sexta-feira, 19 de abril de 2013

http://letras.mus.br/mariana-aydar/1460526/


''Eu não escrevo pra ninguém e nem pra fazer música
E nem pra preencher o branco dessa página linda
Eu me entendo escrevendo
E vejo tudo sem vaidade
Só tem eu e esse branco
Ele me mostra o que eu não sei
E me faz ver o que não tem palavras
Por mais que eu tente são só palavras
Por mais que eu me mate são só palavras''

segunda-feira, 15 de abril de 2013



"Que nada nos defina, que nada nos sujeite, que a liberdade seja a nossa própria substância".

Que possamos andar nos jardins que aparecem por aí quando nos dispomos a acordar e ir ver o sol-nascer, que possamos dançar até doer os pés e cantar francês, irlandês e tudo que vir pela frente! Que se tenha força pra dizer não, e coragem de dizer sim. Que lutemos, por um mundo melhor. Que falemos clichês tão bobos e sinceros como esses aqui, pra que assim, solte-se todas as amarras moralistas e rotuladas num mundo que pulsa tão rápido que não consegue parar pra ver, pra respirar e pensar. Que coloquemos as bocas no trombone, como diria minha mãe. Saiamos às ruas, ocupemos as praças. Saudemos aqueles que vemos todos os dias, ou até mesmo, um mero transeunte que esbarra por ti num dia de metrô-cheio. Que se possa dizer o que se pensa, sem ser julgado por argumentos vis, que aprendamos com o outro e se perceba que todo mundo tem um tico a acrescentar, que se conheçam essências, e amores e que até nos desamores a gente viva. Mundo, podemos viver? Vamos lá, fazer um pacto de confiança e deixar as vergonhas de lado. Dance, pule, cresça! Ria e lembre-se dos seus dias de infância, das histórias contadas e imaginação a flor de pele. Lembre-se também da pré-adolescência, do primeiro beijo... Depois, do primeiro amasso. Das mordidas e carícias. Das madrugadas bem vividas ao lado de alguém. Grite muito, quando precisar. Desapareça quando bem entender. E ame, ame muito.

E se possível, entenda, que todos, todos têm necessidades.

domingo, 14 de abril de 2013

Amorando.


Um. Dois. Três. Escrevo. Ponto. Paro. Suspiro. Ah, mas que loucura, não? Essa reviravolta louca aqui de dentro, um medo pulsando, com medo de sentir coisa boa novamente. Sim, medo de sentir coisa boa, e sofrer tanto quanto... É, antes. Agitação corporal, como se tudo tivesse nascendo, como se eu olhasse pra fora e conseguisse ver nas árvores do outro lado da rua, um singelo e mistico jeito de ouvir um: Vamos, menina nova, vamos andar.
Que tem muito pra se ver! Pra sofrer, pra amar, pra dançar entre os ladrilhos de novas casas, e dias de café, e de chuva, e de sol com pitanga. Descanso. Descanso na confusão acelerada que me fez escrever. Descanso no pé de amora, que tem aqui do lado, que por mimetismo mental , eu criei, e ela existe, desde que conheci você, e hoje, hoje eu consigo olhar pra ela, e vê-la como uma árvore bonita dos meus sonhos passados. Passados. Passado! Passando. E eu sempre vou olhar pra ela, quando o sol estiver nascendo, e pedir bem baixinho: Espero que ele esteja bem. Porque eu amei ele tanto. Tanto, que ele nem sabe. Cuida dele pra mim, cuida. Cuida com o carinho que eu tenho aqui dentro.

Mas hoje, hoje eu tô saindo pra ver se nasce nova árvore, quem sabe, de amoras mais duráveis.

sábado, 13 de abril de 2013

Pass(ando).



Ao ler, ouça: http://letras.mus.br/paulinho-moska/125486/

''Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim''

Ai que delicia, que delicia gente nova, sabor de fruta mordida. Tudo bem novinho, recomeçando num bailado primário, nascendo pós-dor, pós muita dor. Delicio-me com essa sensação de que tá passando, de que tá fluindo e floreando, daquelas cores antigas e gostos passados, das dores posteriores a dias de amor. Gostaria de dizer nessa manhã nublosa que eu tô viva, como nunca estive antes. Os pés cansados depois de três horas e meia de teatro, o corpo dançando ainda a dança contemporânea da rotina de todas as minhas semanas, o céu olhando pra mim e de mansinho dizendo: Calma, alma. Calma. 
Calada, no canto do meu quarto, com calças largas e mangas compridas confortavelmente pensativa, digo que estou bem. Estou bem por mim. Não mais por nós. Porquê... Nós? Que nós? Nós passou. Nós, acabou. Nossa noção nociva depois de amar. Nós, hoje, é apenas n, o acentuado e s. Pois hoje digo, que o tava mais pra nó do que pra nós, e por firmeza interna, aos pouquinhos, com ajuda dos sorrisos e dos meus viveres diários, permiti-me dizer que: Eu, basta. Eu tenho me deliciado com o que de fato, me faz bem. Prefiro eu e os tantinhos de coisas boas , como essa manhã, do que nós pela metade. Fica bem. Fica bem e um dia, lembre da gente. Como algo bom que... 

Fim.

terça-feira, 9 de abril de 2013

sobre amor


As palavras estão trancadas, estão querendo ar, mas por descuido próprio, escondi-as de ti, por pensar mais em você do que em mim. Palavras respiram na liturgia diária que me leva a escrever, porém, respiram pra dentro, têm tanto medo de sair por aí, de soltar-se, de dizer o que sentem. Porque elas, até elas, sofreram. Até elas calaram, diante de tanta confusão. As pálpebras dos meus escritos fecham-se a cada vez que penso em dizer algo sobre você. Sobre cortejos de verão e beijos na chuva. Sobre isso sobre aquilo. Sobre abdicar um pouco, pelo outro. Sobre sentir que vale a pena. Ah, Deus, rogo-lhe epifanias literárias! Quem sabe assim mergulhada no tempo da saudade e no tempo que ora pulsa felicidade, ora, no breve espaço do lembrar, traz-me tristeza. Quem sabe mergulhando-me cada vez mais nas cálidas palavras que procuram por paz eu pare. E pense que para seguir , basta ser forte, tão forte como fui a seguir junto. Forte ao entender, que uma hora, finda. Afaste-me de mim a solidão narcótica dos vivos, que possa eu, viver só, mas sentir-me inteira. Que possa viver o outro, viver o eu, viver o nós. Que eu possa viver! Permite-me? Me ajude, ao menos, a te deixar. A esquecer os dedos nadando no sexo da flor, as mãos purpuras da pele real, pele que cola no corpo do outro e não larga mais. A esquecer que devo esquecer, e simplesmente, conseguir com a mesma força que me fez tentar, largar.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Em meio a um suor pútrido, que respinga das axilas que trabalham diariamente, que pegam ônibus lotado, que sentem corpos cansados esbarrarem em si sem ao menos ter a opção de não tê-los ali. Em meio a odores ruins das esquinas, a pedintes de cada farol, a dor de cada um, seja ela dor de fome seja ela dor de amor. Em meio a esse mundo revirado de tristezas, em que ter sobrepõe ser, em que rotula-se tudo e esmaga-se a cada passo, esmaga o próximo, esmaga as sensações internas, porque se tem medo, medo de sorrir, medo de dizer que ama, medo do carinho. Gostaria de pedir-vos então, que me permitam ama-los, em meio a toda essa loucura, loucura que me veio a tona quando parei pra pensar que às vezes, um abraço forte, já ajuda. Não recuse amor.

