Este blog não tem a pretensão de ser nada além de um lugar onde eu tenha a liberdade de escrever o que quero e você tem a liberdade de dizer o que quiser.
quinta-feira, 17 de julho de 2014
somos todas fridas
sofridas
caladas
cansadas
de tanta
o(pressão)
somos todas lindas
fortes
imensas
queridas
e juntas
somos todas
fridas que fortemente lutam
por mais voz
e espaço
num mundo
onde o machismo
pulsa
repulsa! temos repulsa à qualquer forma
de opressão provinda de qualquer pessoa
portanto,
não nos calaremos
gritemos!
e firmaremos passos
nós, mulheres fortes
vivas!
como flores
robustas
em um novo jardim.
abri a janela de manhã
e o céu tava todo amarelado
minha mente, confusão
minha boca, saudade
meus olhos, sós
miravam o céu aberto
e lembravam
de todas as bocas
e sabores
dos corpos
que passaram
por aqui
conjugando versos
colando peças quebradas
tirando minha roupa
ficando
indo
deitando comigo em noites infinitas
escrevendo comigo em versos infinitos
sem métrica
sem rima
nem pontuação
só reticências
amor
e gosto doce
pairando em nós
o primeiro
o segundo
o terceiro
romperam
se foram
ficaram
me amaram
disseram
que cabia,
mas não coube.
o quarto
o quinto
o sexto
tantos
nem sei
não sei mais de nada
não sei mais escrever
nem conjugar verbos
muito menos falar de amor,
só sei me jogar de cabeça
no céu amarelado dessa manhã
que sem ritmo
pulsa
até que eu me esqueça
de nós.
quarta-feira, 16 de julho de 2014
- Moço, me ajuda, por favor. Me ajuda a entender porque é que as coisas explodem tão grandemente dentro de mim.
Me ajuda a entender porque tudo é tão difícil, tudo tão complicado, porque todas as barreiras parecem ser intransponíveis. Porque eu tento, tento e nada parece ter resultado. Porque eu sou tão... tão assim, sabe?
O moço fitou a menina e pensou em o que dizer. Mas não saiam palavras. Então, abraçou-a.
Deu-lhe um abraço forte, acolhedor, abraço repleto de carinho, o qual proporcionou um raro e breve momento de segurança à menina, que percebeu enfim que podia contar com ele, que não estava sozinha. Mas, ainda assim, ela se culpava. Julgava-se como a responsável por todos os problemas que se passavam, menosprezava-se. Mas viu nele uma luz, quem sabe um norte.
Um ponto de amor num mundo tão solitário.
Os dois então resolveram ir ao quintal colher amoras na árvore antiga que havia ali.
A menina, logo após colhe-las, escolheu uma e amassou-a com o dedo indicador, deixando-o todo avermelhado, tocou levemente na boca do moço que logo avermelhou-se também, feito tinta vermelha que escorre e pinta.
Eles sorriam e deliciavam-se com aquele suco da amora. Ela sentiu em seu peito uma alegria que era tão rara, tão única. E era ele, aquele moço, que a fazia sentir assim. Ela pensou em beijar seus lábios, mas esquivou-se. Sentiu vergonha, talvez. Ou medo de ele não aprovar. Quem dera esse moço fosse meu, pensou.
Os dois cheiravam à amora. O moço com a boca toda avermelhada se aproximou da garota. Bem de perto, sentiu sua respiração. Fitou-a. E lentamente tocou-lhe os lábios. Bocas avermelharam-se, juntas.
Aquele beijo sensual envolveu-lhes, de modo que pareciam estar num mundo em que só eles convivem, tamanha a sintonia e tamanho o amor que brotou. Suspiros. Abraços. Mãos. Boca. Corpos enrolaram-se debaixo do pé de amora. Amorando-se.
por: Iaiá Gonçalves e João Ricardo Würch Selbach
terça-feira, 15 de julho de 2014
amigos?
amantes?
ficantes?
instantes
perpassam
confusão.
não defina
não exclua
possibilidades.
idades são feitas
para seguirem
confluências.
pessoas
encontro
prosa
beijo
abraço
medo
não.
não tenha medo
deixa ser
e couber
o que vier
pra ficar.
respirar.
caso
acaso
laço
desfaço
nó
refaço
nós
impeço
fim
desejo
sim
segunda-feira, 14 de julho de 2014
cabe
a
antes
do mar
cabe
ser
antes
de ter
cabe
verso
antes
do fim
cabe
nós
antes
de sós?
Um riacho
acho
que consigo passar por ele
embora aja a tal da pedra no meio do caminho
mas em todos os caminhos têm pedras,
basta que as transpassemos,
independente dos seus tamanhos e imponências
são só pedras
assim como flores, são só flores
e vidas, são só vidas
e sonhos, são só sonhos
e nós, somos só nós
em nossas peculiaridades vagas
em nossos desejos ardentes
somos seres, que pensam
e inventam
se estropeiam
passam fome
fazem rasgos
trocam dores
odores humanos
escorrem em minhas narinas
perfuram meu coração
batem forte no meu peito aberto
cortam fundo
cicatrizam
e criam um nó cego
entre eu, meus sonhos
e minhas mazelas
que perduram
em versos infinitos.
por: Iaiá Gonçalves e João Ricardo Würch Selbach
flor
raiz
por um triz
quase queda
quase quebra
insistências, tentativas vãs
reminiscências, pessoas sãs
lembranças
de quando
fomos insanos
lembranças de tempos
que julgávamos áureos
lembranças de abraços
sem rumo e porquê
lembranças...
uma lágrima caiu
misturou-se com a terra
e da lágrima caída
brotou
uma flor mirrada
mas de beleza ímpar
flor que parecia estar
sorrindo
enquanto suas pétalas
ondulavam ao sabor
do vento
ventania
ia
meu corpo ia
feito flor
que acabou de nascer.
por: Iaiá Gonçalves e João Ricardo Würch Selbach
domingo, 13 de julho de 2014
uns se jogam
outros fogem
uns se entregam
outros param
vi uma flor de girassol ontem
lembrei de você,
que me jogou um beijo
e fugiu.
que me entregou a flor
e parou.
perpassa os meus versos
foge.
discorre sobre nós
para.
conjura meus poemas
hesita.
tira a minha roupa
sorri.
costura os meus dias
logo,
habita minha cama
fica.
conturba minha mente
merda.
se entrega
de verdade
vai!
cheguei
tremi
exitei
fui.
voltei
pensei.
te vi
corri,
fiquei.
retalho
espalho
retalhos
por aí
beijos
que costuram
abraços
que enlaçam
conversas
que esbarram
dias
que estendem
momentos
que acabam
noites
que divertem
gente
que esquece
camas
que nos juntam
tempo
que escorre
na vida
que surpresa.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
foto por: Gabriela Frigo
como num furacão, a arma disparou. e saiu pétala pra todo canto da cidade. enormes, esvoaçavam conforme o vento e cobriam tudo quanto era corpo. matou muita gente. uns, morreram asfixiados pelo cheiro primaveril, outros, pela coloração. Eram margaridas de enterro. Daquelas que se coloca sobre o caixão, pro morto ficar mais bonito.
