quinta-feira, 12 de setembro de 2013

para ouvir ao ler: http://www.youtube.com/watch?v=CBEAaKcnNRg

''É como esquecer a letra da sua música favorita.''

-

Olívia pela primeira vez lidou com a falta, porque ela de fato existia. E nas andanças corridas da vida dessa menina cheia de amor, pela primeira vez, ela de fato consumou o Adeus.
Estava sentada com aquela montanha de folhas -todas suas produções artísticas que faziam parte do período desde a paixão até a dor, especificamente: de janeiro a setembro- e esperava ele chegar. Haviam combinado às catorze horas. ''Mas ele sempre atrasa'' , pensava ela. E voltava a folhear todos aqueles papeis. Era uma e meia, horário em que Otávio chegou; Olívia mesmo que bastante surpresa com seu adiantamento cumprimentou-o naturalmente. Tudo borbulhava dentro dela, não sabia como contar o que consumaria o fim. Estava estudando tragédia grega na semana do término, e pensava com seus botões o quão trágico seria aquela situação. Encarava aquela boca que tanto lhe pertencerá, aquele corpo, aqueles olhos... Ah, aqueles olhos!
Olívia sentia-se perdida, tinha vontade de abrir um buraco e se enfiar e sumir e ir pra bem longe. E.
Ele olhou para ela e disse: - Oi. Bem? Hmm, conte-me o que tem para me contar.
Olívia disse que sentiria-se melhor se eles conversassem sobre como andavam as coisas para cada um e que preferia dizer o motivo pelo qual estava ali na hora deles irem embora. Otávio começou a falar sobre seu preparatório para o maldito vestibular. Olívia falou sobre sua vida frenética da universidade e mais trocentas outras coisas que lhe faziam esquivar-se do motivo real que a levou até ali; doía por dentro só de pensar em como enunciaria todas as palavras que romperiam com qualquer coisa posterior. 
Foram palavras atrás de palavras e sorrisos. 
Até que o moço virou e disse: -Conta.
Pegou a caneta que estava na mesa e começou a riscar a garota. Fizeram algumas brincadeiras e sempre que havia alguma pausa ele soltava um: Conta. Conta. Conta.
Olívia virou-se e perguntou: -Você não faz ideia do que seja?
Otávio sorriu e disse: -Ah, eu imagino, mas prefiro não chutar nada. -O sorriso denunciava que se ele imaginava alguma coisa, com toda certeza, não era o que a garota tinha para contar-

Olívia respirou fundo e desabou, desaglutinou sentenças e desfez a angústia, mas ao mesmo tempo concretizou a tristeza. Foi falando e falando e a cada palavra pronunciada, uma lágrima se escondia dentro de Otávio.Talvez não esteja em minhas mãos contar o que Olívia disse, mas eu vos digo: Ela tinha um fato para contar e o faria por sinceridade consigo mesma, e talvez, inconscientemente por vingança à quantidades de dores que Otávio lhe fez passar em um ano. O ponto é que esse texto mal feito não é para tratar do que Olívia disse e sim do resultado de sua ação.

- Estou puto com todos. Inclusive, com ele. Mas infelizmente, minha Olívia, não consigo me magoar contigo. Na verdade, eu nunca sei bem o que te falar. E nossa, eu...

Olívia não sabia o que dizer, queria que ele a odiasse por ter feito aquilo e estar te contando.

-Você o achava bacana?

- Er, um pouco. -hesitou Olívia- Na verdade, bastante.

Otávio com a maior feição de indignação proferiu um: - Ele é um saco. E não, ele não é maduro. E...

Um. Dois. Suspiros.

Calaram-se, ficaram em torno de vinte minutos encarando um ao outro, Olívia enfiou a cabeça na mesa sobre os braços cruzados e engoliu todo o choro. Otávio abraçou-a bem forte. Catarse. Foi exatamente isso que a garota sentiu: Catarse.

Três. Suspiros.

-Vou embora.

-O que?

-Minha cabeça estava doendo muito antes de vir pra cá , tinha passado, mas agora ela voltou a doer absurdamente. A melhor coisa que faço é ir para casa.

Otávio abraçou Olívia e ficaram ali por um bom tempo. Ela pegou o envelope com vinte e duas folhas de escritos, e entregou pra ele. Na capa do envelope marrom havia escrito com letras meio tortas:

''Quando não tenho mais nada para dar pra alguém,
dou palavras.

Feliz aniversário.
2013

Olivia.''

Nesse dia Olívia roubou uma foto 3x4 de Otávio, para guardar na caixinha de lembranças dela, e colocando-a ali, simbolicamente guardaria teu amor passado. Nesse dia Otávio levou teus escritos e tuas falas. Nesse dia uma montanha de lágrimas se consumou dentro daquele (casal). Nesse dia, ele continuou engavetando o que sentia e Oli continuou seu percurso pelos ladrilhos cheio de amor -cortantes, mas que lhe cediam energia- 

Nesse dia, depois de um ano de andanças e confusões, eles não precisaram dizer nada para enunciar o ponto final, porque eles sabiam que o que Oli tinha lhe dito naquele dia era suficiente para 


Fim.
Queria fazer um conto, mas não tenho paciência nem estilo pra isso no momento. Acho que é por isso que nunca escrevo contos, porque meus escritos acabam se tornando desabafos momentâneos do que se sente e se pensa.
Cansei sabe.
Daquele homem trajado de bebida.
Cansei sabe.
Faz 18 anos. 18 anos de muita andança, e muita luta. Agrura latente, de lábios familiares, que se cansaram com o tempo. Cansaram de dizer.
Essa sua bebida de merda que só trazem problemas dia pós dia.
Já não basta a quantidade de coisas que temos para acertar?
E aí me vem, mais esse problema, que parece que estagnou e não largou mais de ti. Admiro-te, mas não sob efeito do álcool. 
Não vejo mais nada além dos meros ditos pútridos que saem de tua boca.
Não é mais homem.
É carniça e robusta falta de ser.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

uma foto minha,


Tudo Novo de Novo



"Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim

Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim

É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou

E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou

Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos"

por Paulinho Moska.

Fim

s.m. O que termina; extremidade no tempo e no espaço: o fim do ano; o fim de um livro. / Cessação: o fim de uma luta. / Morte, desaparecimento: sentir chegar o fim. / Termo, objetivo para o qual se tende; intenção: alcançar seus fins. / Destino: o fim do homem. // Pôr fim a, terminar, concluir. // &151; loc. prep. A fim de, com a intenção de, para. // &151; loc. adv. Por fim, finalmente.

-
Hoje acabou. Não há palavra pra pronunciar. Postulamos o fim, sem ao menos dizer: Acabou.
Sabíamos, que sim, acabaria, qualquer resquício de qualquer coisa que nos tornasse dois. 
E veja só, findou-se. Findou-se! 
Estou sem palavras. 

Não há nada dentro de mim.

Vazio preenchido por catarse. Catarse preenchida de vazio.

Espero que tenhamos de fato, vivido tudo que havia para viver.


lidarei com meu amor ou umas cositas mais... E terei o aval de que corações me acalentarão nessa coisa de prosseguir diante do fim. E cuidarão de mim. E me ajudarão, porque é isso que os amigos fazem. Cuida de ti, moço, cuida de ti, porque não poderei mais fazer isso e olha , ah, essas palavras voltando novamente...

Sinto muito, moço. Por nós.

e até mesmo, pelos fins de meus leitores.

Por Este Rio


Uma linda música! Que vale a pena escutar, hm.

''Aqui estamos presos por este rio
Você e eu, abaixo do céu
Que sempre cai, cai cai
Sempre cai

Ao longo do dia como em um oceano
Esperando aqui, sempre deixando de lembrar
Porque nós voltamos, voltamos, voltamos
Eu me pergunto por que nós voltamos

Você fala comigo como se estivesse longe
E eu te respondo com a impressões escolhidas
De outro tempo, tempo, tempo
De outro tempo.''
"As pessoas falam coisas, e por trás do que falam há o que sentem, e por trás do que sentem há o que são e nem sempre se mostra”.

Caio Fernando Abreu 
em Morangos Mofados .

sábado, 7 de setembro de 2013

besteirol , ou não.

Eu desativei o facebook e foi ai que me tomei conta de como a nossa geração é uma geração cibernética. 
Ai eu comecei a reler e-mails antigos e nossa, que nostalgia!
Não sei como me sinto e sei que embora esse blog não seja um diário (aliás, não tenho paciência pra diários, rs), mas esse blog com 285 postagens é quase um reflexo da minha vida, nossa, tem tanta coisa aqui! Tanto tanto! É quase um livro, que conta a história da Iaiá. E acho que é isso que me levou a escrever hoje, não tô aqui pra escrever um texto bonito, ou falar sobre o que penso de forma poética, eu só precisava de um espaço pra conversar com o mundo. Tenho me sentido perdida, desde que você foi embora.
Mas acontece.
A gente anda e perde e continua. 
Até aparecer algo novo pra acalentar o coração.