terça-feira, 26 de março de 2013



Me deparo com um teclado que possui inúmeras letras, pontuações, números. Tenho um universo de possibilidades a minha frente, de possibilidades pra juntar, formar, palavras que voam dentro de mim, tem tantas, que nem sei por onde começar! Oh, me veio amor. Foi a primeira palavra que me veio a mente, ou será que burlei as regras da escrita e a coloquei propositalmente aqui? Regras... Quem diria, se a escrita tivesse regras eu estaria perdida, mais do que já estou. Acho que é por isso que andamos de mãos dadas, eu e as palavras, porque elas são tão fugazes como eu, tão intensas, dizem por si só. Será que sou uma palavra? Uma palavra que canta, que ri, que chora, que ama. Será? Diga-me, leitor, diga-me o que sou. Porque já nem sei mais, não sei do que digo, pra quem digo, por onde dizer...
Sei simplesmente que há um desejo enorme de dizer algo pro mundo, sem até agora saber ao menos por onde começar. Digo que tenho muito amor dentro de mim, tenho tanto amor, que por ora, acho que vou explodir. As palavras me entendem. Porque elas saem assim como meus pensamentos internos, elas correm por aí e quando menos espero, uma palavra me escapa pelas mãos (vulgo: boca). Eu sou uma palavra em meio as trezentas mil que estão em minha mente, sou uma palavra sincera. Junta-se a mim? A minha loucura matinal? Sim? Diga-me moço, diga-me se esta disposto, disposto a me amar, assim como amo as palavras. Mas advirto: Sou daquelas que andam feito verbo, que param feito ponto, que sentem feito todas as classificações gramaticais juntas, que possui reticência no olhar e interrogações nos dizeres.
Sou uma palavra-menina que anda aprendendo a amar.

segunda-feira, 11 de março de 2013

velhos tempos (de amor)


Banhava-me da lua e das estrelas
Não trajava nada, além da concupiscência momentânea
permeada de saudade
de lembranças
de encantos

Banhava-me de lágrimas
que perpassavam-me os seios
e confundiam-se com as sensações primárias
daquela que não sabe ser poeta
daquela que é da prosa e do extenso

extensivamente, sinto.
sinto que devo parar por aqui, até que um dia, talvez, nas profundezas dos meus desejos, você volte e diga uma palavra boa.
como nos velhos tempos
em que conversar noites a dentro, bastava.

sábado, 9 de março de 2013

Meu corpo, é MEU.


''Psiu, ô gatinha''
A um tempo atrás eu ouvia caras falando esse tipo de coisa pra mim na rua e simplesmente ignorava, pensava ''ah, tudo bem, deixa pra lá, é normal existirem pessoas idiotas assim''. Mas não, não é normal. Não é normal sair com um vestido ou um shorts curto porque tá um puta calor ou até mesmo porque você se sente bem e a cada quarteirão receber um comentário pejorativo. NADA disso é normal. Não é normal eu ser reprimida cada vez que uso uma roupa ou uma maquiagem que me agrada. Sem contar que existem várias formas em que isso ocorre, o que me levou a escrever essa postagem foi um ocorrido num sábado de manhã (horário que estava indo para meu curso de francês), estava com uma calça jeans básica e uma camiseta amarela, sentei num banco do lado da janela, o homem que estava do meu lado começou a se encostar em mim , aquilo tava me incomodando, então me esquivei mais ainda pro lado da janela, até que ele começou a fazer desenhos pornográficos com os dedos no banco da frente , sim desenhos ao ar livre. Eu fiquei puta com isso, uma raiva absurda, porque pior que falar um ''ô gostosa'' é um cara que te reprime de uma forma tão discreta que você não pode fazer absolutamente nada. O que eu ia fazer? Dizer pras pessoas que o cara do meu lado estava fazendo desenhos pronográficos? Duvido que iriam acreditar. Duvido que ele não iria dizer algo ''o quê? que menina louca.''
Essa foi a gota d'água. A partir daí eu comecei a revidar verbalmente, esses dias mandei um tomar no cu, ontem eu estava chorando desesperadamente na rua e um cara começou a mexer comigo, eu já estava ligeiramente estressada e magoada e quase dei um murro na cara dele, sim, eu disse quase. Eu apenas mandei ele se foder. Mas vai chegar um dia que vai ocorrer um acúmulo tão grande de raiva que eu vou revidar, vou descontar em alguém tudo o que tenho passado dia-a-dia. Vou revidar e sim, eu sei que um dia vão revidar de volta. Mas eu tô cansada, cansada de ter que andar em alerta na ruas. E eu sei que não sou só eu. Não achem que isso é normal, não achem que pra mulher ouvir um gostosa na rua ou um comentário pejorativo seja agradável.
E outra coisa, praqueles que não mexem com mulheres mas que insistem a ficar com elas e a forçam a isso de alguma forma, mesmo ouvindo um não da guria. Uma coisa: NÃO é NÃO.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Vomito.

As entranhas internas pulsam
pra sair e levarem consigo todas as dores;
mistura-se tudo: dor. amargo. calor. ácido estomacal. 
Mistura-se amor. Postula-se: dor.

As veias pelas quais passam o sangue
estão agitadas e confusas, sem saber pra onde ir
querem expelir sangue, querem jogar pra fora
alguns dias de amor.

A mente pela qual pensamentos correm
está confusa e incerta, sem saber o que fazer
quer expulsar qualquer segundo de lembrança
de uma dança.

Aos mãos que tocaram-lhe o corpo
tocaram outros milhões de corpos
para tentar esquecer apenas um
doce ilusão corpórea, de que isso ia romper com tudo.

A boca procura-te
A mente diz: Não.
As coxas: Saudade.
O corpo cheio de volúpia: Querer.

Eu? Dois pontos. Não sei.
Não sei eu não sei como lidar.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013


Estômago embrulha, e quase que um líquido ácido sai da minha boca. Somente. Somente por lembrar dos abraços , amassos. Laços. Um turbilhão de coisas dentro do teu corpo, e todas essas sensações misturam-se com os pensamentos que surgem a medida que tu lembra da noite passada. E aí tudo isso se mistura com algumas semanas atrás e você vai quase enlouquecendo no meio das lembranças que perdem-se na cronologia interna. Memórias de verão. Memórias de chuva. Memórias de ontem, de hoje, do amanhã. Memorando o momento pra que algo em meio a vastidão de sentidos, escape.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Minha mãe me contou quando eu era pequena que Ina significava senhora e Iara mãe das águas e que portanto meu nome significava: Senhora mãe das águas. Eu abri um sorriso enorme e dei uma risada, tinha em torno de 10 anos. A internet me disse hoje, que Inaiara significa Raio de luar sobre as águas doces. Uma amiga um dia desses me apelidou de Iaiá por causa de uma música, uma grande amiga, ah. A maioria das pessoas me chamam de Ina, deve ser porque Inaiara é complicado demais pra pronunciar. Quando me apresento preciso dizer no minimo 5 vezes é Inaiara, III, tem I no começo. Rs. Eu não sei o que significo, não sei muito sobre nomes muito menos sobre significados. Me perco tentando dar significado a tudo. Sou uma junção de abstração. Se eu pudesse daria a cada dia um significado pro meu nome, de acordo com o que eu sentisse. Se eu pudesse, ah, se eu pudesse, eu faria tanta coisa. Eu não sei muito sobre o amor, nem sobre as pessoas e tô aprendendo, aprendendo a viver. Talvez Inaiara signifique mesmo: Muito amor pra dar.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Sobre lembranças e caixinhas


