farrapo
esfarrapado
nos cordões umbilicais donde brotaram a vida que nasce chorando, onde compila-se os versos dos poetas perdidos, dos namoros findos
do instante e agora
o que fazer?
estrangeiro no próprio mundo
onde nascer torna-se dor
onde viver torna-se fim
começo
fim
começo
fim.
Este blog não tem a pretensão de ser nada além de um lugar onde eu tenha a liberdade de escrever o que quero e você tem a liberdade de dizer o que quiser.
sábado, 22 de março de 2014
segunda-feira, 17 de março de 2014
sono
toc toc
quem é?
sono
tintilando nos músculos cansados
que tanto carregam tanto estressam
mas nada
quase nada
perto do daquele moço
que virou máquina
perto daquela moça
que virou
o que virou?
o que viramos?
dê-me analgésicos
que curem meus olhos
que veem que sentem
que comem
comem o mundo inteiro,
chegando até a purpurar sal
e esparramar dores cintilantes
espumar saliva
ao tentar falar
reter amor
quando se quer soltar.
toc toc
quem é?
sono
tintilando nos músculos cansados
que tanto carregam tanto estressam
mas nada
quase nada
perto do daquele moço
que virou máquina
perto daquela moça
que virou
o que virou?
o que viramos?
dê-me analgésicos
que curem meus olhos
que veem que sentem
que comem
comem o mundo inteiro,
chegando até a purpurar sal
e esparramar dores cintilantes
espumar saliva
ao tentar falar
reter amor
quando se quer soltar.
sexta-feira, 14 de março de 2014
s o c o r r o
só corro
do desequilíbrio
confuso
estepe
plantas herbáceas
contidas
no peito
perfuram
exalam
perfume
de dor.
do desequilíbrio
confuso
estepe
plantas herbáceas
contidas
no peito
perfuram
exalam
perfume
de dor.
Morrer enquanto há vida
Viver enquanto há morte
dormir enquanto
as pálpebras cansam
lendo os folhetos lacrimejados
borrados de batom vermelho
cuspidos com saliva pútrida
cuja raiva perpassa
a saudade esvai-se
e o rosto envelhecido
evidencia
como
o tempo
faz doer
já dizia o poeta
que tinha apenas duas mãos e o sentimento do mundo
as minhas estão
costuradas
sem fim
sem chão
sem ver
como
nem pronde ir.
Viver enquanto há morte
dormir enquanto
as pálpebras cansam
lendo os folhetos lacrimejados
borrados de batom vermelho
cuspidos com saliva pútrida
cuja raiva perpassa
a saudade esvai-se
e o rosto envelhecido
evidencia
como
o tempo
faz doer
já dizia o poeta
que tinha apenas duas mãos e o sentimento do mundo
as minhas estão
costuradas
sem fim
sem chão
sem ver
como
nem pronde ir.
[Isso não é um poema.]
Café a dois
-sem bolo de cenoura-
Amargo-doce
Amargoce
Amargou-se
toda doçura
dos tempos passados
dos beijos intermináveis de metrô
dos beijos intermináveis de rua
dos beijos
ah
dos ditos corpo boca língua
do abraço de quem ama
sem nem saber como.
mas ama
ama estar
ficar.
esteve
sim, num tempo remoto
esteve das formas mais lindas possíveis
mas
sempre há um mas
há um mas dentro de ti, moço
há um mas que não o deixou ficar. tentar. viver.
um mas que lhe impede de sentir (permitir)
mas,
há quem sinta,
e esteja
e queira
e eu te juro que nunca mais vou estragar isso.
não sei muito sobre a nossa amizade
tão estranha
que a pouco incluiu re-vivencias
do que não há mais.
não sei muito sobre nós
talvez,
porque ir
seja nossa palavra.
sinto muito.
o universo nunca deixa muito espaço pros que desistem.
não importa quanto amor eu tenha aqui
nem mesmo as minhas tentativas falhas de botar pra fora
muito menos nossa vontade de não ir
não quero mais saber do carinho imenso
nem da saudade.
não importa mais.
porque
talvez
amores-que-vão
não sejam capazes de se transfigurarem em grandes amizades.
-sem bolo de cenoura-
Amargo-doce
Amargoce
Amargou-se
toda doçura
dos tempos passados
dos beijos intermináveis de metrô
dos beijos intermináveis de rua
dos beijos
ah
dos ditos corpo boca língua
do abraço de quem ama
sem nem saber como.
mas ama
ama estar
ficar.
esteve
sim, num tempo remoto
esteve das formas mais lindas possíveis
mas
sempre há um mas
há um mas dentro de ti, moço
há um mas que não o deixou ficar. tentar. viver.
um mas que lhe impede de sentir (permitir)
mas,
há quem sinta,
e esteja
e queira
e eu te juro que nunca mais vou estragar isso.
não sei muito sobre a nossa amizade
tão estranha
que a pouco incluiu re-vivencias
do que não há mais.
não sei muito sobre nós
talvez,
porque ir
seja nossa palavra.
sinto muito.
o universo nunca deixa muito espaço pros que desistem.
não importa quanto amor eu tenha aqui
nem mesmo as minhas tentativas falhas de botar pra fora
muito menos nossa vontade de não ir
não quero mais saber do carinho imenso
nem da saudade.
não importa mais.
porque
talvez
amores-que-vão
não sejam capazes de se transfigurarem em grandes amizades.
precisando de mim
bata na porta
precisando mostrar algo,
esteja aqui.
precisando
de bicicletas que me façam ir à lua
e me levem pra voar
pra longe
bem longe
desse meu amor
confuso
e estranho
da conjuntura
de se amar dois
e não saber como se dá
porque nunca disseram pra mim
que assim podia ser.
precis(ando)
por entre os não-saberes
as confluências inconscientes
que nos agarram
e não há como fugir
porque amo
porque sinto
porque é.
é tu. e é ele.
é muito.
muito pra uma pessoa só.
bata na porta
precisando mostrar algo,
esteja aqui.
precisando
de bicicletas que me façam ir à lua
e me levem pra voar
pra longe
bem longe
desse meu amor
confuso
e estranho
da conjuntura
de se amar dois
e não saber como se dá
porque nunca disseram pra mim
que assim podia ser.
precis(ando)
por entre os não-saberes
as confluências inconscientes
que nos agarram
e não há como fugir
porque amo
porque sinto
porque é.
é tu. e é ele.
é muito.
muito pra uma pessoa só.
segunda-feira, 3 de março de 2014
DES(COM-PASSO)
ardências dúbias martelam a cabeça num toctoc desenfreado, onde não há oxigênio nem sinal adocicado de belos quadros em que surgem as melhores danças. a não ser, que as danças aquosas de lágrimas deem algo. quem sabe, numa tentativa de alforria,
não cheguem a servir jantar
com a cura do medo
chá à mesa
e nos façam comer ao som de um piano velho
onde caberia até um tapete vermelho
e dois amantes no chão.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
tum tum
bate coração
bate dedo
bate lábio
bate corpo
suor.
tum tum
batidas hilárias
dançantes
tocantes
de mãos
e vidas
que se entrecruzaram
na noite passada
e eram tão ritmadas
e tão sem ritmo
que nem eu as entendia mais
cada parte daquela dança
que percorria as veias
cheias de amor-vermelho
escarlate da boca até o sexo
eram pitadas de amor dele
com carinho dela
e com a graça de experimentar
agarrar
todo ar
que há
por aqui.
encher o pulmão
quase numa inspiração
de quem nasceu
novamente
pra ficar
bem de perto
do amar.
bate coração
bate dedo
bate lábio
bate corpo
suor.
tum tum
batidas hilárias
dançantes
tocantes
de mãos
e vidas
que se entrecruzaram
na noite passada
e eram tão ritmadas
e tão sem ritmo
que nem eu as entendia mais
cada parte daquela dança
que percorria as veias
cheias de amor-vermelho
escarlate da boca até o sexo
eram pitadas de amor dele
com carinho dela
e com a graça de experimentar
agarrar
todo ar
que há
por aqui.
encher o pulmão
quase numa inspiração
de quem nasceu
novamente
pra ficar
bem de perto
do amar.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Esse post é pra narrar a sensação de alívio que eu tive em não ficar calada em situações machistas e invasivas que ocorrem todos os dias com nós, mulheres.
Dá primeira vez estava subindo a passarela perto de casa, e tinham dois garotos passando, um deles virou pra mim e disse com um olhar completamente malicioso: ''ei, quer uma chupadinha?'' Naquele momento eu já tava irritada, porque alguns minutos antes deu subir a passarela, eu havia passado em frente a uma borracharia e um dos caras tinha falado ''ei, parabéns hein bonita, parabéns'' Então, minha cota de irritação já tava alta. Quando o cara da passarela proferiu sua pergunta estupida eu não aguentei, virei e disse: ''Não, não quero! E olha, se você acha bonito ficar abordando as mulheres assim na rua, saiba que não é. Eu e nenhuma mulher precisamos desse tipo de coisa no nosso dia. Palhaço. Machista!''
A princípio ele deu uma risadinha, mas quando viu que eu não ia parar de gritar com ele, ele ficou quieto, olhou pra mim e seguiu em frente com o amigo. As pessoas na passarela me olharam um pouco assustadas, mas eu até cheguei a ver uma garota do meu lado abrindo um sorriso pra mim e aquilo me fez sentir que eu não tava sozinha nessa.
(Senti alívio)
Da segunda vez eu estava descendo uma rua tranquilamente e passei em frente a uma escola de crianças deficientes, ali tinha um senhor de aproximadamente 50 anos, ele virou no momento em que eu passava e falou bem baixinho: ''ei, gostosa.'' (eu ignorei) Ele foi se aproximando de mim e falando um pouquinho mais alto: ''ei, você mesmo, bonita hein. fala sério que gostosa'' Nesse momento eu virei pra ele e falei: ''O senhor tá achando o que? Tá realmente achando que pode me abordar assim na rua?''
Ele então saiu andando bem rápido, entrou na escola e eu entrei atrás dele, continuei falando várias coisas e apontando pra ele. Ele ficou com tanta vergonha (imagino que por conta dele trabalhar ali e as pessoas da escola estarem olhando pra ele) e entrou no banheiro. Foi andando, agindo como se eu não tivesse falando com ele, entrou no banheiro e se trancou lá. Eu saí da escola. E continuei meu caminho.
E bom, estou relatando isso, porque nunca, eu nunca de fato falei algo pra esses caras que ficam mexendo conosco na rua, e eu sempre me senti muito mal e extremamente triste por isso. Mas depois da primeira vez, eu percebi que eu posso sim virar e dizer pra ele que eu não tolero esse tipo de comentário. Que eu quero poder andar em paz na rua!
É claro, que só tenho gritado e dito as coisas em situações que eu percebo que não corro risco de sei lá, o cara revidar. De qualquer forma, estou relatando isso aqui, porque eu sei que tem muitas mulheres que vão ler esse post, e pra mim é de extrema importância compartilhar com vocês o quão aliviada eu fiquei eu poder gritar pra esses caras que NÃO eu NÃO SOU UM OBJETO. Que eu dispenso qualquer atitude machista. E que eu luto contra isso.
