Então queres ser um escritor?
se não sair de ti explodindo
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração e da tua cabeça e da tua boca
e das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que sentar por horas
olhando a tela do teu computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes porque queres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como algum outro escreveu,
não o faças.
se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.
se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás pronto.
não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas estúpido nem enfadonho e
pedante, não te consumas com auto-
-devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te esteja a queimar as tripas,
não o faças.
quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.
não há outra forma.
e nunca houve.
(Charles Bukowski)
Este blog não tem a pretensão de ser nada além de um lugar onde eu tenha a liberdade de escrever o que quero e você tem a liberdade de dizer o que quiser.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
-ô maria, denuncia!-
(bota a boca no trombone
pra ver se passa a náusea)
nojo
daquele
homem
estúpido
da onde
provinha
o choro
lamado
calado
de maria fernanda
que passava
limpava
cosia
cansava.
nojo
não do choro
mas do motivo
de tanto chorar
motivo chamado marido de sexo masculino
marido chamado Marcos Machado Machão
-engole teu machismo, seu escroto!-
cuspia palavras
pra ver se assim
eu conseguia
falar por maria
maria cálida calada
maria sofria
aquela maria,
vivia
tentando
viver
vivia tentando
chorar.
pra ver se passa a náusea)
nojo
daquele
homem
estúpido
da onde
provinha
o choro
lamado
calado
de maria fernanda
que passava
limpava
cosia
cansava.
nojo
não do choro
mas do motivo
de tanto chorar
motivo chamado marido de sexo masculino
marido chamado Marcos Machado Machão
-engole teu machismo, seu escroto!-
cuspia palavras
pra ver se assim
eu conseguia
falar por maria
maria cálida calada
maria sofria
aquela maria,
vivia
tentando
viver
vivia tentando
chorar.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
-epifanias-
Estava dentro de uma caixa. Minto. Era a caixa que estava dentro de mim. E lá haviam mil e uma lembranças de você, de tudo, cada detalhe, cada pedaço do teu corpo. Cada toque. Cada amasso. Cada tudo. Tinha tudo , tudo ali guardado, trancado, sem respirar. E eu fingia que tinha passado. Que estava tudo bem lidar com o fim. Que não te ter mais na minha vida não fazia diferença alguma. Não gosto de encarar o fim. Me esquivei, fingi que não tinha caixa alguma, nem memória. A caixa foi mofando e mimetizando-se com meu corpo, e Deus, marcava-me a pele, eu sentia ela ali, a todo segundo, ela tinha sons, tinha cores, tinha palavras, e doces e tinha um pedaço de ti. Tive que romper. Botar um ponto final, por nós. Porque você pediu. Fui a pessoa certa no momento mais errado. Tenho raiva, de lembrar de cada palavra dita. Do ''você foi a melhor coisa que apareceu na minha vida, mas não consigo lidar com o fato de que terei que te deixar''. Caixa, vá se embora, vá. Não adianta concretizar o fim e não senti-lo. Não consigo chorar. Tá tudo engasgado assim como esse texto. Sentenças jogadas ao léu, ponto. Falo e ponto. Ponto e falo. Oh, me entreguei a outros corpos, outras cores, outros dias de verão e de chuva. E nada. Não passou. Tô querendo enganar quem? O tempo? Eu? Tem coisa, que a gente não esquece. Não adianta tentar passar por cima, tem que é passar com. Passar junto. Sentir a tristeza até o fundo do âmago. Comê-la. Engasgar-se, até vomitar tudo pra fora, como faço nesse texto de merda. Jogar, cuspir toda a dor. Aquela dor de amante, que corta os pulsos, dor de como se o mundo tivesse acabado, desde que você não esteve mais aqui. Dor latente. Dor sincera. Dor de amor.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Brasileiro
de todo canto
de todo samba
de todo gosto
de todo tipo
eita, quanto brasileiro!
Dondê cê é?
Dondê cê veio?
Quem é você?
