu quem digo
o que sinto
o que quero
e quem eu sou!
quando digo não!
tire as suas regras do meu corpo
sendo ele meu.
tire seus gritos esbravejantes
de cima de mim.
tire suas verdades absolutas
sobre eu ser
assim ou assado.
tire seus dizeres hostis
baseados nos padrões
que tem ensinaram.
''fiu-fiu, gostosa, ei! não quer uma chupadinha?!''
SOME.
Desaparece do meu espaço
que é meu
só meu.
PARE.
De invadir a única coisa que me resta
nesse mundo machista
e cheio de opressão.
pare de invadir
o meu corpo
meu espaço
minha fala
minha vida
minhas escolhas.
se coloque no seu lugar
e não venha com suas justificativas-mal-feitas
não é não.
e sou eu quem digo
o que sinto
o que quero
e quem eu sou!
[Sobre significados embaralhados, versos tortos e suspiro confusos.]
sau.da.de
s.f. Recordação suave e melancólica de pessoa ausente, local ou coisa distante, que se deseja voltar a ver ou possuir.
Nostalgia.
vo.cê
s.m Recordação suave e melancólica presente a tempos de distância. Longe. Nostálgico. Vivo como a saudade que sibila em palavras tortas.
Um dia, criarei meu dicionário próprio e lá estarão todas as palavras que criamos juntos. Aquelas que só existem no nosso dicionário.
Bolo de cenoura com chocolate poderia ser uma só palavra. Regina não é um nome próprio, é um substantivo que significa: moça que diz para casais que vai durar. Você lembra da Regina, daquela tarde
da gente,
e da quantidade de alegria.... e...
eu nunca vou esquecer de quando dormimos juntos.
Casais? Éramos isso?
Já faz tanto tempo.
Foi antes do outro moço. Antes e ao mesmo tempo.
Você sabe, que eu nunca esqueci de ti. Do teu riso. Do teu beijo...
do seu abraço
mas
aquelas lágrimas que trocamos juntos
foram tão estranhas
e sempre que lembro de ti
de nós
é quase como ver um retrato velho na estante empoeirada
e sorrir, de leve, quase que num suspiro
de saudade
ou
de
amor.
quarta-feira, 25 de junho de 2014
Comecei a escrever, mas queria desenhar. Deve ser porque nunca arranjarei palavras tão confortantes quanto sua companhia e talvez linhas leves de um desenho falariam melhor do que as minhas palavras tortas. Mas não sei desenhar. Pintei até meus 12 anos e quando conheci a escrita: parei. Mas também não sei escrever. Então como é que falarei para você sobre a gratidão que eu tenho pelo universo ou pelo responsável de ter te colocado em minha vida? Não deve ter nada de muito místico. Eu exagero. As pessoas aparecem e pronto, não é? Vão embora e ponto. Você vai embora? Hm. Me fala mais de você e desse seu jeito de fazer pessoas que tão doendo, sorrirem. Me fala do teu abraço. Me abraça. Desenha comigo. Escreve comigo. É que as minhas linhas são tão tortas, moço! Desde que coisas tortas ocorreram, minhas linhas estavam completamente sem rumo. Mas eu tenho uma vontade tão grande de viver, sabe? Que não dava para parar. Tem algo dentro de mim que é maior que eu mesma e que grita: continua Iaiá! Continua que a vida é grande e a morte é certa. Eu. Eu gosto de você. E de pensar em você. E de conversar com você. E rir com você. E ir com... Pera. Tá tudo bem? Ou eu tô exagerando novamente? Mas é que. Eu preciso te abraçar e ver seu sorriso de perto. E rir, como temos rido nos últimos tempos. E ir. Pra onde você quiser. Quisermos, talvez.
Permite-me que seja no plural?
segunda-feira, 23 de junho de 2014
rompi laços de confiança com o mundo
rompi desde que
opressão.
muita.
enorme.
moço, você nem faz ideia do que passei!
não tinha como não romper
fui estraçalhada por dentro
não, não foi um amor que não deu certo
não, não foi frustração
foi opressão
mesmo.
da pior possível.
porque a gente nunca espera
que a opressão venha
de quem amamos e diz que nos ama
e.
rompi.
rompi versos,
rompi palavras
rompi risos
mas eu juro
que tenho uma vontade imensa de te ver
e saber o que podemos ser
juntos
separados
perto
distante
não sei.
não sei mesmo
mas tenho vontade de arriscar
um toque,
talvez.
gosto de toques,
mas tenho tido medo deles
desde que
opressão.
umas risadas
-como essas, que têm sido, tão nossas-
mas não acredito em risadas
desde que
é.
você não sabe
porque eu não quis contar
não queria te assustar
com o susto que está
dentro de mim
desde que.
ah.
foi machismo
foi vingança
desamor
tanta coisa
das piores
que.
rompe sabe?
as palavras ficam engasgadas
meio tortas
mas eu juro
que
vou tentar
confiar
em você.
rompi desde que
opressão.
muita.
enorme.
moço, você nem faz ideia do que passei!
não tinha como não romper
fui estraçalhada por dentro
não, não foi um amor que não deu certo
não, não foi frustração
foi opressão
mesmo.
da pior possível.
porque a gente nunca espera
que a opressão venha
de quem amamos e diz que nos ama
e.
rompi.
rompi versos,
rompi palavras
rompi risos
mas eu juro
que tenho uma vontade imensa de te ver
e saber o que podemos ser
juntos
separados
perto
distante
não sei.
não sei mesmo
mas tenho vontade de arriscar
um toque,
talvez.
gosto de toques,
mas tenho tido medo deles
desde que
opressão.
umas risadas
-como essas, que têm sido, tão nossas-
mas não acredito em risadas
desde que
é.
você não sabe
porque eu não quis contar
não queria te assustar
com o susto que está
dentro de mim
desde que.
ah.
foi machismo
foi vingança
desamor
tanta coisa
das piores
que.
rompe sabe?
as palavras ficam engasgadas
meio tortas
mas eu juro
que
vou tentar
confiar
em você.
sábado, 21 de junho de 2014
'' a nossa música nunca mais tocou''
Estava parada e em um clique não estava mais. Foi só clicar ali e pronto. Estava tonta. De saudade, de raiva. Por que você fez tudo aquilo? Porque você cultivou rancor vinganças desamor? E tinha tanto amor! Você sabe como tinha.
Tinha riso e flores e lembro-me de quando você disse '' o sofrimento não tem nada haver com a gente'' Mas você estava errado. Porque eu nunca sofri tanto.
Engasgada. Sufocada. Estou assim. Sem palavra. Sem voz. Puta que pariu. Até as palavras foram-me arrancadas. Oprimida. Como nunca havia sido antes. Foi fácil não é? Quando somos homens e ex namorados , é bem fácil oprimir uma mulher.
Sem nada. Despida através das lembranças que resolvi recolher. E fui me cortando a cada palavra que eu lembrava. Mistifório do amor com a situação grotesca posterior. Por que você fez isso?
Não precisávamos. Você sabe que poderíamos ter tido um fim melhor.
Porque eu jurava
jurávamos
que o sofrimento não tinha nada haver com a gente.
será que se eu escrever
em todo os papéis das minhas gavetas
em todo o chão da minha casa
em toda parede
nas minhas roupas
no sutiã na calcinha
na coberta no lençol
no chuveiro
no meu corpo
na minha boca
nos meus seios
será que se eu escrever
em todo o canto do mundo
se eu escrever durante seis meses
-tempo que durou-
será que passa?
essa coisa
que todos
os amantes
os artistas
os passantes
que vivem,
sentem.
em todo os papéis das minhas gavetas
em todo o chão da minha casa
em toda parede
nas minhas roupas
no sutiã na calcinha
na coberta no lençol
no chuveiro
no meu corpo
na minha boca
nos meus seios
será que se eu escrever
em todo o canto do mundo
se eu escrever durante seis meses
-tempo que durou-
será que passa?
essa coisa
que todos
os amantes
os artistas
os passantes
que vivem,
sentem.
chorei
chorei
chorei
como nunca havia chorado antes.
doeu
doeu
doeu
como nuca havia doído antes.
aquela moça tava trajada de alegria
mas num suspiro
num fechar de olhos
veio a lembrança
maldita! maldita lembrança!
some da minha vida
some da minha mente
some do meu corpo
some do meu choro
choro
só havia isso
descompassadamente
cachoeiras caiam
e caiam
como algo que não tem fim
e embrulhavam
a alegria
de minutos atrás.
não adianta
fingir
que passou
moça,
não adianta
fingir que durou
moça, grita
grita palavras enormes esculpidas em seu coração
grita mais, grita tudo que houver
mas grita forte
pra ver se assim
alguém te escuta
e de algum forma
entenda
e diga
uma palavra
de alegria
ou de
flor.
chorei
chorei
como nunca havia chorado antes.
doeu
doeu
doeu
como nuca havia doído antes.
aquela moça tava trajada de alegria
mas num suspiro
num fechar de olhos
veio a lembrança
maldita! maldita lembrança!
some da minha vida
some da minha mente
some do meu corpo
some do meu choro
choro
só havia isso
descompassadamente
cachoeiras caiam
e caiam
como algo que não tem fim
e embrulhavam
a alegria
de minutos atrás.
não adianta
fingir
que passou
moça,
não adianta
fingir que durou
moça, grita
grita palavras enormes esculpidas em seu coração
grita mais, grita tudo que houver
mas grita forte
pra ver se assim
alguém te escuta
e de algum forma
entenda
e diga
uma palavra
de alegria
ou de
flor.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
[para ouvir ao ler: http://letras.mus.br/rubel/nuvem/]
''Nuvem
''Nuvem
é você
Que não
Posso tocar''
-
E quando bate a saudade daquilo que não se tem?
Do abraço que não tá aqui
eu sinto
juro que sinto
quase posso dizer
que seu braço
tocou no meu
mas...
tá longe
tão longe!
-tento tocar, mas ele some como num suspiro momentâneo-
vem ser alguma coisa por aqui
vem me ver
por favor.
essas conversas tão distantes
quilômetros e quilômetros
umas nuvens
uns ares
milhões de casas
pessoas
prédios
carros
muitos carros.
estrada e mais estrada
eu aqui
você aí
e tanta coisa que parece estar no meio
dessas palavras que se entrecruzaram
num dia qualquer
que tornou-se nem tão qualquer assim
e desde então
tem se tornado
dias
de saudade.
quinta-feira, 19 de junho de 2014
[eu precisava dizer, desculpe a precipitação.]
me fala
mas me fala de verdade
o que cê tá querendo?
ou ainda não quer nada?
ou nem sabe o que querer?
me fala
por favor
me fala alguma coisa
sobre carinho
sobre a gente
sobre
conhecer
de verdade,
conhecer na essência
com riso com cor com som
-dias de prosa que não querem fim-
conhecer bem assim
como está
como estamos
me fala bem alto
dos seus medos
dos seus sonhos
dos seus beijos
me beija
me abraça
mas fica.
por favor
fica.
escreva
no concreto chamuscado
na avenida barulhenta
nas paredes tão cinzentas
nos postes
nos vidros
nas janelas
no latão de lixo
no papel de guardanapo
no caderno antigo
nas folhas de outono,
caídas pelo chão.
escreva tudo que vê
tudo que canta
tudo que gira
tudo que sente
escreva na cidade
no meu bairro
na minha rua
na minha casa
na minha cama
escreva
eu
e
você.
no concreto chamuscado
na avenida barulhenta
nas paredes tão cinzentas
nos postes
nos vidros
nas janelas
no latão de lixo
no papel de guardanapo
no caderno antigo
nas folhas de outono,
caídas pelo chão.
escreva tudo que vê
tudo que canta
tudo que gira
tudo que sente
escreva na cidade
no meu bairro
na minha rua
na minha casa
na minha cama
escreva
eu
e
você.