A princípio, quando você sai andando depois de falar/gritar, dá um pouco de raiva e tristeza por ter que gastar energia com isso. Mas alguns segundos depois, você se sente muito mas muito aliviada, muito mais do que estaria se tivesse ficado calada.
domingo, 26 de janeiro de 2014
[para ouvir ao ler: http://www.youtube.com/watch?v=c1QrNfCuEpc]
rodopiou
pirou
nas redes conexões
tão esmeras
virtuais.
rodopiou
gritou
nas palavras trocentas
que passavam dentro dela
e paravam
arrancavam cada suspiro noturno
-deleite humano-
sempre foram
as palavras.
só elas
sabiam rodopiar de forma grata
bonita e claramente distante
do artifício de expor
por regalia egoísta.
somente elas
indecentes
pululavam
como notas dançantes
que exalam
perfuram
mas dizem
gritam
e expõem todo meu medo
todo meu amor
todo o mundo
menos virtual
e mais
tátil
ao meu pensar
a minha boca
a minha vida
que engole
e profere
ruídos noturnos
sobre ser poesia
onde não há.
rodopiou
pirou
nas redes conexões
tão esmeras
virtuais.
rodopiou
gritou
nas palavras trocentas
que passavam dentro dela
e paravam
arrancavam cada suspiro noturno
-deleite humano-
sempre foram
as palavras.
só elas
sabiam rodopiar de forma grata
bonita e claramente distante
do artifício de expor
por regalia egoísta.
somente elas
indecentes
pululavam
como notas dançantes
que exalam
perfuram
mas dizem
gritam
e expõem todo meu medo
todo meu amor
todo o mundo
menos virtual
e mais
tátil
ao meu pensar
a minha boca
a minha vida
que engole
e profere
ruídos noturnos
sobre ser poesia
onde não há.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
o sono que arrasta os corações pensantes a escrevinhar palavras tortas de madrugada, sem ao menos saber o que dizer. dizer. estreitamente tentamos pronunciar milhões de palavras diárias, explicar milhões de sentimentos pulsantes, cavucar dores antigas, rever fotos rasgadas. alguém me explica, por que diabos existe essa vontade absoluta de não ir? de ter um resquício se quer da amizade. se é que ela existia. se é que sabemos palpavelmente o que é existir. não. nada está palpável hoje. nem minhas minhas palavras cortadas, nem seu sono acumulado de semanas. por favor. só quero paz ao falar. ao ouvir. ao tentar dolorosamente
ser algo na sua vida.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
fragmento calado
até me dói o peito
um enjoo interno
diante de tanta palavra
que ouço
e que não saem de mim.
dói pensar
em tudo que não há
e em tanto que já tivemos
em tudo que falta
e no tanto que amo
dói pensar
que tento conscientemente
ser melhor
pra nós
mas acabo
sendo eu mesma.
eu mesma sou pior?
ou será só um defeito?
amizade
ah, a m i z a d e
confusamente
gostaria de cuidar de todas.
mas não é bem assim.
muita gente pra pouca iaiá
muito amor pra pouca iaiá
muito amor por você.
perdão, por não cuidar direito
que de alguma forma
consigamos espaço pra ti
pra nós.
não sei expressar
não mesmo
não agora
agora
tô tão sem ar
quanto você.
um enjoo interno
diante de tanta palavra
que ouço
e que não saem de mim.
dói pensar
em tudo que não há
e em tanto que já tivemos
em tudo que falta
e no tanto que amo
dói pensar
que tento conscientemente
ser melhor
pra nós
mas acabo
sendo eu mesma.
eu mesma sou pior?
ou será só um defeito?
amizade
ah, a m i z a d e
confusamente
gostaria de cuidar de todas.
mas não é bem assim.
muita gente pra pouca iaiá
muito amor pra pouca iaiá
muito amor por você.
perdão, por não cuidar direito
que de alguma forma
consigamos espaço pra ti
pra nós.
não sei expressar
não mesmo
não agora
agora
tô tão sem ar
quanto você.
Honestamente confuso.
(sobre grandes amores)
-
A lã cheirosa e acolhedora de um
O riso-bonito-disfarçado do outro
O lábio saborosamente vivo de outrem
O primeiro
O segundo
O terceiro
Acreditei nele
Acreditei naquele
Acredito nesse
mais uma vez.
em meio a tantos
só três.
três que não incluem o primeiro
porque o primeiro, desde séculos passados já era chamado de primeiro amor.
Parece que depois do primeiro a porta do caos que inflama os corações apaixonados está aberta para todos os por-virem.
Tem o primeiro. E tem o primeiro depois do primeiro. E ele só não é segundo, porque o primeiro de todos está quase num universo de abertura alheio aos posteriores. Especialmente p r i m e i r o.
Depois de provar da primeira vez, você cre que pode dar certo da segunda. Mas pera, o que é dar certo? Terminar é dar errado? Muita pretensão dos corações humanos querer conceber o fim como erro. O fim é fim. E ponto. Assim como a morte pode chegar agora. O fim acontece como a morte e como mais um milhão de coisas que costumamos inferir algo, mas no fundo, é só uma coisa sem nenhum sinal universal ou mistico por trás dela. O fim é assim. Simples. Dolorido. Mas, existente.
Todavia, algo dentro de mim, sempre deu espaço a acreditar nos pós-fins. Nos essés de plural. Plural que abarca novos. Plural que abarca a totalidade de possibilidades.
Estou no terceiro. (E há os que digam que não dá pra se ter mais de um grande amor!) Doeu. Doeu na primeira. Doeu na primeira depois da primeira. Doeu na segunda. Doeu absurdamente também, na milhões de vezes que não foram as três vezes mais doloridas. Sempre dói.
E na terceira, ainda estou no ponto distante do fim.
Todo amor acabada?
Não sei.
Mas todo amor começa.
Em qualquer canto do mundo.
Não tem essa de "pessoa certa". Existem pessoas. E existem pessoas que dão certo. Com fim. Sem fim. Com dores absolutas, ou sem elas. Simplesmente dão. Estiveram. Estão. Foram. Serão.
Porque sempre no meio do caminho tortuoso e completo de pormenores doloridos, pode haver um terceiro que mostre como nunca é tarde pra sentir novamente e novamente e novamente
Há pessoas. Há amor. Há pessoas que sabem amar. E isso está por aí, esbarrando em corpos que dão espaço ao respirar preenchedor de tantos vácuos do mundo. Corpos que amam.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
o vento soprando na janela
suspirando através da cortina branca
gelando meus braços descobertos
-frenesi-
lembrança do teu abraço-segurança
da forma como veio e ficou
da forma como encostou em meu rosto da primeira vez.
da segunda. da terceira. de todas, absolutamente todas as vezes que seu toque confortou-me a alma e cobriu-me do frio da janela aberta.
de cada parte de você. do calor que me esquenta e profere em lábios lascivos que me ama
e te amo
e amamos.
suspirando através da cortina branca
gelando meus braços descobertos
-frenesi-
lembrança do teu abraço-segurança
da forma como veio e ficou
da forma como encostou em meu rosto da primeira vez.
da segunda. da terceira. de todas, absolutamente todas as vezes que seu toque confortou-me a alma e cobriu-me do frio da janela aberta.
de cada parte de você. do calor que me esquenta e profere em lábios lascivos que me ama
e te amo
e amamos.
Minhas lágrimas por ti não há
Meus (nossos) abraços e beijos infindáveis ficaram num tempo anterior
Meus pedidos para que ficasse, cansaram
Meu corpo prosseguiu por imposição de algo que dentro de mim dizia: vai ser feliz com quem realmente está disposto a isso.
Ser feliz? Não faço ideia do que é a felicidade. Mas tenho certeza que ela não tem nada haver com as lágrimas provindas da dor absurda que você me proporcionou. Não tem nada haver com rasgos internos nem com a saudade dolorida que pulsava. Felicidade não tem haver com desistir do outro.
Hoje vejo que felicidade abarca não insistir nos que desistem de nós.
E eu.
Sinto muito.
Mas larguei a dor de lado e fui banhar-me em água doce de rio, onde um "obrigada por hoje e pelos próximos anos" nunca seria proferido em vão. Pois há amor, paz e vontade de estar. tentar. permitir.
e viver
da forma mais honesta e bonita possível.
e eu te juro que eu gostaria de ter sido feliz assim com você. Mas essas coisas, moço, nunca seriam nossas; porque elas não se constroem com gente que tem medo de tentar. E eu te digo: Sempre gostei de arriscar. De viver. Dos abraços que querem ficar. Dos ditos sinceros. Do tesão mesclado com amor. De gente que compartilha o cuidar. Não. Eu infelizmente nunca vou te perdoar por todas as coisas bonitas que você conseguiu arrancar de mim. Pela esperança que me fez sentir. Por dizer que gostava de mim. Eu nunca vou te perdoar pela montanha de coisas boas que você me cedeu e arrancou do nada. Mas, obrigada, por me fazer ver que apesar dos bons momentos, felicidade não tem nada haver com você.
E eu te juro que as palavras acabaram. Todas. Uma por uma. Você levou elas embora contigo. Levou elas e parte do meu amor. Mas elas não sumiram. Nem elas nem meu amor. Estão aqui, agora, somente pra quem me faz feliz.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
aprendi hoje
que dá pra produzir
na alegria
que dá pra trajar
sapato novo
ou até mesmo,
pés descalços.
que nem sempre
andar no chão machuca o pé.
aprendi
que poeta
finge tristeza
pulsa alegria
inventa palavras
aprendi
que nem só de tristeza se faz palavra
e descobri
feito criança comendo doce novo
o sabor de fazer arte sem ser na dor.
que dá pra produzir
na alegria
que dá pra trajar
sapato novo
ou até mesmo,
pés descalços.
que nem sempre
andar no chão machuca o pé.
aprendi
que poeta
finge tristeza
pulsa alegria
inventa palavras
aprendi
que nem só de tristeza se faz palavra
e descobri
feito criança comendo doce novo
o sabor de fazer arte sem ser na dor.
[para ouvir ao ler: http://www.youtube.com/watch?v=oUjUTG3hwyQ]
''O sofrimento não tem nada haver com a gente'' disse o homem que trajava tristeza no paletó camursa, camisa branca suada gotejando cansaço e sapatos surrados das calçadas paulistanas. O sofrimento não tem nada haver com a gente. É. Ele arranca o paletó, a camisa branca, os sapatos. Ele arranca o laço passado. E cada enrrosco. De fato, ele não tem nada haver com nós, meu amor. Não tem nada haver com a brancura das estrelas que perfuram o coração. E sim com as estrelas noturnas do interior, onde o céu se forra para nós. Tem haver com os girassóis dos campos altinos que enchem de amarelo a paisagem do quadro recem pintado, onde a tinta fresca solta-se da tela e encharca-nos de vida. Tem haver com sorrisos. E abraço. Sexo. Pulsando em cada fibra do corpo que vive. Tem haver com amor. Com clichês dos mais sinceros. Sem paletó que se esconde e finge-se otimista. Sem risadas forçadas. Sem personagens que dizem palavras vãs sobre sofrimento e sobre o amor. Pois dizem por aí, que só quem já amou de verdade, sabe o que é sofrer. Dizem muito por aí. Eu digo muito também, assumo. Assumo que encanto-me cada vez mais com tuas linhas, teu beijo e cada sensação púrpura que passa aqui dentro. Obrigada por não trajar paletó-camursa-tristeza, nem camisa-branca-cansada, muito menos sapatos-surrados. Obrigada por trajar alegria.