Eram todos vivos-mortos naquela cidade de pedra. Sangravam por dentro e cheiravam a azedume de cansaço. Só faltava o caixão.
Pequenino, embarque no portão da minha casa; entre: a porta tá aberta.
Embarque nas confluências das nossa conversas, que hora travam, hora estendem-se. Embarque no silêncio dos nossos olhos, que quase não se viram ainda. É feito nuvem imensa que percorre o céu donde caem gotinhas. Quando eu era pequena, achava que as nuvens choravam. Cresci e descobri que quem chorava mesmo, éramos nós.
Não houve mar suficiente pra nos deleitarmos de verdade um no outro, sentir a pele colada, o cheiro da chuva de suor que nos enrolaria.
Embarque na minha cama. Vem. Ser. Ventania.
Cadê a maré? A maré cheia de riso, de troca, ideias. Começo.
Quero um mar imenso, feito meu coração. Caminhemos sobre areia, num pôr do sol qualquer, que deixaria de ser qualquer, caso fosse nosso. Umas palavras confusas. Sim, eu já te disse, sou confusa. Tem tanta palavra aqui, tanta maré passada, tanto sal, água... Chove.
Me expresso demasiadamente e explodo. Explodo por dentro, explodo de cores, de história, de amor! De vida.
Viva.
Estou viva e você também. E estamos. E há mar!
Amemos.
Diria que
só falta o céu aberto
coragem nas mãos
coragem no pulso
coragem!
e ir
se quiser
e couber
maré.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
as constelações humanas retorcem nos vagões apertados de metrô
tosse.
gripe.
hepatite.
enxaqueca.
rinite.
sinusite.
bronquite.
astigmatismo.
miopia.
propensão a ceratocone
contorcem todos eles, amontoados respirando o ar alheio
suspiro
retorço
torcemos todos pra fugir dali, não é?
''Próxima estação, Sé. Desembarque pelo lado direito do trem''
Corre. Corre. Olha o relógio. Suspira. Evita o olhar alheio.
Segura a bolsa mais forte, assim que vê o pedinte de rua...
Logo ele vem e diz: ''ô moça, tem uma moedinha não?''
Finge que não escuta. Aperta o passo.
Escureceu.
Escureceu dentro dos olhos de todos nós. Cegueira escura, diária e transitória. Vai e vem, todo dia. Acorda. Toma café. Pega a bolsa. Entra no carro. Liga o rádio. Trânsito. Pane. Gritos por conta do cruzamento fechado.
Fecharemo-nos pra tudo que vier do outro?
Onde caberá n ó s?
Fecho a pálpebra das palavras que me fogem e dizem roucas.
Engasgadas.
Afastando-me das palavras conturbadas,
vejo que só me resta pedir
pedir encarecidamente que fiquem
que toquem
que vejam
que amem
agarrem!
o brilho imenso
do que somos juntos.
recolhe
tua palavra
e abraça
os verbos
da saudade
pra ver se assim
encolhido
na poesia
você se encontra
e resolve
achar
um verbo
que fale
sobre
seguir.
falta pão
falta água
falta luz
falta escola
dói
e não tem remédio
vazio
e não tem ninguém
vejo os olhinhos do menino
que empina a pipa lá no morro
e olha pro céu
desejando-o
tão azul
tão imenso
ele só queria
conseguir respirar
feito as nuvens lá de cima.
foto de: Gabriela Frigo
la vie
le fleur
rouge
rugiram
em mim.
terça-feira, 8 de julho de 2014
A origem da chance que baila ao vento de nós.
Um dia, talvez um dia estarei longe dos cacos de vidro, esses cacos que pungem, retos... rotos. Velhos, fortes.
Longe deles nascem flores que pululam os jardins corpóreos dos dois. Não sei, creio que sejas primaveril.
Faz menção às luzes leves em teus sonhos mais íntimos, mais risonhos.
Ah, os dois... Tão longe, e tão perto... tão certo. Incerto. Mencionemos então certa palavra que nos ajude a mimetizar a dor da saudade e nos leve pra perto de alguma coisa que nos assegure.
Ao menos um chão, onde possamos apoiar nossos pés cansados por dores de outrora...
Ao menos um norte, que, quiçá por sorte, seja nosso.
Chão, enrole nossos corpos frios e faça-nos esquentar mesmo com o vento que ruma pra todos os cantos, sem um norte a nos dar.
Vento, faça de uma onda uma motivação para seguir... só ou diferente.
Distinto, melodioso...
Sejamos vento, então...
E que dancem amores ao farfalhar das folhas pelo chão frio.
E que dancem os corpos dos amantes que descobriram que são o vento.
Insana talvez, seja a rota de nossas almas na brevidade que escolhemos à dedo...
Não seja discreta, farta flor... Desabroche, nas tais manhãs estrambólicas que almejas conhecer
e fica,
até onde quiser e tentar.
por: Iaiá Gonçalves e João Ricardo Würch Selbach
foto por: Gabriela Frigo
pelos.
penúria
de quem diz
que eles não podem estar ali.
pelos soltos
pelos livres
pelos meus
pelos seus
por nós
em liberdade corpórea.
tô cansada
de falar sobre ausências
amores passados
amores que foram
estiveram
criaram
amaram.
mas foram...
tô cansada
de falar sobre sentimentos
sentimentos que burburinham
que ficam numa inquietude
gritando: fale sobre mim poeta!
poeta?
[risos]
não vejo nenhuma poeta aqui
vejo uma moça constituída por palavras
que não sabem sair direito.
vejo palavras por todo lado
desde meu coração, até minha cabeça
mãos boca pulso
tudo!
elas estão em todo canto do meu ser
e elas brincam
fazem e refazem
conjugam amores
desfazem pavores
explodem
como as estrelas no universo.
mas não tem muito brilho não
são só palavras
puras
intactas
descoordenadas
num dia de desabafo sem rima.
pretas,
esse poema é pra vocês
sou branca
não sei.
não sei um terço do que é
machismo com racismo
opressão dupla
não sei.
mas sei de vocês
da força
do brilho
e desses cabelos que são universo
que são como flores imensas
nesse corpo tão imenso
tão seu
tão vivo
tão lindo.
muitas já morreram
muitas morrem todo dia
basta ser preto
pra pm parar
basta ser preto
pro vestibular peneirar
não tá fácil não
num mundo branco hétero-normativo
imagino que deve ser foda.
mas eu lhes digo,
tenham força
que tamo juntas
sei que é diferente
não tô igualando nada não
só tô dizendo,
que luto por vocês também.
de uma branca que não sabe poetizar, pras pretas flores dessa vida.