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Faz um tempo já
que eu conheci um poeta
chamado Pedro
Lembro-me bem de como ele chegou
bateu na porta dizendo: calma moça, sai desse moço-problema
que a vida é grande!
Faz um tempo já
que eu tento escrever
comecei a uns anos
nuns garranchos pequenos
tão descompassados como esse.
Faz um tempo
e hoje o Pedro voltou
bateu na porta
já aberta
e disse: calma moça, sai desse pessimismo-inseguro
que a vida é grande!
Faz um tempo
que eu tento fazer poesia
umas saem outras rodam
outras piram
outras, vixe!
nem sinal de poema.
mas o Pedro disse,
que a vida é grande.
que eu conheci um poeta
chamado Pedro
Lembro-me bem de como ele chegou
bateu na porta dizendo: calma moça, sai desse moço-problema
que a vida é grande!
Faz um tempo já
que eu tento escrever
comecei a uns anos
nuns garranchos pequenos
tão descompassados como esse.
Faz um tempo
e hoje o Pedro voltou
bateu na porta
já aberta
e disse: calma moça, sai desse pessimismo-inseguro
que a vida é grande!
Faz um tempo
que eu tento fazer poesia
umas saem outras rodam
outras piram
outras, vixe!
nem sinal de poema.
mas o Pedro disse,
que a vida é grande.
ei
psiu
você mesmo
vem cá vem
quero mais palavra
quero mais encanto
quero um suspiro-doce-amante
ei
psiu
brigada
de novo
por tá aqui
por construir
umas pitadas de prosa
no meio da dor.
ei
você
você mesmo
sabe aquela rua?
sabe aquela música?
essa mesmo!
então,
bora correr
você eu
mãos
abraços
talvez um beijo
feito música-de-rua
em dias de carnaval.
psiu
você mesmo
vem cá vem
quero mais palavra
quero mais encanto
quero um suspiro-doce-amante
ei
psiu
brigada
de novo
por tá aqui
por construir
umas pitadas de prosa
no meio da dor.
ei
você
você mesmo
sabe aquela rua?
sabe aquela música?
essa mesmo!
então,
bora correr
você eu
mãos
abraços
talvez um beijo
feito música-de-rua
em dias de carnaval.
Durante a noite nebulosa
os olhos cansados
dos dias frustantes
calados
imersos
em tanto
olhar que não se olha
abraço que não se abraça
braços que não se tocam
pronde vamos?
até onde aguentaremos
dias árduos sem toque-afeto-arte?
dias de cursinho
de trabalho
faculdade
curso 1 curso 2 curso 3
(faça inglês!)
isso
aquilo
e sei-lá-mais-o-que
dias academicamente-fartos
vestibular tá aí
emprego tá aí
dinheiro tá aí
escolha. faça. compre.
não pense.
nem respire
nem esbarre no outro
o outro é individualmente-só-outro
e você é individualmente-só-você
indivíduos, permitam-se
pelo amor de Deus!
joguem tudo pra cima de vez em quase sempre
esqueçam essa merda de escolher. fazer. comprar.
seja
você
seja eu
seja nós
sejamos
todos juntos,
poesia.
''A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."
[Graciliano Ramos]
Não
não há poesia estandarte por aqui
não há holofotes
que explodem
que cegam
que brilham brilham
tanto tanto
que cansam
os olhos que gostam de enxergar.
Não
não há estrela de cinema
nem estrela de tv
nem estrela de empresa
[há um brilho. um brilho pouco, que quer falar.]
Não é fácil.
Não mesmo.
Num mundo tão estrela-por-toda-parte
a gente se pergunta
se é estrela de verdade
ou estrela-estandarte
[Graciliano Ramos]
Não
não há poesia estandarte por aqui
não há holofotes
que explodem
que cegam
que brilham brilham
tanto tanto
que cansam
os olhos que gostam de enxergar.
Não
não há estrela de cinema
nem estrela de tv
nem estrela de empresa
[há um brilho. um brilho pouco, que quer falar.]
Não é fácil.
Não mesmo.
Num mundo tão estrela-por-toda-parte
a gente se pergunta
se é estrela de verdade
ou estrela-estandarte
terça-feira, 17 de junho de 2014
Dois poemas em um só.
C O P A
com opressão para alguns
F I F A
federação internacional filiada à
quem?
vai ter copa sim
vai ter luta sim
vai ter tudo
grite torça
mas lembre
que tem gente que morreu
operário nem cresceu
e já tinhas uns pingos
do sangue dele
escorrido pelo gramado-pedestal
corre corre operário! faz logo que é pra amanhã!
pra hoje
pra agora
que o Brasil tá chegando!
morre.
morreram muitos.
houve bomba também
desde Junho,
vai PM bate bate! bate logo que é pra amanhã!
pra hoje
pra agora
que o Brasil tá chegando!
dói.
doeu em muitos.
Desculpe
não me pintarei de verde-amarelo
não consigo não passa não sustento
diante de tanto erro
erros de prioridades
lá perto de casa não tem casa pra todos
não tem comida pra todos
não tem saúde pra todos
não tem educação pra todos
não tem pão não tem água não tem luz
tem uns olhinhos-brilhantes dos meninos que jogam bola na rua
e sonham em ser jogador da seleção.
tem umas bandeirinhas esverdeadas sob as casas feitas de papelão
tem o seu josé com a TV pequena torcendo torcendo
como em 70
e ele sussurrava baixinho: vai brasil!
não tinha nem voz mais, pra gritar
e seus netos, assistiam todos descalços ao lado do avô
paralelamente
TV trocentas polegadas
home theater
amendoim
cerveja
churrasco
pão
água
luz
saúde
educação
unha feita
verde-amarela
muito pouco pra tantos josés
muito muito pra poucos
poucos poucos
se tornarão jogadores da seleção.
com opressão para alguns
F I F A
federação internacional filiada à
quem?
vai ter copa sim
vai ter luta sim
vai ter tudo
grite torça
mas lembre
que tem gente que morreu
operário nem cresceu
e já tinhas uns pingos
do sangue dele
escorrido pelo gramado-pedestal
corre corre operário! faz logo que é pra amanhã!
pra hoje
pra agora
que o Brasil tá chegando!
morre.
morreram muitos.
houve bomba também
desde Junho,
vai PM bate bate! bate logo que é pra amanhã!
pra hoje
pra agora
que o Brasil tá chegando!
dói.
doeu em muitos.
Desculpe
não me pintarei de verde-amarelo
não consigo não passa não sustento
diante de tanto erro
erros de prioridades
lá perto de casa não tem casa pra todos
não tem comida pra todos
não tem saúde pra todos
não tem educação pra todos
não tem pão não tem água não tem luz
tem uns olhinhos-brilhantes dos meninos que jogam bola na rua
e sonham em ser jogador da seleção.
tem umas bandeirinhas esverdeadas sob as casas feitas de papelão
tem o seu josé com a TV pequena torcendo torcendo
como em 70
e ele sussurrava baixinho: vai brasil!
não tinha nem voz mais, pra gritar
e seus netos, assistiam todos descalços ao lado do avô
paralelamente
TV trocentas polegadas
home theater
amendoim
cerveja
churrasco
pão
água
luz
saúde
educação
unha feita
verde-amarela
muito pouco pra tantos josés
muito muito pra poucos
poucos poucos
se tornarão jogadores da seleção.
[Para ouvir ao ler: http://www.youtube.com/watch?v=V7XVe0FaT-s]
São tantos nomes , tantos rostos, tanta gente, tanta vida, tanto tanto que nem cabe no papel.
Já deparou-se com algum momento de epifania em que a vida lhe confortava com as boas lembranças?
Quais são suas lembranças mais recentes?
Apagaria-as caso houvesse a possibilidade?
Uma. Duas. Três. Quantas lembranças cabem num corpo que ama?
Que dança, que vibra, que grita: v i d a a a a a a a a a a a a a
Explode(?)
Escancaram-se as lembranças dentro de nós e ficam todas ali embaralhadas num mistifório de cores e odores e sentidos.
lembro-me bem de quando você sorriu pela primeira vez pra mim.
lembro-me bem do meu primeiro tombo quando aprendia a andar de bicicleta
lembro do chá de camomila numa noite de frio
lembro lembro perco lembro
onde está?
ainda está aí? volta volta! não fuja não
que eu te quero concreta, quero sentir novamente e conseguir segurar esse filete que perpassa nossas mentes
e vai
pra tão tão longe
e quando volta a gente abraça com medo de perder
novamente.
-------------------------------------------------
trilha sonora e fotografia do filme: Brilho eterno de uma mente sem lembranças.
[muito bom, por sinal. super indico ♥]
sábado, 14 de junho de 2014
Se eu não escrever
explodo
Se eu não amar
emudeço
Se eu não seguir
paro
Se eu não souber como,
grito
grito
grito
se eu não me achar
nem nas palavras que escorrem
percorrem meu ser
como prosseguir?
faço poesia-mal-feita
pra gritar bem alto
bem claro
tudo tudo
que vier
lá de dentro
daquele lugar escondido que todos temos
da onde brotam as lágrimas
e as paixões
que por aqui, são todas sem métrica
sem tempo
passam-uma-por-cima-da-outra
poesia
dá-me espaço
pra suspir(ar)
nesse tanto de vida
que tira todas as peças de roupa
e deixa o frio contornando a face
arrepiando-me os pelos
arrancando tudo
restando somente eucorpo coração e palavra.
explodo
Se eu não amar
emudeço
Se eu não seguir
paro
Se eu não souber como,
grito
grito
grito
se eu não me achar
nem nas palavras que escorrem
percorrem meu ser
como prosseguir?
faço poesia-mal-feita
pra gritar bem alto
bem claro
tudo tudo
que vier
lá de dentro
daquele lugar escondido que todos temos
da onde brotam as lágrimas
e as paixões
que por aqui, são todas sem métrica
sem tempo
passam-uma-por-cima-da-outra
poesia
dá-me espaço
pra suspir(ar)
nesse tanto de vida
que tira todas as peças de roupa
e deixa o frio contornando a face
arrepiando-me os pelos
arrancando tudo
restando somente eucorpo coração e palavra.
Deliberado pelo universo que ali se encontrariam, lá estavam. Duas carteiras, uma atrás da outra, divididas pelas vozes dos outros que sorriam e falavam sem parar. As moças, não sabiam que ia brotar amor.
Nunca souberam de nada, pra falar a verdade. Nada cuidadosamente concreto sobre o mundo. Nada sobre ir embora.
Não dava.
Daquelas tardes de ensino médio surgiram as mais belas histórias, os maiores abraços quando haviam lágrimas. E os risos tão grandes tão vivos. Tanta coisa. Você sabe.
Mas o que fazer quando a linha que amarra e torna real balança e a cada batida do vento, ameaça sumir?
Impotente. Me sinto impotente por não escutar.
Não devia ser assim.
Tá tudo tão errado
embaralho
que nem saí direito.
Palavras palavras palavras, parece que é só isso mesmo que cabe em mim, não é?
Enquanto teu silêncio cobre os espaços quase que ensurdecedores das histórias que nunca acabam, que nunca param pra ouvir.
Ver. Sei que parece que não, mas eu te vejo, enxergo cada partezinha da tua vontade de fazer dar certo e das tuas magoas que enchem potes. Eu te amo, moça. Eu te amo demais
e eu vou fazer de tudo pra concertar isso
porque não é sempre que a vida nos cede irmãs.