O sofrimento definitivamente, não tem nada haver com a gente. Sabe por que? Porque somos como colinas, esverdeadas e cheirando a terra nova. Onde brotam flores, correm passáros e pulsa amor.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Batiam dentro de mim, todas elas, sucumbidas pela vontade de dizer. Sempre tantas. Das variadas. Sobre dor. Sobre amor. Sobre luzes natalinas que piscavam na praça ao lado, sentada ali, pensei no quanto o natal era frutífero ao sistema, no quanto não gostava daquela redoma escarnecida por falácias de fim-de-ano. Gostava das luzes, mas não de pensar que em alguns cantos, elas não estavam pra iluminar. Ou pra trazer boa sensação por serem pequeninas e bonitas. Pensemos então sobre o lado bom das luzes, sobre os abraços sinceros e os presentes que vem de dentro. Sobre os beijos, sexo, dias de amor e clichês e palavras que pulsam por todo canto. Sobre as grandes luzes que nos contornam diariamente. Quem disse que clichês não são bonitos? Tá cheio deles aqui. Talvez porque eu não tenha medo das luzes honestas que piscam dentro de cada um. Já doeu demais,
mas eu sempre gostei de amar.
de comer gente, comer vida, comer cor
encher os pulmões de palavra
e arriscar
arriscar da forma mais escancarada possível.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
ares
arde
ainda arde um pouco
as lágrimas antigas
dos beijos passados
arde
mas
mais ares
ocupando corpo
voz cabelo vida
ares novos
respiro
respiro pela primeira vez
engulo o ar agarro o vento
encontro paz
sem pontos de exclamação
sem pontos finais repentinos
sem fluidez
sólido.
seguro.
amável.
plumas sobressaem
e perpassam cada parte do meu ser
e abraçam-me junto à luz do sol
de fim de tarde
de começo do dia
sol
solar
só lar
sim, me sinto em casa.
como se eu soubesse onde piso
sem muita onda
como casa de veraneio
nas férias pós-ano-agitado.
arde
ainda arde um pouco
as lágrimas antigas
dos beijos passados
arde
mas
mais ares
ocupando corpo
voz cabelo vida
ares novos
respiro
respiro pela primeira vez
engulo o ar agarro o vento
encontro paz
sem pontos de exclamação
sem pontos finais repentinos
sem fluidez
sólido.
seguro.
amável.
plumas sobressaem
e perpassam cada parte do meu ser
e abraçam-me junto à luz do sol
de fim de tarde
de começo do dia
sol
solar
só lar
sim, me sinto em casa.
como se eu soubesse onde piso
sem muita onda
como casa de veraneio
nas férias pós-ano-agitado.
sábado, 14 de dezembro de 2013
So(corro)
de você
dos teus olhos
da tua boca
da saudade despedaçada
esfarrapada por sua pessoa.
do choro engasgado engolido e
Não me venha dizer de otimismo!
Você arrancou com toda força,
absolutamente cada parte do meu coração
e aniquilou qualquer pitada de amor.
Tô saindo, pra bem longe
do teu suposto otimismo e do sorriso
que finge que deseja viver.
Um dia,
não escreverei mais sobre ti.
Honestamente?
Eu quero ser feliz.
E eu tô indo.
Pra bem longe da tua
tristeza trajada de felicidade,
da tua não vontade te ter ficado.
pra onde a água é limpa
purifica o coração
afaga o cabelo
contorna o corpo.
-acalento. cuidado. segurança.-
explosão de paz que vem,
fica.
e tem compartilhado amor.
de você
dos teus olhos
da tua boca
da saudade despedaçada
esfarrapada por sua pessoa.
do choro engasgado engolido e
Não me venha dizer de otimismo!
Você arrancou com toda força,
absolutamente cada parte do meu coração
e aniquilou qualquer pitada de amor.
Tô saindo, pra bem longe
do teu suposto otimismo e do sorriso
que finge que deseja viver.
Um dia,
não escreverei mais sobre ti.
Honestamente?
Eu quero ser feliz.
E eu tô indo.
Pra bem longe da tua
tristeza trajada de felicidade,
da tua não vontade te ter ficado.
pra onde a água é limpa
purifica o coração
afaga o cabelo
contorna o corpo.
-acalento. cuidado. segurança.-
explosão de paz que vem,
fica.
e tem compartilhado amor.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
isso também vai passar
pra longe da conjuntura criada entre nós.
vai passar por uma frincha que se abriu
e cedeu espaço pra novas vidas
honestas
sem medo
sem fim.
minto.
com fim.
mas fim distante.
e se for fim,
não será por medo.
nem por falta de coragem.
porque depois que você passou
e levou um bocado do meu amor
eu aprendi
que não quero mais amores
de passagem
que
agarram
abraçam
despem minhas roupas
arrancam minhas tristezas
conjuram meus poemas
me enchem de paixão
e
um segundo depois
desistem.
pra longe da conjuntura criada entre nós.
vai passar por uma frincha que se abriu
e cedeu espaço pra novas vidas
honestas
sem medo
sem fim.
minto.
com fim.
mas fim distante.
e se for fim,
não será por medo.
nem por falta de coragem.
porque depois que você passou
e levou um bocado do meu amor
eu aprendi
que não quero mais amores
de passagem
que
agarram
abraçam
despem minhas roupas
arrancam minhas tristezas
conjuram meus poemas
me enchem de paixão
e
um segundo depois
desistem.
Vejo o ponto em que nos esbararemos pelos corredores e seremos desconhecidos. Não haverá noite nem beijos incontáveis que resguardem alguma vontade de sermos. Não haverá sorrisos intermináveis, nem tesão pulsante, nem corpo que no silêncio acalenta e cuida. Nem mensagens de bom dia. Nem saudades absurdas. Não há. Não haverá. Só houve. Ouve o que eu tô te dizendo:
Eu tentei. Tentei ficar. Tentei cuidar até onde coube. Mas não há mais espaço. Você se trancafiou nessa redoma de certezas e medos e tristezas concretas que não deixam o amor entrar.
E não.
Não haverá Regina que diga pra gente que vai durar.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
vou me embora pra pasárgada
onde não existe nós
nem cama a dois
nem dias acumulados de saudade.
vou me embora pra onde as conversas se expandem e não têm medo de entregar-se à prosa sincera da tentativa de compartilhar
um tiquinho
uma pitada
de resquício
do afeto.
vou me embora, pra bem longe de você
e do teu sorriso mal feito
das tuas angústias
do teu medo de amar.
vou me embora.
eu, minhas malas acumuladas do teu corpo
e minhas doces tentativas de estar
perto de ti.
onde não existe nós
nem cama a dois
nem dias acumulados de saudade.
vou me embora pra onde as conversas se expandem e não têm medo de entregar-se à prosa sincera da tentativa de compartilhar
um tiquinho
uma pitada
de resquício
do afeto.
vou me embora, pra bem longe de você
e do teu sorriso mal feito
das tuas angústias
do teu medo de amar.
vou me embora.
eu, minhas malas acumuladas do teu corpo
e minhas doces tentativas de estar
perto de ti.
não sabia mais o que escrever
nem por onde começar
nem o que
nem como
não.
não sabia de mais nada.
desde que você se foi
a única pergunta que se passava na mente de Olívia era: Por que?...
Por que a vida segue sempre o rumo do deixar?
Por que diabos o coração quase explode?
Por que lágrimas escorrem e o rasgo no peito e toda a montanha de palavras que gostariam de sair
e tudo isso, por quê?
nunca iria compreender
da onde vinha tanta dor
e palavras rarefeitas
jogadas
partidas.
e foi só um mês
só
quase nada
tão pouco
tão rápido
tão
tão certeiro.
tão vivido, ao menos por Olívia, foi.
Foi inteiro.
Foi saborosamente bom.
Olívia nunca deixaria de sentir e entregar-se a qualquer conexão bonita que pudesse ser feita. Olívia, pediu pra eu
dizer pro mundo
que ela
faria de tudo
por amor.
nem por onde começar
nem o que
nem como
não.
não sabia de mais nada.
desde que você se foi
a única pergunta que se passava na mente de Olívia era: Por que?...
Por que a vida segue sempre o rumo do deixar?
Por que diabos o coração quase explode?
Por que lágrimas escorrem e o rasgo no peito e toda a montanha de palavras que gostariam de sair
e tudo isso, por quê?
nunca iria compreender
da onde vinha tanta dor
e palavras rarefeitas
jogadas
partidas.
e foi só um mês
só
quase nada
tão pouco
tão rápido
tão
tão certeiro.
tão vivido, ao menos por Olívia, foi.
Foi inteiro.
Foi saborosamente bom.
Olívia nunca deixaria de sentir e entregar-se a qualquer conexão bonita que pudesse ser feita. Olívia, pediu pra eu
dizer pro mundo
que ela
faria de tudo
por amor.
Escrevo pra botar a dor pra fora. Farei isso ao menos por trinta dias, dias correspondentes ao motivo da dor. Trinta dias foram necessários pra eu me sentir completamente feliz. Trinta dias mais um pra eu perceber que era completamente louca por você. Trinta dias contando com uma semana distante, um dia após a uma semana: Fim. Pergunto-me então quantas horas e dias e anos e escritos serão necessários para abortar essa dor que você cravou em mim? Quantas junções de segundos pra eu esquecer dos nossos beijos que duravam horas? Quantas palavras serão necessárias pra desafogar tamanha saudade que tenho de cada parte do teu corpo, do teu jeito, do teu sorriso, das nossas conversas e mais um milhão de coisas que me fizeram acreditar e me tirar um sorriso absurdo quando você disse: "Obrigada por hoje e pelos próximos anos." É. Acho que eu acredito demais nas palavras.
domingo, 1 de dezembro de 2013
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Cuspe em palavra.
Tintilar de assovios na praça do lado esquerdo do peito, onde os pássaros corriam e levavam um pouco do sulco pulsante que havia ali. Se alimentavam daquele sangue e esfomeados, levavam tudo que havia dentro daquele corpo, que no momento, estava tão entupido, tão engasgado que quando os pássaros chegaram, ela deixou, deixou que eles comessem seu corpo v i v o, seu corpo que pulsa e agarra tudo com a maior intensidade que se pode ter. Que sente, explode de tanto sentir! Vorazmente as asas sucumbiam-lhe a alma e comiam-lhe o lado esquerdo do peito. Comeram-lhe os sorrisos. Tomaram seu sangue. E quando subitamente ela abriu os olhos, viu que não era mais corpo, era pena, penúria, pássaro-menina-passando
na vida.
domingo, 24 de novembro de 2013
Saudade, saudosamente suspira sabendo que sintetizará todas as sílabas pronunciadas e sentirá cada parte do seu sútil jeito de ser. Que completará cada lembrança e me agarrará num abraço que chora. E me esfolará a pele, arrancando cada pedacinho de luz. Do brilho que tenho aqui dentro. E ofuscará as tardes gostosas, as saias coloridas do maracatu, os ensaios do teatro, os sorrisos dos amigos. E preencherá todo o vazio que você tem me trazido. Ah. A saudade tem sido a única palavra concreta que sibila a minha dor.