Cálidas são as palavras dos poetas marginais, que percorrem a rua lá de casa e me param com sorrisos enormes e palavras honestas. As palavras correm como bem entendem. As vidas escorrem pelas calçadas e alguns deles picham por aí. Colorem os muros frios e encaram as esquinas famintas.
Do que você tem fome?
Do que carece o mundo?
Vejo abraços que não se abraçam e beijos que não se beijam e vidas que não se esbarram
e
onde vamos parar?
ganhe
compre
ganhe
compre
possua isso
e aquilo
ter sobrepõe ser
seremos algo?
Por favor. Seja algo comigo. Sejamos algo em meio a essa imensidão de palavras que explodem dentro de mim e não sabem dizer coisa alguma.
Não lhe peço dias infinitos, apenas
algo que mate a minha fome
de amor.
falta pão
falta água
falta luz
falta escola
dói
e não tem remédio
vazio
e não tem ninguém
vejo os olhinhos do menino
que empina a pipa lá no morro
e olha pro céu
desejando-o
tão azul
tão imenso
ele só queria
conseguir respirar
feito as nuvens lá de cima.
dias
passam
em reprise
no corpo
da bailarina
que dança
com os pés
esfolados
o coração
enrolado
palavras
imensas
perpassam
sua boca
e gritam
gritam
gritam
sobre
dias
que
não
sabe
se são dias
ou são noites
infinitas de paz.
Caminhei quinhentos dias
E quinhentas noites, furtivamente, nesse vale
onde pessoas esquecem de caminhar
e focam-se em frivolidades
desfocam-se de si
dispersam-se... ah, quão ruim é perder o rumo.
Rumo pra onde? Por onde? E como?
De-mê um barco, flores e mar aberto, por favor.
Algo que sirva, algo que funcione
Pra abandonar a inércia junto com o desgosto de caminhar sem vontade por mares toscos. Quero mares vivos.
Mares completos.
Eu e você.
Quero cardumes de sonhos leves. Um laço. Eu, você... Nós... Nessa vivência passeamos.
Como reticências que estendem-se e dão espaço ao imaginar. A(mar). Amaremos por entre as confluências dos mares imensos desse mundo.
Amaremos de tal forma que não haverão profundidades que nos subtraiam, que nos restrinjam... Amaremos o barco, o mar, a onda, os peixes...
Diante de tal hipótese, poetizemos
e fiquemos
juntos.
-
por: Iaiá Gonçalves e João Ricardo Würch Selbach.
domingo, 6 de julho de 2014
foto por: Gabriela Frigo
as laranjas
doces-puras
pululam
os cabelos
emaranhados
enroscam
os dias passados
preveem
os dias futuros
dançam
os dias presentes
e brotam
dos fios
que crescem
e hora, cortam.
foto por: Gabriela Frigo
delicadamente
escorre sobre a pele púrpura
o sulco do talo
que percorre
a moça
fazendo-a
gritar
gemidos
incessantes
de uma voz
que goza
em poesia.
foto por: Gabriela Frigo
a flor nua
despi a moça
a flor
das mulheres
que bamboleiam
e lutam diariamente
a flor das mulheres
que oprimidas
sofrem
mas que vivas
falam
as flores são nossas
não tentem tira-las de nós!
nossos corpos
nossas regras
nossas flores
nossas vozes!
foto por: Gabriela Frigo
a flor que liberta
entre as conturbações da pele
que pulsam esbarram e correm
voltam vão e vem
feito flores na imensidão de um corpo
que vive
que morre
que chora
que ri
sendo flor
sendo eu
sendo você
o amarelo
mistura-se com o escarlate
e vira dia
o azul
mistura-se com o rubro
e vira noite
as sensações misturam-se
com os corpos
e viram vida.
sábado, 5 de julho de 2014
poema
pode precisar
pular palavras
pra prosseguir
vida
vive precisando
pular histórias
pra poetizar.
Os hospitais respiram o ar noturno enquanto os pacientes dormem o sono putrefaço de dias infinitos. Não se sabe quando sairão dali. E eu passando por entre as janelas acessas, porque lá, não há noite, nem sono real. Luzes artificiais brilham o tempo todo por sobre a face daqueles corpos que um dia dançaram e sorriram. Eles ali. Eu aqui. Vendo, de fora, o corpo que se desfalece, que escorre e desfaz. Já dizia um velho amigo: viva, porque a morte é certa.
E ele tinha razão. Estamos morrendo a cada segundo que passa. Mas podemos estar vivendo a cada segundo que passa, vivendo morrendo soa bem melhor que só morrendo.
Somos tão imensos e quando essa imensidão esbarra com a imensidão do outro, é um choque tão bonito. Dois universos, que se enxergam, que se sentem, que se amam. Ou nem precisam amar. Bastar ser corpo e entender que o outro é corpo também, corpo que pensa e possui características únicas.
Parece que as pessoas não estão mais acostumadas a receber afeto.
Eu não consigo. Não dá. Tem muito amor dentro de mim. E eu preciso canalizar ele nos universos que existem ao meu redor, nos meus textos rabiscados, nos meus passeios, encontros e desencontros.
Eu. Tô viva. E você também.
Então que possamos sentir as veias pulsando, o ar entrando nos pulmões,
os beijos
abraços
prosa e poesia
os lábios dizendo
as mãos tocando
os pés correndo
o sexo gozando
a vida cabendo
em nós.
quinta-feira, 3 de julho de 2014
medo
vamos tomar um café?
coloco uma roupa bem bonita
mãos dadas
vamos
e ainda te pago um bolo de fubá!
vai!
por favor
para de botar caraminholas
na cabeça das pessoas
e sai pra dançar com elas
um pic-nic no parque
sobe nas árvores
colhe amoras
ouve uma música
corre
pira
gira
canta
catemos
pra onde couber
e der
pra sermos.
um dia
eu sei
que você
medo,
você,
vai perder o medo de ser medo.
quarta-feira, 2 de julho de 2014
vida
vai
e
volta
constante
vida
indo
e
vindo
instante
dói
cura
sente
passa
corre
fica
vai
e
finda.
respiro
inspiro
tropeço
despeço
de ti.
respiro
suspiro
tropeço
careço
de ti.
respiro
expiro
impeço
começo
de nós.
sorrir
só ir
talvez seja uma boa maneira
de não escrever boa poesia
e ao mesmo tempo
de começar
algo que só escorre
e perpassa
o papel branco
preenchendo
um espaço
colorindo
ao redor
sorrindo
só indo
prum
lugar
melhor.
seu riso
sorri pra mim
e me faz sorrir.
ex ao menos serve
pra virar palavra
poesia
papel gotejado de tinta
rabisco
memória
arte.
ex vira arte
ao menos, por aqui.
lugar em que tudo,
absolutamente tudo que se sente
cai no papel
e respinga
explode
feito vidro estraçalhado.
ex é uma coisa estranha
expira
expõe
ex-volta
e vai
e volta
e vai
vá-se embora!