Provavelmente esse blog já se tornou mais que um espaço de textos literários e sim um espaço de desabafo com o mundo. Mas entre contos, e poemas, e textos líricos , entre tudo isso, espero que eu tenha um espaço, mesmo que pequenino

pra escrever besteiras.
como esse aqui.

Diria que esse blog que às vezes me traz a sensação de vulnerabilidade , têm textos sobre todos meus amores, sobre meu passado, sobre isso sobre aquilo. Sobre uma vida que precisa de palavras para continuar.

Obrigada. Obrigada aos leitores (se é que tenho algum, rs) por acreditarem nas palavras. Por acreditarem nas demasiadas formas de arte que nos escapam pelas mãos.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Um texto a uma pequena moça criança.


para ouvir lendo: http://letras.mus.br/cicero/1934000/

''Ainda não fazem pessoas de algodão
Ainda não fazem pessoas que enxuguem
Suas próprias
Mágoas''

Ainda não fazem rodas gigantes que nos leve até o céu. Ainda não fazem moços e moças que se dão bem pra sempre. Ainda não fazem purpurina de graça. Ainda não fazem a máquina do tempo. Ainda não fazem alegria a toda hora. Ainda não fazem problemas sumirem com apenas um sinal de cansaço. Ainda não fazem.
Ah , ainda não fazem!

Mas fazem certezas em meio ao incerto. Fazem pessoas boas, fazem felicidades em meio a tristezas, fazem caretas e cores. Fazem um mundo maluco e fazem pessoas e nessas pessoas se faz muito amor. E nesse amor se faz alegria. Energia que enebria a alma.
Se faz criança, dona Mah.
Que tem muita coisa pra se ver! Pra viver.
Se faz criança, porque és, és na flor da nova idade, onde quase tudo pode-se fazer. Desde rir, até crescer.
Faz feliz.
Faz cidade.
Faz sorriso.
Faz desenho.
Faz de tudo, uma nova ida.

Faz de tudo, que lhe der no coração!

E que se possa fazer comigo. Contar comigo.
Sempre que eu puder

fazer algo, por ti.
Quero me chamar Olívia.
Quero ir pra Olinda.
Quero saber poetizar.
Quero esquecer Otávio.

Quero viver de flores
quero dançar amores
quero afastar-me da dor
ou viver a dor
e lidar com a dor

Quero querer menos
E viver mais.

Quero aprender a me achar
no meio da frenética e pulsante
dança em que me arranjo
todos os dias.

Olívia, vem cá.
Vem fazer de mim nova moça.
Vem fazer parte do pseudônimo
criado
pra
tentar
dizer.

Olívia, vem.
Vem fazer parte de Iaiá.
Vem cantar os clarins de todas as manhãs.
E vem apagar as dores passadas que Otávio causou.

Olívia, digo que sou você
e você diz que sou eu
e seremos uma só
mimetizadas em palavras

e as palavras
ah, as palavras!
um dias essas lindas sorrateiras
palavras

tomaram conta de nós.

''Me fiz em mil pedaços pra você juntar e queria sempre achar explicação pra o que eu sentia''



para ouvir ao ler: http://www.youtube.com/watch?v=J_XUaH0Tmck

Nascida dos cacos de concupiscência que atrelavam-se a vontade de dizer tudo o que se sentia.
Até hoje -deparada com todos os cacos- me pergunto se fomos mesmo só dois corpos que queriam estar ali ou se havia algo místico que permitiu tudo aquilo. Pergunto-me até quando escreverei sobre você?
Até quando haverão palavras para perpassarem minha boca e dizer ao mundo resquícios da nossa história. história?

Até quando propulsará aqui dentro essa vontade maluca de retornar ao passado e sentir aquelas mãos novamente  sobre mim, e nossas palavras e planos e dias felizes cheios de agradáveis risadas, que o tempo resolveu calar. 
E as nossas idas e vindas. Oh céus, lembro-me de cada passo, cada dito, cada sorriso. 
É como um filme que retorna em minha mente sempre que bate a saudade e a preocupação diante das confusões em que você se enfia. Não engavete amor! Quantas vezes precisarei repetir isso a ti?

Nossa primeira conversa foi sobre torrões de açúcar. Lembro-me de morrer de rir com o fato de que eu estava conversando com um cara que usava uma lhama na foto de perfil. Não sei quantas mil mensagens. É, eu nem imaginava que ia dar naquilo tudo. Muito menos que ia dar nisso tudo, aqui dentro de mim.

Nossa primeira conversa.
Nossa primeira certeza.

Pois é. Num mundo tão incerto, não é fácil esquecer suas primeiras certezas de amor. Ou seja lá qual o nome ou palavra o universo queira dar pro sentimento vivido. 

Lembro-me da primeira vez que a sensação de perda tocou-me de perto. Estávamos sentados numa praça, depois de ter tomado muita chuva, abriu aquele solzin de fim de tarde, de pós-chuva, eu estava sentada na sua frente, tagarelando sem parar -como sempre (risos)- Você me olhou e disse:
-Vem cá. Está muito longe. 
Abraçou-me, puxou-me para perto do teu peito. Nos beijamos. Ainda sentia os resquícios de chuva nos fios do teu cabelo. Você se esquivou um pouquinho e minha memória não recorda se disse algo, somente lembro daqueles olhos castanhos fitando-me e da tua boca cantando "Quase sem querer'' do Legião. Comecei a cantar contigo. Lembro da minha mão direita sobre seu joelho e meus dedos acompanhando o ritmo da música.

- Tenho andado distraído,
impaciente e indeciso,
ainda estou confuso só que agora é diferente
tô tão tranquilo e tão contente.

(...)

-Me disseram que você, estava chorando! E foi então que eu percebi, como te quero tanto!

Meus olhos da forma mais discreta possível, enxeram-se de lágrimas. Você não reparou. Continuamos a cantar e nossas vozes cessavam quando nossos lábios pediam para se tocarem.
Foi exatamente nesse momento que bateu-me aquela tristeza momentânea, pois lembrei do ''o pra sempre, sempre acaba'' da Cássia Eller. Piegas tudo isso, não? Mas não tinha como fingir que em meio a tanta vontade de dizer não saísse a mais sincera pieguice do mundo.

Não sei como terminar esse texto. Não sei nem como ele começou. Assim como não sei qual foi nosso ponto final. Assim como não faço ideia de quando é que sentirei-me tão inteira novamente perto de alguém.

Tá faltando um pedaço de mim.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Sobre o Congresso da UNE.

Boa tarde, galerë do Juntos! e todos os outros que estão lendo isso aqui. Curso Letras – USP e venho aqui relatar a minha experiência como caloura de São Paulo no meu primeiro CONUNE. Primeiramente gostaria de agradecer pela garra que cada um aqui teve, pela força de seguir sempre em frente, apesar dos pesares. 

Diria que fiquei emocionada com aquela bancada vermelha que vem crescendo cada dia mais, e mais emocionada ainda por ter encontrado o lugar certo pra atuar politicamente. Como já disse várias vezes (até mesmo na plenária do Juntos no congresso) o contato mais próximo que eu tive com movimento estudantil foi no Ensino Médio que cursei na ETEC Guaracy Silveira, e embora já tivesse uma grande noção da conjuntura politica brasileira nunca achei que fosse encontrar um coletivo no qual eu me identificasse tanto. 

Queria relembrar o que muitos companheiros já disseram aqui: Não importa a quantidade de crachás amarelos que a UJS levantou, números pra mim pouco importam quando vejo uma unificação de pessoas que vão contra essa entidade completamente atrelada ao governo, entidade que leva pessoas ao congresso de forma completamente despolitizada convidando-as para festas. Cadê a UNE nas ruas? É dessa entidade que falo, essa que não temos medo de dizer que: NÃO NOS REPRESENTA. 

Ver a bancada da oposição tão cheia só me deu forças pra continuar ativa diariamente na luta por todas as pautas que sabemos que devem ser concretizadas, como a luta contra o aumento da passagem, contra o machismo, homofobia; por uma universidade de fato pública que abarque gente de toda cor e todo gênero, enfim, entre muitas outras. E são nesses momentos, momentos em que vejo a maior bancada da Oposição de Esquerda desde 1999 que tenho certeza absoluta de que a maré já virou! E continua virando, a cada dia. Não é a toa que dizemos que OCUPAMOS a politica, porque é assim, ocupando lugares como o CONUNE, ocupando as praças, saindo as ruas que mudaremos os rumos desse país!

Tenho orgulho de ter feito parte disso. Obrigada. E sabe, termino isso aqui com uma frase que diz muito a respeito da gratidão que tive em ter contato e dialogar com gente do Brasil inteiro que tem princípios tão comuns aos meus:
“Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros.” Che Guevara.