Enchemo-nos então do vocabulário que não há
das palavras que não são
das idas nebulosas
onde nascem os clarões
e explodem
dentro da gente
da nossa boca
que tanto quer
que tanto fala
e nada diz
-e se beijam com voluptuosa vontade-
Enchemo-nos então do amor que nem brotou
das árvores que não subimos
das voltas cuidadosas
e mimosas
doces
onde crescem
a esperança
e acrescem
aquecem
o interior de minhas mãos
as veias fatigas
do samba passado
da dança pulsante
do dia corrido
da vida labuta
de mim
de você
e de cada segundo
que estivemos
vivemos andamos
caímos
saímos
do nó
das tardes insossas
dos dias calados
pois tinha voz
corpo
som
carinho
sorriso
e vontade absoluta de viver.
das palavras que não são
das idas nebulosas
onde nascem os clarões
e explodem
dentro da gente
da nossa boca
que tanto quer
que tanto fala
e nada diz
-e se beijam com voluptuosa vontade-
Enchemo-nos então do amor que nem brotou
das árvores que não subimos
das voltas cuidadosas
e mimosas
doces
onde crescem
a esperança
e acrescem
aquecem
o interior de minhas mãos
as veias fatigas
do samba passado
da dança pulsante
do dia corrido
da vida labuta
de mim
de você
e de cada segundo
que estivemos
vivemos andamos
caímos
saímos
do nó
das tardes insossas
dos dias calados
pois tinha voz
corpo
som
carinho
sorriso
e vontade absoluta de viver.
Essas conversas mal preenchidas andam piores que conversa de boteco. Vazias. Espaço completamente aberto, escancarado às interpéries do mundo. Corpo frio. Corpos distantes. Me diz, como pôde se distanciar de tudo? Engula então suas verdades e afogue-se nessa vida de espasmos. Afaste-se. Mas o faça direito, assuma cada pitada da sua covardia para com a vida. E não tente mais. Não tente mais tapar nossas conversas com sutis tentativas de perdão. Não há mais espaço pra tentativas. Eu sinceramente, tentei estar por perto. Mas não insisto em gente que recusa qualquer tipo de afeto. Desfaleça sozinho. Mas não leve-me junto, que meu peito já anda vazio demais. Por gentileza, leve embora minhas lágrimas diárias, minhas lembranças, meus pequenos momentos de achar que ia durar por muito tempo, os dias juntos, os sorrisos, as piadas, o toque, o corpo. Leve-se embora de mim.
sábado, 23 de novembro de 2013
Escarlate. Minha dor era escarlate rebuscada. Era cheia de detalhes. Cheia de cansaço. De claro espaço ocupado. Daquelas que estão intrínsecas e vazadas, que escorrem bem do nada, assim, no meio do dia quando estou num lugar que me lembra você. Os lugares sempre estiveram ali e sempre vão estar. As músicas vão ser sempre ouvidas. A parede de trás do ponto de ônibus, vai ser sempre a mesma. Os cantos do metrô, também. Mas a minha dor, não. Minha dor vai ser sempre pulsante, enquanto você ainda ocupar uma parte de tudo que sempre foi o mesmo, e por pouco tempo, havia deixado de ser.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
As traças comeram minhas roupas, levaram meus desejos, roeram minhas cartas, calaram meus sorrisos. As traças, traçaram tudo. Desde o dia em que os traços se desfizeram e seguiram rumos completamente distantes. Levaram absolutamente tudo. E nua de calor, despi minhas tristezas no papel. Mas as traças também roeram ele. E engoliram cada tentativa de dizer. Não tinha palavra. Nem roupa. Nem eu. Nem você. E das sobras de tudo o que elas comeram, só restaram minhas lágrimas certeiras. Escancaradamente doloridas.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
pra ouvir ao ler: http://www.youtube.com/watch?v=Dyo4tNwNIvQ
Sentada num banco de ônibus, encarava cada assento alheio. Os olhos de Olívia não davam pra um capítulo Eram tão curiosos quanto os de Capitu, aqueles olhos de ressaca de menina que queria descobrir o mundo. Pensava no que se passava na mente de cada uma daquelas pessoas, em quantas paixões já tiveram em quantas tristezas e com toda certeza, quanta alegria. Mas, essa última... Bom, na verdade não sei sobre nenhuma das quantidades. Não dava pra saber. Eram como mundos escondidos e separados por assentos constituintes do transporte (coletivo). Equidade que talvez perpassasse aqueles corações ambulantes. O coração? Tá posto no varal. Olívia havia posto ele pra secar desde que ele se encharcou de lágrimas. Secava. E tornava a chorar. Quantas lágrimas será que possuí o coração dessa gente? Gente, cêis prometem pra mim que buscam o coração de Olívia no varal? E aí, lavem ele. Alimentem. Ponham no sol, por favor. Peço encarecidamente que o façam, se puderem. E quando ele estiver completamente restituído, vocês o levem ao ônibus , encarem aqueles olhos curiosamente belos, entreguem a ela e lhe digam que uma hora, o calor volta a cuida-lo a ponto de não existirem mais espaços pras lágrimas. que coração: é pra ficar dentro da gente.
-mas por favor,
façam-na acreditar-
domingo, 17 de novembro de 2013
''Hold me close, cause I need you to guide me to safety''
Pra quando for. Pra quando dor. Pra quando ir. Pra quando lembrar. Pra quando? Até quando sentirei desfalecido meu coração? Até quando as lembranças tornarão-se cada vez mais intensas? Até quando sentirei a dor de não poder ter o que se teve. Até. A saudade passar. E ela passa? Porque ultimamente ela só tem girado e cortado e arrancado cada espaço de felicidade. Exposto lágrimas e gotejo de rasgos e distância de tudo que eu sempre tive de mais bonito dentro de mim.
Oh, o anseio de ser algo, que seja amiga, que seja qualquer coisa que não seja o nada. Não, moço, o nada não. Lhe peço encarecidamente que entenda, que eu nunca vou desistir de você. Ou ao menos, de poder te abraçar e dizer que o mundo não é tão ruim assim.
Vinte e nove minutos. Vinte e nove é o tempo suficiente pra eu entender o tamanho da minha saudade. Vinte e nove minutos de espera pra preencher. Minutos. É como se o tempo passasse e eu estivesse prevendo a hora em que nos tornaremos desconhecidos. Não haverá mais o que dizer. E a saudade, essa gigantesca que tem me agarrado: ela vai continuar aqui. Até que depois de muitos vinte e nove minutos passados, eu não lembrarei mais dela e teu rosto vai ser só uma memória saudosamente bonita.
"Os Três Mal-Amados", João Cabral de Melo Neto
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
Com sono. Sem sono. Com sono. Sem sono. Tudo isso parava com uma velocidade absurda em minha cabeça. Já não sabia mais o que me levava a escrever sobre minha saudade. Nunca soube. Saudade é um negócio do caralho. Daqueles que entra na gente e: Merda. É. Eu tava vendo o cursor balançando e procurando uma forma de me esquivar de mim mesma. De se esconder do meu amor e de cada parte do que dizem que há de bonito em mim. Cheia de cor e mais umas coisas honestas que às vezes a gente ouve. Mas nessa noite não houve espaço pra isso. Era só eu, meu peito que não sabia adormecer e a minha saudade.
O Tibete deve ser feito de montanha de palavras. Montanha de palavras soltas com neve neblina solzin de fim de tarde e altas - montanhas altas! E as palavras soltas sem receio sem sufoco sem ponto vírgula ou normatividade. Todas elas explodindo bem alto bem grande , tão grande que não cabe no papel o alívio que daria. Talvez, quando eu digo que quero fugir prum lugar que eu nem conheço, como é o caso do Tibete eu só esteja querendo dizer que eu quero conseguir soltar as palavras em paz.
Queria que as palavras -essas sorrateiras poderosas- que sempre saem de mim explodindo, queria que elas, por vezes, pudessem se tornar vida. Imagina só! Daria pra escrever: Passou. E a dor já teria acabado. Em seis letras. Seis letras pra curar uma dor. Quantas será que serão necessárias pra aliviar dessa vez? Da última, deu vinte e duas folhas de textos, frente e verso. Ah. As palavras. Sempre acabam curando a gente, apesar de não serem reais como meu corpo ou como a nuvem, também sabem correr pular e expurgar tudo pra fora. E respiram dentro de mim arrancando cada pedacinho da dor -junto a algumas lágrimas que caem no papel- Por isso, meus leitores, peço perdão: mas todos têm necessidades.
Perdão. Pelas tentativas de dizer. Pelas palavras sinceras. Pelo gostar de ti. Perdão. Pelos males que nem sei quais foram. Pela saudade do beijo. Pela saudade do riso. Do corpo. Do jeito. Perdão pela saudade! Perdão pela tentativa de te fazer feliz. Ou por querer te abraçar e dizer: "Cuida da vida moço, que a morte é certa!" Perdão por não saber mais dizer. Você levou embora parte do meu riso e das minhas palavras. Um dia, aprenderei novamente a escrever. Quanto ao riso, já não sei mais.
sábado, 16 de novembro de 2013
Quando ouço uma música alta, lembro-me de todas as danças que já vivi. Dos frutos colhidos, deixados, atados. Amados. Sim, lembro de cada sorriso, de cada pessoa, de cada amor. O primeiro. O segundo. O terceiro. Onde estarão nossas caixas de lembranças futuras? Onde se escondem as mágoas e os não-ditos? Pra onde foram as cartas não entregues? E os abraços quebrados. E a vida num ritmo calado.
Não.
Aqui as coisas nunca foram assim.
As cartas sempre foram entregues, os ditos: falados. Os dias, inteiros. A forma, concreta. E tudo, absolutamente tudo foi sentido. Da boca até o último fio de cabelo. Da dor até o amor absoluto. Da presença até a saudade. Do sorriso até o choro de agora. E puta que pariu, quanto choro eu já tive, quanto sorriso, quantos ditos, quantas noites, quantas cores, odores, cafés, conversas, banhos, dias. Quantos dias você já viveu? Quantos dias você está mais perto da morte? Diga-me, diga-me sobre quantas foram as vezes em que você se permitiu ser sincero com a própria vida e arrancar dela cada fibra do sentir. E deixa-la correr por entre as veias, juntando-se ao sangue que pulsa dentro de nós. E deixar que tudo corra capilarmente entre cada caso contraído distraído, acabado. E permitir que mesmo no acabado, aja recomeço. E no recomeço, aja fim. E no fim aja começo. E que tudo se junte num balaio só, e grite, exprima, expresse e que seja exímio e torto. Que seja de tudo um pouco.
Que seja amor.