do meu papel
e das minhas palavras
que cansaram
de fantasmas literários.
ponto.
pontue-me
com reticências
e palavras-sorrisos
eu sei
que foi diferente
mas
foi um diferente bom
e diferentes bons
dão boas histórias
e boas histórias
dão boas palavras-sorrisos
então
talvez
a gente dê um poema
torto que nem esse
ou uma prosa
mais torta ainda
ou uma dança
quadro
foto
mas
eu tenho certeza
que vai ter riso
muito riso com reticências intermináveis
e dias bacanas
como hoje
e talvez
amanhã.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
vento
sopra na proa
dos barquinhos de papel
que a criança desenhou
com tinta aquarela
e saíram andando por aí
no asfalto de São Paulo.
coloriram
pedra por pedra
rosto por rosto
lixo por lixo
até que
surgiu um mar
de cores
afogando
todos os moradores
daquela cidade-concreto
e então,
ela virou
papel molhado
e tinta escorrida.
cachos
enrolam
seu cachos
se enrolam em mim
cacheiam-me
a vida
que andava tão de soslaio
conturbada
problemática
bem vida mesmo
sabe
quando ela resolve
explodir
em você?
mas aí
num suspiro
alguém surge
e tem cachos
e sorriso
e que sorriso lindo que você tem, moço!
já devo ter te dito
um zilhão de gratidão né?
mas é que
não tem palavra melhor
do que essa
pra alguém
que chega tão de leve
e fica tão de leve
e
se possível,
me beije
e bem de leve
me deixe tocar nesses seus cachos tão bonitos.
tire a sua mão do meu corpo
quando digo não!
tire as suas regras do meu corpo
sendo ele meu.
tire seus gritos esbravejantes
de cima de mim.
tire suas verdades absolutas
sobre eu ser
assim ou assado.
tire seus dizeres hostis
baseados nos padrões
que tem ensinaram.
''fiu-fiu, gostosa, ei! não quer uma chupadinha?!''
SOME.
Desaparece do meu espaço
que é meu
só meu.
PARE.
De invadir a única coisa que me resta
nesse mundo machista
e cheio de opressão.
pare de invadir
o meu corpo
meu espaço
minha fala
minha vida
minhas escolhas.
se coloque no seu lugar
e não venha com suas justificativas-mal-feitas
não é não.
e sou eu quem digo
o que sinto
o que quero
e quem eu sou!
s.f. Recordação suave e melancólica de pessoa ausente, local ou coisa distante, que se deseja voltar a ver ou possuir.
Nostalgia.
vo.cê
s.m Recordação suave e melancólica presente a tempos de distância. Longe. Nostálgico. Vivo como a saudade que sibila em palavras tortas.
Um dia, criarei meu dicionário próprio e lá estarão todas as palavras que criamos juntos. Aquelas que só existem no nosso dicionário.
Bolo de cenoura com chocolate poderia ser uma só palavra. Regina não é um nome próprio, é um substantivo que significa: moça que diz para casais que vai durar. Você lembra da Regina, daquela tarde
da gente,
e da quantidade de alegria.... e...
eu nunca vou esquecer de quando dormimos juntos.
Casais? Éramos isso?
Já faz tanto tempo.
Foi antes do outro moço. Antes e ao mesmo tempo.
Você sabe, que eu nunca esqueci de ti. Do teu riso. Do teu beijo...
do seu abraço
mas
aquelas lágrimas que trocamos juntos
foram tão estranhas
e sempre que lembro de ti
de nós
é quase como ver um retrato velho na estante empoeirada
e sorrir, de leve, quase que num suspiro
de saudade
ou
de
amor.
quarta-feira, 25 de junho de 2014
Comecei a escrever, mas queria desenhar. Deve ser porque nunca arranjarei palavras tão confortantes quanto sua companhia e talvez linhas leves de um desenho falariam melhor do que as minhas palavras tortas. Mas não sei desenhar. Pintei até meus 12 anos e quando conheci a escrita: parei. Mas também não sei escrever. Então como é que falarei para você sobre a gratidão que eu tenho pelo universo ou pelo responsável de ter te colocado em minha vida? Não deve ter nada de muito místico. Eu exagero. As pessoas aparecem e pronto, não é? Vão embora e ponto. Você vai embora? Hm. Me fala mais de você e desse seu jeito de fazer pessoas que tão doendo, sorrirem. Me fala do teu abraço. Me abraça. Desenha comigo. Escreve comigo. É que as minhas linhas são tão tortas, moço! Desde que coisas tortas ocorreram, minhas linhas estavam completamente sem rumo. Mas eu tenho uma vontade tão grande de viver, sabe? Que não dava para parar. Tem algo dentro de mim que é maior que eu mesma e que grita: continua Iaiá! Continua que a vida é grande e a morte é certa. Eu. Eu gosto de você. E de pensar em você. E de conversar com você. E rir com você. E ir com... Pera. Tá tudo bem? Ou eu tô exagerando novamente? Mas é que. Eu preciso te abraçar e ver seu sorriso de perto. E rir, como temos rido nos últimos tempos. E ir. Pra onde você quiser. Quisermos, talvez.
Permite-me que seja no plural?
segunda-feira, 23 de junho de 2014
rompi laços de confiança com o mundo
rompi desde que
opressão.
muita.
enorme.
moço, você nem faz ideia do que passei!
não tinha como não romper
fui estraçalhada por dentro
não, não foi um amor que não deu certo
não, não foi frustração
foi opressão
mesmo.
da pior possível.
porque a gente nunca espera
que a opressão venha
de quem amamos e diz que nos ama
e.
rompi.
rompi versos,
rompi palavras
rompi risos
mas eu juro
que tenho uma vontade imensa de te ver
e saber o que podemos ser
juntos
separados
perto
distante
não sei.
não sei mesmo
mas tenho vontade de arriscar
um toque,
talvez.
gosto de toques,
mas tenho tido medo deles
desde que
opressão.
umas risadas
-como essas, que têm sido, tão nossas-
mas não acredito em risadas
desde que
é.
você não sabe
porque eu não quis contar
não queria te assustar
com o susto que está
dentro de mim
desde que.
ah.
foi machismo
foi vingança
desamor
tanta coisa
das piores
que.
rompe sabe?
as palavras ficam engasgadas
meio tortas
mas eu juro
que
vou tentar
confiar
em você.
sábado, 21 de junho de 2014
'' a nossa música nunca mais tocou''
Estava parada e em um clique não estava mais. Foi só clicar ali e pronto. Estava tonta. De saudade, de raiva. Por que você fez tudo aquilo? Porque você cultivou rancor vinganças desamor? E tinha tanto amor! Você sabe como tinha.
Tinha riso e flores e lembro-me de quando você disse '' o sofrimento não tem nada haver com a gente'' Mas você estava errado. Porque eu nunca sofri tanto.