Estou farta dos laços rasgados, dos que vão.......
como os pontos que escorrem nesse texto-mal-feito.
Não consigo pontuar muita coisa
e tem lágrima demais que não querem sair. -acho que é do medo, de perder.-
Mas eu te juro. Eu te juro que essa não é uma história de pessoas que se vão.
Perdão.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
singelo.
percebi que mesmo nas confluências aquosas e salgadas há espaço pro tintilar dos sons amenos e honestamente bons. os olhos marejados -nem tão passados- pedem que eu escreva sobre essa leve doçura que percorre tuas palavras, essa leve forma de saber rir e r(irmos).
tem algo aqui dentro que aproxima e emana energia translúcida desde que as prosas começaram.
doçura foi uma palavra bem ruim
na verdade acho que algodão cairia melhor
diante de tanta confusão que aqui se passava, e tanta dor. tanta. tanta. é.
você nem sabe da metade.
e quando lhe mostrei os textos, não perguntou
e isso
nossa
alivia. sabe. sem perguntas sobre assuntos ruins. sem conversas cansativas sobre dias cansativos.
somente risada com sabor da bala do seu Joaquim
sim, era o moço da doceria da minha infância.
gratidão. pelas palavras
mesmo que novo
mesmo que desconhecido
é sempre bom sentir alívios musicais
como aquelas notas bem-vindas
em dias de sol.
"alerta: o opressor pode estar na casa ao lado!"
aí quando tu vê
o machismo, a escrotice, o sem carátismo, a opressão pesada, a vingança-sem-sentido, o ódio, as palavras estupidamente grosseiras, a opressão virtualmente e pessoalmente, a exposição da vítima e todas as formas que o imbecil conseguir de destruir com a tua sanidade mental e emocional podem vir da pessoa que tu mais amava.
aí quando tu vê
você pode ser a vítima de toda essas merdas.
e cê percebe que isso tudo não é histórinha de filme. que quando você menos imagina, as pessoas deixam transparecer o lado mais grotesco e pútrido que possuem. e oprimem da pior forma que puderem fazer. e sentem prazer nisso. e ainda conseguem se safar e sair como inocentes, diante da merda toda que fizeram.
nunca soube o que seria ter que cogitar ir à delegacia da mulher.
nunca soube o que era alguém que dizia te amar, tentar destruir tudo de mais bonito que tu possuí.
nunca senti na pele a opressão provinda de alguém que tu confiava mais que tudo nesse mundo.
e sentir os olhos marejando. e sentir o coração na mão.
e.
dói.
dói demais.
o machismo, a escrotice, o sem carátismo, a opressão pesada, a vingança-sem-sentido, o ódio, as palavras estupidamente grosseiras, a opressão virtualmente e pessoalmente, a exposição da vítima e todas as formas que o imbecil conseguir de destruir com a tua sanidade mental e emocional podem vir da pessoa que tu mais amava.
aí quando tu vê
você pode ser a vítima de toda essas merdas.
e cê percebe que isso tudo não é histórinha de filme. que quando você menos imagina, as pessoas deixam transparecer o lado mais grotesco e pútrido que possuem. e oprimem da pior forma que puderem fazer. e sentem prazer nisso. e ainda conseguem se safar e sair como inocentes, diante da merda toda que fizeram.
nunca soube o que seria ter que cogitar ir à delegacia da mulher.
nunca soube o que era alguém que dizia te amar, tentar destruir tudo de mais bonito que tu possuí.
nunca senti na pele a opressão provinda de alguém que tu confiava mais que tudo nesse mundo.
e sentir os olhos marejando. e sentir o coração na mão.
e.
dói.
dói demais.
sábado, 31 de maio de 2014
Cuspia numa tigela suja de catarro, pútrida, cheia de vermes, feito tua boca, da onde saíram tantas mentiras e tanta opressão. Meu peito se enchia de lágrima, de água, de dor. E formavam-se bolhas, que estouravam, uma por uma, sempre que lembrava das imagens, das palavras, do machismo pulsante em cada parte.
Das ameaças. Dos dizeres conjugados com ácido estomacal. Chame a polícia. Chame mais um grupo de cretinos opressores pra te defender.
Chame os vermes que percorrem as esquinas.
Chame quem quiser
que a putaria já é tamanha mesmo, faça ela ser compatível ao teu caráter de merda, porque é bem do seu feitio. Seu merda.
Nunca mais rele um dedo em mim, que eu tenho nojo dessas mãos que um dia me tocaram. Eu tenho nojo do teu beijo. Do teu olho. Do teu corpo.
Não sei como pode caber tanta raiva, tanta loucura.
Cego. Você só pode ter cegado. Sinto de longe a água destilada misturada com álcool caindo sobre seus olhos semi-abertos e entrando em sua boca da onde vinham os rumores gritos horrores
some
some das minhas palavras. do meu passado. do meu coração.
que isso não é amor
isso é insanidade
doença
some
e vai ser doente longe de mim.
domingo, 25 de maio de 2014
Não dava pra ir dormir, sem falar a respeito dos girassóis. Sabe moço, acho que cansei da poesia, hoje vou tentar, numa prosa curta (e grossa. digo. grosseiramente sem jeito) te dizer o que se passa. Anabella adorava dias honestos com luzes e bandolins. Você sabe. Sempre soube. Dos olhos gigantes e das rodas gigantes com sabor de céu. Seu beijo, me contaram, que seu beijo tinha gosto de lágrima. Lágrima sem sal. Lágrimas doces e translúcidas. Anabella se afagava com músicas efêmeras e risos partilhados em dias de parque. Mas ela nunca deixou de te amar. Porque tem algo dentro dela que é de uma imensidão absurda. Onde cabe cada pedaço de carta rasgada, fotos antigas e corpos. Elas sempre (des)ajeita tudo dentro de um corpo que não se sabem mais os poetas se era corpo ou palavras, todas amontoadas junto ao vidrinho de aquarela que explodiu. Anabella era meio Olívia, meio Maria, meio Joana. Meio mulher. Meio moça. Meio vida.
Meia vida é quanto?
Vai me cobrar pra viver? Ou os gastos com sapatos de cristais já não bastaram?
Não tenho pé pra sapato de cristal.
Não moro em castelo.
Não sou Anabella.
Mas sei das dores dela
e das palavras todas grandes querendo sair. quase. quase rasgam-lhe a garganta
pra gritar sobre saudade e olhares que ficam.
ah. e o girassóis. sim. um dia amarrarei eles em fita e lhe entregarei junto a um beijo
sem sabor de lágrima.
e ainda te ajudo a explodir um potinho de aquarela
e quebrar sapatos de cristal.
sexta-feira, 23 de maio de 2014
pontuei
parte de ti
juro que fiz
de tudo
pra esquecer
os pontos que tu perdeu comigo.
mas tem algo dentro de mim
que me mostra e estanca
sempre que ouço sua voz
e lembro-me dos teus lábios-tão-bons
pare de pontuar tua vida, moço
você chega a se afogar
e leva os outros junto
nesse teu emaranhado de desilusões
e desistências
e
você sabe. que eu gosto do teu sorriso.
tenta deixar ao menos
que ele pontue.
pare
por um segundo
de ter gosto de lágrima.
parte de ti
juro que fiz
de tudo
pra esquecer
os pontos que tu perdeu comigo.
mas tem algo dentro de mim
que me mostra e estanca
sempre que ouço sua voz
e lembro-me dos teus lábios-tão-bons
pare de pontuar tua vida, moço
você chega a se afogar
e leva os outros junto
nesse teu emaranhado de desilusões
e desistências
e
você sabe. que eu gosto do teu sorriso.
tenta deixar ao menos
que ele pontue.
pare
por um segundo
de ter gosto de lágrima.
me disseram que tem algo dentro da gente que não para e não rompe nem acaba
algo que pisca pisca pisca, feito as luzes de natal numa praça bonita. algo que lembra de se molhar na chuva e secar deitado na grama ao sol do fim de tarde. algo que dá abraços apertados que limpam lágrimas. algo que é imenso e profundamente simples.
algo que nos torna
nos compacta
nos envolve
e fica.
algo bem perto de amor
mas é mais
porque mesmo quando o amor dói
há um empurrãozinho
que vai dizer bem de leve:
corre
que a vida é grande demais
feito você.
domingo, 18 de maio de 2014
''Eu protegi o teu nome por amor
Em um codinome, Beija-flor''
Em um pequeno papel de retalhos, onde a costura começou a seis meses atrás, me vi re-olhando, re-escrevendo, re-vivendo cada partezinha daquela costura bonita. Cada palavra que organicamente saía e esbarrava com a sua, e mesmo que tão diferentes, se encontravam e sabiam dizer tudo o que coubesse. Cada beijo saborosamente vivo. Cada abraço acalentador.
E no dia, que choveu demais, cê me ajudou a não afogar.
E no dia.
No dia que eu resolvi ir.
Retalhos sumiram, retalhada fiquei.
Porque eu nunca soube aguentar muito as coisas.
Você sabe. Sabe como é a confusão interna dos poetas que amam demais.
Então me diz, por que pra tão longe?
Onde não cabem mares de noites viradas, filmes de baixo da coberta, sorrisos sinceros sobre nós.
Há um fio da vida que parece que sempre vai tornar caótico os laços dos amantes que gostariam de estar juntos. e pra onde irá esse amor imenso que pulsa em nós?
Pra que cais irão as palavras sofridas
que ficam aqui
pensando
em como dizer.
Pra onde você vai?
Porque eu sei. Parece que eu fui. Mas decisões dizem tão menos
que as reais sensações internas.
Tão menos que os suspiros de saudade.
Tão menos que a vontade de estar.
Quando eu disse que acabou
foi por mal
não cabia
faltava ar
diante de tantas pessoas e vidas e amores e dores cansadas caladas , com crises de ansiedade.
você sabe.
você soube.
soube como foi
aquela madrugada
no hospital
pode ter certeza
que nunca, nunca houve tanto cuidado. nunca alguém me amou assim.
sei que tão descompassadas e completamente avoadas, essas palavras, tão iaiá, tão sem jeito. mas tão aqui.
beija flor, não criarei codinomes dos meus sentimentos, nem resguardarei tudo que posso dizer é
fica.
tem um batuque
dentro do meu coração
que faz barulho
sempre que eu lembro
da quantidade de sorrisos diferentes.
piscam olhos
beijam bocas
eu gosto do teu abraço
e gosto do dele também
e de todos os outros
mas é tudo tão único
tão esparso
tanta poesia
que sai de mim,
que até parece igual
mas eu te juro
que tem uma palavra
que muda
sempre
e uma que permanece.
que diabos de poesia é essa
que fala tanto de amor
e tanto de gente
e tanto de mim
pois é poesia
poesie-se por si só
porque hoje
palavras suspiraram
bem de leve
só pra lembrar
que estão vivas.
-mesmo que aos rabiscos.-
dentro do meu coração
que faz barulho
sempre que eu lembro
da quantidade de sorrisos diferentes.
piscam olhos
beijam bocas
eu gosto do teu abraço
e gosto do dele também
e de todos os outros
mas é tudo tão único
tão esparso
tanta poesia
que sai de mim,
que até parece igual
mas eu te juro
que tem uma palavra
que muda
sempre
e uma que permanece.
que diabos de poesia é essa
que fala tanto de amor
e tanto de gente
e tanto de mim
pois é poesia
poesie-se por si só
porque hoje
palavras suspiraram
bem de leve
só pra lembrar
que estão vivas.