E inteiramente vida.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
-meio torto. meio grande. sincero.-
das flores vermelhas que eu gostaria que estivessem no meu cabelo quando eu morresse. dos meus cadernos de escritos que eu queria que estivessem sob uma mesa. das músicas. dos doces, café e chá. tudo isso em meu velório. dos meus planos pra morte. dos meus planos pra vida. das dores. dos amores. dos acasos. laços. da saudade. da saudade imensa. dos membros corpóreos passados colados atados. dos atos. dos casos. dos beijos. dos dias. das cores. da vida! da falta de vírgula. da falta de preocupação em dizer de forma bonita. da falta. de tudo, de tudo e mais um pouco, do mundo, e de qualquer coisa a mais. eu. eu só queria poder te abraçar. bem forte. bem grande. bem nosso.
terça-feira, 12 de novembro de 2013
sem catracas
As catracas de metrô sempre vão trazer inúmeras lembranças, dos encontros às sextas ou do atraso do domingo, do término de sábado a noite ou do começo da quarta a tarde. Pelo direito de ir e vir. Que as lembranças dos (des)encontros, sejam lembranças de encontros sem catracas. Livres. Inteiros e livres.
"Ei, as 15h00 nas catracas da consolação, certo?''
Relógio. Passos. Acasos.
Próxima estação: Paulista. Desembarque pelo lado esquerdo do trem.
Descem várias pessoas, cada qual com seu itinerário, mas sempre. Eu disse: sempre. Vão ter corações acelerados e gente com borboletas na barriga. Encontros. Beijos. Amassos. Transas. Dias. Tempo. São Paulo e suas estações que levam as pessoas proutros cantos, pulsando vida e calor, como um novelo de lã colorida -uma hora há encontro entre os fios- que se enroscam, se enrolam, se juntam.
Olha o relógio. Exita. Manda torpedo. Espera. Vê. Dança. Anda. Corre.
Passa.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Ao lusco-fusco do dia de hoje pensei no que dizer ao mundo. Pensei em cada pedaço de letra que poderia ser juntada. Mentira. Não pensei em nada, ao lusco-fusco que se enebria e vem de fora pra dentro e de dentro pra fora, exatamente na transição do dia-noite, no ponto exato em que escureceu: não pensei em nada.
Não havia muita coisa em minha mente, nem concretude pra preencher meu corpo. Tava tudo um tanto vazio. Como se o dia e a noite fossem um só: mimetizados com a minha saudade.
Como se ao me deparar com a quantidade de letras e palavras que existem no mundo, nenhuma, nenhuma conseguisse expressar com exatidão qualquer coisa do que se passa aqui dentro. Porque todos nós, somos um buraco bem profundo, uma estrela bem distante, uma constelação enorme enorme enorme, que chega a explodir!
As palavras, essas todas explodem dentro de mim, e caem dos meus dedos , da minha boca, dos meus seios, do meu ventre e rasgam meu corpo que ferve de tanta água salgada dentro dele.
Que chora.
Já viu corpo chorar?
Eu sinceramente não sei mais sobre o dia, nem sobre a noite.
Nunca soube muito sobre o amor e sempre amei demais.
domingo, 10 de novembro de 2013
Passando mal. Passando mal. Passando mal. Passando mal de saudade. Passasse então o dia. Passou-se então o dia cheio de sol, cujos raios reintegravam minhas fibras corpóreas que tem sentido feito flor. E minha raiz, essa que deveria estar inteiramente nos eixos, bom, ela tem corroído como quem precisa de um copo d'água. Despi minhas pétalas coloridas desde que você desisitiu de nós. E cada pedacinho da meninaflor foi se esvaindo e gritando no meio de uma selva de asfalto, e as pessoas, estavam ali seguindo seus caminhos. Eu: era apenas uma flor com raiz arrancada. Arrancou. Você arrancou boa parte da minha felicidade. E levou embora, como pétalas ao vento que não voltam mais. Despedaçada.
Nunca mais. Nunca mais dormirei como a flor do regato que bem ali a beira se ilumina com as frinchas de sol ou a luz das estrelas, e adormece. Fecha tuas pétalas até que um vento a faça acordar. Nunca mais conseguirei arrancar a saudade para que apenas o barulho do riacho baste ao pé dos meus ouvidos. Ou a cálida dança que eu fazia junto às outras flores que vinham me visitar. Ou qualquer uma dessas sensações vívidas que temos quando se ama. Nunca mais. Ou pelo menos, por um bom tempo não irei do regato à cachoeira, nem dormirei em paz com minhas pétalas a sorrir.
sábado, 9 de novembro de 2013
Corpo exaustivo, corpo saudade, corpo dor, corpo ontem, corpo amanhã, corpo sem saber pra onde ir.
Corpo que vira e revira cada sensação interna, desde o frenesi sentido na primeira vez que te vi até a saudade que arranca pedaços dentro da gente e corta cada fibra da ternura e da felicidade momentânea que retira o sorriso de quando olhamos um pro outro e nos abraçamos como se aquilo bastasse, como se fosse suficiente em meio a tanta coisa que esse mundo carrega nas costas. Aquilo era suficiente pra mim. Era como um banho de mar noturno, nua de qualquer preocupação. Aquilo era o que eu mais precisava diante de tanta saudade que ainda havia da história de janeiro. Aquilo era como uma esperança a qual eu me agarrei em meio a uma montanha de dor que foi cultivada durante um ano. E quando me libertei, você surgiu. Não sei se você ajudou a me libertar ou se no momento que chegou o espaço já estava aberto pra algo novo.
Não sei quando passou.
Não faço ideia.
Mas eu sei, que quando você chegou
toda a bagunça
toda as coisas antigas
toda a angústia se foi se foi pra tão longe que eu nem enxergava mais pitada de tristeza ou qualquer resquício da confusão passada.
Passado. Havia passado absolutamente tudo. E eu me sentia completamente em paz e inteira novamente e fui cultivando cada pedacinho da minha nova felicidade. E tudo estava tão bem, tão nosso. Tão junto...
até que
até
fim.
terça-feira, 5 de novembro de 2013
[para ouvir ao ler: http://www.youtube.com/watch?v=vN7HQrgakZU]
Encarei as letras a minha frente e pensei em como junta-las a ponto de formar algo a ser dito. Algo a ser dito? Há algo a ser dito?
Bom, penso que se parei para encarar essas palavras é porque há. Sempre há. Corpo de poeta pro(pulsa) palavra. Ultimamente a palavra que tem perpassado mais vezes meu corpo, inteiro, como cacos de vidros perfurando cada parte e arrancando pedaços de pele e sangrando sem parar, estancado: meu corpo tava estancado de saudade de você.
Acordava todos os dias pensando se você estava bem. Dormia pensando se você estava bem. Vivia pensando se você estava bem.
Bem. Eu sempre te quis tão bem.
Sinto-me impotente, se eu pudesse iria correndo até você e diria: Moço, acorda, tem gente querendo te abraçar!
E te abraçaria e te beijaria e me enroscaria em ti como todas as vezes passadas.
Passadas. Passado a dor como ficaremos? Seremos desconhecidos?
Uma hora moço, uma hora infelizmente, eu vou cansar.
E aí, eu já terei ido, pra longe dos cacos que perfuram.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
-um choro
caiu
Tintilando como em dias de festas que as pessoas brindam com sorrisos no rosto e corações partidos. Tintilando como taças de ano novo, novo ano, ano novo e é sempre a mesma esperança de novo.
Novamente me pego escrevendo sobre você.
Vocês.
Sempre foram meus fantasmas literários.
Vocês que me despiram a roupa e me deixaram sem palavras, vocês que arrancaram todos os suspiros e delírios - lírios em dias quaisquer
Vocês que trazem saudade e lembranças bonitas.
Vocês todos que souberam um dia ser apenas
meu
você.
aperto no peito.
com todo respeito
eu quero te amar
sem falta nem choro
nem medo
nem nada dessas coisas
com todo respeito
permite?
só um pouco
bem de perto
bem de longe
bem
bem
eu te quero tanto bem, moço
que cê nem sabe
dói meu peito ao saber
que tem dor perto de ocê.
dói demais
dói tanto
que eu tive que fazer
poema mal feito
pra dizer
que eu quero poder te amar.
pare
de recusar amor
porque no fundo
cê tem tanto amor quanto eu.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
Montanha de palavras querendo sair.
pra ouvir ao ler: http://www.youtube.com/watch?v=uEdC4PwWihQ [ouça junto, ou não leia. É importante. A música, faz parte do texto.]
Eu sempre gostei de escrever, de juntar cada pedacinho de letra e colar numa sentença, de mimetiza-las em papel e mimetizar papel em sentimento. Eu sempre gostei de sentir. Hoje, uma moça bonita, disse pra mim que gosta da forma como sou livre, da quantidade de cor que eu tenho na minha vida e de quantas histórias eu terei pra contar pros meus filhos. Filhos, será que terei filhos? Às vezes eu paro pra pensar, nessa coisa de casar, família e todo o mais. Gosto da ideia. Mas tenho tantos planos que se desencontram a esse. Sonho em dar aula de francês em alguns lugares da África que falam essa língua que eu tanto gosto. Sonho em fazer um mochilão pela América Latina com o moço que é anjo da minha vida. Sonho em escrever um livro antes dos 20. Sonho em montar uma trupe de teatro e ficar um mês passando em cidadezinhas que não tem muita arte e levar a minha -mesmo que desajeitada- a minha arte pra eles. Sonho em tanta coisa.
Sonhava que a gente ainda tivesse juntinho. Gostaria que não tivesse sido somente uma noite. Uma noite. Um mês. Trinta dias, foi aproximadamente isso não é? Ah, só pra constar, foi a primeira vez que eu dormi junto com alguém. Alguém assim, que eu tava gostando. Foi a primeira vez que eu me senti acolhida. Que eu sorri e vi sorriso de volta. Das outras vezes eram sorrisos confusos e cheios de vontade de entender. Dessa vez, foi como meus sonhos, foi honesto. Não precisava entender, bastava estar ali e sorrir e gostar. Gostar da companhia era suficiente. E por que não foi suficiente pra durar? Me diz moço! Me diz por que você desistiu da gente? E das nossas conversas bacanas e dos nossos carinhos, de compartilhar mensagens de boa noite e ir dormir um pouco mais feliz. De passar horas sentindo nossos corpos juntos. De não querer largar.
Me explica me explica porque eu tô sentindo
tanta saudade
me explica porque você foi embora
me explica
me explica
me explica porque as palavras tão rasgando-me o peito e gritando gritando de saudade de você! e das noites que não vivemos e de cada instante do que existiu, do que teve e não teve.
de quando tomamos sorvete com paçoca
pintamos focas em ateliê
banho juntos
-e todas essas coisas que eram saborosamente boas-
esquecer que estávamos na rua
quando nossos corpos se entrelaçavam
beijos no metrô
e da regina
da regina
que falou pra gente, que devíamos aproveitar.
Eu lembro que naquele dia você disse: ''Ela só tá falando a verdade. Que somos um casal bonito.''
um dia depois, eu escrevi no meu caderninho de escritos:
Regina estava certa.
Ultimamente tenho me pego escrevendo sobre flor. Deve ser porque elas são as únicas nas quais eu acredito. Elas ficam, mesmo murchas, elas ficam guardadas no meio do caderno e secam e anos após a gente vê como elas tão bonitas. Elas chegam num vaso e enfeitam a sala. Elas aparecem no meio da rua e pintam as árvores para nós. E são tantas, tantas cores, tantos tipos. Sempre achei algumas pessoas meio flores. Olhos de girasol e boca de tulipa. Corpo de rosa, talvez. Nunca me senti tão próxima de alguém , como delas, essas pétalas que despetalam-se e ainda assim permanecem. Acho que é por isso que eu gosto tanto dos corposflores que existem nesse mundo.
sábado, 26 de outubro de 2013
Pela manhã.