E tem também Bertolt Brecht que diz “O amor é a arte de criar algo com a ajuda da capacidade do outro.” E o que eu mais vi na oposição de esquerda desse congresso foi isso, foi amor das pontas dos pés até o último fio de cabelo, amor por uma causa, foi concisamente: A arte de criar algo juntos.

04/06/2013

-Uma carta à alguém que tá longe. Longe.-



E esses pés sairiam agora correndo pra te buscar, te buscar dessa confusão danada em que você se colocou, te buscar daquilo que fingimos deixar pra trás. Te buscar e ajudar-te a se encontrar um pouquinho. Calma moço, que os dilúvios passam e o sol sempre aparece pra dar um sorriso. E não se afobe não, que nada é pra já. Já dizia o seu Chico. Calma a alma, enebria o amor interno que tens dentro de você e deixa as dores tomarem conta do teu ser, mas conforme sentir a tristeza que propulsa ou qualquer outra coisa, porque eu já nem sei mais o que se passa... Conforme sentir os problemas quase que explodindo dentro de si, abaixe a cabeça e lembre-se das coisas boas que existem por aí. Esses pés vermelhos sobre flores amarelas sairiam mais rápido que o vento pra te buscar, e aí a rapidez subiria para minhas mãos e te abraçariam como da primeira vez. Você lembra? Metrô. Dia nublado. Chuva. Quarta feira. É, faz tempo. Houve o tempo em que nos jogamos de cabeça e dizíamos aguentar o tranco, e era bom. Houve o tempo da hesitação. Mas houve um tempo em que te amei. E , houve o tempo depois do tempo, aquele em que nos perdemos e nem diálogo havia mais. Sumiço. Saudade. Mas sei lá. Esse é só um texto mal feito pra dizer: Conta comigo.
E lembre-se: Apesar dos pesares, meu querido, tem sempre coisa boa pro(pulsando) nesse mundo maluco.

Fica em paz.

Um dia de desabafo.

Eu fico me perguntando porque ateus têm que reafirmar o tempo todo pro mundo que são ateus e religiosos têm que reafirmar o tempo todo pro mundo que são religiosos. E o problema não é reafirmar, até porque de certa forma, isso forma a sua ideologia e mais uma porção de coisas mas o problema é reafirmar de forma hostil e generalizada. Porra. Acho até engraçado quando eu digo que sou cristã e a galera vira e fala: ''nossa iaiá, mas você, toda engajada politicamente, feminista, etc etc etc... nossa, você frequenta igreja evangélica?!'' MASOQ, pera, vocês acham que de fato todos os evangélicos apoiam Feliciano, impõe trocentos dogmas e não são abertos a debater as coisas? Véi, parem de acreditar numa visão generalizada sobre religião/crença.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

-rabisco vomitado-

vomito
gastura
gastada
em beijos vãos
de dias quaisquer
que pareciam eternos

vomito
que corre aqui dentro
pulsa como escória do que restou

nojo mesmo
latente
e eu nem sei
é embrulho
com saudade
com repulsa
com isso e aquilo e aquilo outro

e vai e vem e vai e vem

mas chega.
cansei de sentir-me enjoada
com posturas cortadas
passadas
viradas
jogadas
no meio

de tanto sentir.

terça-feira, 20 de agosto de 2013


E quando junta tudo? O mistifório da saudade, com um tico de nostalgia, e o não saber dizer? E quando sua vontade é a de largar tudo e ir correndo correndo ao vento pro vento no vento. Indo pra bem longe daquelas palavras que perfuram a pele, ou dos olhares bonitos que ficam na lembrança, ou da arte de estar por perto, ou disso ou daquilo. E quando sua vontade é fazer as malas e fugir? Fugir da saudade. Fugir da confusão diária de algo que me disseram que se chamava família, e me falaram que era pra ser feliz. Ou da pessoa que te deu corpo e tesão. Ou da pessoa que te deu amor. Ou da pessoa que dizia ser sua irmã, e um dia, te largou com as mãos atadas. Ou de tudo, hein? Me diga, alguém nesse mundo louco de saberes e dizeres e pensares, alguém me diga, como faz pra fugir? Me ensina. Me ensina que nem aquele moço me ensinou a amar, ou aquele outro me ensinou a sorrir, ou aquele que me ensinou a sentir prazer. Me ensina a fugir das lágrimas, solta-las ao léu e deixa-las escorrer até que me perfurem esse coração cheio de palavras clichês. Ou me ensina a sentir e não doer. Ou me ensina a amar e não partir. Ou me ensina a viver e não calar as cálidas palavras que acalentam-me o coração! Me ensina de mansinho vai, por favor. E me leva junto, pra onde você for. E me guarda, e me guia, e

me ajuda.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Uma carta mal escrita.

-amassada que nem papel-



Estava tudo revirado como papel amassado no fundo da gaveta cheia de poeira, papel que você abria e vinha mais amasso e mais pó. A cor rubra da minha dor desfalecida. Mas lá no fundo, um armário, uma gaveta, uma gaveta dentro da gaveta, e o papel. A lembrança. E agora você volta, acha mesmo que pode? Que pode trancar o papel ali com aquele turbilhão de palavras ditas e sentidas e voltar? Voltar como se nada tivesse acontecido. Como se não tivesse desfalecido de corpo e alma por você, pra te ver bem. Será que não percebe? Não percebe que postulamos o fim? Que todas as póstumas felicidades que viveríamos, não cabem mais no papel. Papel passado. Jogado. Você jogou fora. Não soube lidar com meu amor, não era isso que tanto dizia? Que eu amo demais? Que não sabia lidar com essa minha forma bonita de ver o mundo, e nem sei se é bonita mesmo. Mas é minha. E essa sou eu. E eu não existe mais pra você. Não tô mais pro teu amor engavetado. Nem tem mais palavra pra ti, foram tantas, tantas ditas pra você entender a forma como eu via o mundo a forma como eu via a gente. E você viu, mas viu rápido demais. Dizíamos que íamos aguentar o tranco, não é? E você desistiu. E agora no redemoinho de minha vida, você volta? Assim, do nada? 

Vá-se embora. Não tem mais palavras pra papel amassado.

sábado, 17 de agosto de 2013

Socorro.


Enxia-me de água, de água por dentro, um mar de confusão. Um mar de raiva. Raiva ao ouvir as pérfidas palavras de alguém que você acreditava que de fato, estava contigo. Aleivosia , sabe? Escorrendo pela boca, e afogando todo mundo nela. E eu tentava nadar, tentava seguir, levantar. Mas não dava mais. Tava tudo perdido, dentro daquela confluência de água salgada, água que ardia os olhos e rasgava a pele. Gritos. Dizeres. Passado. Uma semana. Tudo continuou como antes. Passado a parte mais dificil, veio outra, que eu nem sabia que existia. No âmbito da existência, eu nem imaginava que podia chegar nesse nível do não-diálogo, do não-amor. Não era mais família. Eram corpos jogados. Um bêbado. Uma cansada. Outra sem chão. E tinha também os olhos de uma pequenina, novinha que não sabia lidar muito bem com tudo que estava ocorrendo. E tinha a avó, que trazia o pilar espiritual. Mas hoje, o pilar desabou. E desabou tudo junto. E tinham todos esses corpos nadando no meio de um oceano onde a tempestuosa chuva caía e escorria sobre os cabelos daqueles corpos que não conseguiam gritar! Não conseguiam viver! Não conseguiam! Não. Não. Até que por catarse universal, ela escreveu. Ela escreveu o mistifório ardente de dor, que se passava dentro dela. Era uma boa pessoa, sabia dançar com as flores e sentir amor, gostava de corpos, de cheiro e de sorrisos. Mas como o mundo pedia,

acabou voltando a chorar.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

-ah, a vida-


Não sabia mais chorar. Não sabia mais viver. Mentira. Eu vivia, e até demais, por isso desaprendi a chorar. Porque vivi muito e chorei demais. E tava tudo guardado nessa minha confluência de pensares e dizeres e palavras que não saíam de dentro de mim. Ou saíam da forma mais desajeitada possível. Acho que eu tenho saudades. É, acho que é isso. Acho que amo demais o mundo e sinto falta fácil demais. Cadê a caixinha de música? Aquela que a gente abria e sorria junto. Cadê o outro? Cadê a dança de ontem a noite? Cadê aquele amigo da primeira série? Cadê? Tô um pouco perdida, no meio de tanta vida. No meio de tanta gente. De tanto pesar. De tanta pobreza. De tanta saudade. No meio de tanto tanto! Oh, céus, como prosseguir? Tava tudo tão bem, perfeitamente costurado na redoma do amor. Tava tudo calmo. Tudo na paz. Ou na suposta paz que eu criei. Foi até bom. Mas tá sendo difícil, lidar com o fato de que tem coisa que aparece na nossa vida e revira tudo, a ponto de você aprender a sentir de uma forma completamente diferente. Pior é quando percebe que é tudo tão novo, esse seu novo jeito, sua nova forma de ver o mundo e tudo aquilo que o envolve! E hoje, nossa, hoje o estridente som do momento presente, bateu na porta e me mostrou que viver, ao menos pra mim, é quase como estar na inefável e frenética pulsação do dia-a-dia e do sentir. Que a paz está aqui sim, mas está atrelada a roldana que me move em relação ao outro. Me mostrou que tudo isso: Era só eu, e o meu sentir.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