-mesmo que aos rabiscos.-
segunda-feira, 5 de maio de 2014
A moça rodopiava por entre todos os cacos que lhe perfuravam a pele e corria sem parar ao som da música que martelava em sua cabeça tonta de amor bêbada de risos antigos e roupas tiradas e pessoas e ele aquele o outro
tudo misturado encharcado
cuspia palavras pra ver se assim saía toda aquela dor absurda
sem pontos sem vírgulas
sem nada
nua de cor
de riso
só sobrava os cacos
do namoro que ela terminou
do moço que surgiu
do outro que foi (há tempos)
um. dois. três. quatro. outros. muitos.
tanta gente pra pouco coração.
tanto coração pra tanta gente.
eu devo ter dois corações
ou quatro
ou um espaço de mar
dentro de mim
que apita toda vez
que amo
e encharca-me o corpo
e os cabelos que cortarei
e os seios beijados
as mãos que toquei
e cada pitada do amor que explode entre as veias dos transeuntes que passam por aqui. e minhas veias saltitadas expelindo todo sangue do mundo, traduzindo as palavras que não saem.
o sangue que escorre explica
a vida que não cabe
acaba.
sábado, 3 de maio de 2014
[feito algodão vermelho]
suspirando
sobre bocas
cálidas
cantarolando
timbres noturnos
numa dança que não tem fim
encarando
cada pitada do meu ser
e entendendo como é que fica o amor
quando se deixa
e se segue
e se encontra
outro(s)
e remexe
toda a bagunça
lá de dentro
lá dos pulsos
que explodem
acolhem
todo o sangue interno
que morre vive morre vive
expulsa
toda dor
todo amor
que há num dia
de nova(s) ida(s)
onde cabe toda a paz do mundo.
sobre bocas
cálidas
cantarolando
timbres noturnos
numa dança que não tem fim
encarando
cada pitada do meu ser
e entendendo como é que fica o amor
quando se deixa
e se segue
e se encontra
outro(s)
e remexe
toda a bagunça
lá de dentro
lá dos pulsos
que explodem
acolhem
todo o sangue interno
que morre vive morre vive
expulsa
toda dor
todo amor
que há num dia
de nova(s) ida(s)
onde cabe toda a paz do mundo.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
é que a iaiá
é feito cor
feito dor
feito amor
é que a iaiá
se joga na ventania
ia ia ia
iaiá
toda enrolada
desajeitada
cheia de tudo um pouco dentro de si.
e sempre foi tanto
tanta palavra tanto vento
tanta gente
tudo num balaio dançante
explosão de vida.
-às vezes, quando dói demais, iaiá acha que vai morrer-
mas aí
vem a arte
e aquelas pessoas que abraçam
e me mostram que eu sempre estive aqui.
é feito cor
feito dor
feito amor
é que a iaiá
se joga na ventania
ia ia ia
iaiá
toda enrolada
desajeitada
cheia de tudo um pouco dentro de si.
e sempre foi tanto
tanta palavra tanto vento
tanta gente
tudo num balaio dançante
explosão de vida.
-às vezes, quando dói demais, iaiá acha que vai morrer-
mas aí
vem a arte
e aquelas pessoas que abraçam
e me mostram que eu sempre estive aqui.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
sobre danças conjuntas
que embarcam
delicadamente
na pele porosa e cansada
dos dias infinitos,
corrompidos
por tanta gente
e vida
que nem cabe no poema.
as danças
sobrepõem
cada corpo
tocando levemente
o sexo da menina.
dançando
na pele alheia
correndo
e tragando
todo o fôlego
escarlate
de tão bonito.
-pausa-
me disseram que o mundo parou
e foi por você.
que embarcam
delicadamente
na pele porosa e cansada
dos dias infinitos,
corrompidos
por tanta gente
e vida
que nem cabe no poema.
as danças
sobrepõem
cada corpo
tocando levemente
o sexo da menina.
dançando
na pele alheia
correndo
e tragando
todo o fôlego
escarlate
de tão bonito.
-pausa-
me disseram que o mundo parou
e foi por você.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
[sobre amanhã]
Dez-e-nove. Dezenove. Um dia pra tanta idade. Pronde foram as bonecas de pano? E as idas ao gramado central onde podia se jogar no chão?
E os sorrisos coloridos espaçosos cheios de rima?
Iria então desvendar as absolutas certezas que não diziam nada? Ou proferir as incertezas pro mundo e agarrar com toda força qualquer pitada de ar.
Seus olhos marejados diziam sobre o amor que não cabia dentro dela e a vida que explodia pelas têmperas e percorria todo o corpo. Corpo forte e frágil, donde provinha todas as belezas confortáveis e dispostas a ser. Seremos?
Sermos.
Não temos mais medo da morte, desde que o filme mostrou delicadamente que não precisava ser tão ruim assim. Não tenho mais medo da vida. Engoli tanta vida de uma vez só, que engasguei.
Dezenove vidas dentro de mim, costuradas e pulsantes.
Dizem por aí, que os gatos têm sete.
Eu tenho trocentas cantorias de bandolim, daquelas que reverberam e exaltam cada partezinha do meu ser. E ficam.
E vão.
Estão.
E os sorrisos coloridos espaçosos cheios de rima?
Iria então desvendar as absolutas certezas que não diziam nada? Ou proferir as incertezas pro mundo e agarrar com toda força qualquer pitada de ar.
Seus olhos marejados diziam sobre o amor que não cabia dentro dela e a vida que explodia pelas têmperas e percorria todo o corpo. Corpo forte e frágil, donde provinha todas as belezas confortáveis e dispostas a ser. Seremos?
Sermos.
Não temos mais medo da morte, desde que o filme mostrou delicadamente que não precisava ser tão ruim assim. Não tenho mais medo da vida. Engoli tanta vida de uma vez só, que engasguei.
Dezenove vidas dentro de mim, costuradas e pulsantes.
Dizem por aí, que os gatos têm sete.
Eu tenho trocentas cantorias de bandolim, daquelas que reverberam e exaltam cada partezinha do meu ser. E ficam.
E vão.
Estão.
sábado, 26 de abril de 2014
[pane-no-poema.]
esse canto
sem recanto
sem encanto
.eu
nem
você.
donde foi
que vieste
tanta cor
rubra e doce
feito bala
lá do seu Joaquim
donde foi
que tu veio?
diga-me
pronde é que tu vai?
dentre tantas conexões
esmeras
quimeras
virtuais
há espaço
pra ser
ermos?
erro.
de digitação
perdão.
sem recanto
sem encanto
.eu
nem
você.
donde foi
que vieste
tanta cor
rubra e doce
feito bala
lá do seu Joaquim
donde foi
que tu veio?
diga-me
pronde é que tu vai?
dentre tantas conexões
esmeras
quimeras
virtuais
há espaço
pra ser
ermos?
erro.
de digitação
perdão.
tinha uma caixinha
velha despida
.entre poeiras.
toda acinzentada
uma foto três por quatro
uns bilhetes de metrô
shows cinemas teatros
batom borrado
quinquilharias
segundo minha mãe.
ela tava lá
toda jeitosa
sendo caixa
parada
no meio da frenética
dança da vida
que tem percorrido veias
e esculpido incertezas
clarões de sensações
todas inteiramente minhas
mesclado com sabor de algodão
doce
amargo
tudo
tudo junto
aqui
num espaço
que nem cabe mais.
velha despida
.entre poeiras.
toda acinzentada
uma foto três por quatro
uns bilhetes de metrô
shows cinemas teatros
batom borrado
quinquilharias
segundo minha mãe.
ela tava lá
toda jeitosa
sendo caixa
parada
no meio da frenética
dança da vida
que tem percorrido veias
e esculpido incertezas
clarões de sensações
todas inteiramente minhas
mesclado com sabor de algodão
doce
amargo
tudo
tudo junto
aqui
num espaço
que nem cabe mais.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
[insanidades noturnas]
Havia uma cidade de pedra esculpida pelas mãos de corpos extremamentes
encharcados, de amores que sugaram, vínculos que findaram, vidas que
passaram. Flores e açoites. Cada pedaço que vem e vai. Constituiremos
então um emaranhado de corpos frustados? Ou haverá espaço pra um sorriso
ao desconhecido? Um vontade de entrelaçar-se com o outro e sentir uma
pitada de qualquer doçura passarinho que seja. Me digam. Peço
encarecidamente aos poetas de duas mãos e todo o sentimento do mundo:
Haverá espaço para compreender a existência de um Outro? Que sente, que
come (ou não), que vive; porra. Que suja. Que limpa. Que banca e tenta
cuidar das barrigas famintas, sofridas, caladas.
Poderíamos por gentileza abrir mão, mesmo que minimamente, do nosso eu-individualismo-confortabilíssimo-em-mim?
Não sei muito sobre bons textos, nem sobre palavras esclarecidas. Sei sobre transtornos de ansiedade, sobre bocas de saudade, dias encolhidos ao som da chuva numa cama de solteiro .nós dois.
Mas.
Onde.
Onde foi parar o pão desse mundo?
O problema não é ser rico. O problema é ser rico e não se assumir como fodidamente-privilegiado. O problema não é minha saia. O problema é seu machismo invasivo.
"Ah moça, mas aí já é vandalismo.''
''Vandalismo teu cu!''
Dois. Dois erros.
Três.
Quatro.
Cinco.
Seis.
Sete.
Sete bocas pra comer. 5 vidas pra viver. 2 vidas pra amar.
Sete dias são suficientes pra se reestabelecer com o mundo?
Saramago já dizia, que somos cegos, cegos que vendo, não veem.
Saramago diria sete vezes:
amor.
Poderíamos por gentileza abrir mão, mesmo que minimamente, do nosso eu-individualismo-confortabilíssimo-em-mim?
Não sei muito sobre bons textos, nem sobre palavras esclarecidas. Sei sobre transtornos de ansiedade, sobre bocas de saudade, dias encolhidos ao som da chuva numa cama de solteiro .nós dois.
Mas.
Onde.
Onde foi parar o pão desse mundo?
O problema não é ser rico. O problema é ser rico e não se assumir como fodidamente-privilegiado. O problema não é minha saia. O problema é seu machismo invasivo.
"Ah moça, mas aí já é vandalismo.''
''Vandalismo teu cu!''
Dois. Dois erros.
Três.
Quatro.
Cinco.
Seis.
Sete.
Sete bocas pra comer. 5 vidas pra viver. 2 vidas pra amar.
Sete dias são suficientes pra se reestabelecer com o mundo?
Saramago já dizia, que somos cegos, cegos que vendo, não veem.
Saramago diria sete vezes:
amor.
sábado, 19 de abril de 2014
nem mesmo as palavras
têm dado espaço pro corpo translúcido em emoções
corpóreas externas confusas
nem mesmo as palavras saem mais
sem eira nem beira pra conseguir evidenciar a dor interna
das paixões
da vida que não cabe dentro de mim
que explode
aos cacos
conforme me vem
qualquer pitada de reflexão.
nem mesmo as palavras sabem mais
se é prosa ou poema
se é vida ou se é morte
se é isso ou se é aquilo
eu não sei mais de mim
nem do chão que devia existir
ou do meu amor que explode
extende-se por tudo
e emaranha
dorme
dorme
dorme Iaiá
pra ver se o timbre das canções de ninar
tocam-lhe a alma
e lhe abraçam
como aos cinco anos
em que as mães
ainda afagavam.
têm dado espaço pro corpo translúcido em emoções
corpóreas externas confusas
nem mesmo as palavras saem mais
sem eira nem beira pra conseguir evidenciar a dor interna
das paixões
da vida que não cabe dentro de mim
que explode
aos cacos
conforme me vem
qualquer pitada de reflexão.
nem mesmo as palavras sabem mais
se é prosa ou poema
se é vida ou se é morte
se é isso ou se é aquilo
eu não sei mais de mim
nem do chão que devia existir
ou do meu amor que explode
extende-se por tudo
e emaranha
dorme
dorme
dorme Iaiá
pra ver se o timbre das canções de ninar
tocam-lhe a alma
e lhe abraçam
como aos cinco anos
em que as mães
ainda afagavam.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Quando brotam as gotículas de sangue amargo, da pele surrupiada pelo dia-a-dia, do rosto costurado feito o coração que desmanchou-se tantas vezes. Das pernas artificiais que se arrastam pelo concreto mundano, donde exala o suor fétido dos transeuntes, a fome dos que tem boca, o medo. O medo que brilha nos olhos do mundo. O medo de permitir que o outro adentre e dispa suas certezas e te encha de amor.