[11 de dezembro de 2012]
Hoje eu tomei um café numa mesa de bar. Não tinha floreios nem falas maquiadas. Não era sujo nem limpo. Era aquilo e ponto. Era real.
- Por favor, quanto é o café?
- Um e vinte.
Pensei: "Na mulher ali da banquinha da esquina é um real"
Oh vinte centavos. Vai mesmo fazer tanta diferença?
-Vê um por favor.
-Com leite?
-Não. Puro.
Ele me serviu, num copo de vidro que já perpassara várias bocas e mãos matinais. Que fora lavado e recolocado. Lavado e re... Consecutivamente.
Agradeci. Ele perguntou:
-Só isso moça?
Respondi:
-Só.
- Um cafézin, só pra acordar , né?
Sorri, meio de lado e disse:
-É. Pra acordar. Isso mesmo.
Ele sorriu, nem tão de lado.
Pensei que era pra acordar mesmo, pra acordar ao lado daqueles raios que batiam no vidro que tapava os salgados fresquinhos. Comecei a tomar, o copo tava bem quente, senti o calor nos meus dedos. Engoli um pequeno gole, tava bem doce e fresco. Observava aquele local, só tinha eu, o balcão, uma moça com olhos um tanto envelhecidos e transeuntes à porta. Coloquei uma música e apreciei os dois ao mesmo tempo. O café com música e a música com café. E eu com os dois.
Tava tudo bem doce pela manhã. Bem vivo. Sorri e nem sei se tinha motivo. Escrevi isso e talvez o motivo seja mais oculto ainda.
Foi um bom dia.
-Obrigada moço, bom trabalho.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Vem. Prometo que cuido do teu medo.
explosão
clarão de dizeres
piano desafinado
agudo
falado
explosão
clarins de amor
tambor batendo
crendo
sendo
explosão
tim tim por tim tim
cada pedacinho de mim
de ti
de nós
cada pedacinho de dor -amor-
cada pedacinho de cor
cada pedacinho da gente
colados da forma mais bonita
que o mundo deixar!
recortes cotidianos
que falam, retratam, explodem
expelem
sem medo
com cor
-só colam-
e formam
nós dois.
clarão de dizeres
piano desafinado
agudo
falado
explosão
clarins de amor
tambor batendo
crendo
sendo
explosão
tim tim por tim tim
cada pedacinho de mim
de ti
de nós
cada pedacinho de dor -amor-
cada pedacinho de cor
cada pedacinho da gente
colados da forma mais bonita
que o mundo deixar!
recortes cotidianos
que falam, retratam, explodem
expelem
sem medo
com cor
-só colam-
e formam
nós dois.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
dos dias que foram
[pra ouvir ao ler: http://www.youtube.com/watch?v=H2-1u8xvk54]
Nunca pude entender suas palavras. Nunca pude entender suas verdades e nem a forma como não consegue usar a vírgula. Ainda assim, gostei tanto do que li! Tanto que cê nem imagina, é. Talvez você não imagine muita coisa sobre o quanto eu gosto de você.
Nunca consegui entender como pode não ligar pra banhos de rio e pés descalços em jardins cheios de terra com chuva fresca.
-Comer amora em dias de sol faz bem , meu amor.-
Não gostar de viagens. Ou não gostar de fazer alguma coisa que liberte. Trinta dias talvez não sejam suficientes pra te entender. Não, infelizmente não nos conhecemos. Infelizmente não houve tempo suficiente pra eu terminar o dicionário que estava fazendo pra ti e entregar-te junto a um beijo. Não houve tempo pra irmos até a minha tia que mora no interior e passarmos um tempo juntos apreciando os dias fora de São Paulo. Não houve tempo pra tu vir em casa assistir Almodóvar comendo muito brigadeiro. Nem pra roubarmos um carro e ir fazer um mochilão pela América Latina, ou ir pro Tibete -mesmo você não gostando de subir montanhas- Nem tempo preu te levar na praça, sim, aquela mesma.
Houve tempo do sorriso e do corpo que sempre soube que queria estar por perto. Sim, ele sempre provou pra nós dois, que queria estar o mais perto possível um do outro. Esquentando cada parte de nós. E costurando as doçuras vãs das quais eu falei naquele poema. E as verdades que não são verdades. E as mentiras que não são mentiras. O sempre querer um pouco mais. E mais. E mais. Até que o mundo postulasse o fim -mas até aí, tinha tanta coisa pra vi(vermos) sermos!-
foi bom. Sempre gostei de corpos comigo. Sempre gostei de viver. Conhecer. Permitir. Sempre gostei de ti. Desde o dia em que te vi pela primeira vez. Sempre gostei do teu sorriso e da forma como falou comigo da primeira vez. Esse jeito tão seu. Tão encantador. Do teu beijo. Do teu abraço e de cada partezinha de você.
Não, moço bonito, eu nunca vou entender essa coisa de desistir
Nunca consegui entender como pode não ligar pra banhos de rio e pés descalços em jardins cheios de terra com chuva fresca.
-Comer amora em dias de sol faz bem , meu amor.-
Não gostar de viagens. Ou não gostar de fazer alguma coisa que liberte. Trinta dias talvez não sejam suficientes pra te entender. Não, infelizmente não nos conhecemos. Infelizmente não houve tempo suficiente pra eu terminar o dicionário que estava fazendo pra ti e entregar-te junto a um beijo. Não houve tempo pra irmos até a minha tia que mora no interior e passarmos um tempo juntos apreciando os dias fora de São Paulo. Não houve tempo pra tu vir em casa assistir Almodóvar comendo muito brigadeiro. Nem pra roubarmos um carro e ir fazer um mochilão pela América Latina, ou ir pro Tibete -mesmo você não gostando de subir montanhas- Nem tempo preu te levar na praça, sim, aquela mesma.
Houve tempo do sorriso e do corpo que sempre soube que queria estar por perto. Sim, ele sempre provou pra nós dois, que queria estar o mais perto possível um do outro. Esquentando cada parte de nós. E costurando as doçuras vãs das quais eu falei naquele poema. E as verdades que não são verdades. E as mentiras que não são mentiras. O sempre querer um pouco mais. E mais. E mais. Até que o mundo postulasse o fim -mas até aí, tinha tanta coisa pra vi(vermos) sermos!-
foi bom. Sempre gostei de corpos comigo. Sempre gostei de viver. Conhecer. Permitir. Sempre gostei de ti. Desde o dia em que te vi pela primeira vez. Sempre gostei do teu sorriso e da forma como falou comigo da primeira vez. Esse jeito tão seu. Tão encantador. Do teu beijo. Do teu abraço e de cada partezinha de você.
Não, moço bonito, eu nunca vou entender essa coisa de desistir
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Por um instante. Deixei de ser Iaiá.
Batia minhas mãos ao som da música que eu ando usando pra escrever. E perdi meu escrito. Tive que começa-lo novamente. Odeio perder palavras, ter que retoma-las depois de já te-las conjugado.
Arte. Pessoas. Amor. Viagens. Comida. Tesão. Prazer. Risos. Amor. Filmes. Músicas. Meus escritos. Dias de sol. Dias de chuva. Nada. Absolutamente nada disso fazia mais sentido. Nem um pedacinho do amor que eu já doei ou recebi. Nem a minha amizade mais profunda fazia sentido. Apenas minha irmãzinha, talvez, por ela representar o oposto do que eu sentia. Apenas ela é o que havia restado de importante no meio daquela montanha de dor. Aquela pequena do sorriso grande. Olhos parecidos com o meu. Aquela pequena que um dia, virou e disse: Fica com quem te fizer chorar menos.
Ontem saiu tanta água salgada do meu rosto que eu achei que eu ia morrer afogada. Era água que misturava com fogo. Queimava tudo dentro de mim. Três semanas depois de ter fodido com meu coração eu me permiti. Eu realmente me permiti. Eu realmente acreditei. E você conseguiu me ceder esperança, um tiquinho de esperança depois de um ano de confusão pulsante dentro de mim. Um ano que acabou. E eu pensava que poderia viver uns bons anos contigo. Umas boas risadas, como as que surgiram quando nos conhecemos. As coisas bonitas, é você sabe. Essas coisas bonitas e gostosas que aconteceram, quando você ainda tava disposto a se permitir.
Ponto.
Ponto.
Ponto.
Como prosseguir?
Você arrancou de mim cada gotinha de esperança. Cada gotinha da imensidão de coisa nova boa que eu tava sentindo. Todos diziam ''Oh Iaiá, como você tá feliz!''.
Felic(idade)
Idade da pausa. Idade da falta.
Eu nunca me senti nessa idade. Nunca. Nunca senti que nada tinha valido a pena.
Você me ensinou a desistir. Desistir de tudo de mais bonito que eu já havia vivido. Desistir, porque é mais fácil, é um caminho mais fácil.
Você arrancou de mim o que eu tenho de
mais bonito
mais Iaiá
mais real
mais latente
você conseguiu
como nunca nada tinha havido antes
me arrancar amor
e trancafia-lo
e fazer-me acreditar
que ele -e mais a mil e uma coisas que ele proporciona-
não valiam de nada.
e isso
eu te digo
que nunca tinha doido assim.
- Continuarei sendo estupidamente: Arte. -
Sempre fui palavra. Sempre. Desde que parei de pintar. Sempre gostei de escrever e tentar organizar as coisas assim. Não se assuste se um dia eu te fizer um texto dizendo tamanho afeto que tenho por ti. Não se assuste se eu disser.
Porque eu nunca
nunca tive medo das palavras.
elas não precisam fazer sentido pra serem válidas
não preciso deixa-las porque acho que são besteiras
-será mesmo besteira expor o que se sente?-
vocês sempre trouxeram um tico de sabedoria pra mim
e um tico de alivio
com clarins
e sons gostosos ao pé do ouvido
e foi por causa de vocês que eu me livrei dos meus fantasmas literários, daqueles que sempre perpassavam meus escritos e me faziam mal. Vocês mimetizaram tanta coisa!
e foram vocês que me entenderam em dias ruins
e foram vocês que exerceram papel fundamental na minha escolha de graduação
foram vocês, letras que andarilham minha boca
sempre foram vocês
que cuidaram de mim.
sábado, 19 de outubro de 2013
Porque eu sempre colhia flores no jardim, e colava elas na parede. Achava que assim, elas iam ficar pra sempre comigo. É exatamente aí o ponto em que trato da minha parte mais menina: Sempre achei que as coisas não fossem perecíveis.
Acho que é por isso que chorei tanto, quando ela morreu de câncer.
Metástase. Das bravas.
Aquele dia eu aprendi,
que
-crenças a parte-
nada é pra sempre
Rabisc(ando)
um dia eu acordei
e o Otávio tinha ido embora.
tava doendo pra caralho
rasgo no peito
e todo o mais que só quem se apaixona sabe.