Engasgada. Sufocada. Estou assim. Sem palavra. Sem voz. Puta que pariu. Até as palavras foram-me arrancadas. Oprimida. Como nunca havia sido antes. Foi fácil não é? Quando somos homens e ex namorados , é bem fácil oprimir uma mulher.
Sem nada. Despida através das lembranças que resolvi recolher. E fui me cortando a cada palavra que eu lembrava. Mistifório do amor com a situação grotesca posterior. Por que você fez isso?
Não precisávamos. Você sabe que poderíamos ter tido um fim melhor.
Porque eu jurava
jurávamos
que o sofrimento não tinha nada haver com a gente.
será que se eu escrever
em todo os papéis das minhas gavetas
em todo o chão da minha casa
em toda parede
nas minhas roupas
no sutiã na calcinha
na coberta no lençol
no chuveiro
no meu corpo
na minha boca
nos meus seios
será que se eu escrever
em todo o canto do mundo
se eu escrever durante seis meses
-tempo que durou-
será que passa?
essa coisa
que todos
os amantes
os artistas
os passantes
que vivem,
sentem.
chorei
chorei
chorei
como nunca havia chorado antes.
doeu
doeu
doeu
como nuca havia doído antes.
aquela moça tava trajada de alegria
mas num suspiro
num fechar de olhos
veio a lembrança
maldita! maldita lembrança!
some da minha vida
some da minha mente
some do meu corpo
some do meu choro
choro
só havia isso
descompassadamente
cachoeiras caiam
e caiam
como algo que não tem fim
e embrulhavam
a alegria
de minutos atrás.
não adianta
fingir
que passou
moça,
não adianta
fingir que durou
moça, grita
grita palavras enormes esculpidas em seu coração
grita mais, grita tudo que houver
mas grita forte
pra ver se assim
alguém te escuta
e de algum forma
entenda
e diga
uma palavra
de alegria
ou de
flor.
me fala
mas me fala de verdade
o que cê tá querendo?
ou ainda não quer nada?
ou nem sabe o que querer?
me fala
por favor
me fala alguma coisa
sobre carinho
sobre a gente
sobre
conhecer
de verdade,
conhecer na essência
com riso com cor com som
-dias de prosa que não querem fim-
conhecer bem assim
como está
como estamos
me fala bem alto
dos seus medos
dos seus sonhos
dos seus beijos
me beija
me abraça
mas fica.
por favor
fica.
escreva
no concreto chamuscado
na avenida barulhenta
nas paredes tão cinzentas
nos postes
nos vidros
nas janelas
no latão de lixo
no papel de guardanapo
no caderno antigo
nas folhas de outono,
caídas pelo chão.
escreva tudo que vê
tudo que canta
tudo que gira
tudo que sente
escreva na cidade
no meu bairro
na minha rua
na minha casa
na minha cama
escreva
eu
e
você.
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Faz um tempo já
que eu conheci um poeta
chamado Pedro
Lembro-me bem de como ele chegou
bateu na porta dizendo: calma moça, sai desse moço-problema
que a vida é grande!
Faz um tempo já
que eu tento escrever
comecei a uns anos
nuns garranchos pequenos
tão descompassados como esse.
Faz um tempo
e hoje o Pedro voltou
bateu na porta
já aberta
e disse: calma moça, sai desse pessimismo-inseguro
que a vida é grande!
Faz um tempo
que eu tento fazer poesia
umas saem outras rodam
outras piram
outras, vixe!
nem sinal de poema.
mas o Pedro disse,
que a vida é grande.
ei
psiu
você mesmo
vem cá vem
quero mais palavra
quero mais encanto
quero um suspiro-doce-amante
ei
psiu
brigada
de novo
por tá aqui
por construir
umas pitadas de prosa
no meio da dor.
ei
você
você mesmo
sabe aquela rua?
sabe aquela música?
essa mesmo!
então,
bora correr
você eu
mãos
abraços
talvez um beijo
feito música-de-rua
em dias de carnaval.
Durante a noite nebulosa
os olhos cansados
dos dias frustantes
calados
imersos
em tanto
olhar que não se olha
abraço que não se abraça
braços que não se tocam
pronde vamos?
até onde aguentaremos
dias árduos sem toque-afeto-arte?
dias de cursinho
de trabalho
faculdade
curso 1 curso 2 curso 3
(faça inglês!)
isso
aquilo
e sei-lá-mais-o-que
dias academicamente-fartos
vestibular tá aí
emprego tá aí
dinheiro tá aí
escolha. faça. compre.
não pense.
nem respire
nem esbarre no outro
o outro é individualmente-só-outro
e você é individualmente-só-você
indivíduos, permitam-se
pelo amor de Deus!
joguem tudo pra cima de vez em quase sempre
esqueçam essa merda de escolher. fazer. comprar.
seja
você
seja eu
seja nós
sejamos
todos juntos,
poesia.
''A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."
[Graciliano Ramos]
Não
não há poesia estandarte por aqui
não há holofotes
que explodem
que cegam
que brilham brilham
tanto tanto
que cansam
os olhos que gostam de enxergar.
Não
não há estrela de cinema
nem estrela de tv
nem estrela de empresa
[há um brilho. um brilho pouco, que quer falar.]
Não é fácil.
Não mesmo.
Num mundo tão estrela-por-toda-parte
a gente se pergunta
se é estrela de verdade
ou estrela-estandarte
C O P A
com opressão para alguns
F I F A
federação internacional filiada à
quem?
vai ter copa sim
vai ter luta sim
vai ter tudo
grite torça
mas lembre
que tem gente que morreu
operário nem cresceu
e já tinhas uns pingos
do sangue dele
escorrido pelo gramado-pedestal
corre corre operário! faz logo que é pra amanhã!
pra hoje
pra agora
que o Brasil tá chegando!
morre.
morreram muitos.
houve bomba também
desde Junho,
vai PM bate bate! bate logo que é pra amanhã!
pra hoje
pra agora
que o Brasil tá chegando!
dói.
doeu em muitos.
Desculpe
não me pintarei de verde-amarelo
não consigo não passa não sustento
diante de tanto erro
erros de prioridades
lá perto de casa não tem casa pra todos
não tem comida pra todos
não tem saúde pra todos
não tem educação pra todos
não tem pão não tem água não tem luz
tem uns olhinhos-brilhantes dos meninos que jogam bola na rua
e sonham em ser jogador da seleção.
tem umas bandeirinhas esverdeadas sob as casas feitas de papelão
tem o seu josé com a TV pequena torcendo torcendo
como em 70
e ele sussurrava baixinho: vai brasil!
não tinha nem voz mais, pra gritar
e seus netos, assistiam todos descalços ao lado do avô
paralelamente
TV trocentas polegadas
home theater
amendoim
cerveja
churrasco
pão
água
luz
saúde
educação
unha feita
verde-amarela
muito pouco pra tantos josés
muito muito pra poucos
poucos poucos
São tantos nomes , tantos rostos, tanta gente, tanta vida, tanto tanto que nem cabe no papel.