A insistência em proferir as mais sórdidas palavras quando tudo está doendo. Ausência. Essência.
Essencialmente dores.
Odores.
Amores perdidos no meio da onda de corpos que esbarram
e cruzam
e torcem
retorcem
vão e vem
''Vendem-se corações mastigados pelo mundo.'' leu a menina na placa da rua direita
Via a vitrine transparente com um monte de corações pendurados, pingando sangue, cheirando a podre. Pútrido feito o mundo.
O mundo dos que desistem
de amar.
Costurada na roldana da vida, pensou se comendo aqueles corações crus algo aconteceria. Pensou em como preencher aquele vácuo, aquela fome, aquele corpo que só era água salgada. Pensou. E nada viu, nada além dos olhares que não gostam de se esbarrar, as promessas que não são cumpridas, as catracas cada vez mais evidentes, as opressões pulsantes diariamente. A vida.
Não conseguia ver nada além da vida daqueles que na tentativa falha de tentar viver
morriam.
A insistência em proferir as mais sórdidas palavras quando tudo está doendo. Ausência. Essência.
Essencialmente dores.
Odores.
Amores perdidos no meio da onda de corpos que esbarram
e cruzam
e torcem
retorcem
vão e vem
''Vendem-se corações mastigados pelo mundo.'' leu a menina na placa da rua direita
Via a vitrine transparente com um monte de corações pendurados, pingando sangue, cheirando a podre. Pútrido feito o mundo.
O mundo dos que desistem
de amar.
Costurada na roldana da vida, pensou se comendo aqueles corações crus algo aconteceria. Pensou em como preencher aquele vácuo, aquela fome, aquele corpo que só era água salgada. Pensou. E nada viu, nada além dos olhares que não gostam de se esbarrar, as promessas que não são cumpridas, as catracas cada vez mais evidentes, as opressões pulsantes diariamente. A vida.
Não conseguia ver nada além da vida daqueles que na tentativa falha de tentar viver
morriam.
sábado, 22 de março de 2014
segunda-feira, 17 de março de 2014
sono
toc toc
quem é?
sono
tintilando nos músculos cansados
que tanto carregam tanto estressam
mas nada
quase nada
perto do daquele moço
que virou máquina
perto daquela moça
que virou
o que virou?
o que viramos?
dê-me analgésicos
que curem meus olhos
que veem que sentem
que comem
comem o mundo inteiro,
chegando até a purpurar sal
e esparramar dores cintilantes
espumar saliva
ao tentar falar
reter amor
quando se quer soltar.
toc toc
quem é?
sono
tintilando nos músculos cansados
que tanto carregam tanto estressam
mas nada
quase nada
perto do daquele moço
que virou máquina
perto daquela moça
que virou
o que virou?
o que viramos?
dê-me analgésicos
que curem meus olhos
que veem que sentem
que comem
comem o mundo inteiro,
chegando até a purpurar sal
e esparramar dores cintilantes
espumar saliva
ao tentar falar
reter amor
quando se quer soltar.
sexta-feira, 14 de março de 2014
s o c o r r o
só corro
do desequilíbrio
confuso
estepe
plantas herbáceas
contidas
no peito
perfuram
exalam
perfume
de dor.
do desequilíbrio
confuso
estepe
plantas herbáceas
contidas
no peito
perfuram
exalam
perfume
de dor.
Morrer enquanto há vida
Viver enquanto há morte
dormir enquanto
as pálpebras cansam
lendo os folhetos lacrimejados
borrados de batom vermelho
cuspidos com saliva pútrida
cuja raiva perpassa
a saudade esvai-se
e o rosto envelhecido
evidencia
como
o tempo
faz doer
já dizia o poeta
que tinha apenas duas mãos e o sentimento do mundo
as minhas estão
costuradas
sem fim
sem chão
sem ver
como
nem pronde ir.
Viver enquanto há morte
dormir enquanto
as pálpebras cansam
lendo os folhetos lacrimejados
borrados de batom vermelho
cuspidos com saliva pútrida
cuja raiva perpassa
a saudade esvai-se
e o rosto envelhecido
evidencia
como
o tempo
faz doer
já dizia o poeta
que tinha apenas duas mãos e o sentimento do mundo
as minhas estão
costuradas
sem fim
sem chão
sem ver
como
nem pronde ir.
[Isso não é um poema.]
Café a dois
-sem bolo de cenoura-
Amargo-doce
Amargoce
Amargou-se
toda doçura
dos tempos passados
dos beijos intermináveis de metrô
dos beijos intermináveis de rua
dos beijos
ah
dos ditos corpo boca língua
do abraço de quem ama
sem nem saber como.
mas ama
ama estar
ficar.
esteve
sim, num tempo remoto
esteve das formas mais lindas possíveis
mas
sempre há um mas
há um mas dentro de ti, moço
há um mas que não o deixou ficar. tentar. viver.
um mas que lhe impede de sentir (permitir)
mas,
há quem sinta,
e esteja
e queira
e eu te juro que nunca mais vou estragar isso.
não sei muito sobre a nossa amizade
tão estranha
que a pouco incluiu re-vivencias
do que não há mais.
não sei muito sobre nós
talvez,
porque ir
seja nossa palavra.
sinto muito.
o universo nunca deixa muito espaço pros que desistem.
não importa quanto amor eu tenha aqui
nem mesmo as minhas tentativas falhas de botar pra fora
muito menos nossa vontade de não ir
não quero mais saber do carinho imenso
nem da saudade.
não importa mais.
porque
talvez
amores-que-vão
não sejam capazes de se transfigurarem em grandes amizades.
-sem bolo de cenoura-
Amargo-doce
Amargoce
Amargou-se
toda doçura
dos tempos passados
dos beijos intermináveis de metrô
dos beijos intermináveis de rua
dos beijos
ah
dos ditos corpo boca língua
do abraço de quem ama
sem nem saber como.
mas ama
ama estar
ficar.
esteve
sim, num tempo remoto
esteve das formas mais lindas possíveis
mas
sempre há um mas
há um mas dentro de ti, moço
há um mas que não o deixou ficar. tentar. viver.
um mas que lhe impede de sentir (permitir)
mas,
há quem sinta,
e esteja
e queira
e eu te juro que nunca mais vou estragar isso.
não sei muito sobre a nossa amizade
tão estranha
que a pouco incluiu re-vivencias
do que não há mais.
não sei muito sobre nós
talvez,
porque ir
seja nossa palavra.
sinto muito.
o universo nunca deixa muito espaço pros que desistem.
não importa quanto amor eu tenha aqui
nem mesmo as minhas tentativas falhas de botar pra fora
muito menos nossa vontade de não ir
não quero mais saber do carinho imenso
nem da saudade.
não importa mais.
porque
talvez
amores-que-vão
não sejam capazes de se transfigurarem em grandes amizades.
precisando de mim
bata na porta
precisando mostrar algo,
esteja aqui.
precisando
de bicicletas que me façam ir à lua
e me levem pra voar
pra longe
bem longe
desse meu amor
confuso
e estranho
da conjuntura
de se amar dois
e não saber como se dá
porque nunca disseram pra mim
que assim podia ser.
precis(ando)
por entre os não-saberes
as confluências inconscientes
que nos agarram
e não há como fugir
porque amo
porque sinto
porque é.
é tu. e é ele.
é muito.
muito pra uma pessoa só.
bata na porta
precisando mostrar algo,
esteja aqui.
precisando
de bicicletas que me façam ir à lua
e me levem pra voar
pra longe
bem longe
desse meu amor
confuso
e estranho
da conjuntura
de se amar dois
e não saber como se dá
porque nunca disseram pra mim
que assim podia ser.
precis(ando)
por entre os não-saberes
as confluências inconscientes
que nos agarram
e não há como fugir
porque amo
porque sinto
porque é.
é tu. e é ele.
é muito.
muito pra uma pessoa só.
segunda-feira, 3 de março de 2014
DES(COM-PASSO)
ardências dúbias martelam a cabeça num toctoc desenfreado, onde não há oxigênio nem sinal adocicado de belos quadros em que surgem as melhores danças. a não ser, que as danças aquosas de lágrimas deem algo. quem sabe, numa tentativa de alforria,
não cheguem a servir jantar
com a cura do medo
chá à mesa
e nos façam comer ao som de um piano velho
onde caberia até um tapete vermelho
e dois amantes no chão.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
tum tum
bate coração
bate dedo
bate lábio
bate corpo
suor.
tum tum
batidas hilárias
dançantes
tocantes
de mãos
e vidas
que se entrecruzaram
na noite passada
e eram tão ritmadas
e tão sem ritmo
que nem eu as entendia mais
cada parte daquela dança
que percorria as veias
cheias de amor-vermelho
escarlate da boca até o sexo
eram pitadas de amor dele
com carinho dela
e com a graça de experimentar
agarrar
todo ar
que há
por aqui.
encher o pulmão
quase numa inspiração
de quem nasceu
novamente
pra ficar
bem de perto
do amar.
bate coração
bate dedo
bate lábio
bate corpo
suor.
tum tum
batidas hilárias
dançantes
tocantes
de mãos
e vidas
que se entrecruzaram
na noite passada
e eram tão ritmadas
e tão sem ritmo
que nem eu as entendia mais
cada parte daquela dança
que percorria as veias
cheias de amor-vermelho
escarlate da boca até o sexo
eram pitadas de amor dele
com carinho dela
e com a graça de experimentar
agarrar
todo ar
que há
por aqui.
encher o pulmão
quase numa inspiração
de quem nasceu
novamente
pra ficar
bem de perto
do amar.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Esse post é pra narrar a sensação de alívio que eu tive em não ficar calada em situações machistas e invasivas que ocorrem todos os dias com nós, mulheres.
Dá primeira vez estava subindo a passarela perto de casa, e tinham dois garotos passando, um deles virou pra mim e disse com um olhar completamente malicioso: ''ei, quer uma chupadinha?'' Naquele momento eu já tava irritada, porque alguns minutos antes deu subir a passarela, eu havia passado em frente a uma borracharia e um dos caras tinha falado ''ei, parabéns hein bonita, parabéns'' Então, minha cota de irritação já tava alta. Quando o cara da passarela proferiu sua pergunta estupida eu não aguentei, virei e disse: ''Não, não quero! E olha, se você acha bonito ficar abordando as mulheres assim na rua, saiba que não é. Eu e nenhuma mulher precisamos desse tipo de coisa no nosso dia. Palhaço. Machista!''
A princípio ele deu uma risadinha, mas quando viu que eu não ia parar de gritar com ele, ele ficou quieto, olhou pra mim e seguiu em frente com o amigo. As pessoas na passarela me olharam um pouco assustadas, mas eu até cheguei a ver uma garota do meu lado abrindo um sorriso pra mim e aquilo me fez sentir que eu não tava sozinha nessa.