Eu tenho duas caixas de lembranças, uma eu ganhei a uns dois anos atrás, achava que não ia ter nada pra colocar, hoje tem tanta coisa que nem cabe mais. Entre as memórias ali dispostas, têm pétalas de girassol, um papel com batom borrado, uns ingressos, o feijãozinho da terceira série, tanta coisa.
A segunda caixa de lembranças eu ganhei ano passado, ela é grande e ainda não tá toda ocupada. Dá pra bastante memória.
Lembro-me das vezes em que achei que as lembranças se perdiam com o tempo, mas talvez não seja bem assim, talvez num vai-e-vem de acontecimentos, a gente consiga gravar na mente o que de fato importou. 
Não gosto de cobrir lembranças boas com uma montanha de coisas ruins que surgem. Detesto rompimentos.
Sou frágil e prolixa. Me perco dentro de mim mesma. Perco-me nas lembranças.
Efemeridades ressurgem a cada instante, e ter as caixas é uma forma de guardar tudo, tudo que vai indo vai andando no gerúndio diário.
Aliás, nunca gostei de diários, de escrever todos os dias sobre as coisas que ocorrem.
Eu tenho cadernos de escritos mal feitos, sem estética alguma, sem pensar, só palavras jogadas pro mundo.
No dia que eu morrer, quero que os cadernos e as caixinhas de lembranças estejam lá. Quero que tenha música boa, café quente e muito doce. 

Lembro-me de lembranças embaralhadas com sentidos que surrupiam e perpassam minha boca, até que eu vos diga o que tenho vontade.
Sou um relicário, daqueles bem antigos. Que podem quebrar a qualquer momento.

Memória, não se vá. Que se comemore o memorando da vida. 
Um dia, terei uma caixa só de memórias boas. E cujas lembranças não precisem ser afogadas por decisões ruins.



''É através de lábios alegres, feitos de fios, que o frágil capricórnio desenreda palavras,
como traças em velhos cachecóis.
Eu sei que o mundo é cheio de falhas,
mas dissipe suas dores de cabeça, e chame-o de casa.''

Chame-o de casa, chame alguém pra chamar seu mundo de casa e dissipe quaisquer que sejam as coisas ruins. Não tenha medo de botar os pés em água gelada, muito menos de conhecer o que não se conhece. Não tenhamos medo de viver. Já que sempre existirão empecilhos no meio do caminho, por que não se afogar de vez em tudo, engolir com todas as forças o que aparece, se jogar de cabeça? Quando se faz o contrário, uma hora ou outra vai falhar mesmo. Pois então, que seja verdadeiro, que se for feliz: seja feliz, se for triste: seja triste. Sem máscaras, sem rotulações ou incertezas. Que sejamos o que somos. Que falemos o que sentimos. Chega de criar um mundo paralelo. Encare a fome, encare os erros e os acertos. Encare o mundo escancarado em nossa frente, sem tentar permear as coisas, mas que no meio do que é explicitamente verdade, enxerguemos esperança. O que seria da vida, se desistíssemos a cada vez que uma gota de lágrima cai do rosto? 
Abra os braços, tome banho de chuva, leia poesia, ande descalço pela casa em dias de chuva, assista filmes bons, leia livros, aprenda coisas novas, aprenda com pessoas novas, beije, transe, corra em gramados, ouça as histórias de sua avó, tome cerveja (e não dirija), ouça músicas boas, apaixone-se (quebre a cara), apaixone-se novamente (quebre a cara novamente), coma chocolate, diga a verdade, e apesar dos pesares: Esqueça as mil e umas coisas que deram errado e tente fazer dar certo.

A porta está aberta,
O mundo está pulsando,

é só parar pra ver.

domingo, 10 de fevereiro de 2013


Tentaremos então abordar o que acontece no cais da Bahia. Não sou de lá, não sou nem de cá. Não sei de onde sou. Falaremos então sobre o quê? O que há pra se falar quando somente se quer dizer? Sem saber nem bem o quê. Tentaremos então abordar o coração pulsante de São Paulo, onde os martírios encontram-se a cada esquina, onde o medo paira corações pequenos, e as lágrimas correm por entre olhos, elas escorrem com tanta voracidade que sentimos sal purpurando nos nossos olhos. Eles ficam vermelhos, em mim, normalmente as bochechas também denunciam, ficam róseas. Aí fica sal saindo do olho, queimaduras na face e dores posteriores a um carnaval de pensamentos.
Dizem por aí, que todo carnaval tem seu fim. 
É fevereiro, é carnaval. Mas terei que postular o aval entre eu e a dor. Dai-me trégua, por favor. 
Observo as palavras que aqui começaram com Bahia, mas nós temos a grande mania de se esconder no meio do que de fato se sente. Temos medo. Mede-se tudo. Mede-se o medo do mundo.
Medirei então as medidas que podem ser tomadas na atual situação. Leitores não precisam disso, de escritos mal ditos. 
Mas eu preciso dize-los pra não me afogar.
Que o engasgo, rompa-se. Que a roupa caia. Descalça num chão de ladrilhos vermelhos, um vestidinho azul, umas lembranças boas que veem a tona quando as tristezas surgem.
Mas que se consiga produzir, nua de você. 
Estarei postulando que quaisquer ser-humano possa ser feliz.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013



Eu devo ter sido um pássaro em outra vida, porque nessa, eu não consigo parar , eu tenho que voar e voar e sentir-me cheia de asas, como uma pluma que não tem pra onde seguir. Eu tenho que ter asas imensas e cheias de vida, pra que eu possa voar com a maior velocidade possível. Até que. Até que. Ponto. Asas são cortadas.

Eu devo ter visto uma árvore florescer em outra vida, no beiral da minha janela, todas as manhãs. Porque sou tão apaixonada pelas flores, sinto-me intimamente ligada a elas. Até conversamos, por vezes. Eu, elas, o céu e o vento. Oh, o vento, a gente vive se adorando de baixo de árvores.

Eu devo ter muito mesmo guardado em mim, porque mesmo sem ter o que dizer, eu procuro alguma palavra concreta pra expressar-se no meio do mundo abstrato que tenho dentro de mim. Um mundo tão grande, tão grande quanto o de vocês. Cada um deve ter mesmo, um mundo tão profundo quanto a toca do coelho em que Alice caiu. Se eu pudesse, eu descobriria cada mundo de cada pessoa do mundo.
Se eu pudesse, ah, se eu pudesse, eu traria você pra perto.

Eu devo acreditar no sempre, no sempre por algum período de tempo. Eu de fato, tenho esperanças de que o pra sempre nem sempre acabe. Ou devo acreditar que por mimetismo interno eu tenha a capacidade de parar o mundo.

Eu devo cansar muita gente, com essas coisas, essas coisas de dizer o que sinto, de dizer o que quero. Devo mesmo. Mas o que posso fazer? 

Todos têm necessidades.

Dizendo, da forma mais minimalista possível.



-Olá, quem é você?

-Olá. Sou.

(Inúmeras conversas. Sentimos que conhecemos.)

-Ah sim. Eu também sou. Mas aguento o tranco.

-Você está bem?

-Na medida do possível , sim.

-Vai dar tudo certo, viu.

-Eu espero.

-Eu quero.