Já deparou-se com algum momento de epifania em que a vida lhe confortava com as boas lembranças?
Quais são suas lembranças mais recentes?
Apagaria-as caso houvesse a possibilidade?
Uma. Duas. Três. Quantas lembranças cabem num corpo que ama?
Que dança, que vibra, que grita: v i d a a a a a a a a a a a a a
Explode(?)
Escancaram-se as lembranças dentro de nós e ficam todas ali embaralhadas num mistifório de cores e odores e sentidos.
lembro-me bem de quando você sorriu pela primeira vez pra mim.
lembro-me bem do meu primeiro tombo quando aprendia a andar de bicicleta
lembro do chá de camomila numa noite de frio
lembro lembro perco lembro
onde está?
ainda está aí? volta volta! não fuja não
que eu te quero concreta, quero sentir novamente e conseguir segurar esse filete que perpassa nossas mentes
e vai
pra tão tão longe
e quando volta a gente abraça com medo de perder
novamente.
-------------------------------------------------
trilha sonora e fotografia do filme: Brilho eterno de uma mente sem lembranças.
[muito bom, por sinal. super indico ♥]
sábado, 14 de junho de 2014
Se eu não escrever
explodo
Se eu não amar
emudeço
Se eu não seguir
paro
Se eu não souber como,
grito
grito
grito
se eu não me achar
nem nas palavras que escorrem
percorrem meu ser
como prosseguir?
faço poesia-mal-feita
pra gritar bem alto
bem claro
tudo tudo
que vier
lá de dentro
daquele lugar escondido que todos temos
da onde brotam as lágrimas
e as paixões
que por aqui, são todas sem métrica
sem tempo
passam-uma-por-cima-da-outra
poesia
dá-me espaço
pra suspir(ar)
nesse tanto de vida
que tira todas as peças de roupa
e deixa o frio contornando a face
arrepiando-me os pelos
arrancando tudo
restando somente eucorpo coração e palavra.
Deliberado pelo universo que ali se encontrariam, lá estavam. Duas carteiras, uma atrás da outra, divididas pelas vozes dos outros que sorriam e falavam sem parar. As moças, não sabiam que ia brotar amor.
Nunca souberam de nada, pra falar a verdade. Nada cuidadosamente concreto sobre o mundo. Nada sobre ir embora.
Não dava.
Daquelas tardes de ensino médio surgiram as mais belas histórias, os maiores abraços quando haviam lágrimas. E os risos tão grandes tão vivos. Tanta coisa. Você sabe.
Mas o que fazer quando a linha que amarra e torna real balança e a cada batida do vento, ameaça sumir?
Impotente. Me sinto impotente por não escutar.
Não devia ser assim.
Tá tudo tão errado
embaralho
que nem saí direito.
Palavras palavras palavras, parece que é só isso mesmo que cabe em mim, não é?
Enquanto teu silêncio cobre os espaços quase que ensurdecedores das histórias que nunca acabam, que nunca param pra ouvir.
Ver. Sei que parece que não, mas eu te vejo, enxergo cada partezinha da tua vontade de fazer dar certo e das tuas magoas que enchem potes. Eu te amo, moça. Eu te amo demais
e eu vou fazer de tudo pra concertar isso
porque não é sempre que a vida nos cede irmãs.
Estou farta dos laços rasgados, dos que vão.......
como os pontos que escorrem nesse texto-mal-feito.
Não consigo pontuar muita coisa
e tem lágrima demais que não querem sair. -acho que é do medo, de perder.-
Mas eu te juro. Eu te juro que essa não é uma história de pessoas que se vão.
percebi que mesmo nas confluências aquosas e salgadas há espaço pro tintilar dos sons amenos e honestamente bons. os olhos marejados -nem tão passados- pedem que eu escreva sobre essa leve doçura que percorre tuas palavras, essa leve forma de saber rir e r(irmos).
tem algo aqui dentro que aproxima e emana energia translúcida desde que as prosas começaram.
doçura foi uma palavra bem ruim
na verdade acho que algodão cairia melhor
diante de tanta confusão que aqui se passava, e tanta dor. tanta. tanta. é.
você nem sabe da metade.
e quando lhe mostrei os textos, não perguntou
e isso
nossa
alivia. sabe. sem perguntas sobre assuntos ruins. sem conversas cansativas sobre dias cansativos.
aí quando tu vê
o machismo, a escrotice, o sem carátismo, a opressão pesada, a vingança-sem-sentido, o ódio, as palavras estupidamente grosseiras, a opressão virtualmente e pessoalmente, a exposição da vítima e todas as formas que o imbecil conseguir de destruir com a tua sanidade mental e emocional podem vir da pessoa que tu mais amava.
aí quando tu vê
você pode ser a vítima de toda essas merdas.
e cê percebe que isso tudo não é histórinha de filme. que quando você menos imagina, as pessoas deixam transparecer o lado mais grotesco e pútrido que possuem. e oprimem da pior forma que puderem fazer. e sentem prazer nisso. e ainda conseguem se safar e sair como inocentes, diante da merda toda que fizeram.
nunca soube o que seria ter que cogitar ir à delegacia da mulher.
nunca soube o que era alguém que dizia te amar, tentar destruir tudo de mais bonito que tu possuí.
nunca senti na pele a opressão provinda de alguém que tu confiava mais que tudo nesse mundo.
e sentir os olhos marejando. e sentir o coração na mão.
e.
dói.
dói demais.
sábado, 31 de maio de 2014
Cuspia numa tigela suja de catarro, pútrida, cheia de vermes, feito tua boca, da onde saíram tantas mentiras e tanta opressão. Meu peito se enchia de lágrima, de água, de dor. E formavam-se bolhas, que estouravam, uma por uma, sempre que lembrava das imagens, das palavras, do machismo pulsante em cada parte.
Das ameaças. Dos dizeres conjugados com ácido estomacal. Chame a polícia. Chame mais um grupo de cretinos opressores pra te defender.
Chame os vermes que percorrem as esquinas.
Chame quem quiser
que a putaria já é tamanha mesmo, faça ela ser compatível ao teu caráter de merda, porque é bem do seu feitio. Seu merda.
Nunca mais rele um dedo em mim, que eu tenho nojo dessas mãos que um dia me tocaram. Eu tenho nojo do teu beijo. Do teu olho. Do teu corpo.
Não sei como pode caber tanta raiva, tanta loucura.