(Senti alívio)
Da segunda vez eu estava descendo uma rua tranquilamente e passei em frente a uma escola de crianças deficientes, ali tinha um senhor de aproximadamente 50 anos, ele virou no momento em que eu passava e falou bem baixinho: ''ei, gostosa.'' (eu ignorei) Ele foi se aproximando de mim e falando um pouquinho mais alto: ''ei, você mesmo, bonita hein. fala sério que gostosa'' Nesse momento eu virei pra ele e falei: ''O senhor tá achando o que? Tá realmente achando que pode me abordar assim na rua?''
Ele então saiu andando bem rápido, entrou na escola e eu entrei atrás dele, continuei falando várias coisas e apontando pra ele. Ele ficou com tanta vergonha (imagino que por conta dele trabalhar ali e as pessoas da escola estarem olhando pra ele) e entrou no banheiro. Foi andando, agindo como se eu não tivesse falando com ele, entrou no banheiro e se trancou lá. Eu saí da escola. E continuei meu caminho.
E bom, estou relatando isso, porque nunca, eu nunca de fato falei algo pra esses caras que ficam mexendo conosco na rua, e eu sempre me senti muito mal e extremamente triste por isso. Mas depois da primeira vez, eu percebi que eu posso sim virar e dizer pra ele que eu não tolero esse tipo de comentário. Que eu quero poder andar em paz na rua!
É claro, que só tenho gritado e dito as coisas em situações que eu percebo que não corro risco de sei lá, o cara revidar. De qualquer forma, estou relatando isso aqui, porque eu sei que tem muitas mulheres que vão ler esse post, e pra mim é de extrema importância compartilhar com vocês o quão aliviada eu fiquei eu poder gritar pra esses caras que NÃO eu NÃO SOU UM OBJETO. Que eu dispenso qualquer atitude machista. E que eu luto contra isso.
A princípio, quando você sai andando depois de falar/gritar, dá um pouco de raiva e tristeza por ter que gastar energia com isso. Mas alguns segundos depois, você se sente muito mas muito aliviada, muito mais do que estaria se tivesse ficado calada.
domingo, 26 de janeiro de 2014
[para ouvir ao ler: http://www.youtube.com/watch?v=c1QrNfCuEpc]
rodopiou
pirou
nas redes conexões
tão esmeras
virtuais.
rodopiou
gritou
nas palavras trocentas
que passavam dentro dela
e paravam
arrancavam cada suspiro noturno
-deleite humano-
sempre foram
as palavras.
só elas
sabiam rodopiar de forma grata
bonita e claramente distante
do artifício de expor
por regalia egoísta.
somente elas
indecentes
pululavam
como notas dançantes
que exalam
perfuram
mas dizem
gritam
e expõem todo meu medo
todo meu amor
todo o mundo
menos virtual
e mais
tátil
ao meu pensar
a minha boca
a minha vida
que engole
e profere
ruídos noturnos
sobre ser poesia
onde não há.
rodopiou
pirou
nas redes conexões
tão esmeras
virtuais.
rodopiou
gritou
nas palavras trocentas
que passavam dentro dela
e paravam
arrancavam cada suspiro noturno
-deleite humano-
sempre foram
as palavras.
só elas
sabiam rodopiar de forma grata
bonita e claramente distante
do artifício de expor
por regalia egoísta.
somente elas
indecentes
pululavam
como notas dançantes
que exalam
perfuram
mas dizem
gritam
e expõem todo meu medo
todo meu amor
todo o mundo
menos virtual
e mais
tátil
ao meu pensar
a minha boca
a minha vida
que engole
e profere
ruídos noturnos
sobre ser poesia
onde não há.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
o sono que arrasta os corações pensantes a escrevinhar palavras tortas de madrugada, sem ao menos saber o que dizer. dizer. estreitamente tentamos pronunciar milhões de palavras diárias, explicar milhões de sentimentos pulsantes, cavucar dores antigas, rever fotos rasgadas. alguém me explica, por que diabos existe essa vontade absoluta de não ir? de ter um resquício se quer da amizade. se é que ela existia. se é que sabemos palpavelmente o que é existir. não. nada está palpável hoje. nem minhas minhas palavras cortadas, nem seu sono acumulado de semanas. por favor. só quero paz ao falar. ao ouvir. ao tentar dolorosamente
ser algo na sua vida.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
fragmento calado
até me dói o peito
um enjoo interno
diante de tanta palavra
que ouço
e que não saem de mim.
dói pensar
em tudo que não há
e em tanto que já tivemos
em tudo que falta
e no tanto que amo
dói pensar
que tento conscientemente
ser melhor
pra nós
mas acabo
sendo eu mesma.
eu mesma sou pior?
ou será só um defeito?
amizade
ah, a m i z a d e
confusamente
gostaria de cuidar de todas.
mas não é bem assim.
muita gente pra pouca iaiá
muito amor pra pouca iaiá
muito amor por você.
perdão, por não cuidar direito
que de alguma forma
consigamos espaço pra ti
pra nós.
não sei expressar
não mesmo
não agora
agora
tô tão sem ar
quanto você.
um enjoo interno
diante de tanta palavra
que ouço
e que não saem de mim.
dói pensar
em tudo que não há
e em tanto que já tivemos
em tudo que falta
e no tanto que amo
dói pensar
que tento conscientemente
ser melhor
pra nós
mas acabo
sendo eu mesma.
eu mesma sou pior?
ou será só um defeito?
amizade
ah, a m i z a d e
confusamente
gostaria de cuidar de todas.
mas não é bem assim.
muita gente pra pouca iaiá
muito amor pra pouca iaiá
muito amor por você.
perdão, por não cuidar direito
que de alguma forma
consigamos espaço pra ti
pra nós.
não sei expressar
não mesmo
não agora
agora
tô tão sem ar
quanto você.
Honestamente confuso.
(sobre grandes amores)
-
A lã cheirosa e acolhedora de um
O riso-bonito-disfarçado do outro
O lábio saborosamente vivo de outrem
O primeiro
O segundo
O terceiro
Acreditei nele
Acreditei naquele
Acredito nesse
mais uma vez.
em meio a tantos
só três.
três que não incluem o primeiro
porque o primeiro, desde séculos passados já era chamado de primeiro amor.
Parece que depois do primeiro a porta do caos que inflama os corações apaixonados está aberta para todos os por-virem.
Tem o primeiro. E tem o primeiro depois do primeiro. E ele só não é segundo, porque o primeiro de todos está quase num universo de abertura alheio aos posteriores. Especialmente p r i m e i r o.
Depois de provar da primeira vez, você cre que pode dar certo da segunda. Mas pera, o que é dar certo? Terminar é dar errado? Muita pretensão dos corações humanos querer conceber o fim como erro. O fim é fim. E ponto. Assim como a morte pode chegar agora. O fim acontece como a morte e como mais um milhão de coisas que costumamos inferir algo, mas no fundo, é só uma coisa sem nenhum sinal universal ou mistico por trás dela. O fim é assim. Simples. Dolorido. Mas, existente.
Todavia, algo dentro de mim, sempre deu espaço a acreditar nos pós-fins. Nos essés de plural. Plural que abarca novos. Plural que abarca a totalidade de possibilidades.
Estou no terceiro. (E há os que digam que não dá pra se ter mais de um grande amor!) Doeu. Doeu na primeira. Doeu na primeira depois da primeira. Doeu na segunda. Doeu absurdamente também, na milhões de vezes que não foram as três vezes mais doloridas. Sempre dói.
E na terceira, ainda estou no ponto distante do fim.
Todo amor acabada?
Não sei.
Mas todo amor começa.
Em qualquer canto do mundo.
Não tem essa de "pessoa certa". Existem pessoas. E existem pessoas que dão certo. Com fim. Sem fim. Com dores absolutas, ou sem elas. Simplesmente dão. Estiveram. Estão. Foram. Serão.
Porque sempre no meio do caminho tortuoso e completo de pormenores doloridos, pode haver um terceiro que mostre como nunca é tarde pra sentir novamente e novamente e novamente
Há pessoas. Há amor. Há pessoas que sabem amar. E isso está por aí, esbarrando em corpos que dão espaço ao respirar preenchedor de tantos vácuos do mundo. Corpos que amam.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
o vento soprando na janela
suspirando através da cortina branca
gelando meus braços descobertos
-frenesi-
lembrança do teu abraço-segurança
da forma como veio e ficou
da forma como encostou em meu rosto da primeira vez.
da segunda. da terceira. de todas, absolutamente todas as vezes que seu toque confortou-me a alma e cobriu-me do frio da janela aberta.
de cada parte de você. do calor que me esquenta e profere em lábios lascivos que me ama
e te amo
e amamos.
suspirando através da cortina branca
gelando meus braços descobertos
-frenesi-
lembrança do teu abraço-segurança
da forma como veio e ficou
da forma como encostou em meu rosto da primeira vez.
da segunda. da terceira. de todas, absolutamente todas as vezes que seu toque confortou-me a alma e cobriu-me do frio da janela aberta.
de cada parte de você. do calor que me esquenta e profere em lábios lascivos que me ama
e te amo
e amamos.
Minhas lágrimas por ti não há
Meus (nossos) abraços e beijos infindáveis ficaram num tempo anterior
Meus pedidos para que ficasse, cansaram
Meu corpo prosseguiu por imposição de algo que dentro de mim dizia: vai ser feliz com quem realmente está disposto a isso.
Ser feliz? Não faço ideia do que é a felicidade. Mas tenho certeza que ela não tem nada haver com as lágrimas provindas da dor absurda que você me proporcionou. Não tem nada haver com rasgos internos nem com a saudade dolorida que pulsava. Felicidade não tem haver com desistir do outro.
Hoje vejo que felicidade abarca não insistir nos que desistem de nós.
E eu.
Sinto muito.
Mas larguei a dor de lado e fui banhar-me em água doce de rio, onde um "obrigada por hoje e pelos próximos anos" nunca seria proferido em vão. Pois há amor, paz e vontade de estar. tentar. permitir.
e viver
da forma mais honesta e bonita possível.
e eu te juro que eu gostaria de ter sido feliz assim com você. Mas essas coisas, moço, nunca seriam nossas; porque elas não se constroem com gente que tem medo de tentar. E eu te digo: Sempre gostei de arriscar. De viver. Dos abraços que querem ficar. Dos ditos sinceros. Do tesão mesclado com amor. De gente que compartilha o cuidar. Não. Eu infelizmente nunca vou te perdoar por todas as coisas bonitas que você conseguiu arrancar de mim. Pela esperança que me fez sentir. Por dizer que gostava de mim. Eu nunca vou te perdoar pela montanha de coisas boas que você me cedeu e arrancou do nada. Mas, obrigada, por me fazer ver que apesar dos bons momentos, felicidade não tem nada haver com você.
E eu te juro que as palavras acabaram. Todas. Uma por uma. Você levou elas embora contigo. Levou elas e parte do meu amor. Mas elas não sumiram. Nem elas nem meu amor. Estão aqui, agora, somente pra quem me faz feliz.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
aprendi hoje
que dá pra produzir
na alegria
que dá pra trajar
sapato novo
ou até mesmo,
pés descalços.
que nem sempre
andar no chão machuca o pé.
aprendi
que poeta
finge tristeza
pulsa alegria
inventa palavras
aprendi
que nem só de tristeza se faz palavra
e descobri
feito criança comendo doce novo
o sabor de fazer arte sem ser na dor.
que dá pra produzir
na alegria
que dá pra trajar
sapato novo
ou até mesmo,
pés descalços.
que nem sempre
andar no chão machuca o pé.
aprendi
que poeta
finge tristeza
pulsa alegria
inventa palavras
aprendi
que nem só de tristeza se faz palavra
e descobri
feito criança comendo doce novo
o sabor de fazer arte sem ser na dor.