- Obrigada. Acho que aprendi a voar. -

pra ouvir lendo: http://letras.mus.br/beirut/605643/traducao.html

Tava pensando nos anjos,  e nas asas bonitas que existem por aí. Umas pequeninas, outras recatadas, outras expansivas e abertas. Embora umas voem baixo, outras não saibam voar e algumas abram com a maior facilidade, ainda assim, estão ali. Uma junção de penas , cada qual com tua coloração emanando uma energia ao mundo. E no meio do caminho, eu descobri que não tem porque ter medo de mostrar tuas asas pro mundo, de abraça-lo com a maior voracidade! De comer ar de tanto voar. E depois descansar na terra, ao lado de outras asas. Ou até mesmo somente você e as suas, em paz, sozinhos, porém, tranquilamente bem consigo mesmo. Asas tem vida minha gente! E às vezes, até vontade própria. Penso que se minhas asas tivessem nome , seria algo ligado a lírio, flor ou amor. Ou sei lá. Na verdade, acho que elas não teriam nome, não no mundo concreto. No fim das contas, acho que não existem palavras pra dar nome pra asas. Porque asa é asa por si só. Somente por existir. E ela se entrelaça nesse mistifório maluco que é a vida. E ela vive. Vive em mim e em você.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

para ouvir lendo, hm: http://www.youtube.com/watch?v=ff0oWESdmH0&feature=share

Gosto do silêncio noturno, me acalenta a alma, acaricia a alma, me envolve numa conjunção tão única que não consigo expressar o afável gosto da solidão. Eu, eu mesma, comigo mesma, e tudo em paz. Minto. Tem um mundo todo aqui, fora isso, todos dormem. Pera. Quantas pessoas será que estão dormindo agora, no mundo inteiro? Hm. Penso que o silêncio noturno me traz paz. Paz pra uma alma que enebria o dia todo , que na frenética dança do viver vive falando. Mas de noite, ela cessa, pra observar a continuação dos pesares, dos amares, dos dizeres. De tudo. De cada canto do mundo. Do ponto mais triste até o ápice de sua felicidade. Ela consegue respirar bem fundo e sentir o ar entrando nos pulmões, e sentir cada sinal de vida pelo seu corpo espasmo. Ainda que algumas partes doam, ela vê que tua mente tenta reproduzir em palavras uma confluência de dizeres que não se diz. Daqueles, que se sente numa noite de paz. E finda.

domingo, 28 de julho de 2013


Chorei minha vida inteira. Sai da minha mãe abrindo o bocão. 7 meses. Apressada desde sempre. Já vou adiantando, sou uma chorona nata. Chorei quando cai da bicicleta. Quando apanhei. Chorei quando minha irmã nasceu, oh, mas esse choro foi tão tão feliz que eu nem conseguia falar de tanta alegria permeando meu coração! Chorei quando vi Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Chorei quando minha amiga morreu de câncer e quando mais algumas pessoas próximas se foram. Chorei de amor por gente babaca. Chorei ao ver minha irmãzinha de 7 anos pedindo pra eu não ir pra faculdade que ficava longe de SP. Chorei por isso por aquilo.
Que eu saiba, só escrevi um texto que fez alguém chorar... Era sobre meu avô. E o Gui deixou umas lagrimazinhas saírem. 
Chorei inúmeras vezes.
Eram bonitas. Pequeninas e deixavam minha bochecha rosada quando eu era guriazinha. Não sei se era o sal ou se era a natural coloração da pele quando cai lágrima. Só sei que não era tão ruim. Aliviava. Espirituosas essas gotas!

Passei por muito chorar.

Ei.

Nunca mais. Desde que ele se foi. Desde que ele se foi, chorei uma vez. E bem, acho que chorei tanto, desfalecei-me inteira, que cheguei a achar que meu corpo era de água.
Foi a última vez.

Depois disso, acho que não restaram mais lágrimas dentro de mim.

sábado, 27 de julho de 2013

-quem dera se palavra saísse do papel-

Ceguei. Fiquei sem palavras. E isso, é quase sinônimo de cegueira noturna. Não consigo junta-las decentemente pra que formem sentenças compreensíveis, risíveis! Ou mesmo que fossem pequeninas, brotando de dentro de mim, mesmo que fossem somente palavras acalentadoras. Pera. Que diabos é escrever? Por que escrevo? Você escreve?

Oh, mas nem que fossem palavras doces ou daquelas que formam as roldanas que me fazem seguir. Ou daquelas de dias de angústias, mórbidas, triviais, até diria... Mas nem que fosse uma só. Uma só palavra que não seja aquela de quatro letras. Qualquer, qualquer outra!
Vem, saia de dentro de mim, poetiza, pisa, pincela a vontade de dizer!
Cai pra fora. Cai pra fora de mim. Você. Vá embora, formador de palavras!
Você mesmo que cria esse fluxo de pensamento incompreensível aos meus leitores. Você mesmo. Despenca do meu coração. Solta a minha mão de vez. E vá, vá pra longe dos meus escritos! Porque eu tenho tanta coisa nova pra falar, e você, fantasma literário, me atordoa todas as noites, não me deixando dizer que 

oh
eu não queria sentir saudades.

Maldito! Vá-se embora do meu armário. Do meu corpo. Dos meus lábios. Parece que enroscou-se em mim e me amarrou pra perto dessa sua tristeza. 
Não se permite ser feliz, sim, eu sei.
Mas eu , bom, eu digo, que a partir de hoje estarei postulando
 -como em uma de outras muitas tentativas de dizer-

que quaisquer ser-humano seja feliz.

-disritmia-


frevo
fervo
na tentativa de fazer poesia.

carnavalesco rabiscos
solto palavras
cuido das mesmas.

canto um tanto
danço um tico
na não-ritm(idade) do meu coração

eita coração sem ritmo!
Pulsa.
Pula.
Pinta.

E hoje, eu vos digo, ele me pintou inteira.
Gira.
Rodopia.
Estremece.
Merece
ela
um novo amor?

Pira.
Revira
as lembranças
e pergunta
sobre palavrear
pra moça bonita que passou de bicicleta.

Ô moça bonita, eu mereço um novo amor?

Ô moça bonita, o que é que tá havendo?

Ô moça bonita, do que é feito o mundo?

Ô moça bonita...

sabe que ninguém me ensinou a fazer poesia!
não sei disso não,
de métrica e rima
eu sei de prosa e de conversa
e de escrever intensamente sem parar
pelas linhas contundentes que arrastam-me
pra sei lá onde

ô moça , me ajuda?

me explica do que é feito o mundo
e as pessoas
e me explica
mas explica direitin

por que às vezes, eu sinto
que sou feita de amor?

a(mar), ah mar!

Vejo o sol mostrando-se bem de mansinho, com carinho ele diz:
-Oi guria!

Sorrio.

O vento também chega e me abraça, esse era permeado de desejos , trazia-me um frenesi danado!

Depois veio o mar, eita mar gostoso! Me revirava inteira, aquelas ondas sorrateiras. Eu e o mar nos demos muito bem, tivemos bons dias de amor, paixão, doce vontade de se encontrar no novo. Digo, no outro. 
Até que , o mar entrou em ressaca, e eu... Bom, tive que me despedir daquele que me trazia pulsação. Naquela noite, últimas de tantas desejadas, me despi e deixei que o mar tomasse conta de tudo, banhei-me das pontas dos pés até o último fio de cabelo. Minhas lágrimas fuzilavam-me a alma, como grandes gotas salgadas tomando conta dos poros do meu corpo, e eu já nem sabia o que era água de mar e o que era água de dor.
Não havia nada além de nós dois. Juntos. Tornando aquilo cada vez mais difícil de deixar para trás. Até que percebi que estava me afogando em minhas próprias lágrimas que mesclavam com as ondas do mar. E foi então, que o vento -sim, aquele cheio dos desejos!- Foi então que ele tocou em meus braços, desceu para as mãos e puxou-me.
Eu chorava.
O vento me virou de costas, abraçou-me de mansinho e foi me levando com ele. Tentando dizer algumas palavras bonitas pra ver se acalentava o coração.