Cego. Você só pode ter cegado. Sinto de longe a água destilada misturada com álcool caindo sobre seus olhos semi-abertos e entrando em sua boca da onde vinham os rumores gritos horrores
some
some das minhas palavras. do meu passado. do meu coração.
que isso não é amor
isso é insanidade
doença
some
e vai ser doente longe de mim.
domingo, 25 de maio de 2014
Não dava pra ir dormir, sem falar a respeito dos girassóis. Sabe moço, acho que cansei da poesia, hoje vou tentar, numa prosa curta (e grossa. digo. grosseiramente sem jeito) te dizer o que se passa. Anabella adorava dias honestos com luzes e bandolins. Você sabe. Sempre soube. Dos olhos gigantes e das rodas gigantes com sabor de céu. Seu beijo, me contaram, que seu beijo tinha gosto de lágrima. Lágrima sem sal. Lágrimas doces e translúcidas. Anabella se afagava com músicas efêmeras e risos partilhados em dias de parque. Mas ela nunca deixou de te amar. Porque tem algo dentro dela que é de uma imensidão absurda. Onde cabe cada pedaço de carta rasgada, fotos antigas e corpos. Elas sempre (des)ajeita tudo dentro de um corpo que não se sabem mais os poetas se era corpo ou palavras, todas amontoadas junto ao vidrinho de aquarela que explodiu. Anabella era meio Olívia, meio Maria, meio Joana. Meio mulher. Meio moça. Meio vida.
Meia vida é quanto?
Vai me cobrar pra viver? Ou os gastos com sapatos de cristais já não bastaram?
Não tenho pé pra sapato de cristal.
Não moro em castelo.
Não sou Anabella.
Mas sei das dores dela
e das palavras todas grandes querendo sair. quase. quase rasgam-lhe a garganta
pra gritar sobre saudade e olhares que ficam.
ah. e o girassóis. sim. um dia amarrarei eles em fita e lhe entregarei junto a um beijo
sem sabor de lágrima.
e ainda te ajudo a explodir um potinho de aquarela
e quebrar sapatos de cristal.
sexta-feira, 23 de maio de 2014
pontuei
parte de ti
juro que fiz
de tudo
pra esquecer
os pontos que tu perdeu comigo.
mas tem algo dentro de mim
que me mostra e estanca
sempre que ouço sua voz
e lembro-me dos teus lábios-tão-bons
pare de pontuar tua vida, moço
você chega a se afogar
e leva os outros junto
nesse teu emaranhado de desilusões
e desistências
e
você sabe. que eu gosto do teu sorriso.
tenta deixar ao menos
que ele pontue.
pare
por um segundo
de ter gosto de lágrima.
me disseram que tem algo dentro da gente que não para e não rompe nem acaba
algo que pisca pisca pisca, feito as luzes de natal numa praça bonita. algo que lembra de se molhar na chuva e secar deitado na grama ao sol do fim de tarde. algo que dá abraços apertados que limpam lágrimas. algo que é imenso e profundamente simples.
algo que nos torna
nos compacta
nos envolve
e fica.
algo bem perto de amor
mas é mais
porque mesmo quando o amor dói
há um empurrãozinho
que vai dizer bem de leve:
corre
que a vida é grande demais
feito você.
domingo, 18 de maio de 2014
''Eu protegi o teu nome por amor
Em um codinome, Beija-flor''
Em um pequeno papel de retalhos, onde a costura começou a seis meses atrás, me vi re-olhando, re-escrevendo, re-vivendo cada partezinha daquela costura bonita. Cada palavra que organicamente saía e esbarrava com a sua, e mesmo que tão diferentes, se encontravam e sabiam dizer tudo o que coubesse. Cada beijo saborosamente vivo. Cada abraço acalentador.
E no dia, que choveu demais, cê me ajudou a não afogar.
E no dia.
No dia que eu resolvi ir.
Retalhos sumiram, retalhada fiquei.
Porque eu nunca soube aguentar muito as coisas.
Você sabe. Sabe como é a confusão interna dos poetas que amam demais.
Então me diz, por que pra tão longe?
Onde não cabem mares de noites viradas, filmes de baixo da coberta, sorrisos sinceros sobre nós.
Há um fio da vida que parece que sempre vai tornar caótico os laços dos amantes que gostariam de estar juntos. e pra onde irá esse amor imenso que pulsa em nós?
Pra que cais irão as palavras sofridas
que ficam aqui
pensando
em como dizer.
Pra onde você vai?
Porque eu sei. Parece que eu fui. Mas decisões dizem tão menos
que as reais sensações internas.
Tão menos que os suspiros de saudade.
Tão menos que a vontade de estar.
Quando eu disse que acabou
foi por mal
não cabia
faltava ar
diante de tantas pessoas e vidas e amores e dores cansadas caladas , com crises de ansiedade.
você sabe.
você soube.
soube como foi
aquela madrugada
no hospital
pode ter certeza
que nunca, nunca houve tanto cuidado. nunca alguém me amou assim.
sei que tão descompassadas e completamente avoadas, essas palavras, tão iaiá, tão sem jeito. mas tão aqui.
beija flor, não criarei codinomes dos meus sentimentos, nem resguardarei tudo que posso dizer é
fica.
tem um batuque
dentro do meu coração
que faz barulho
sempre que eu lembro
da quantidade de sorrisos diferentes.
piscam olhos
beijam bocas
eu gosto do teu abraço
e gosto do dele também
e de todos os outros
mas é tudo tão único
tão esparso
tanta poesia
que sai de mim,
que até parece igual
mas eu te juro
que tem uma palavra
que muda
sempre
e uma que permanece.
que diabos de poesia é essa
que fala tanto de amor
e tanto de gente
e tanto de mim
pois é poesia
poesie-se por si só
porque hoje
palavras suspiraram
bem de leve
só pra lembrar
que estão vivas.
-mesmo que aos rabiscos.-
segunda-feira, 5 de maio de 2014
A moça rodopiava por entre todos os cacos que lhe perfuravam a pele e corria sem parar ao som da música que martelava em sua cabeça tonta de amor bêbada de risos antigos e roupas tiradas e pessoas e ele aquele o outro
tudo misturado encharcado
cuspia palavras pra ver se assim saía toda aquela dor absurda
sem pontos sem vírgulas
sem nada
nua de cor
de riso
só sobrava os cacos
do namoro que ela terminou
do moço que surgiu
do outro que foi (há tempos)
um. dois. três. quatro. outros. muitos.
tanta gente pra pouco coração.
tanto coração pra tanta gente.
eu devo ter dois corações
ou quatro
ou um espaço de mar
dentro de mim
que apita toda vez
que amo
e encharca-me o corpo
e os cabelos que cortarei
e os seios beijados
as mãos que toquei
e cada pitada do amor que explode entre as veias dos transeuntes que passam por aqui. e minhas veias saltitadas expelindo todo sangue do mundo, traduzindo as palavras que não saem.
suspirando
sobre bocas
cálidas
cantarolando
timbres noturnos
numa dança que não tem fim
encarando
cada pitada do meu ser
e entendendo como é que fica o amor
quando se deixa
e se segue
e se encontra
outro(s)
e remexe
toda a bagunça
lá de dentro
lá dos pulsos
que explodem
acolhem
todo o sangue interno
que morre vive morre vive
expulsa
toda dor
todo amor
que há num dia
de nova(s) ida(s)
onde cabe toda a paz do mundo.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
é que a iaiá
é feito cor
feito dor
feito amor
é que a iaiá
se joga na ventania
ia ia ia
iaiá
toda enrolada
desajeitada
cheia de tudo um pouco dentro de si.
e sempre foi tanto
tanta palavra tanto vento
tanta gente
tudo num balaio dançante
explosão de vida.