(Foi-se embora

...

e eu dizendo que aguentaria o tranco.)
Mãos púrpuras com as cores mais rubras que um dia poderia tomar, digitam aqui como se pudessem expelir minha dor. Por dentro, às vezes, sofremos. Sentimos dor , daquelas que você não consegue nem conceber o tamanho, porque dói de verdade, como se você tivesse levado um tiro no peito. Dói tanto que parece que você pode sentir o sangue escorrendo. Por esse motivo, faço sangue virar palavra. Agradeço tanto por poder escrever, eis-me aqui uma válvula de escape. Eu escrevo, alivia um pouco. A dor não vai passar, mas ao menos, dá a sensação falsa de que amenizou.
Esse é o preço a se colher por amar tanto as pessoas.
Não me arrependo de me entregar, muito menos do vivido. 
Não me arrependo de ser.
De ter. De ver. 

De sentir.

Mas uma hora,
acaba.

Não.
Não é a hora.
É hora de recomeçar. De tentar. Se for pra sofrer, que se sofra. 
Mas que se valha a pena.
Que se sofra por ser feliz.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Caminhos de Areia



   Capitães da areia, livro de cunho realista e regionalista, escrito por Jorge Amado, publicado em 1937, discorre sobre a vida de um grupo de crianças abandonadas em um velho armazém de mercadorias, próximo ao cais da Bahia. O livro começa com reportagens de um jornal fictício que aborda varias visões a respeito dessas crianças, consideradas por muitos como marginais. Logo ao inicio já é evidente um caráter crítico em relação a como essas crianças eram vistas diante da burguesia e autoridades da época.

   Após essa introdução com as noticias de jornal, o livro se divide em três partes, a primeira chama-se: “Sob a lua, num velho trapiche abandonado”- nos contextualiza ao ambiente em que viviam as tais crianças e introduz os personagens do livro. No grupo viviam mais de 50 crianças; Pedro Bala, filho de um grevista que morreu baleado, é o líder cuja cicatriz que possui no rosto evidencia sua audácia, organiza os assaltos e coloca ordem no trapiche.  Sem Pernas, era coxo e o que mais sente falta de carícias, finge-se de órfão desamparado para posteriormente levar objetos de valores para os Capitães. Volta Seca era afilhado do cangaceiro Lampião e nutre extremo ódio pelas autoridades. Sem contar em Gato e Boa-Vida, dois malandros, um conhecedor da sedução e prazeres da vida logo cedo e o outro das festanças baianas. Professor, era o conhecedor dos livros e trazia o mundo sonhador da literatura para aqueles, que desde criança não tinham contato com as palavras. Sem contar em Dora, menina do corpo enfraquecido pelas dores do mundo e dos cabelos loiros como o sol da Bahia, esposa de Bala e mãe de todos.

   O livro é um retrato de personagens, cada qual com suas idiossincrasias. Um retrato da Bahia dos pobres, e mais, do policial que mantem a ordem marginalizada e do reformatório que entulham crianças e as educam com bofetões. Dos meninos que parecem tão homens, mas no fundo possuem a pureza infantil. Sem casa. Sem pai e mãe. Que passam fome. Fome. Diria umas das maiores violências do Brasil. Uma história de crianças que seguem cada qual seu caminho, tentando fugir da miséria de uma sociedade determinada pelo poder e  capital. Um anceio por liberdade.
                                                                         

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013


Abri a janela hoje e vi um colibri. Ele era pequeno e receoso, tinha medo de amar. Tinha olhos de tristeza. Eu não sabia o que fazer. Só conseguia ter pensamentos tão pontuados como esse escrito. Então eu disse pra ele que a vida é curta demais pra não ser comemorada e ele disse coisas que me magoaram. Sim, colibris falam! E como falam. Hoje eu abri a janela. Hoje eu abri a janela pra respirar e ver o sol nascendo e ver a rua andando e as pessoas correndo e os colibris voando e ando ando ando. Hoje eu abri a janela e me senti viva. Com mãos, pés e pulsação. Colibri bonito, não vai embora e venha sempre me visitar todas as manhãs. Tem muita chuva pra tomar e muito sol de fim de tarde pra (secar) , viver. Vivermos. Veremos.

domingo, 3 de fevereiro de 2013


Andando por aí, em um chão cheio de paralelepípedos lembro de um gosto gostoso. De um sabor que eu nunca vou esquecer. Andando por entre paralelepípedos meus devaneios se misturam com as cores e construções que me cercam, e com os sons de São Paulo. Ah, São Paulo! Cidade da garoa, dos amores, dos encontros e desencontros. Da fome, da pobreza, da tristeza. Ah, São Paulo! Você me pediu pra ficar, pra ficar aqui , pertinho de você. Era mesmo, pra ser por Sampa, minha correria, meus pulsos acelerados, meus escritos mal-escritos, minha euforia, minha euforia pertence cada vez mais a essa cidade. E euforicamente eu digo: Tenho amado!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

dia de maça


Um dia desses eu comprei três maças. Uma vermelha grande, uma verde grande e cítrica e uma pequena e singela. Um dias desses eu comprei três maças. Uma vermelha não tão boa, uma verde bem gostosa e uma pequena de dar gosto. Um dia desses comprei três maças. Ah, é, um dia desses, desse dia de maças, eu fui feliz. Eu senti sabores bons, chuva forte e corpo vivo. Um dia desses eu fui feliz. Nesses dias de maça eu fui feliz. Bem feliz. Eu senti olhares, volúpia e paz. Um dia desses saberei escrever, escrever sobre dias de maças, dias que trazem paz.

E como caminhasse vagarosamente, Uma moça, Iaiá, viu a máquina do mundo. A máquina fazia um barulho absurdo e era enorme, cheia de artifícios. Dificil era quem poderia entendê-la. Parecia tão complexa! Entretanto, Iaiá é uma pessoa que tem curiosidades e interesses especiais. Foi ver de perto. E Sentiu. O tempo que apressiona. A dor do descaso do outro. O coletivo descaso pelo outro. Motivos e desmotivos. Iaiá suspirou. Respirou. Percebeu uma entrada, foi correndo até lá. O corredor era cheio de peças complexamente entreligadas. Ao final, uma sala quase vazia, uma cadeira, um volante. Dizem que curiosidade mata. Mas Iaiá não se importa, quer mais descobrir, entender, viver. Assumiu controle. E voou! Sim, a máquina voava! Iaiá voou sobre as regiões verdes e cinzentas, pobres e nobres, montanhas. Havia vida, em todos os lugares, das mais diversas formas. Avistou sua casa! Percebeu que os mais vastos latifúndios também têm limites. Ver o mundo por cima amplia a linha do horizonte. Ao descer, era uma pessoa mais feliz, ao perceber que a máquina tinha sido colocada em seu caminho para lhe mostrar que ela, e somente ela, seria capaz de assumir o controle de seu próprio mundo. E que isso lhe traria algo bom. E como caminhasse vagarosamente, que uma nova fase se iniciara.

Seu sempre amigo e irmão, Klauss Schramm

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Um texto adolescente , mas sincero. Sobre acreditar.


Ai ela diz: ''Mas eu nunca vou gostar de outra pessoa, é ele meu, ele é o cara certo. Eu não vou correr atrás dele. Mas eu tenho tanto medo, tanto medo dele não correr atrás de mim''. Pois então, quando ela dizer isso pra você, seja ela sua amiga, sua irmã, ou uma conhecida, você fala pra ela, fala que vai passar. Porque sabe, essas coisas passam. E se ele não correu atrás é porque não era pra ser. Não, príncipes encantados não existem, nem histórias de amor que duram pra sempre. Mas uma coisa existe: Amor. Amor por si só. Amor dentro de cada um. E se esse existe, existe em outra pessoa pra ser compartilhada com você. Não existe ''cara certo, pessoa certa'' . Existem pessoas e amor. Somente. E existem coisas que dão certo e coisas que não dão. E existe uma palavra muito importante nessa história toda: Acredite. Talvez ela com mais três palavras fique melhor: Nunca deixe de acreditar.


Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Sou tão tranquilo e tão contente.
Tenho tentando seguir pelas entrelinhas torturantes que perpassam minha vida. Tenho tentado viver, apesar dos pesares. E tenho percebido que não é tão dificil assim, muito pelo contrário é bem fácil. Bem fácil viver, apesar da fome, apesar de tudo, dá pra conseguir. Pensando no outro, pensando no mundo. Aliás, vivemos sempre ''buscando a felicidade'', mas não paramos pra perceber que ela ta aí, em cada sorriso em cada esquina. É só enxergar. Parar pra ver. Não tem essa da ''felicidade surgir'', simplesmente, porque ela tá no abraço cálido de um amigo, no beijo ávido do amante, nos dizeres e nos pensares. É normal não dar certo. É normal dar certo. É tudo bem normal. A gente que cria dez mil expectativas a respeito da felicidade. Pois então, que seja-se feliz até na tristeza. E bom, a tristeza é sempre produtiva. Tudo tem um lado bom. É só parar para ver. E uma hora chega, bem de pertinho, e te acalenta por um bom tempo, até que você começa a acreditar... Nas coisas boas.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013



Hoje não quero falar sobre sentir.
Hoje não quero falar sobre o que sinto.
O que eu sinto? Do que importa?
Bato em casébres pra pedir uma gota d'água
Vejo meninos com pés ao léu
E barriga vazia.
Canto ternura
Mas tanto faz
Porque há dor.

Hoje não quero falar sobre sentir.
Bato na porta de casas vazias
De mentes profundamente
sem ter o que comer
Fome de educação
Fome de comida
Fome de ter fome.
Vejo olhares cansados
Bocas secas
E fome.
Vejo fome em todo canto.
Vejo cantos e cantares.

O que dizer se há pobreza?
O que dizer se há dor?
Os meus sentimentos
As minhas fraquezas
Hoje não importam.

Não há rima.
Não há casa.
Não há nada pra haver.
Só há eles, eu e você.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

disritmando, ando. parando.

Disritmia completa. Vou explodir! Lábios tremendo. Confusão interna. Um monte de coisa angustiando o coração. Vontade de arrancar com as próprias unhas qualquer sentimento que seja. Vontade de arrancar o que der. Minha retina tá cega. Meu corpo tá fraco. Minha mente tá translucida a ponto de sair voando por aí. Voe, voe, por favor, e leve tudo isso embora, depois traga de volta, reconstruído. Meus pontos estão pontuando demais tudo isso aqui. Digo e ponto. Ponto e digo. Só quero curar, curar essa coisa louca. Se ouvisse sua voz. É. Tudo estaria mais em paz.
http://www.youtube.com/watch?v=F1djIHS476o


Mordi a boca ouvindo uma música calma e comendo uma bala. Mordi a boca. E senti o sangue dos lábios. Sangue que pulsa dentro de mim, que corre pelo meu corpo. Não tô pra música calma. Não tô calma. Zé Ramalho, hm, até vai. Sangue escorrendo, tocando meus dentes brancos. Sinto-o na ponta da língua. Sinto na ponta da língua o que quero dizer. Mas não se diz tudo ao mundo. Calo-me com música e sangue.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Engasgo como se tivesse comido um prato cheio de flores carnívoras. Flores tão vivas que oh, nem pareciam flores. Engasgo com minhas dúvidas e minhas perguntas (vãs). Engasgo com a vontade de ir correndo te buscar. Engasgo com essa montanha de coisas que estão borbulhando dentro de mim. Engasgo de saudade.

Não se dá título à essas coisas.





-




Era uma vez uma Lhama chamada Rudá. Mas não era uma Lhama comum. Não era, porque Rudá na verdade não era uma Lhama. Rudá era um garoto que fingia-se de Lhama e que fingindo ser uma lhama usou de suas lhamicidades e cativou uma garota qualquer. Garota que abria sorrisos quando falava com ele. E ela disse, que lhamicidades duram muito mais do que semanas. Elas duram.
Quando eu tinha 12 anos eu pintava. Quando eu tinha 12 anos eu dizia que ia ser artista quando crescesse, que montaria um atelie e venderia meus quadros. Que espalharia arte por aí. Quando eu tinha 12 anos eu acreditava mais no mundo. Quando eu tinha 15 eu fui pra Salvador, e eu gostei de ver o mar azul. Quanto eu tinha 15 eu conheci uma pessoa especial que hoje é um grande amigo. Quando eu tinha 8 meu livro preferido era sobre uma centopeia que sonhava em voar, nadar e fazer tudo que suas 100 perninhas não permitiam. Quando eu tinha 16, oh, eu não lembro muita coisa dos meus 16, deve ser porque foram bem conturbados. Hoje tenho 17, quase 18, e tenho tanta coisa pra falar, tanta coisa pra ver, pra ouvir, pra viver, aprender. Do 1 até os 17 eu conheci bastante gente. Gosto de gente. Gosto de abraços, de euforia, de beijos, de corpos. Gosto de ter 17. De lembrar dos 13 , de viver os anos. Gosto de escrever. Sempre gostei. 
Abro uma aba com dicionário, pra ver se encontro alguma palavra que de fato expresse o que sinto. Mas não, não há nada pra dizer. É uma dor louca aqui dentro, uma confusão doida. Olhares perdidos. Tocares lembrados. Mas que inferno. Por que diabos complicamos tanto as coisas? Se há vontade, se há tudo aquilo que de fato é necessário... Bom, deixa pra lá. Meus pulsos tão quase explodindo, expelindo uma coisa doida que tá pulsando aqui dentro. Ah, nessas horas, só resta respirar fundo, e bom... Apontar pra fé e remar.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

http://letras.mus.br/of-monsters-and-men/your-bones/traducao.html


Na primavera nós fizemos um barco,
De penas, de ossos.
Nós incendiamos nossas casas,
Andando descalços na neve.

Não nasci pra poesia
Nem pra poetizar
Sou da prosa e do verbo
Do falar sem parar
Mas às vezes, tento fazer uns versos
E não dizer muita coisa
Porém vejo que versifico como se estivesse
narrando (falando)
não tem estrofes nem rimas perfeitas
só tem palavras pronunciando permanentemente
o que se sente.

Pieguice.


Sou piegas mesmo
Piegas ao falar
Piegas ao beijar
Piegas de natureza.
Mas em meio a pieguice nata
encontro uns amores por aí
encontro uns odores
uns clamores
tão vividos
tão piegas
mas tão fortes
intensos
latentes.
Pulsam junto comigo
dentro de mim
sinto-os dentro de mim
cada vez que aquela respiração
paira em meus lábios
cada vez que vejo no meio da pieguice
uns dizeres intensos
uns falares sinceros
é, bem que dizem, que clichês só são bonitos quando vividos.