E desde então,

eu nunca 
mais 
vi o mar.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Escorreram. Escorreram com toda a voracidade. Só que escorreram dentro de mim, e eram salgadas, e perfuravam-me o corpo querendo expelir pelos meus olhos, mas algo ali não permitia. Por algum motivo, não consigo mais. Vai ver, que é porque elas correram demais sobre mim, tantas vezes... 18 anos e elas saiam sem problemas. Mas agora, engasgam, misturam-se com minhas sensações e me amarram. Lágrimas cruéis! Respeitem meu corpo, e saiam, por favor. Oh, já nem sei mais. Essas malditas. Não gostam mais de mim, nem de sair do meu olho, nem de escorrerem pela face. E tão todas ali, dentro do meu corpo inteiro, num mistifório de lembranças. Mas não saem, de jeito algum! Escorrem cada vez mais perto do meu pulmão. Tô quase sem ar. Preenchem minhas veias. Sangue. Água salgada. E não vão de mansinho, não! Elas tão pouco se fodendo pro meu corpo! Corroem mesmo, com intensidade. Talvez. Oh, talvez, elas não queiram mais sair, porque não há mais você, pra limpa-las e dizer ''Vai ficar tudo bem, minha querida''.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Então queres ser um escritor?

se não sair de ti explodindo
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração e da tua cabeça e da tua boca
e das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que sentar por horas
olhando a tela do teu computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes porque queres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como algum outro escreveu,
não o faças.

se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.

se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás pronto.

não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas estúpido nem enfadonho e
pedante, não te consumas com auto-
-devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te esteja a queimar as tripas,
não o faças.

quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.

não há outra forma.

e nunca houve.

(Charles Bukowski)

-ô maria, denuncia!-

(bota a boca no trombone
pra ver se passa a náusea)

nojo
daquele
homem
estúpido
da onde
provinha
o choro
lamado
calado
de maria fernanda
que passava
limpava
cosia

cansava.

nojo
não do choro
mas do motivo
de tanto chorar
motivo chamado marido de sexo masculino
marido chamado Marcos Machado Machão

-engole teu machismo, seu escroto!-

cuspia palavras
pra ver se assim
eu conseguia
falar por maria
maria cálida calada
maria sofria

aquela maria,
vivia
tentando
viver

vivia tentando
chorar.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

-epifanias-

Estava dentro de uma caixa. Minto. Era a caixa que estava dentro de mim. E lá haviam mil e uma lembranças de você, de tudo, cada detalhe, cada pedaço do teu corpo. Cada toque. Cada amasso. Cada tudo. Tinha tudo , tudo ali guardado, trancado, sem respirar. E eu fingia que tinha passado. Que estava tudo bem lidar com o fim. Que não te ter mais na minha vida não fazia diferença alguma. Não gosto de encarar o fim. Me esquivei, fingi que não tinha caixa alguma, nem memória. A caixa foi mofando e mimetizando-se com meu corpo, e Deus, marcava-me a pele, eu sentia ela ali, a todo segundo, ela tinha sons, tinha cores, tinha palavras, e doces e tinha um pedaço de ti. Tive que romper. Botar um ponto final, por nós. Porque você pediu. Fui a pessoa certa no momento mais errado. Tenho raiva, de lembrar de cada palavra dita. Do ''você foi a melhor coisa que apareceu na minha vida, mas não consigo lidar com o fato de que terei que te deixar''. Caixa, vá se embora, vá. Não adianta concretizar o fim e não senti-lo. Não consigo chorar. Tá tudo engasgado assim como esse texto. Sentenças jogadas ao léu, ponto. Falo e ponto. Ponto e falo. Oh, me entreguei a outros corpos, outras cores, outros dias de verão e de chuva. E nada. Não passou. Tô querendo enganar quem? O tempo? Eu? Tem coisa, que a gente não esquece. Não adianta tentar passar por cima, tem que é passar com. Passar junto. Sentir a tristeza até o fundo do âmago. Comê-la. Engasgar-se, até vomitar tudo pra fora, como faço nesse texto de merda. Jogar, cuspir toda a dor. Aquela dor de amante, que corta os pulsos, dor de como se o mundo tivesse acabado, desde que você não esteve mais aqui. Dor latente. Dor sincera. Dor de amor.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Brasileiro
de todo canto
de todo samba
de todo gosto
de todo tipo

eita, quanto brasileiro!

Dondê cê é?
Dondê cê veio?
Quem é você?

Me fala, me fala um tico
dos teus amores e desamores
dos teus desejos
dos teus sonhos
carícias
ah, me fala!

Me fala tudo,
não precisa falar bonito não
fala, fala do jeitin brasileiro
que tô aqui pra ouvir
pra amar
porque eu vos digo, tem tanto amor
tanto amor dentro de mim
que por hora, acho que vou explodir

mas não é de mim não que eu vim falar
vim falar de vocês
de pessoas que mal conheço
da moça que fotografou pra gente
daquele que postou tal coisa bacana

tem tanta gente né?
de tanto canto
que até me espanto!

mas vim aqui
tentar dizer
que apesar dos pesares,
tem muita coisa boa por aí.

bora ver o mar
vir dançar
e cantar num balaio bem bonito
seja sol ou chuva
vamos juntos
pra ver assim,
-ver com amor-
se no outro,

a gente se encontra.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

.

Bêbados. Mas não daqueles bêbados trajados na graça e que te fazem ficar feliz. Não. Essa é a história de um bêbado ruim. Daquele que ia trabalhar, tinha duas filhas, era bonito e era uma boa pessoa. Mas bebia. Bebia tudo que vinha pela frente. E não obtinha controle sob nada. Álcool goela a baixo, até os olhos não enxergarem mais a beleza do mundo. Tudo distorcido. Aquele bafo nojento. Pútrido. Tudo borbulhava dentro de mim, eu tinha vontade de manda-lo pra bem longe. Pruma redoma de álcool, bem bem longe de mim. Não conseguia acreditar que um homem pudesse atingir aquele nível. O nível ruim do vicio. O nível que causa desprazer. Nem amor tinha. Não tinha nada. Era só um corpo vazio, cheio de álcool. Um corpo vazio que nem sabia mais onde estava. Não tinha mais os olhos bondosos que eu havia visto no momento em que ele estava sóbrio. Eu gritava: Cadê, cadê você? Não te conheço mais! 
Não tinha mais amor, nem sabedoria. Havia perdido tudo pra bebida. E estava me perdendo também. 

Ponto.

Era só um corpo, um corpo que não assumia que estava doente.

?

Não sei o que houve. Amei demais e desaprendi. Ou, amo tanto tanta coisa, que por uma mera fração de segundos pensei que amar era fácil. Achava, que somando tudo, dava amor.

domingo, 30 de junho de 2013

iaiá tinha o coração maior que ela mesma
iaiá era incontrolavelmente amante da vida
iaiá amava, e era simples assim.
amava as flores, as árvores , o sabor de frutas mordidas
a noite. o dia. os mais singelos momentos.
amava rir até doer a barriga e chorar como se a dor fosse durar pra sempre.
iaiá se enroscava nela mesma, no balaio dançante de todas as noites
iaiá era tão iaiá que nem eu entendia mais!
não entendia, porque iaiá sempre foi de sentir, não de entender.
iaiá construiu um castelo noite passada, e tá se retirando, pra bem longe
pra onde tem tanto amor que chega a explodir.
otávio dançou
otávio cantou
otávio gritou
no passado

otávio fará
otávio verá
otávio , será?

ô otávio, onde cê tá?
onde cê foi?
donde cê veio?

otávio aparece!
amando, otávio, amando
aparece pra mim
aparece pro mundo
e vem viver de gerúndio. vem.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

maria pintou o rosto
maria pintou a roupa
maria pintou-se inteira
pra ir dançar 

maria maria sabia de nada
pôs o coração na varanda
e desenhou um novo
no mesmo lugar
pra ir dançar

maria , ô maria
fingia de poeta
fingia de maria
fugia de si mesma

maria acordou
no meio da dança
suada
cansada
calada

e viu que tava faltando

uma pitada de amor.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Reviravolta

Ouça lendo: http://letras.mus.br/regina-spektor/1496412/traducao.html#legenda (ou não leia)

Estava lá, trajando um belo vestido branco, como da primeira vez. Batom vermelho, coração cheio e sorriso estampado. Estava lá, trajando um blusão quentinho, como da primeira vez. Rosto misterioso, coração intenso e palavras sinceras. Era um dia desses, de inverno gostoso, não tinha chuva, só um céu bonito, e os dois. Esquentavam-se apenas com a presença um do outro. Formavam quase um corpo só. Um corpo tão feliz. Parecia que haviam esperado anos por aquilo. E era tudo tão bom. Estava lá, e eram meses que pareciam séculos na memória daquela menina. Estava tudo lá. Num passado que ia se tornando a cada dia mais distante. Primeiro foi uma semana, depois duas. Agora, quase um mês. Ou talvez, ela tenha se perdido na cronologia diária, porque cada restinho de memória ia se perdendo. Perdia-se tanto quanto essas palavras. Ela nem sabia mais escrever. Rompeu tudo. Desde aquele dia, ela parou de escrever. Esquivou-se do sonho de fazer um livro. Criou um campo a sua frente, e foi-se embora. Sem nem saber pra onde.