(foi pós-um-ano. sim, doeu)
aí eu resolvi seguir
porque o tempo não para né
o tempo vai indo
e levando a gente.
três semanas depois
conheci outro Otávio
bem diferente do primeiro
-porém, com dilemas semelhantes-
gostava do jeito que ele sorria
um jeito engraçadin
era sorriso que com toda certeza
tirava sorriso do outro
gostava da forma como ele me fez rir
gostava de pensar que dava pra preencher
o vazio que outro Otávio deixou.
a forma como ele me tocava
ou o jeito inóspito como nos conhecemos
ou horas horas horas de beijos
e corpo
e segurança
que foi chegando
de fininho
-em algumas semanas, eu já nem pensava mais no outro Otávio! Tava tudo tão bonito!-
Gostei dele.
Ele gostou de mim.
-e eu achava que isso ia bastar , pra ele não ir embora, que nem o primeiro Otávio.-
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
-mal escrito. foi só pra falar dos meus castelos quebrados.-
porque às vezes a gente cansa
de construir castelos
e vir uma ventania maluca
levando ele embora
ou a maré que passa por cima
porque é cansativo
catar cada grãozinho
que nem se junta mais
pois estão todos
todos molhados de choro
misturado com o sal da maré
e com as pitadas de vento
e despejam
correm feito riacho
encontram dores passadas
se aglutinam dentro de nós
e gritamos: cansaço!
-espaço-
e com calma e muito ardor
você vai juntando, cada pedacinho de areia
cada partezinha do quebradiço
da caixinha de música que para de tocar
e você começa a cantarolar
e quando voz não há mais
você chama sabiá pra vir junto
e quando ele cansa
você arranja outra forma de arte
e você continua
sempre
você sempre continua
a construir novos castelos.
-é visceral, é inteiro, é tão grande dentro de mim, que às vezes penso que vou explodir-
Com toda a certeza é absolutamente confuso como as palavras perpassam em meu coração. Como se elas fossem parte de mim, parte de cada pedaço do meu corpo. Esse corpo dramático, que mergulha em absolutamente tudo que sente. Esse corpo que sintomaticamente tenta passar amor. Sintomas. Será mesmo sintomático? Não. Não falamos de doença. Há quem diga que o amor é doença crônica. Pois bem. Não sei sobre o amor. Nunca soube amar direito. Não sei sobre tanta coisa. Mas sei que já senti. Que sinto todos os dias quando abraço um amigo querido ou quando deixo minha irmã na perua e vejo ela da janela me acenando tchau com um sorriso enorme de sete anos. Ou daquela vez, que achei que ia morrer depois que terminamos e eu me vi te magoando. Ou quando fui no parque e ensinei um grande amigo a girar o mais rápido que conseguisse, cair na grama e olhar pro céu. Ou quando tantas coisas! São tantas! Às vezes me pego lendo os meus textos e vejo que falo tanto sobre amar. Cheguei a intuição de que talvez eu fale tanto disso, justamente, porque quando leio minhas palavras, o entendo melhor. Entendo melhor toda essa montanha de dizeres que existe dentro de mim. Gosto do mundo. Apesar dos pesares, sim, sempre gostei de cada cantinho que ele tem a oferecer. A gente sabe, que é um balaio bom.
Nunca saberei estar pela metade. Dizer meias palavras, te abraçar pensando no fim. Porque no fundo,
bem no fundo
eu sempre acreditei no amor.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
-confluências de dizeres-
tava precisando escrever
botá a boca no trombone
te dizer que eu cuido do teu medo
que eu cuido das tuas dores
que eu cuido de você, moço
me deixa fazer parte
me deixa fazer parte
mesmo que a gente sinta que tudo
tudo nessa vida segue um rumo
mais pro fim que pro começo
tava precisando escrever
pra ver se assim me entendo
compreendo meus anseios
meus receios pós-dor-passada
meu medo bem menina
de pisar em campo novo
e colher fruto recente
eu nunca soube amar direito
nunca soube ser vazia
ir com calma
ir deixando
eu nunca soube amar direito
nunca soube ser metade
ir na beira
ir distante
sempre soube
ser inteira
(intensa)
clara
exatamente iaiá
do jeito mais enroscado
cheio de prosa
cheio de cor
de cuidado
-mas não, eu nunca soube cuidar de mim-
cheia de vida
pra dar , receber
pra ver
e engolir cada pedaço de algodão
e doçura
que cola na boca e fica
e dizeres piegas
que dizem mais que muita coisa
Não. Eu nunca tive medo de falar.
-me perdoa moço bonito? por ser tão iaiá!-
por ser assim
bem assim
bem iaiá
ligeiramente amante da vida.
engraçado como sou menina da prosa
e ultimamente tenho tentando fazer poesia,
talvez, essa tentativa venha do fato de que as palavras tão meio cortadas dentro de mim, digo, tão empilhadas feito prosa, mas só conseguem sair poesia. Porque pra quem escreve desde os 14 anos, as palavras vivem se modificando e sabendo sair de outras formas. É curioso, como essas sorrateiras sempre me puxam e acabam saindo da minha boca da forma mais sincera possível. Elas são só palavras, sim
mas são grandes
tão grandes como qualquer outra forma de arte.
são absurdas
são sentimento
são vontade de gritar
girar e clarear toda a forma de dizer.
sempre soube
que pra escrever
não precisava de diploma.
e ultimamente tenho tentando fazer poesia,
talvez, essa tentativa venha do fato de que as palavras tão meio cortadas dentro de mim, digo, tão empilhadas feito prosa, mas só conseguem sair poesia. Porque pra quem escreve desde os 14 anos, as palavras vivem se modificando e sabendo sair de outras formas. É curioso, como essas sorrateiras sempre me puxam e acabam saindo da minha boca da forma mais sincera possível. Elas são só palavras, sim
mas são grandes
tão grandes como qualquer outra forma de arte.
são absurdas
são sentimento
são vontade de gritar
girar e clarear toda a forma de dizer.
sempre soube
que pra escrever
não precisava de diploma.
o amor no tempo de cólera
amor no tempo da pressa
amor no tempo da dança
amor no tempo do estar
amor no tempo da saudade
ah, o amor!
esse que deu literatura
deu pintura
e samba a dois
deu vontade de viver
deu querer e não querer
ah, o amor!
saudoso moço
que amarra as pessoas
ou nem moço
é sem sexo
é amor
é de todos
-ele adora puxar cada um de nós- safado!
talvez
seja uma das únicas coisas
que não se precisa mendigar
ele brota
como amora em pé novo
ou criança aprendendo a andar
como preencher o vazio
de todos os dias
dias preenchidos por tanto tanto
dias que se enquadram ao sistema
e se enroscam cada vez mais
nas convenções diárias
e eternas
e catárticas.
e no fim
o amor
nos escapa pelas mãos
porque ele adora ir e vir
mas ele sempre
sempre
estará
em
cada
pedacinho
de nós.
-desculpem-me os pessimistas, mas não tem como fugir.-
amor no tempo da pressa
amor no tempo da dança
amor no tempo do estar
amor no tempo da saudade
ah, o amor!
esse que deu literatura
deu pintura
e samba a dois
deu vontade de viver
deu querer e não querer
ah, o amor!
saudoso moço
que amarra as pessoas
ou nem moço
é sem sexo
é amor
é de todos
-ele adora puxar cada um de nós- safado!
talvez
seja uma das únicas coisas
que não se precisa mendigar
ele brota
como amora em pé novo
ou criança aprendendo a andar
como preencher o vazio
de todos os dias
dias preenchidos por tanto tanto
dias que se enquadram ao sistema
e se enroscam cada vez mais
nas convenções diárias
e eternas
e catárticas.
e no fim
o amor
nos escapa pelas mãos
porque ele adora ir e vir
mas ele sempre
sempre
estará
em
cada
pedacinho
de nós.
-desculpem-me os pessimistas, mas não tem como fugir.-
tô precisando do interior
de água fresca pra entrar na boca
cachoeira pra molhar cachola
gente nova pra dançar um maraca
dias de revolução interna (talvez)
dias de pintura , como quando tinha 12 anos
dias de enebriar a alma
tô precisando fugir
pra conseguir chorar
e botar pra fora
cada pedacinho de saudade
cada pedacinho do passado
cada pedacinho mal concertado
que sempre assola a gente
quando as coisas estão
um pouco desarrumadas
tô precisando de você aqui
pra me abraçar
e eu fingir que
vai
ser
por
um
bom
tempo.
-prefiro acreditar
no lugar de fingir-
permite-me?
de água fresca pra entrar na boca
cachoeira pra molhar cachola
gente nova pra dançar um maraca
dias de revolução interna (talvez)
dias de pintura , como quando tinha 12 anos
dias de enebriar a alma
tô precisando fugir
pra conseguir chorar
e botar pra fora
cada pedacinho de saudade
cada pedacinho do passado
cada pedacinho mal concertado
que sempre assola a gente
quando as coisas estão
um pouco desarrumadas
tô precisando de você aqui
pra me abraçar
e eu fingir que
vai
ser
por
um
bom
tempo.
-prefiro acreditar
no lugar de fingir-
permite-me?
sábado, 12 de outubro de 2013
tava borbulhando por dentro
a raiva daquela moça
que só sabia zumbir e xingar
botar pra fora o monte de merda
que ela guardava dentro daquele corpo que só sabia gritar
tava borbulhando de tristeza
dentro de mim
que ouvia e ouvia e ouvia
dia a dia
palavras de dor
tava tudo borbulhado
defecado
café passado
ponto errado
vida cheia
moça
que
era
pra
me
amar
-e eu amar de volta-
a raiva daquela moça
que só sabia zumbir e xingar
botar pra fora o monte de merda
que ela guardava dentro daquele corpo que só sabia gritar
tava borbulhando de tristeza
dentro de mim
que ouvia e ouvia e ouvia
dia a dia
palavras de dor
tava tudo borbulhado
defecado
café passado
ponto errado
vida cheia
moça
que
era
pra
me
amar
-e eu amar de volta-
Ei guri, deixa ser.
para ouvir lendo: http://letras.mus.br/beirut/605643/traducao.html
Me disseram uma vez que coisas boas nascem em pé de árvore, como eu gosto de amora, digo que elas nascem em pé de amora, num dia qualquer. Me disseram uma vez que coisas boas nascem em qualquer espaço de tempo em qualquer lugar com qualquer pessoa por mais corrido que seja tudo isso.
Diria que a parte em que o mundo cênico que vivemos se desfaz, é exatamente no ponto em que as histórias de vida se entrelaçam, em que as escolhas -a única e exata- se esbarram por aí. E quando uma escolha coincide com a do outro? E quando a arte causa explosões de sentidos dentro de cada um?
O mundo não é tão ruim assim.
As coisas não são tão ruins assim.
Pois em meio a determinação de tudo, ao não-falar do sujeito, ao quão engasgado somos todos nós. Em meio a tudo isso existem as doces sensações que nos puxam pelos braços e levam-nos embora. E eu não me importo, se esses, esses sentimentos venham determinados pela minha história de vida. Porque eu gosto dela. Eu gosto da minha história de vida, eu amo exatamente o ponto em que ela se entrelaça com mil e umas outras e a gente conhece e permite e vive no meio do chão de ladrilhos que perfuram os pés. E esses, por vezes, se tornam pitadas de cânfora com algodão, e aí, nem é tão dificil de pisar.
É normal dar errado.
É normal dar certo.
É tudo bem normal, e nós, sempre nos achamos no direito de prever.