Mais amor, sem pudor , por favor.
Amor assim, novo, fresco.
Amor recente.
Amor que apaga lembranças ruins.
Amor que não traz lembranças ruins.
Amor que apaga amores ruins.
Amor, amora, amorar, a morar em algum lugar qualquer...
Amor veio morar por aqui.

não-superação
-

vontade de vomitar
só de vê-lo lá
só de estar ali
por perto

vontade de vomitar
com o egoísmo alheio
com a aleivosia humana

com o não se importo
com o não o enxergo
com falsos amores
cheio de pudores
posteriores
a um fim.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Somos finitos? Ou infinitos? Uma música toca, com batidas escorregadias, batidas que me lembram batidas de corações. Batidas de sentidos , que romperam. Batidas posteriores a uma noite qualquer em que se diz o que quiser, sem concretude ou entendimento. Só diz. Não pense, não. Não hesite. Não pense por um instante em pensar. Somente diga, diga pro mundo o que te acorrenta. E ouça uma música boa, coloque-a no volume mais alto , ou se preferir, deixe baixo... Digo isso, porque música alta me faz lembrar melhor. Minha prima me perguntou hoje porque eu tava prestando letras, e eu respondi: Porque eu quero. É, eu quero, quero escrever por aí, viver por aí, dançar por aí, lembrando de lábios, vivendo lábios e corpos... E nesse momento usando os meus próprios lábios para dizerem ou expelirem da forma mais sincera e nata ao mundo , o que quero dizer. O que quero dizer.... É que tem amor por aí. Digo, que tem amor em nós. E esse amor, faz-nos infinitos por alguns instantes. Eu sou infinita de amor.

Vou fazer um verso branco, sem rima pralá nem pracá. 
Um verso áspero e cálido, que diga somente por dizer. 
Não sei fazer versos lindos,
 nem mesmo versos calados
eu sou o que digo
eu sou o que faço
sou poema
e acaso
enfrentando
teclado e letras
entrelinhas e dizeres
confusões ocasiões
rabisco e canto
sem cantar bonito
digo o que penso
digo o que quero
digo que penso
que deve-se ter
mais amor ao pensar

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013


Iáiá se enojou, ao ver tanta dor, gente por aí que não sabe o que é o amor, nem mesmo aquele amor minimalista que deve-se ter ao próximo, ao colega que seja. Ao vendedor de pipoca. Aleivosia com pitadas de egoísmo, egoísmo que perfurou pele de Iáiá, que foi perfurando até rasgar-lhe os pulsos. Expelia sangue de Iáiá. Era um sangue tão vermelho como o amor que pulsava dentro dela. Amor de amiga, amor-Iáiá. Não é pra entender. Iáiá em meio a tristeza sentia gente por aí que não sabe o que é no minimo, respeito. Iáiá só queria ter tido respeito. Iáiá falava por aí, ria e chorava. Iáiá era sincera. Iáiá tava morrendo, no meio de uma poesia mal feita misturada com seu próprio sangue amargo. Sangue cuspido por outro. Proferido as palavras, Iáiá as engoliu e teve que lidar com todas elas sozinha, sem ser ouvida. Sangue sinceramente sereno pós-chuva. Pós-raiva. 

Pois, pôs uns pós em tudo pra ver se passava.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013


Sampando por aí,
na São Paulo noturna
cheia de encontros e desencontros
cheia de amores e desamores (dores)
Sampando por aí,
entre esquinas e doçuras
nas mordidas memoráveis
nos clarões iluminados
de ruas oportunas
que ainda assim possuem algo
algo bom, algo vivo.
Sampando por aí,
entre beijos e choros
entre fome e cores.
miseramente, se é que posso pedir,
peço-vos amor, amor noturno. amor diário.
amor sincero que vive sampando por aí.

Somos um bicho estranho. Sai sal dos nossos olhos misturado com água. Sai risos de nossas bocas até doer a barriga. Amamos corpos e bocas. Temos tristezas certas e certezas incertas. Vivemos correndo por aí, buscando coisa nova, gente nova, vida nova. Ser feliz? O que é isso? Felicidade é levantar de manhã, é abrir a porta pro sol nascente, é escrever besteiras como essa sem ligar pro que vão dizer. É ler Poe e sentir calafrios na barriga, ou ficar drummonizando por aí com pitadas de lispector. É falar, gritar pro mundo: Estou viva. Estou vivo. Eu amo. Eu sinto.
E no meio da noite, do sono latente percebo sem nenhuma percepção concreta que somos um mistifório de sentidos estranhos. Sentidos humanos.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012



Uma fraqueza cheia de tortura , cheia de lodo , de cuspe , de angústias perpassando o estômago. Uma fraqueza que dizem ser toda a fortificação interna. Veias rasgadas! Dramático mesmo, pra dar nojo. Até desmaiei um dia desses, tomei remédio na veia pra ver se vivia. As borboletas dos filmes românticos ao contrário. As dúvidas do porquê é assim. As dores que não se importam, as filhas da putagem. Insensibilidade. Isso. Aquilo. As flores que aparecem, acho que são , pra dar força. Devem ser... Pra mostrar que tá tudo bem. Apesar dos pesares.
PÃMPÃMPÃM CANTANDO
felicidades e tristezas e cantando e pulando ando ando ando!


Vermelho vivo. Vermelho vulgar. Vermelho viúvo. Vermelho volúpia. Vermelho vindo. Unhas vermelhas com uma boca vermelha e um corpo avermelhado de marcas que vão vermelhando um mistifório de cores.

Um carro dirigindo meu trajeto matinal, eu ele e o outro. Aí resolvemos acelerar, correr correr até não aguentar mais. E fomos no embalo do sol que estava raiando. Até que avistei uma casinha de pau-a-pique , ela tava bem na ponta de uma estrada imensa cujas árvores cobriam as laterais. Resolvemos parar. Descemos do carro e eu fui pisando no asfalto, pisando firme naquele chão que expelia calor e observando as árvores e aquele que me acompanhava, percebi que estamos sempre a fugir da solidão. Então, entramos na casa, parecia uma casa de joão de barro, só que maior. Gostava dali, lá era fresco e tinha cheiro de terra nova. Ninguém morava ali, então resolvemos nos apossar do ambiente por algum tempo... Não precisávamos nem de música, os sons que perpassavam a sala eram suficientes. Era só eu e ele. Numa confusão de sentidos paramos de acelerar. Simplesmente olhamos um para o outro e o silêncio nos dizia que: Tudo estava bem.

''Você tem medo de você.''


Você poderia cuspir tudo fora, toda sua aleivosia, todo o seu egoísmo, todas as falas não ditas, toda preocupação vã, toda insensibilidade, todas as vezes que não pensou no mundo e apenas em você. Você tem medo do quê? De no meio de tanta sinceridade se perder? Ou de encarar os fatos? Do que temos medo? Tenho medo do que poderia ter feito ao ver tanta ingratidão, tanta indiferença. Do sofrimento latente de alguém que é intensa. Tenho medo da fome. Da fome de comida. Da fome de amor. Da fome de ter fome. Tenho medo de perder as pessoas, de fragmentar os sentidos, de cortar os pulsos e sentir na pele que sai sangue. Mas não tenho mais medo da morte, porque ela já bateu na porta de casa tantas vezes, já levou tantos entes queridos. Agora se vivos estamos mortos? Se vivos perdemos as pessoas como se elas tivessem morrido... Se vivos... Vivêssemos.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Uma janela do lado, uma cortina verde e uma parede laranja. Luzes do raiar do dia. Uns lápis coloridos pelo chão marrom. Uma dor de garganta latente, daquelas que faz você ver como está vivo. Pés descalços. Arte. Conversa. Lá pras três da manhã percebi que tinha passado. Senti um gostinho de prazer, aquele momento ocioso de só rir e ouvir e dizer e pensar em nada. Aquele momento feliz e discretamente sincero. Tinha bastante cor.