Um dia desses, ela estava lá, seus pés pisavam ladrilhos azuis, e expelia sangue, aos poucos, a cada passo, uma palavra perdida, um corte feito. Eram pontudos e perfuravam a pele com força, sim, a moça já nem sabia o que era pele e o que era corpo. Tudo esfacelava-se. Tinha pó por todo canto, roupas caídas, fotos rasgadas, e ela cuspia pra fora, uma montanha de sentenças. Pra que em algum momento, pontuasse uma sentença final.
Era um redemoinho de sensações. Seus pulsos estavam quentes, e seu coração batia numa velocidade que atravessava o tempo comum. A moça corria como nunca havia feito antes, os cabelos esvoaçavam conforme o vento tocava-lhe o rosto. Uma trincha de sol iluminava seu corpo machucado. Escorregava, pois seu corpo não aguentava mais parar em pé. Sentia as pontas dos ladrilhos perfurando-lhe inteira, dilacerada junto com seus pensamentos que não possuíam pontuação.
Nada importava. Ninguém entendia. Não havia céu. Nem voz. Ela gritava. Esperneava pra alguém. Mas nem os ladrilhos azuis mimetizavam-se pra ouvi-la.

Estava embriagada de lembranças, e infelizmente, por insanidade e (amor demais), ela não soube mais escrever. E já que, as palavras eram ela, porque era assim que se dava o corpo dessa menina, formava-se por pontos, exclamações e tentativas de palavrear. Já que não havia mais verbo, nem sujeitos. E tudo estava bem longe de ser qualquer conto com final feliz. Essa moça, afogada em absinto e clamores internos... Se rendeu, aos ladrilhos azuis, cujo sangue perpassava e tornava-os roxo.
E eu vos digo, era tudo roxo demais, pra conseguir verbalizar.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Sobre ontem, sobre muita coisa.

 -porque foi grande-
 
 
 
Foi lindo. Lindo mesmo. Ver o sangue que pulsava em todos aqueles corpos juntos. Que vibravam vozes, da onde emergia uma energia que eu não sentia faz anos em nenhum outro ato. Pois é Brasil, tomou a dimensão que tomou, por nós. Fomos nós que fizemos tudo aquilo. E justamente pelo fato de que fomos nós, fico me perguntando qual é a coerência de pessoas que defendem o não levantamento de bandeiras de partidos no ato e chega...m a depredar, a arrancar bandeira da mão do militante. E não tô dizendo isso da boca pra fora, porque eu vi do meu lado gente arrancando bandeira do PSTU da mão do que segurava e esbravejando "sem partido, sem partido". Cara, pra começo de história vou deixar claro que não sou filiada a partido nenhum, mas sinceramente, como um companheiro disse "Manifestação não é um mero passeio na rua, é sim um momento de nos educarmos politicamente.'' Portanto, eu esperava que no minimo as pessoas tomassem consciência de que sim se o partido é favor da luta, ele vai estar nas ruas, ele vai levantar a bandeira em prol daquilo. Seja o PSTU, o PSOL ou qualquer outro que estivesse lá. Estranho seria companheiros, ter uma bandeira do PSDB no meio daquela energia linda que conseguimos criar. Agradeceria se os que se dizem apartidários e depredam bandeiras alheias fossem no mínimo pesquisar a respeito do histórico do partido e tivesse a noção de que a rua não é sua, e usando até o que vocês mesmo dizem: A RUA É DO POVO SIM. E TEM POVO que se expressa por partido.

Partindo pra outro ponto, sinceramente, eu não ia cantar o hino nacional e glorificar um Estado que reprimiu de forma grotesca os atos anteriores e que age de forma truculenta com a população desde de sempre. Ou não é por isso que estamos as ruas? Sim, a pauta é aumento da tarifa. Mas sinceramente, vejo que o ato só tomou as dimensões que tomou porque tá todo mundo cansado, foi o estopim pra que as pessoas saíssem às ruas. Num mundo de exploração, muita causa é causa, companheiros.
E lembrem-se, agora a causa é a tarifa , mas ainda temos muita muita luta pela frente!

E por fim, queria agradecer a TODOS que estavam lá, aos companheiros do Juntos! (coletivo que faço parte) e um adendo especial a Sofia e Ellen que num momento (depois de andar quilômetros a pé) eu passei muito mal, quase desmaiei, e elas juntamente com muitas mãos que eu não consigo lembrar quais eram, Sâmia Bonfim, Gabriel Caetano foram as poucas que eu lembro, pois afinal, eu tava vendo tudo embaçado, rs, quero agradecer, mesmo, por me ajudarem. E algo que me emocionou muito foi uma moça que estava ali por perto, viu que eu estava passando mal e ofereceu o apartamento dela pra eu ficar um tempo, sim, ela abriu as portas pra alguém que nunca tinha visto na vida. E são essas coisas, esses detalhes, que me dão força pra seguir. Agradeço também pela agitação de Claudio Ramalho, Mariana Ortiz, Cindy e galerinha que tava ali tornando nossos momentos de cansaços extremos muito mais alegres!!! E a minha querida Ana que tava do Rio de Janeiro se comunicando por sms comigo!
É bom frisar também o meu NÃO agradecimento a uma mídia manipuladora e golpista, que a dias atrás estava resumindo o ato a "um bando de baderneiros" e a agora , quando não havia mais forma de esconder, começou a mudar seu discurso. Meu NÃO agradecimento também aqueles que quando a mídia estava cuspindo seu discursinho contra o ato estavam também contra nós, e que agora magicamente vieram dizer: ''oh, mas até que a causa é justa". Puta merda. Parem de ser manipulados por uma rede globo e abram um pouquinho a mente de vocês.

É minha gente, parece que o povo tá acordando.
Obrigada, a todos que começaram a sair da cegueira diária que vivemos.
Que estejamos juntos. E que não paremos!

segunda-feira, 10 de junho de 2013

menina de prosa.


Esses dias eu quis fazer um poema
mas descobri que não sei fazer poesia
muito menos pulverizar
a quantidade de palavras
que perpassam minha mente
sabia que se eu usasse um pouco de pê
daria um som bacana
mas, poxa, pê não pontua tudo
minha mente se faz de tudo quanto é letra
aqui é mente de texto corrido
de rabiscos, contornos e cores
mente que pulsa para e anda
mente de quem é da prosa.
Pois então em prosa-verso
tento aqui poetizar,

porque de poeta tenho apenas:
amor e muito a falar.
Eu existo no amor. No amor por toda cor. No amor por todo cheiro, todo gosto, todo rosto. Eu existo. E você? Aliás, na confluência diária de pessoas e acontecimentos, qual é o exato segundo que você para pra pensar na sua existência? Hoje eu parei pra pensar, e descobri que apesar de tudo, o âmbito da minha existência se dá no amor. E isso inclui você, o moço da banca de jornal, a professora inesquecível da quarta série, o beijo roubado, o corpo estirado e junto, os frenesis sentidos com o amante, inclui tanta coisa! Inclui o mundo. Pois então, posso dizer que existo no mundo? Mas calma lá, mundo é amor? Reflita. Porque aqui, nem quem escreve consegue parar pra pensar no que se diz. Acho que isso é coisa de quem existe no amor, essa coisa de falar sem parar, de ser sincera no sentido mais lato da palavra, de amar as pessoas por inteiro, de viver memórias, de criar palavra onde não tem e de entender que nem tudo precisa de explicação. Onde vê-se que dizer e escutar, é necessário. Onde sentir, basta. Sinto-me completa no meio da conjunção frenética que me encobre. E de mansinho, sinto-me no direito de te pedir, pra vir viver no amor também.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Percebemos que não nos desvencilhamos na totalidade de algo, quando insistimos em revirar tudo o que já foi dito, quando mesmo depois do fim a gente insiste em contar a história pra mais umas dez mil pessoas, pra ver se ajuda a passar a dor. Temos a mania de nos livrar das lembranças assim, revivendo-as, relembrando-as, falando a respeito delas até que um dia, canse falar. Até que um dia, revigorado, a gente sinta na pele: Fim.