[para ouvir ao ler: http://www.youtube.com/watch?v=oUjUTG3hwyQ]
''O sofrimento não tem nada haver com a gente'' disse o homem que trajava tristeza no paletó camursa, camisa branca suada gotejando cansaço e sapatos surrados das calçadas paulistanas. O sofrimento não tem nada haver com a gente. É. Ele arranca o paletó, a camisa branca, os sapatos. Ele arranca o laço passado. E cada enrrosco. De fato, ele não tem nada haver com nós, meu amor. Não tem nada haver com a brancura das estrelas que perfuram o coração. E sim com as estrelas noturnas do interior, onde o céu se forra para nós. Tem haver com os girassóis dos campos altinos que enchem de amarelo a paisagem do quadro recem pintado, onde a tinta fresca solta-se da tela e encharca-nos de vida. Tem haver com sorrisos. E abraço. Sexo. Pulsando em cada fibra do corpo que vive. Tem haver com amor. Com clichês dos mais sinceros. Sem paletó que se esconde e finge-se otimista. Sem risadas forçadas. Sem personagens que dizem palavras vãs sobre sofrimento e sobre o amor. Pois dizem por aí, que só quem já amou de verdade, sabe o que é sofrer. Dizem muito por aí. Eu digo muito também, assumo. Assumo que encanto-me cada vez mais com tuas linhas, teu beijo e cada sensação púrpura que passa aqui dentro. Obrigada por não trajar paletó-camursa-tristeza, nem camisa-branca-cansada, muito menos sapatos-surrados. Obrigada por trajar alegria.
O sofrimento definitivamente, não tem nada haver com a gente. Sabe por que? Porque somos como colinas, esverdeadas e cheirando a terra nova. Onde brotam flores, correm passáros e pulsa amor.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Batiam dentro de mim, todas elas, sucumbidas pela vontade de dizer. Sempre tantas. Das variadas. Sobre dor. Sobre amor. Sobre luzes natalinas que piscavam na praça ao lado, sentada ali, pensei no quanto o natal era frutífero ao sistema, no quanto não gostava daquela redoma escarnecida por falácias de fim-de-ano. Gostava das luzes, mas não de pensar que em alguns cantos, elas não estavam pra iluminar. Ou pra trazer boa sensação por serem pequeninas e bonitas. Pensemos então sobre o lado bom das luzes, sobre os abraços sinceros e os presentes que vem de dentro. Sobre os beijos, sexo, dias de amor e clichês e palavras que pulsam por todo canto. Sobre as grandes luzes que nos contornam diariamente. Quem disse que clichês não são bonitos? Tá cheio deles aqui. Talvez porque eu não tenha medo das luzes honestas que piscam dentro de cada um. Já doeu demais,
mas eu sempre gostei de amar.
de comer gente, comer vida, comer cor
encher os pulmões de palavra
e arriscar
arriscar da forma mais escancarada possível.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
ares
arde
ainda arde um pouco
as lágrimas antigas
dos beijos passados
arde
mas
mais ares
ocupando corpo
voz cabelo vida
ares novos
respiro
respiro pela primeira vez
engulo o ar agarro o vento
encontro paz
sem pontos de exclamação
sem pontos finais repentinos
sem fluidez
sólido.
seguro.
amável.
plumas sobressaem
e perpassam cada parte do meu ser
e abraçam-me junto à luz do sol
de fim de tarde
de começo do dia
sol
solar
só lar
sim, me sinto em casa.
como se eu soubesse onde piso
sem muita onda
como casa de veraneio
nas férias pós-ano-agitado.
arde
ainda arde um pouco
as lágrimas antigas
dos beijos passados
arde
mas
mais ares
ocupando corpo
voz cabelo vida
ares novos
respiro
respiro pela primeira vez
engulo o ar agarro o vento
encontro paz
sem pontos de exclamação
sem pontos finais repentinos
sem fluidez
sólido.
seguro.
amável.
plumas sobressaem
e perpassam cada parte do meu ser
e abraçam-me junto à luz do sol
de fim de tarde
de começo do dia
sol
solar
só lar
sim, me sinto em casa.
como se eu soubesse onde piso
sem muita onda
como casa de veraneio
nas férias pós-ano-agitado.
sábado, 14 de dezembro de 2013
So(corro)
de você
dos teus olhos
da tua boca
da saudade despedaçada
esfarrapada por sua pessoa.
do choro engasgado engolido e
Não me venha dizer de otimismo!
Você arrancou com toda força,
absolutamente cada parte do meu coração
e aniquilou qualquer pitada de amor.
Tô saindo, pra bem longe
do teu suposto otimismo e do sorriso
que finge que deseja viver.
Um dia,
não escreverei mais sobre ti.
Honestamente?
Eu quero ser feliz.
E eu tô indo.
Pra bem longe da tua
tristeza trajada de felicidade,
da tua não vontade te ter ficado.
pra onde a água é limpa
purifica o coração
afaga o cabelo
contorna o corpo.
-acalento. cuidado. segurança.-
explosão de paz que vem,
fica.
e tem compartilhado amor.
de você
dos teus olhos
da tua boca
da saudade despedaçada
esfarrapada por sua pessoa.
do choro engasgado engolido e
Não me venha dizer de otimismo!
Você arrancou com toda força,
absolutamente cada parte do meu coração
e aniquilou qualquer pitada de amor.
Tô saindo, pra bem longe
do teu suposto otimismo e do sorriso
que finge que deseja viver.
Um dia,
não escreverei mais sobre ti.
Honestamente?
Eu quero ser feliz.
E eu tô indo.
Pra bem longe da tua
tristeza trajada de felicidade,
da tua não vontade te ter ficado.
pra onde a água é limpa
purifica o coração
afaga o cabelo
contorna o corpo.
-acalento. cuidado. segurança.-
explosão de paz que vem,
fica.
e tem compartilhado amor.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
isso também vai passar
pra longe da conjuntura criada entre nós.
vai passar por uma frincha que se abriu
e cedeu espaço pra novas vidas
honestas
sem medo
sem fim.
minto.
com fim.
mas fim distante.
e se for fim,
não será por medo.
nem por falta de coragem.
porque depois que você passou
e levou um bocado do meu amor
eu aprendi
que não quero mais amores
de passagem
que
agarram
abraçam
despem minhas roupas
arrancam minhas tristezas
conjuram meus poemas
me enchem de paixão
e
um segundo depois
desistem.
pra longe da conjuntura criada entre nós.
vai passar por uma frincha que se abriu
e cedeu espaço pra novas vidas
honestas
sem medo
sem fim.
minto.
com fim.
mas fim distante.
e se for fim,
não será por medo.
nem por falta de coragem.
porque depois que você passou
e levou um bocado do meu amor
eu aprendi
que não quero mais amores
de passagem
que
agarram
abraçam
despem minhas roupas
arrancam minhas tristezas
conjuram meus poemas
me enchem de paixão
e
um segundo depois
desistem.
Vejo o ponto em que nos esbararemos pelos corredores e seremos desconhecidos. Não haverá noite nem beijos incontáveis que resguardem alguma vontade de sermos. Não haverá sorrisos intermináveis, nem tesão pulsante, nem corpo que no silêncio acalenta e cuida. Nem mensagens de bom dia. Nem saudades absurdas. Não há. Não haverá. Só houve. Ouve o que eu tô te dizendo:
Eu tentei. Tentei ficar. Tentei cuidar até onde coube. Mas não há mais espaço. Você se trancafiou nessa redoma de certezas e medos e tristezas concretas que não deixam o amor entrar.
E não.
Não haverá Regina que diga pra gente que vai durar.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
vou me embora pra pasárgada
onde não existe nós
nem cama a dois
nem dias acumulados de saudade.
vou me embora pra onde as conversas se expandem e não têm medo de entregar-se à prosa sincera da tentativa de compartilhar
um tiquinho
uma pitada
de resquício
do afeto.
vou me embora, pra bem longe de você
e do teu sorriso mal feito
das tuas angústias
do teu medo de amar.
vou me embora.
eu, minhas malas acumuladas do teu corpo
e minhas doces tentativas de estar
perto de ti.
onde não existe nós
nem cama a dois
nem dias acumulados de saudade.
vou me embora pra onde as conversas se expandem e não têm medo de entregar-se à prosa sincera da tentativa de compartilhar
um tiquinho
uma pitada
de resquício
do afeto.
vou me embora, pra bem longe de você
e do teu sorriso mal feito
das tuas angústias
do teu medo de amar.
vou me embora.
eu, minhas malas acumuladas do teu corpo
e minhas doces tentativas de estar
perto de ti.
não sabia mais o que escrever
nem por onde começar
nem o que
nem como
não.
não sabia de mais nada.
desde que você se foi
a única pergunta que se passava na mente de Olívia era: Por que?...
Por que a vida segue sempre o rumo do deixar?
Por que diabos o coração quase explode?
Por que lágrimas escorrem e o rasgo no peito e toda a montanha de palavras que gostariam de sair
e tudo isso, por quê?
nunca iria compreender
da onde vinha tanta dor
e palavras rarefeitas
jogadas
partidas.
e foi só um mês
só
quase nada
tão pouco
tão rápido
tão
tão certeiro.
tão vivido, ao menos por Olívia, foi.
Foi inteiro.
Foi saborosamente bom.
Olívia nunca deixaria de sentir e entregar-se a qualquer conexão bonita que pudesse ser feita. Olívia, pediu pra eu
dizer pro mundo
que ela
faria de tudo
por amor.
nem por onde começar
nem o que
nem como
não.
não sabia de mais nada.
desde que você se foi
a única pergunta que se passava na mente de Olívia era: Por que?...
Por que a vida segue sempre o rumo do deixar?
Por que diabos o coração quase explode?
Por que lágrimas escorrem e o rasgo no peito e toda a montanha de palavras que gostariam de sair
e tudo isso, por quê?
nunca iria compreender
da onde vinha tanta dor
e palavras rarefeitas
jogadas
partidas.
e foi só um mês
só
quase nada
tão pouco
tão rápido
tão
tão certeiro.
tão vivido, ao menos por Olívia, foi.
Foi inteiro.
Foi saborosamente bom.
Olívia nunca deixaria de sentir e entregar-se a qualquer conexão bonita que pudesse ser feita. Olívia, pediu pra eu
dizer pro mundo
que ela
faria de tudo
por amor.
Escrevo pra botar a dor pra fora. Farei isso ao menos por trinta dias, dias correspondentes ao motivo da dor. Trinta dias foram necessários pra eu me sentir completamente feliz. Trinta dias mais um pra eu perceber que era completamente louca por você. Trinta dias contando com uma semana distante, um dia após a uma semana: Fim. Pergunto-me então quantas horas e dias e anos e escritos serão necessários para abortar essa dor que você cravou em mim? Quantas junções de segundos pra eu esquecer dos nossos beijos que duravam horas? Quantas palavras serão necessárias pra desafogar tamanha saudade que tenho de cada parte do teu corpo, do teu jeito, do teu sorriso, das nossas conversas e mais um milhão de coisas que me fizeram acreditar e me tirar um sorriso absurdo quando você disse: "Obrigada por hoje e pelos próximos anos." É. Acho que eu acredito demais nas palavras.
domingo, 1 de dezembro de 2013
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Cuspe em palavra.