Pois dane-se. Que seja anormal, normal, claro, escuro, roxo, azul, vermelho, que seja determinado que seja caos que seja chuva que seja sol cor amor.
Que seja.
E basta.
Basta que seja.
Bem pertinho.
sábado, 5 de outubro de 2013
- Godot, chega logo! - *¹
Puta que pariu
tô cansada dessa vida farrapo
que é dada a todos
dessa vida que resume-se
em: ter.
onde o ser fica de lado
a dor fica de lado
olhar fica de lado
e só resta: a sórdida vontade de
ter
ter
ter
ter
Puta que pariu
tô cansada dessa coisa louca
de trabalhar pra ganhar
e ganhar pra gastar
e gastar pra ganhar o quê?
Cansada dessa andança sem rumo
dessas esquinas sem casa
dessas casas vazias
cheias de corações famintos
e de pessoas morrendo
feito bichos jogados
no chão chamuscado por concreto
massas e mais massas
que juntam-se e reverberam
a indignação interna
porque tem tanta coisa explodindo dentro de nós
tanta coisa borbulhando
sobre nossas faces que estapeiam umas as outras
e querem sempre sobrepor-se
em meio a um nada
uma espera
insana
discreta
que acorrenta
cada mão
cada braço
cada passo
de cada ser.
---------
*¹ Esperando Godot é uma conhecida peça do teatro do absurdo publicada em 1952 por Samuel Beckett. Seu título era usado como expressão para indicar ''uma espera infrutífera''.
-meu amigo disse que o amor é um negócio meio zoado-
Sei não amigo meu,
essa coisa de amor
é cheia de revirado
parece feijão com arroz
em dia de fome
que cê come com toda voracidade
essa coisa de amor
é muito pra cabeça
tem nem palavra não
pra descrever essa coisa maluca
que revira o estômago
e deixa a gente de cabeça pra baixo
dá brabuletas na barriga
sorriso estampado na cara
olhar olhando o outro
e chamando pra perto
essa coisa de amor
é pra quem tem força
e quem tem garra
de ficar
doer
voltar
pedir
ceder
abraçar em dias de chuva
colar no corpo
sentir a pele
a boca
e cada partezinha do corpo alheio
essa coisa de amor vai e vem
pula e corre
-imensidão de tesão que pulsa dentro da gente-
mas sempre
essa coisa de amor
sempre pairou por aqui
me puxa pelos cabelos
me vira o corpo inteiro
e fica.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
-(poema) de um verso grande.-
passarinho
sai do cárcere privado
que acorrenta alma
abre asa pro aberto
abre as penas pro voar
porque nesse mundo
por mais maluco que ele seja
por mais sozinho que estejamos
no meio de tanta gente
de tanta voz
de tanta luta
por mais!
passarinho
vem pra cá
vem comigo
vem voar de mansinho
sentir as cálidas e minimas doçuras vãs que permeiam essa vida cheia de coisas e verbos e pessoas e tristeza e vazio
(respiro)
vem preencher vem
as verdades que não são verdades
as mentiras que não são mentiras
os ditos
que são simplesmente proferidos
e acabam
mais duram
na lembrança.
e eu leria tudo isso aqui num ritmo sem verso
num verso sem ritmo
que só sabe dizer
que quer
um pouco
muito
mais
sábado, 28 de setembro de 2013
Me ensina a juntar grãos de areia molhada e acreditar que eles podem fazer castelo.
-por favor-
choro guardado
choro escorrido
choro que bate dentro da gente
e fica
e traz choro antigo
e junta todas as lágrimas num pote só.
choro de medo
de medo da dor
da dor que perfura e cobre o corpo
e o corpo, deixa de ser.
choro que vem e vai
e anda e fica
e
oh choro, saia de mim!
saia de uma vez
e permita-me que seja feliz
na verdade, a todo instante que penso na felicidade
meu corpo se arrepia todo
porque eu lembro de uma vez
que eu fui muito muito muito feliz
e aí
foi embora
passou
se foi
assim
como um zumbido que corre nos ouvidos e some.
Como uma caixinha de música quebrada, que para de tocar.
Mundo, ensina pra mim, ensina pra mim mesma
a aprender
a acreditar nas coisas
e não chorar
de medo da felicidade.
choro guardado
choro escorrido
choro que bate dentro da gente
e fica
e traz choro antigo
e junta todas as lágrimas num pote só.
choro de medo
de medo da dor
da dor que perfura e cobre o corpo
e o corpo, deixa de ser.
choro que vem e vai
e anda e fica
e
oh choro, saia de mim!
saia de uma vez
e permita-me que seja feliz
na verdade, a todo instante que penso na felicidade
meu corpo se arrepia todo
porque eu lembro de uma vez
que eu fui muito muito muito feliz
e aí
foi embora
passou
se foi
assim
como um zumbido que corre nos ouvidos e some.
Como uma caixinha de música quebrada, que para de tocar.
Mundo, ensina pra mim, ensina pra mim mesma
a aprender
a acreditar nas coisas
e não chorar
de medo da felicidade.
escrito meio rabiscado, mas é sincero
Esses dias eu fui assediada, na verdade esses muitos dias eu fui assediada e mais que a metade das mulheres também o foram.
Um dia desses, eu precisava de espaço, e esse espaço não foi me dado, mesmo eu tendo solicitado ele e dizendo à pessoa que não estava na ''vibe de ficar com ela'', ela insistiu corporalmente, eu repeti que tinha acabado de terminar um vínculo bem importante pra mim e que tava num momento em que não queria pegar nem me relacionar com ninguém. Enfim, por que precisei me justificar tanto? Não é NÃO. A pessoa continuou insistindo, acabei cedendo, por pressão. Agora não me venha com seu argumento de ''Oh, mas você estava se fazendo de dificil'' ''Oh, mas se você não queria, não teria ficado''; não precisam me atar as mãos e me estuprar pra eu me sentir pressionada a fazer algo, pressão psicológica e emocional existem SIM, aliás, existe toda uma persuasão que lhe deixa de mãos atadas, e você acaba cedendo. Nesse dia cheguei a ouvir um ''mas se eu não tentasse isso Iaiá, ia voltar frustado pra casa'', eu pensei ''nossa que ótimo, só minha companhia e um dia agradável deixaria a pessoa frustada''. Tô cansada de não poder sair com um cara simplesmente porque o acho bacana. Mas eu aprendi, desde desse dia, eu aprendi que não preciso ser bem educada com pessoas assim, naquele dia eu pensei em dizer um ''não porra, não, entendeu? NÃO quero.'' depois até do fato deu ter exposto pra pessoa que me senti ''invadida'' e ela ter insistido em me beijar novamente.
Mas essa foi a última vez, a última vez que ficarei com alguém porque me senti obrigada a fazer isso por toda uma questão de pressão por parte do outro.
Esses dias, eu mudei de lado na calçada porque eu tava vestindo uma roupa bonita, daquelas com as quais eu me sentia bem, ela um shorts jeans e uma regata. Mudei porque tinham vários caras sentados na hora de almoço e já me encaravam de longe, pensei: ''Vão mexer comigo, melhor eu mudar de lado da rua''.
Também foi a última vez, não vou mais mudar o meu trajeto porque não posso caminhar em paz na cidade sem ser assediada verbalmente.
Esses dias fui assediada no ônibus, mas essa história fica pra próxima
porque é tanto tanto, que oh.
Esses dias, eu ouvi relatos de mulheres que sofrem tanto o machismo escancarado como o machismo velado socialmente, TODOS OS DIAS. Esses dias, eu vivi isso na pele.
E eu Cansei.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
sábado, 21 de setembro de 2013
Eu mesma, quero ser eu mesma quando crescer.
Da ponta dos pés até o último fio de cabelo.
Das experiências contidas dentro do arcabouço chamado coração. Da vida corrida que aperta e revira. Da vida calma que aparece de vez em quando.
Da vida.
Sabe, quero ser eu mesma, quando crescer.
Das sapatilhas da infância até as caixinhas de lembranças onde guardo memória. Das crises contidas, expostas como balões de ar que estouram.
Das conversas com minha irmã mais nova e das idas ao parque.
Do primeiro. Do segundo. Do terceiro.
Da caixinha de música que instiga aquele cheiro e do cheiro que instiga aquela cor e da cor que instiga aquela voz e da voz que instiga
oh
que instiga tudo de uma vez só.
Quero ser eu mesma, quando eu crescer.
Da ponta dos pés até o último fio de cabelo.
Das experiências contidas dentro do arcabouço chamado coração. Da vida corrida que aperta e revira. Da vida calma que aparece de vez em quando.
Da vida.
Sabe, quero ser eu mesma, quando crescer.
Das sapatilhas da infância até as caixinhas de lembranças onde guardo memória. Das crises contidas, expostas como balões de ar que estouram.
Das conversas com minha irmã mais nova e das idas ao parque.
Do primeiro. Do segundo. Do terceiro.
Da caixinha de música que instiga aquele cheiro e do cheiro que instiga aquela cor e da cor que instiga aquela voz e da voz que instiga
oh
que instiga tudo de uma vez só.
Quero ser eu mesma, quando eu crescer.
Onde tudo revira, desvira
encalça
entra no buraco mais profundo
da nudez que despi a tristeza
enrolada as amarguras
passadas,
amarra
desfaz
desajusta
e ajusta o desajustado
escorre
feito liquido que púrpura face a face
nos transeuntes da vida labuta
cai suor
cai tristeza
cai as fitas enlaçadas numa esquina que começou em janeiro
vira-tempo
vira-dor
vira-amor
vira que vira revira o revirado que jaz aqui dentro
de mim de você de cada um de nós
e assim, costurado na roldana da vida
a gente segue
respira
e vai
pra onde der
pra onde quer
que vier e tiver
pra viver.
encalça
entra no buraco mais profundo
da nudez que despi a tristeza
enrolada as amarguras
passadas,
amarra
desfaz
desajusta
e ajusta o desajustado
escorre
feito liquido que púrpura face a face
nos transeuntes da vida labuta
cai suor
cai tristeza
cai as fitas enlaçadas numa esquina que começou em janeiro
vira-tempo
vira-dor
vira-amor
vira que vira revira o revirado que jaz aqui dentro
de mim de você de cada um de nós
e assim, costurado na roldana da vida
a gente segue
respira
e vai
pra onde der
pra onde quer
que vier e tiver
pra viver.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
-caiu
lágrima-
Da flor do regato nasceu o lírio, das doces e cálidas palavras da garota, nasceu o amor. Da nova ida reconstruída no meio dos cascalhos, nasceu a dor. Da dor antiga com a dor recente, tudo encaixotava-se e dava em algo que nem a própria menina sabia consumar. Diríamos que Olívia escolheu deixar Otávio. Diríamos que Otávio escolheu deixar Olívia. Diríamos que deixar faz parte do ter tido. Teriam tido então, um final mais feliz caso houvessem escolhas diferentes em meio daquele mistifório de sensações que rasgavam a pele de tempos em tempos? Teriam tido então outra escolha, se apesar de tudo a dor era maior? Li uma vez que num universo de ambiguidade, esse tipo de certeza vem uma única vez, e nunca mais, não importa quantas vidas você atravesse. Mas creio que num universo de ambiguidade, existam vários tipos de certeza, e têm umas que ficam
e outras que vão.
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