terça-feira, 4 de junho de 2013



Disseram-me uma vez que o céu estava engarrafado, pois então resolvi olha-lo e vi que ele tava sim, sendo sufocado pela pressa da manhã, eram tantos pés sincronizados, tantas mentes atreladas ao relógio, um vai e vem de gente e iam se esparramando pelo asfalto junto à poeira asfixiante, às bitucas de cigarro que ainda exalavam o cheiro de pulmão paulistano. Bocas acordando, buzinas a falar, olhares passando despercebidos. Vives correndo. Morrerás às pressas também? E céu estava ali, engarrafando-se, perdendo-se em meio a todos nós; estava quase ficando cego ao ver a nossa cegueira diária... 
Mas o sol estava ali também, misturando-se ao azul do céu e lhe cedendo calma. Tava ali, parado, apenas refletindo seus raios matutinos em nossos fios de cabelos amanhecidos, perpassando nossa pele que se desgastará com o tempo junto com as solas de sapato que continuam andando sem parar. Sem parar pra ver uma luz que está ai todos os dias, ora a noite, ora de manhã ou no sorriso de alguém, no conversar do pipoqueiro, no toque do amante. Uma luz dentro de mim, de você. De todos nós. Uma luz despercebida.

terça-feira, 28 de maio de 2013

fim

A essa hora da noite os meus olhos que tanto te viram e já acostumados à cegueira mundana só pensam mesmo em se fechar. Se pudessem ficariam séculos fechados e abririam numa primavera qualquer para vi(verem). Adocicado o sabor da boca noturna desgastada pós-dia em que falas foram soltas , em que o ar saiu do âmago e expeliu. Boca. Mãos. Olhos. Vejo que acabou. Lamento, antigo companheiro de chuva e frenesis. Lamento do fundo dos olhos que logo mais esquecerão sua imagem. Lamento do fundo da boca que não lembrará mais o sabor do beijo. E das mãos, e do corpo e até mesmo da fala que desfalecendo-se esquecerá, esquecerá e só terá uns dizeres, dizeres de lembranças de algo que foi bom. Lamento de corpo e alma -eles, que me fizeram, tentar, até o mundo resolver que tinha acabado-

uns fragmentos da semana

Há uma coisa muito louca perpassando esse mundo frenético e esses corações pulsantes. Há várias coisas. Tá tudo tão revirado, e é tanto tudo, que nem cabe no papel.



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Respirando ora flores com pitadas de cânfora ora ladrilhos obscuros que rasgam as narinas. Respirando sem saber de onde nem para onde. Diria que minha respiração tá quase se mimetizando com meu pensamento. E sinto dizer, mas estou parando de respirar.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

dezoito



Ouça ao ler o texto a baixo (ou não leia): http://letras.mus.br/red-hot-chili-peppers/546774/traducao.html 


Dancei a noite toda, com a pulsação tão forte quanto o amor que tenho dentro de mim. Pulei e soltei-me de todas as amarras internas, o passado que acorrenta, a vida que rompe e aí, no meio das lágrimas dói demais levantar... Mas os dias vão passando, outras pessoas vão chegando, e amor passado, vira só lembrança bonita, ou uma cicatriz, daquelas que sai sangue e depois mimetiza-se em uma marca corporal. Diria eu, que hoje as palavras são tantas, pois propulsa tanta sensação aqui dentro, que eu nem sei bem como organiza-las. Ainda assim, vejo que, mesmo com esse mundo doido, com todos os pesares, tem-se amor. E ele é tão grande. Tão verdadeiro dentro de mim. Sinceramente digo, que ontem, ao sentir o cansaço, vi que estava viva, sentia a pele como faíscas que tem muito a conhecer. Depois de uma noite toda, entre corpos e pensares, meus olhos me mostraram que apenas queriam enxergar sinceridade daqui pra frente, as mãos diziam-me que podem alcançar o que está longe e a mente -sábia parte humanizada- me disse de mansinho: Calma dona moça, que a dor tá passado, e tem tanto a se viver. Foram 18. 18 anos. Poderiam ser 100, ou 5, duas idades que me apetecem. Mas são dezoito. Intactos e verdadeiros. Cheio de lembranças, de amores e desamores, de experiências e arte. E, artisticamente digo ao mundo: Viva.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

http://letras.mus.br/mariana-aydar/1460526/


''Eu não escrevo pra ninguém e nem pra fazer música
E nem pra preencher o branco dessa página linda
Eu me entendo escrevendo
E vejo tudo sem vaidade
Só tem eu e esse branco
Ele me mostra o que eu não sei
E me faz ver o que não tem palavras
Por mais que eu tente são só palavras
Por mais que eu me mate são só palavras''

segunda-feira, 15 de abril de 2013



"Que nada nos defina, que nada nos sujeite, que a liberdade seja a nossa própria substância".

Que possamos andar nos jardins que aparecem por aí quando nos dispomos a acordar e ir ver o sol-nascer, que possamos dançar até doer os pés e cantar francês, irlandês e tudo que vir pela frente! Que se tenha força pra dizer não, e coragem de dizer sim. Que lutemos, por um mundo melhor. Que falemos clichês tão bobos e sinceros como esses aqui, pra que assim, solte-se todas as amarras moralistas e rotuladas num mundo que pulsa tão rápido que não consegue parar pra ver, pra respirar e pensar. Que coloquemos as bocas no trombone, como diria minha mãe. Saiamos às ruas, ocupemos as praças. Saudemos aqueles que vemos todos os dias, ou até mesmo, um mero transeunte que esbarra por ti num dia de metrô-cheio. Que se possa dizer o que se pensa, sem ser julgado por argumentos vis, que aprendamos com o outro e se perceba que todo mundo tem um tico a acrescentar, que se conheçam essências, e amores e que até nos desamores a gente viva. Mundo, podemos viver? Vamos lá, fazer um pacto de confiança e deixar as vergonhas de lado. Dance, pule, cresça! Ria e lembre-se dos seus dias de infância, das histórias contadas e imaginação a flor de pele. Lembre-se também da pré-adolescência, do primeiro beijo... Depois, do primeiro amasso. Das mordidas e carícias. Das madrugadas bem vividas ao lado de alguém. Grite muito, quando precisar. Desapareça quando bem entender. E ame, ame muito.

E se possível, entenda, que todos, todos têm necessidades.

domingo, 14 de abril de 2013

Amorando.


Um. Dois. Três. Escrevo. Ponto. Paro. Suspiro. Ah, mas que loucura, não? Essa reviravolta louca aqui de dentro, um medo pulsando, com medo de sentir coisa boa novamente. Sim, medo de sentir coisa boa, e sofrer tanto quanto... É, antes. Agitação corporal, como se tudo tivesse nascendo, como se eu olhasse pra fora e conseguisse ver nas árvores do outro lado da rua, um singelo e mistico jeito de ouvir um: Vamos, menina nova, vamos andar.
Que tem muito pra se ver! Pra sofrer, pra amar, pra dançar entre os ladrilhos de novas casas, e dias de café, e de chuva, e de sol com pitanga. Descanso. Descanso na confusão acelerada que me fez escrever. Descanso no pé de amora, que tem aqui do lado, que por mimetismo mental , eu criei, e ela existe, desde que conheci você, e hoje, hoje eu consigo olhar pra ela, e vê-la como uma árvore bonita dos meus sonhos passados. Passados. Passado! Passando. E eu sempre vou olhar pra ela, quando o sol estiver nascendo, e pedir bem baixinho: Espero que ele esteja bem. Porque eu amei ele tanto. Tanto, que ele nem sabe. Cuida dele pra mim, cuida. Cuida com o carinho que eu tenho aqui dentro.

Mas hoje, hoje eu tô saindo pra ver se nasce nova árvore, quem sabe, de amoras mais duráveis.

sábado, 13 de abril de 2013

Pass(ando).



Ao ler, ouça: http://letras.mus.br/paulinho-moska/125486/

''Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim''

Ai que delicia, que delicia gente nova, sabor de fruta mordida. Tudo bem novinho, recomeçando num bailado primário, nascendo pós-dor, pós muita dor. Delicio-me com essa sensação de que tá passando, de que tá fluindo e floreando, daquelas cores antigas e gostos passados, das dores posteriores a dias de amor. Gostaria de dizer nessa manhã nublosa que eu tô viva, como nunca estive antes. Os pés cansados depois de três horas e meia de teatro, o corpo dançando ainda a dança contemporânea da rotina de todas as minhas semanas, o céu olhando pra mim e de mansinho dizendo: Calma, alma. Calma. 
Calada, no canto do meu quarto, com calças largas e mangas compridas confortavelmente pensativa, digo que estou bem. Estou bem por mim. Não mais por nós. Porquê... Nós? Que nós? Nós passou. Nós, acabou. Nossa noção nociva depois de amar. Nós, hoje, é apenas n, o acentuado e s. Pois hoje digo, que o tava mais pra nó do que pra nós, e por firmeza interna, aos pouquinhos, com ajuda dos sorrisos e dos meus viveres diários, permiti-me dizer que: Eu, basta. Eu tenho me deliciado com o que de fato, me faz bem. Prefiro eu e os tantinhos de coisas boas , como essa manhã, do que nós pela metade. Fica bem. Fica bem e um dia, lembre da gente. Como algo bom que... 