Me fala, me fala um tico
dos teus amores e desamores
dos teus desejos
dos teus sonhos
carícias
ah, me fala!
Me fala tudo,
não precisa falar bonito não
fala, fala do jeitin brasileiro
que tô aqui pra ouvir
pra amar
porque eu vos digo, tem tanto amor
tanto amor dentro de mim
que por hora, acho que vou explodir
mas não é de mim não que eu vim falar
vim falar de vocês
de pessoas que mal conheço
da moça que fotografou pra gente
daquele que postou tal coisa bacana
tem tanta gente né?
de tanto canto
que até me espanto!
mas vim aqui
tentar dizer
que apesar dos pesares,
tem muita coisa boa por aí.
bora ver o mar
vir dançar
e cantar num balaio bem bonito
seja sol ou chuva
vamos juntos
pra ver assim,
-ver com amor-
se no outro,
a gente se encontra.
de todo canto
de todo samba
de todo gosto
de todo tipo
eita, quanto brasileiro!
Dondê cê é?
Dondê cê veio?
Quem é você?
Me fala, me fala um tico
dos teus amores e desamores
dos teus desejos
dos teus sonhos
carícias
ah, me fala!
Me fala tudo,
não precisa falar bonito não
fala, fala do jeitin brasileiro
que tô aqui pra ouvir
pra amar
porque eu vos digo, tem tanto amor
tanto amor dentro de mim
que por hora, acho que vou explodir
mas não é de mim não que eu vim falar
vim falar de vocês
de pessoas que mal conheço
da moça que fotografou pra gente
daquele que postou tal coisa bacana
tem tanta gente né?
de tanto canto
que até me espanto!
mas vim aqui
tentar dizer
que apesar dos pesares,
tem muita coisa boa por aí.
bora ver o mar
vir dançar
e cantar num balaio bem bonito
seja sol ou chuva
vamos juntos
pra ver assim,
-ver com amor-
se no outro,
a gente se encontra.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
.
Bêbados. Mas não daqueles bêbados trajados na graça e que te fazem ficar feliz. Não. Essa é a história de um bêbado ruim. Daquele que ia trabalhar, tinha duas filhas, era bonito e era uma boa pessoa. Mas bebia. Bebia tudo que vinha pela frente. E não obtinha controle sob nada. Álcool goela a baixo, até os olhos não enxergarem mais a beleza do mundo. Tudo distorcido. Aquele bafo nojento. Pútrido. Tudo borbulhava dentro de mim, eu tinha vontade de manda-lo pra bem longe. Pruma redoma de álcool, bem bem longe de mim. Não conseguia acreditar que um homem pudesse atingir aquele nível. O nível ruim do vicio. O nível que causa desprazer. Nem amor tinha. Não tinha nada. Era só um corpo vazio, cheio de álcool. Um corpo vazio que nem sabia mais onde estava. Não tinha mais os olhos bondosos que eu havia visto no momento em que ele estava sóbrio. Eu gritava: Cadê, cadê você? Não te conheço mais!
Não tinha mais amor, nem sabedoria. Havia perdido tudo pra bebida. E estava me perdendo também.
Ponto.
Era só um corpo, um corpo que não assumia que estava doente.
?
Não sei o que houve. Amei demais e desaprendi. Ou, amo tanto tanta coisa, que por uma mera fração de segundos pensei que amar era fácil. Achava, que somando tudo, dava amor.
domingo, 30 de junho de 2013
iaiá tinha o coração maior que ela mesma
iaiá era incontrolavelmente amante da vida
iaiá amava, e era simples assim.
amava as flores, as árvores , o sabor de frutas mordidas
a noite. o dia. os mais singelos momentos.
amava rir até doer a barriga e chorar como se a dor fosse durar pra sempre.
iaiá se enroscava nela mesma, no balaio dançante de todas as noites
iaiá era tão iaiá que nem eu entendia mais!
não entendia, porque iaiá sempre foi de sentir, não de entender.
iaiá construiu um castelo noite passada, e tá se retirando, pra bem longe
pra onde tem tanto amor que chega a explodir.