Um surrealismo sincero.



Elefanteei hoje. Guardei um monte de palavras e sensações. Ingenua, eu. Achei que não ia chover e tava esperando chuva. Então fui crescendo, como um elefante. Um elefante cinza e velho no meio de uma floresta cinza e velha. E aí fui elefanteando mais e mais e mais. Até que quase explodi. Explodi de amor. Foi então que eu percebi que havia um elefante do meu lado, sentado no sofá. Ele era novinho, tinha uma tromba um tanto graciosa, eu diria. E ele veio com graça pra mim, até me tirou um sorriso em meio ao filme dramático que assistíamos. Ele era bonito. E era jovem e cheio de histórias. Ai a gente elefanteou juntos.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Numa tarde qualquer, numa casa nem tão qualquer assim.





Acabar?
Tô aqui pensando besteiras, reclamando pra lá e pra cá... E só então percebi o que é de fato o acabar, percebi esses dias, quando fui visitar uma amiga que está com câncer. 
Aí sim eu vi as coisas acabando, a pele fraca, a língua turgida e seca, nenhum movimento. Apenas os lábios que abriam e fechavam para proferir palavras. Que falavam comigo, bem devagarzinho. Lábios sinceros. Teve um momento que ela me disse: "Nem ler eu consigo mais. Não sinto minhas mãos. Não mexe nada.'' Então eu disse que guardaria um dia da semana pra ir lá ler para ela; seus lábios tentaram sorrir -um sorriso todo delicado de fragilidades- Perguntei-lhe: ''Que tipo de livro você gosta?'' Elas respondeu-me: ''Gosto de drama, aventura, romance... Suspense. É, suspense e terror eu não gosto muito não.'' ''Eu também não gosto muito de suspense.'' , disse à ela. Mas para ela era diferente, ela já viveu 40 anos de amores, de aventuras e dramas, já sentiu uns suspenses, terrores... Mas agora, sente cada pitadinha de suspense e terror em cada pitadinha de momento vivido, em cada suspiro. Percebe o suspense que é o fim. Todo fim é um começo. Todo começo é um fim. Tava aqui, em uma tarde qualquer, andarilhando com meus pensamentos fúlgidos... Pensando nos meus fins. Meus finscomeços começosfins. E lembrei do olhar dela, olhar cálido que junto aos seus poucos fios de cabelo me mostravam a força interna que ela possui, a coragem. Coragem de dizer pro mundo: Tá acabando.




sábado, 17 de novembro de 2012

Afogar. Engolir. Cuspir tudo fora depois, os dejetos de doçuras vãs. Os caminhos percorridos. Os enfeites usados. Os vícios de um sentimento louco, que percorre minha veia. Um cais sem fim. Um vão sem chão. Um emaranhado de dores posteriores clamores de uma noite qualquer,

quinta-feira, 15 de novembro de 2012



Acostumada a viver assim, com flores nos dedos, cores na veia. Tantas, desde o vermelho favorito, até o amarelo que me acolhe. Pulsando, falando, correndo com esse coração acelerado que tenho. Sinto muito, sinto perder, sinto perceber que perco, perdemos tudo. O tempo todo. Morreremos , inevitavelmente. Por ora, me sinto morta, mas ai, vejo que tenho tanta coisa aqui dentro, tanta admiração pelo mundo, pelas essências que perpassam minha vida e sobrepõem as decepções diárias. Sinto muito, por não escrever bem aqui. Acho que só quero dizer. Dizer que amo, amo uma vida assim, viva, ainda que, determinada ao fim. Amo ver e recorrer. Amo sentir lábios, sentir gostos, me arranhar num galho e fazer curativos com bandaids da minha infância. Tomar banho de chuva, rir até a barriga doer, deixar o vento bater nos meus cabelos, ter marcas, sentir frio, sentir calor, ir , vir, ver, ouvir. Verbalizarei por aí, pra ver se vai passar. Passar uma dor, que anda pairando por aqui. É. Sempre assim. Verbalizo, o verbo se enche de adjetivos e tons , até que um dia, vem o ponto final, e rompe... Depois de um tempo dou espaço a vírgulas novamente, que mesclam com novas palavras, novos sentidos e pesares ; amares. É. Três pontos, venham.



segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Inconscientemente amei, inconscientemente amei mais. E conscientemente sofri e deixei que a consciência mesclasse com a inconsciência numa inconstância de dizeres e pensares. E senti. É, eu senti. Inconstância: Constantemente ama e sofre.


sábado, 25 de agosto de 2012



Peninhas vão-se embora e voam pra negritude de um céu anoitecido.  Uma por uma, como se eu as soprasse a cada segundo, e meu coração estava despenado, adormecido. Eram penas de pássaros mortos por mim mesma, que cortei-os um a um, pra formar balões, só assim, por bel prazer. E as penas desses foram parar em minhas mãos, e quando saiam iam formando novamente pássaros. Pássaros verdes que tingiram meu vestido, meu cabelo. E iam tingindo minhas mãos, cobrindo o sangue vermelho de verde, até que resolveram ir embora, e me levaram junto. Fomos todos nós, eu, o balão de pássaros e o sangue sonegado por menina.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012




E das botas batidas passadas firmadas no solo, veio o lodo. E do lodo expeliu as flores. E das flores brotaram cores, cores permeadas de passos surrados. E dos passos surgiu um brio pelos pés que ali andavam e semeavam uma nova partida, sem esse limo de penúria, que veio de você.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012



Tesouras cortam, ficam fechadas ou abertas, podem quebrar também. Tem aquelas, sem pontas da terceira série do fundamental, mas elas vão embora com o tempo, e cedem espaço às intrusas tesouras com ponta. Tesouras causam sangue, se quisermos, e se não quisermos também. Tesoura? Qual o motivo de escrever sobre uma reles tesoura? Pergunto-me o que fazer com as tesouras, que aparecem, assim na minha vida, sorrateiramente, e cortam-me os pulsos, por ora, fazem-me sangrar, mas quando surgem, me trazem um desejo de usa-las pra recortar papéis, pra recortar caixas de presentes e cartões, pra fazer e desfazer recortes. Um frenesi louco, por aqui. E só. Digo; é só, assim, isso.

Letras saindo.



(http://letras.terra.com.br/los-hermanos/71328/)

Será que os outros, aqueles que escrevem, também gostam de juntar as letras pra ver no que vai dar? Será que é só dizer ou é falar? A melhor maneira de expressar. Não sei direito como explicar, mas é aquela vontade sorrateira que sempre paira por aqui, vontade de somar as letras e pontuações e deixar sair, assim, soltando mesmo, fluindo. Sem usar dicionário ou definições concretas; sem me preocupar em dizer de fato algo que lhe faça diferença. Não tem que fazer. Tem que ser, ser sincero. Queria poder dizer a raiva que tô sentindo, uma raiva do que não houve, vontade de comer nuvens brancas e tomar banho de chuva, pra ver se passa. Ver se passa a vontade de chorar.