-às vezes, quando dói demais, iaiá acha que vai morrer-
mas aí
vem a arte
e aquelas pessoas que abraçam
e me mostram que eu sempre estive aqui.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Pressão
feito panela que estoura bem na boca do fogão
feito história que logo no esboço explode
em pedacinhos de coração cru
sem açúcar
nem poesia
só pressão
distanciando o que podia ficar.
sobre danças conjuntas
que embarcam
delicadamente
na pele porosa e cansada
dos dias infinitos,
corrompidos
por tanta gente
e vida
que nem cabe no poema.
as danças
sobrepõem
cada corpo
tocando levemente
o sexo da menina.
dançando
na pele alheia
correndo
e tragando
todo o fôlego
escarlate
de tão bonito.
Dez-e-nove. Dezenove. Um dia pra tanta idade. Pronde foram as bonecas de pano? E as idas ao gramado central onde podia se jogar no chão?
E os sorrisos coloridos espaçosos cheios de rima?
Iria então desvendar as absolutas certezas que não diziam nada? Ou proferir as incertezas pro mundo e agarrar com toda força qualquer pitada de ar.
Seus olhos marejados diziam sobre o amor que não cabia dentro dela e a vida que explodia pelas têmperas e percorria todo o corpo. Corpo forte e frágil, donde provinha todas as belezas confortáveis e dispostas a ser. Seremos?
Sermos.
Não temos mais medo da morte, desde que o filme mostrou delicadamente que não precisava ser tão ruim assim. Não tenho mais medo da vida. Engoli tanta vida de uma vez só, que engasguei.
Dezenove vidas dentro de mim, costuradas e pulsantes.
Dizem por aí, que os gatos têm sete.
Eu tenho trocentas cantorias de bandolim, daquelas que reverberam e exaltam cada partezinha do meu ser. E ficam.
E vão.
Estão.
donde foi
que vieste
tanta cor
rubra e doce
feito bala
lá do seu Joaquim
donde foi
que tu veio?
diga-me
pronde é que tu vai?
dentre tantas conexões
esmeras
quimeras
virtuais
há espaço
pra ser
ermos?
erro.
de digitação
perdão.
tinha uma caixinha
velha despida
.entre poeiras.
toda acinzentada
uma foto três por quatro
uns bilhetes de metrô
shows cinemas teatros
batom borrado
quinquilharias
segundo minha mãe.
ela tava lá
toda jeitosa
sendo caixa
parada
no meio da frenética
dança da vida
que tem percorrido veias
e esculpido incertezas
clarões de sensações
todas inteiramente minhas
mesclado com sabor de algodão
doce
amargo
tudo
tudo junto
aqui
num espaço
Havia uma cidade de pedra esculpida pelas mãos de corpos extremamentes
encharcados, de amores que sugaram, vínculos que findaram, vidas que
passaram. Flores e açoites. Cada pedaço que vem e vai. Constituiremos
então um emaranhado de corpos frustados? Ou haverá espaço pra um sorriso
ao desconhecido? Um vontade de entrelaçar-se com o outro e sentir uma
pitada de qualquer doçura passarinho que seja. Me digam. Peço
encarecidamente aos poetas de duas mãos e todo o sentimento do mundo:
Haverá espaço para compreender a existência de um Outro? Que sente, que
come (ou não), que vive; porra. Que suja. Que limpa. Que banca e tenta
cuidar das barrigas famintas, sofridas, caladas.
Poderíamos por gentileza abrir mão, mesmo que minimamente, do nosso eu-individualismo-confortabilíssimo-em-mim?
Não sei muito sobre bons textos, nem sobre palavras esclarecidas. Sei
sobre transtornos de ansiedade, sobre bocas de saudade, dias encolhidos
ao som da chuva numa cama de solteiro .nós dois.
Mas.
Onde.
Onde foi parar o pão desse mundo?
O problema não é ser rico. O problema é ser rico e não se assumir como
fodidamente-privilegiado. O problema não é minha saia. O problema é seu
machismo invasivo.
"Ah moça, mas aí já é vandalismo.''
''Vandalismo teu cu!''
Dois. Dois erros.
Três.
Quatro.
Cinco.
Seis.
Sete.
Sete bocas pra comer. 5 vidas pra viver. 2 vidas pra amar.
Sete dias são suficientes pra se reestabelecer com o mundo?
Saramago já dizia, que somos cegos, cegos que vendo, não veem.
Saramago diria sete vezes:
amor.
sábado, 19 de abril de 2014
nem mesmo as palavras têm dado espaço pro corpo translúcido em emoções corpóreas externas confusas nem mesmo as palavras saem mais sem eira nem beira pra conseguir evidenciar a dor interna das paixões da vida que não cabe dentro de mim que explode aos cacos conforme me vem qualquer pitada de reflexão.
nem mesmo as palavras sabem mais se é prosa ou poema se é vida ou se é morte se é isso ou se é aquilo
eu não sei mais de mim nem do chão que devia existir ou do meu amor que explode extende-se por tudo e emaranha
dorme dorme dorme Iaiá pra ver se o timbre das canções de ninar tocam-lhe a alma e lhe abraçam como aos cinco anos em que as mães ainda afagavam.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Quando brotam as gotículas de sangue amargo, da pele surrupiada pelo dia-a-dia, do rosto costurado feito o coração que desmanchou-se tantas vezes. Das pernas artificiais que se arrastam pelo concreto mundano, donde exala o suor fétido dos transeuntes, a fome dos que tem boca, o medo. O medo que brilha nos olhos do mundo. O medo de permitir que o outro adentre e dispa suas certezas e te encha de amor.
A insistência em proferir as mais sórdidas palavras quando tudo está doendo. Ausência. Essência.
Essencialmente dores.
Odores.
Amores perdidos no meio da onda de corpos que esbarram
e cruzam
e torcem
retorcem
vão e vem
''Vendem-se corações mastigados pelo mundo.'' leu a menina na placa da rua direita
Via a vitrine transparente com um monte de corações pendurados, pingando sangue, cheirando a podre. Pútrido feito o mundo.
O mundo dos que desistem
de amar.
Costurada na roldana da vida, pensou se comendo aqueles corações crus algo aconteceria. Pensou em como preencher aquele vácuo, aquela fome, aquele corpo que só era água salgada. Pensou. E nada viu, nada além dos olhares que não gostam de se esbarrar, as promessas que não são cumpridas, as catracas cada vez mais evidentes, as opressões pulsantes diariamente. A vida.
Não conseguia ver nada além da vida daqueles que na tentativa falha de tentar viver
morriam.