Fim.

terça-feira, 9 de abril de 2013

sobre amor


As palavras estão trancadas, estão querendo ar, mas por descuido próprio, escondi-as de ti, por pensar mais em você do que em mim. Palavras respiram na liturgia diária que me leva a escrever, porém, respiram pra dentro, têm tanto medo de sair por aí, de soltar-se, de dizer o que sentem. Porque elas, até elas, sofreram. Até elas calaram, diante de tanta confusão. As pálpebras dos meus escritos fecham-se a cada vez que penso em dizer algo sobre você. Sobre cortejos de verão e beijos na chuva. Sobre isso sobre aquilo. Sobre abdicar um pouco, pelo outro. Sobre sentir que vale a pena. Ah, Deus, rogo-lhe epifanias literárias! Quem sabe assim mergulhada no tempo da saudade e no tempo que ora pulsa felicidade, ora, no breve espaço do lembrar, traz-me tristeza. Quem sabe mergulhando-me cada vez mais nas cálidas palavras que procuram por paz eu pare. E pense que para seguir , basta ser forte, tão forte como fui a seguir junto. Forte ao entender, que uma hora, finda. Afaste-me de mim a solidão narcótica dos vivos, que possa eu, viver só, mas sentir-me inteira. Que possa viver o outro, viver o eu, viver o nós. Que eu possa viver! Permite-me? Me ajude, ao menos, a te deixar. A esquecer os dedos nadando no sexo da flor, as mãos purpuras da pele real, pele que cola no corpo do outro e não larga mais. A esquecer que devo esquecer, e simplesmente, conseguir com a mesma força que me fez tentar, largar.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Em meio a um suor pútrido, que respinga das axilas que trabalham diariamente, que pegam ônibus lotado, que sentem corpos cansados esbarrarem em si sem ao menos ter a opção de não tê-los ali. Em meio a odores ruins das esquinas, a pedintes de cada farol, a dor de cada um, seja ela dor de fome seja ela dor de amor. Em meio a esse mundo revirado de tristezas, em que ter sobrepõe ser, em que rotula-se tudo e esmaga-se a cada passo, esmaga o próximo, esmaga as sensações internas, porque se tem medo, medo de sorrir, medo de dizer que ama, medo do carinho. Gostaria de pedir-vos então, que me permitam ama-los, em meio a toda essa loucura, loucura que me veio a tona quando parei pra pensar que às vezes, um abraço forte, já ajuda. Não recuse amor.

terça-feira, 26 de março de 2013



Me deparo com um teclado que possui inúmeras letras, pontuações, números. Tenho um universo de possibilidades a minha frente, de possibilidades pra juntar, formar, palavras que voam dentro de mim, tem tantas, que nem sei por onde começar! Oh, me veio amor. Foi a primeira palavra que me veio a mente, ou será que burlei as regras da escrita e a coloquei propositalmente aqui? Regras... Quem diria, se a escrita tivesse regras eu estaria perdida, mais do que já estou. Acho que é por isso que andamos de mãos dadas, eu e as palavras, porque elas são tão fugazes como eu, tão intensas, dizem por si só. Será que sou uma palavra? Uma palavra que canta, que ri, que chora, que ama. Será? Diga-me, leitor, diga-me o que sou. Porque já nem sei mais, não sei do que digo, pra quem digo, por onde dizer...
Sei simplesmente que há um desejo enorme de dizer algo pro mundo, sem até agora saber ao menos por onde começar. Digo que tenho muito amor dentro de mim, tenho tanto amor, que por ora, acho que vou explodir. As palavras me entendem. Porque elas saem assim como meus pensamentos internos, elas correm por aí e quando menos espero, uma palavra me escapa pelas mãos (vulgo: boca). Eu sou uma palavra em meio as trezentas mil que estão em minha mente, sou uma palavra sincera. Junta-se a mim? A minha loucura matinal? Sim? Diga-me moço, diga-me se esta disposto, disposto a me amar, assim como amo as palavras. Mas advirto: Sou daquelas que andam feito verbo, que param feito ponto, que sentem feito todas as classificações gramaticais juntas, que possui reticência no olhar e interrogações nos dizeres.
Sou uma palavra-menina que anda aprendendo a amar.

segunda-feira, 11 de março de 2013

velhos tempos (de amor)


Banhava-me da lua e das estrelas
Não trajava nada, além da concupiscência momentânea
permeada de saudade
de lembranças
de encantos

Banhava-me de lágrimas
que perpassavam-me os seios
e confundiam-se com as sensações primárias
daquela que não sabe ser poeta
daquela que é da prosa e do extenso

extensivamente, sinto.
sinto que devo parar por aqui, até que um dia, talvez, nas profundezas dos meus desejos, você volte e diga uma palavra boa.
como nos velhos tempos
em que conversar noites a dentro, bastava.

sábado, 9 de março de 2013

Meu corpo, é MEU.


''Psiu, ô gatinha''
A um tempo atrás eu ouvia caras falando esse tipo de coisa pra mim na rua e simplesmente ignorava, pensava ''ah, tudo bem, deixa pra lá, é normal existirem pessoas idiotas assim''. Mas não, não é normal. Não é normal sair com um vestido ou um shorts curto porque tá um puta calor ou até mesmo porque você se sente bem e a cada quarteirão receber um comentário pejorativo. NADA disso é normal. Não é normal eu ser reprimida cada vez que uso uma roupa ou uma maquiagem que me agrada. Sem contar que existem várias formas em que isso ocorre, o que me levou a escrever essa postagem foi um ocorrido num sábado de manhã (horário que estava indo para meu curso de francês), estava com uma calça jeans básica e uma camiseta amarela, sentei num banco do lado da janela, o homem que estava do meu lado começou a se encostar em mim , aquilo tava me incomodando, então me esquivei mais ainda pro lado da janela, até que ele começou a fazer desenhos pornográficos com os dedos no banco da frente , sim desenhos ao ar livre. Eu fiquei puta com isso, uma raiva absurda, porque pior que falar um ''ô gostosa'' é um cara que te reprime de uma forma tão discreta que você não pode fazer absolutamente nada. O que eu ia fazer? Dizer pras pessoas que o cara do meu lado estava fazendo desenhos pronográficos? Duvido que iriam acreditar. Duvido que ele não iria dizer algo ''o quê? que menina louca.''
Essa foi a gota d'água. A partir daí eu comecei a revidar verbalmente, esses dias mandei um tomar no cu, ontem eu estava chorando desesperadamente na rua e um cara começou a mexer comigo, eu já estava ligeiramente estressada e magoada e quase dei um murro na cara dele, sim, eu disse quase. Eu apenas mandei ele se foder. Mas vai chegar um dia que vai ocorrer um acúmulo tão grande de raiva que eu vou revidar, vou descontar em alguém tudo o que tenho passado dia-a-dia. Vou revidar e sim, eu sei que um dia vão revidar de volta. Mas eu tô cansada, cansada de ter que andar em alerta na ruas. E eu sei que não sou só eu. Não achem que isso é normal, não achem que pra mulher ouvir um gostosa na rua ou um comentário pejorativo seja agradável.
E outra coisa, praqueles que não mexem com mulheres mas que insistem a ficar com elas e a forçam a isso de alguma forma, mesmo ouvindo um não da guria. Uma coisa: NÃO é NÃO.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Vomito.

As entranhas internas pulsam
pra sair e levarem consigo todas as dores;
mistura-se tudo: dor. amargo. calor. ácido estomacal. 
Mistura-se amor. Postula-se: dor.

As veias pelas quais passam o sangue
estão agitadas e confusas, sem saber pra onde ir
querem expelir sangue, querem jogar pra fora
alguns dias de amor.

A mente pela qual pensamentos correm
está confusa e incerta, sem saber o que fazer
quer expulsar qualquer segundo de lembrança
de uma dança.

Aos mãos que tocaram-lhe o corpo
tocaram outros milhões de corpos
para tentar esquecer apenas um
doce ilusão corpórea, de que isso ia romper com tudo.

A boca procura-te
A mente diz: Não.
As coxas: Saudade.
O corpo cheio de volúpia: Querer.

Eu? Dois pontos. Não sei.
Não sei eu não sei como lidar.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013


Estômago embrulha, e quase que um líquido ácido sai da minha boca. Somente. Somente por lembrar dos abraços , amassos. Laços. Um turbilhão de coisas dentro do teu corpo, e todas essas sensações misturam-se com os pensamentos que surgem a medida que tu lembra da noite passada. E aí tudo isso se mistura com algumas semanas atrás e você vai quase enlouquecendo no meio das lembranças que perdem-se na cronologia interna. Memórias de verão. Memórias de chuva. Memórias de ontem, de hoje, do amanhã. Memorando o momento pra que algo em meio a vastidão de sentidos, escape.