Tenho a impressão de que as cores andam imprimindo em mim com tanta vivacidade que não consigo mais tira-las de perto. Andam imprimindo, exprimindo. Essas cores assim, num vai e vem, cambaleando e tropeçando nas ideias insanas de uma menina que não sabe direito o que diz. Tenho dito da maneira mais torta, porém, mais sincera que consigo. Folhas têm reluzido por aqui e colorido minhas manhãs tão bem. As noites, então, que o digam. Serenamente vão tornando-se gravuras do dia-a-dia, daquelas que fazemos com goiva ou até mesmo com o instrumento perdido da gaveta. Aquelas que marcam.

polícia , pra quê?

http://letras.mus.br/titas/


-

Estava eu, ouvindo minha música quando ela é interrompida por passos rasos e de fome. Era um morador de rua no metrô, com um marmitex na mão. Ouço o fiscal da estação dizer: Passa logo pro outro lado, menino. Ele atravessa as catracas com um sorriso de quem está fazendo arte, curioso, diríamos. Mas eu gostei dele. Continuei observando a cena, quando do nada como se houvesse saído de um conto do Poe um PM surge, oh, aqui há um erro, um PM nunca sairia de um conto do Poe, embora foi uma tentativa falha de introduzi-lo ao terror. Ele então, com sua pseudo-postura de ''estou defendendo a civilização'' com seus mais dois companheiros, olha para o garoto e não o dá nem tempo de respirar, começa a encara-lo com seus olhos profanos e grita:
 ''Por que não vai pra casa?'' O garoto se esquiva e diz: ''Não sei voltar pra casa não, tiu''. O PM continua gritando: ''Vai vaza, vaza muleque'' E o menino vai sendo enxotado escada à fora com um PM exacerbando: ''Quer apanhar? Quer apanhar?! Quer tomar no cu, em em?''. Meus olhos inconformavam-se com a cena, tinha raiva e ao mesmo tempo pena, não do menino que possuía menos de 12 anos e sim do policial que no fundo possuía só uma tentativa torpe de dizer ''eu mando nessa porra''. Esse não é um texto jornalistico, e bem longe de ser bonito ou bem escrito. É repugnância, repugnância pura e latente, daquelas que você exorta e joga assim, num texto seco e mal feito.


terça-feira, 31 de julho de 2012

Uma boca palavreando.


Engoli um livro ontem, cheio de palavras bonitas, elas entraram no meu corpo e me enrolaram de mansinho. Cheio de nuances, essas palavras sorrateiras! E ai elas colaram na minha boca e foram saindo pro mundo, tinha uma que eu simpatizei bastante, e ela mudava conforme as páginas, como se em cada página possuísse uma cor diferente, queria se mostrar entre as outras, mas ao mesmo tempo era tímida, tinha medo de dizer o que sentia, expressava e desesperava. Era curta , somente três letras, e passava por entre as folhas, metralhava sensações no meio das tristezas narradas no livro, tristezas do pobre, do que passava frio, do que vivia no mundo suburbano e esperava uma luzinha de calor, que esperava um carinho de mãe, essa palavra faminta perpassava o livro e chegou a mim, conforme fui mastigando-a, abracei e proferia ela com intensidade, pois eu tinha fome, fome de Amor.

vem aqui

Hoje me falaram que meu dois amores são o livro e a música, logo após eu ganhar uma clave de sol de metal para marcar livros. Em um ontem aí, um hippie que talvez estivesse um tantinho ébrio, que após termos um diálogo um tanto engraçado me deu um porta fotos artesanal de estrela.
Hoje eu vi a lua, ela tá tão bonita. Quero arranca-la do céu por um segundo, senti-la e depois devolve-la, assim do jeitinho que gostaria de fazer com você, gostaria também de que existissem mais palavras e pontuações...
Não consigo achar a certa. Procuro. Não acho. Cansaço.
Hoje não sei muito bem como dizer o que quero dizer. Em um ontem aí, talvez soubesse. 

É você. Tudo sua culpa. Menino dos olhos distantes que exala superficialidade mas tem um sorriso que gosto, que irrita quando é usado propositalmente para chamar atenção, mas que quando é natural -e olha que são poucas as vezes- me encanta. Não. Isso não é paixão. É qualquer coisa que não sei definir. Aliás, quem é você? Em? Me diga. Olhe pra mim e converse de fato comigo. Pare de ter medo do mundo. Você não é o único nele; querido distante, de hoje de ontem de amanhã


De quero ajudar.


Vamos, por perto. 
Com o por favor que você não usaria. 


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Sem título.

http://letras.mus.br/skank/36668/


Eu não sei como dizer e nem o que dizer. Tava fitando a lua hoje, e lembrando, do seu olhar pairando no meu, discretamente. Tão discretamente a ponto de você não conseguir encarar-me de fato. Uma imensidão de sentidos devem existir ai dentro, e você sempre mostrando apenas aquele sorriso , mostrando-se amigo de todos. Eu queria ser sua amiga. Queria ser sua. Mas não te conheço, me perco pensando no que realmente você trás ai dentro. Quem é você, afinal? Diga-me de uma vez por todas, diga-me o que pensa de mim, do mundo, de você. És tão peculiar, tão assim, tão você. Não sei definir se foi erro ou não, se foi erro, foram dois, duas vezes seguidas. Eu sempre insisti em você, há alguma coisa ai dentro que me atrai e me impulsiona a te observar, a desvendar cada vez mais o que você faria quando está perto de mim. Queria poder dizer que você é um bom amigo. Mas normalmente, são amigos aqueles que conhecemos, e a gente só conhece o que cativamos e o que nos cativou, e isso, infelizmente, não aconteceu com nós. Talvez assim, nos conformes, no tocar inusitado, no abraço singelo, na vontade de conhecer, talvez assim , cativar-se-á.

vermelhando


As unhas desbotavam , aquele esmalte vermelho-mate desgastando-se com o tempo, e a preguiça que me perseguia não permitia que eu tirasse-o dali. E ia caminhando, passando esmalte por cima de esmalte, e as intempéries do tempo vazavam e corroíam minhas unhas. O vermelho nunca se permitia sumir, e tava sempre me perseguindo, ora no vestido, ora nas unhas, ora na boca. Aquele vermelho vivo, vendo, vivendo voando.   E eu o amava, amava de uma forma tão vermelha, e não tem cor mais clara pra evidenciar o amor que eu sentia. Era amor vermelho. Amor menina. Amorcor. 

domingo, 1 de julho de 2012

manhã falante

http://letras.mus.br/tie/1978257/#selecoes/1978257/

Quero engolir um dicionário, e jogar as palavras vindas dele aqui. Exatamente aqui. Quero me perder nas pessoas, quero sentir o gosto amargo da dor , quero amar o gosto doce do amor. Quero viver! Tenho vivido, quase explodindo de tantas coisas aqui dentro, quase explodindo ao tentar dizer algo. Eu falo muito, sim falo. Mas eu tento falar pra conseguir assim, expressar o que sinto.... E já não é mais sentir, é além disso! Oh, palavras estupidas, não conseguem dizer o quero... Mas tudo bem, agradeço por estarem tentando, estarem tentando soltar-se das amarras que eu mesma criei, tentando criar nas entrelinhas um texto com algum viés de sanidade. Uma frase e ponto, é assim que tem sido os meus escritos, tão fragmentados, tão precipitados, mas tão sinceros, e é tão bom poder ir escrevendo sem parar, sem sentir, é bom não pensar. Estou me segurando pra não abrir o dicionário e procurar uma boa palavra, daquelas irreverentes que a gente usa em textos acadêmicos. Mas pra quê? Pra quê? Se eu só quero dizer assim, do meu jeitinho torto, com sabor de frutas mordidas. Umas palavras assim, encurralando-se no meu pensamento e tentando só expressar algo de uma manhã de sol, que gosta de falar.