Tintilar de assovios na praça do lado esquerdo do peito, onde os pássaros corriam e levavam um pouco do sulco pulsante que havia ali. Se alimentavam daquele sangue e esfomeados, levavam tudo que havia dentro daquele corpo, que no momento, estava tão entupido, tão engasgado que quando os pássaros chegaram, ela deixou, deixou que eles comessem seu corpo v i v o, seu corpo que pulsa e agarra tudo com a maior intensidade que se pode ter. Que sente, explode de tanto sentir! Vorazmente as asas sucumbiam-lhe a alma e comiam-lhe o lado esquerdo do peito. Comeram-lhe os sorrisos. Tomaram seu sangue. E quando subitamente ela abriu os olhos, viu que não era mais corpo, era pena, penúria, pássaro-menina-passando
na vida.
domingo, 24 de novembro de 2013
Saudade, saudosamente suspira sabendo que sintetizará todas as sílabas pronunciadas e sentirá cada parte do seu sútil jeito de ser. Que completará cada lembrança e me agarrará num abraço que chora. E me esfolará a pele, arrancando cada pedacinho de luz. Do brilho que tenho aqui dentro. E ofuscará as tardes gostosas, as saias coloridas do maracatu, os ensaios do teatro, os sorrisos dos amigos. E preencherá todo o vazio que você tem me trazido. Ah. A saudade tem sido a única palavra concreta que sibila a minha dor.
Enchemo-nos então do vocabulário que não há
das palavras que não são
das idas nebulosas
onde nascem os clarões
e explodem
dentro da gente
da nossa boca
que tanto quer
que tanto fala
e nada diz
-e se beijam com voluptuosa vontade-
Enchemo-nos então do amor que nem brotou
das árvores que não subimos
das voltas cuidadosas
e mimosas
doces
onde crescem
a esperança
e acrescem
aquecem
o interior de minhas mãos
as veias fatigas
do samba passado
da dança pulsante
do dia corrido
da vida labuta
de mim
de você
e de cada segundo
que estivemos
vivemos andamos
caímos
saímos
do nó
das tardes insossas
dos dias calados
pois tinha voz
corpo
som
carinho
sorriso
e vontade absoluta de viver.
das palavras que não são
das idas nebulosas
onde nascem os clarões
e explodem
dentro da gente
da nossa boca
que tanto quer
que tanto fala
e nada diz
-e se beijam com voluptuosa vontade-
Enchemo-nos então do amor que nem brotou
das árvores que não subimos
das voltas cuidadosas
e mimosas
doces
onde crescem
a esperança
e acrescem
aquecem
o interior de minhas mãos
as veias fatigas
do samba passado
da dança pulsante
do dia corrido
da vida labuta
de mim
de você
e de cada segundo
que estivemos
vivemos andamos
caímos
saímos
do nó
das tardes insossas
dos dias calados
pois tinha voz
corpo
som
carinho
sorriso
e vontade absoluta de viver.
Essas conversas mal preenchidas andam piores que conversa de boteco. Vazias. Espaço completamente aberto, escancarado às interpéries do mundo. Corpo frio. Corpos distantes. Me diz, como pôde se distanciar de tudo? Engula então suas verdades e afogue-se nessa vida de espasmos. Afaste-se. Mas o faça direito, assuma cada pitada da sua covardia para com a vida. E não tente mais. Não tente mais tapar nossas conversas com sutis tentativas de perdão. Não há mais espaço pra tentativas. Eu sinceramente, tentei estar por perto. Mas não insisto em gente que recusa qualquer tipo de afeto. Desfaleça sozinho. Mas não leve-me junto, que meu peito já anda vazio demais. Por gentileza, leve embora minhas lágrimas diárias, minhas lembranças, meus pequenos momentos de achar que ia durar por muito tempo, os dias juntos, os sorrisos, as piadas, o toque, o corpo. Leve-se embora de mim.
sábado, 23 de novembro de 2013
Escarlate. Minha dor era escarlate rebuscada. Era cheia de detalhes. Cheia de cansaço. De claro espaço ocupado. Daquelas que estão intrínsecas e vazadas, que escorrem bem do nada, assim, no meio do dia quando estou num lugar que me lembra você. Os lugares sempre estiveram ali e sempre vão estar. As músicas vão ser sempre ouvidas. A parede de trás do ponto de ônibus, vai ser sempre a mesma. Os cantos do metrô, também. Mas a minha dor, não. Minha dor vai ser sempre pulsante, enquanto você ainda ocupar uma parte de tudo que sempre foi o mesmo, e por pouco tempo, havia deixado de ser.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
As traças comeram minhas roupas, levaram meus desejos, roeram minhas cartas, calaram meus sorrisos. As traças, traçaram tudo. Desde o dia em que os traços se desfizeram e seguiram rumos completamente distantes. Levaram absolutamente tudo. E nua de calor, despi minhas tristezas no papel. Mas as traças também roeram ele. E engoliram cada tentativa de dizer. Não tinha palavra. Nem roupa. Nem eu. Nem você. E das sobras de tudo o que elas comeram, só restaram minhas lágrimas certeiras. Escancaradamente doloridas.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
pra ouvir ao ler: http://www.youtube.com/watch?v=Dyo4tNwNIvQ
Sentada num banco de ônibus, encarava cada assento alheio. Os olhos de Olívia não davam pra um capítulo Eram tão curiosos quanto os de Capitu, aqueles olhos de ressaca de menina que queria descobrir o mundo. Pensava no que se passava na mente de cada uma daquelas pessoas, em quantas paixões já tiveram em quantas tristezas e com toda certeza, quanta alegria. Mas, essa última... Bom, na verdade não sei sobre nenhuma das quantidades. Não dava pra saber. Eram como mundos escondidos e separados por assentos constituintes do transporte (coletivo). Equidade que talvez perpassasse aqueles corações ambulantes. O coração? Tá posto no varal. Olívia havia posto ele pra secar desde que ele se encharcou de lágrimas. Secava. E tornava a chorar. Quantas lágrimas será que possuí o coração dessa gente? Gente, cêis prometem pra mim que buscam o coração de Olívia no varal? E aí, lavem ele. Alimentem. Ponham no sol, por favor. Peço encarecidamente que o façam, se puderem. E quando ele estiver completamente restituído, vocês o levem ao ônibus , encarem aqueles olhos curiosamente belos, entreguem a ela e lhe digam que uma hora, o calor volta a cuida-lo a ponto de não existirem mais espaços pras lágrimas. que coração: é pra ficar dentro da gente.
-mas por favor,
façam-na acreditar-
domingo, 17 de novembro de 2013
''Hold me close, cause I need you to guide me to safety''
Pra quando for. Pra quando dor. Pra quando ir. Pra quando lembrar. Pra quando? Até quando sentirei desfalecido meu coração? Até quando as lembranças tornarão-se cada vez mais intensas? Até quando sentirei a dor de não poder ter o que se teve. Até. A saudade passar. E ela passa? Porque ultimamente ela só tem girado e cortado e arrancado cada espaço de felicidade. Exposto lágrimas e gotejo de rasgos e distância de tudo que eu sempre tive de mais bonito dentro de mim.
Oh, o anseio de ser algo, que seja amiga, que seja qualquer coisa que não seja o nada. Não, moço, o nada não. Lhe peço encarecidamente que entenda, que eu nunca vou desistir de você. Ou ao menos, de poder te abraçar e dizer que o mundo não é tão ruim assim.
Vinte e nove minutos. Vinte e nove é o tempo suficiente pra eu entender o tamanho da minha saudade. Vinte e nove minutos de espera pra preencher. Minutos. É como se o tempo passasse e eu estivesse prevendo a hora em que nos tornaremos desconhecidos. Não haverá mais o que dizer. E a saudade, essa gigantesca que tem me agarrado: ela vai continuar aqui. Até que depois de muitos vinte e nove minutos passados, eu não lembrarei mais dela e teu rosto vai ser só uma memória saudosamente bonita.
"Os Três Mal-Amados", João Cabral de Melo Neto
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
Com sono. Sem sono. Com sono. Sem sono. Tudo isso parava com uma velocidade absurda em minha cabeça. Já não sabia mais o que me levava a escrever sobre minha saudade. Nunca soube. Saudade é um negócio do caralho. Daqueles que entra na gente e: Merda. É. Eu tava vendo o cursor balançando e procurando uma forma de me esquivar de mim mesma. De se esconder do meu amor e de cada parte do que dizem que há de bonito em mim. Cheia de cor e mais umas coisas honestas que às vezes a gente ouve. Mas nessa noite não houve espaço pra isso. Era só eu, meu peito que não sabia adormecer e a minha saudade.
O Tibete deve ser feito de montanha de palavras. Montanha de palavras soltas com neve neblina solzin de fim de tarde e altas - montanhas altas! E as palavras soltas sem receio sem sufoco sem ponto vírgula ou normatividade. Todas elas explodindo bem alto bem grande , tão grande que não cabe no papel o alívio que daria. Talvez, quando eu digo que quero fugir prum lugar que eu nem conheço, como é o caso do Tibete eu só esteja querendo dizer que eu quero conseguir soltar as palavras em paz.
Queria que as palavras -essas sorrateiras poderosas- que sempre saem de mim explodindo, queria que elas, por vezes, pudessem se tornar vida. Imagina só! Daria pra escrever: Passou. E a dor já teria acabado. Em seis letras. Seis letras pra curar uma dor. Quantas será que serão necessárias pra aliviar dessa vez? Da última, deu vinte e duas folhas de textos, frente e verso. Ah. As palavras. Sempre acabam curando a gente, apesar de não serem reais como meu corpo ou como a nuvem, também sabem correr pular e expurgar tudo pra fora. E respiram dentro de mim arrancando cada pedacinho da dor -junto a algumas lágrimas que caem no papel- Por isso, meus leitores, peço perdão: mas todos têm necessidades.
Perdão. Pelas tentativas de dizer. Pelas palavras sinceras. Pelo gostar de ti. Perdão. Pelos males que nem sei quais foram. Pela saudade do beijo. Pela saudade do riso. Do corpo. Do jeito. Perdão pela saudade! Perdão pela tentativa de te fazer feliz. Ou por querer te abraçar e dizer: "Cuida da vida moço, que a morte é certa!" Perdão por não saber mais dizer. Você levou embora parte do meu riso e das minhas palavras. Um dia, aprenderei novamente a escrever. Quanto ao riso, já não sei mais.
sábado, 16 de novembro de 2013
Quando ouço uma música alta, lembro-me de todas as danças que já vivi. Dos frutos colhidos, deixados, atados. Amados. Sim, lembro de cada sorriso, de cada pessoa, de cada amor. O primeiro. O segundo. O terceiro. Onde estarão nossas caixas de lembranças futuras? Onde se escondem as mágoas e os não-ditos? Pra onde foram as cartas não entregues? E os abraços quebrados. E a vida num ritmo calado.
Não.
Aqui as coisas nunca foram assim.
As cartas sempre foram entregues, os ditos: falados. Os dias, inteiros. A forma, concreta. E tudo, absolutamente tudo foi sentido. Da boca até o último fio de cabelo. Da dor até o amor absoluto. Da presença até a saudade. Do sorriso até o choro de agora. E puta que pariu, quanto choro eu já tive, quanto sorriso, quantos ditos, quantas noites, quantas cores, odores, cafés, conversas, banhos, dias. Quantos dias você já viveu? Quantos dias você está mais perto da morte? Diga-me, diga-me sobre quantas foram as vezes em que você se permitiu ser sincero com a própria vida e arrancar dela cada fibra do sentir. E deixa-la correr por entre as veias, juntando-se ao sangue que pulsa dentro de nós. E deixar que tudo corra capilarmente entre cada caso contraído distraído, acabado. E permitir que mesmo no acabado, aja recomeço. E no recomeço, aja fim. E no fim aja começo. E que tudo se junte num balaio só, e grite, exprima, expresse e que seja exímio e torto. Que seja de tudo um pouco.
Que seja amor.
E inteiramente vida.
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