iaiá era incontrolavelmente amante da vida
iaiá amava, e era simples assim.
amava as flores, as árvores , o sabor de frutas mordidas
a noite. o dia. os mais singelos momentos.
amava rir até doer a barriga e chorar como se a dor fosse durar pra sempre.
iaiá se enroscava nela mesma, no balaio dançante de todas as noites
iaiá era tão iaiá que nem eu entendia mais!
não entendia, porque iaiá sempre foi de sentir, não de entender.
iaiá construiu um castelo noite passada, e tá se retirando, pra bem longe
pra onde tem tanto amor que chega a explodir.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
maria pintou o rosto
maria pintou a roupa
maria pintou-se inteira
pra ir dançar
maria maria sabia de nada
pôs o coração na varanda
e desenhou um novo
no mesmo lugar
pra ir dançar
maria , ô maria
fingia de poeta
fingia de maria
fugia de si mesma
maria acordou
no meio da dança
suada
cansada
calada
e viu que tava faltando
uma pitada de amor.
maria pintou a roupa
maria pintou-se inteira
pra ir dançar
maria maria sabia de nada
pôs o coração na varanda
e desenhou um novo
no mesmo lugar
pra ir dançar
maria , ô maria
fingia de poeta
fingia de maria
fugia de si mesma
maria acordou
no meio da dança
suada
cansada
calada
e viu que tava faltando
uma pitada de amor.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Reviravolta
Ouça lendo: http://letras.mus.br/regina-spektor/1496412/traducao.html#legenda (ou não leia)
Estava lá, trajando um belo vestido branco, como da primeira vez. Batom vermelho, coração cheio e sorriso estampado. Estava lá, trajando um blusão quentinho, como da primeira vez. Rosto misterioso, coração intenso e palavras sinceras. Era um dia desses, de inverno gostoso, não tinha chuva, só um céu bonito, e os dois. Esquentavam-se apenas com a presença um do outro. Formavam quase um corpo só. Um corpo tão feliz. Parecia que haviam esperado anos por aquilo. E era tudo tão bom. Estava lá, e eram meses que pareciam séculos na memória daquela menina. Estava tudo lá. Num passado que ia se tornando a cada dia mais distante. Primeiro foi uma semana, depois duas. Agora, quase um mês. Ou talvez, ela tenha se perdido na cronologia diária, porque cada restinho de memória ia se perdendo. Perdia-se tanto quanto essas palavras. Ela nem sabia mais escrever. Rompeu tudo. Desde aquele dia, ela parou de escrever. Esquivou-se do sonho de fazer um livro. Criou um campo a sua frente, e foi-se embora. Sem nem saber pra onde.
Um dia desses, ela estava lá, seus pés pisavam ladrilhos azuis, e expelia sangue, aos poucos, a cada passo, uma palavra perdida, um corte feito. Eram pontudos e perfuravam a pele com força, sim, a moça já nem sabia o que era pele e o que era corpo. Tudo esfacelava-se. Tinha pó por todo canto, roupas caídas, fotos rasgadas, e ela cuspia pra fora, uma montanha de sentenças. Pra que em algum momento, pontuasse uma sentença final.
Era um redemoinho de sensações. Seus pulsos estavam quentes, e seu coração batia numa velocidade que atravessava o tempo comum. A moça corria como nunca havia feito antes, os cabelos esvoaçavam conforme o vento tocava-lhe o rosto. Uma trincha de sol iluminava seu corpo machucado. Escorregava, pois seu corpo não aguentava mais parar em pé. Sentia as pontas dos ladrilhos perfurando-lhe inteira, dilacerada junto com seus pensamentos que não possuíam pontuação.
Nada importava. Ninguém entendia. Não havia céu. Nem voz. Ela gritava. Esperneava pra alguém. Mas nem os ladrilhos azuis mimetizavam-se pra ouvi-la.
Estava embriagada de lembranças, e infelizmente, por insanidade e (amor demais), ela não soube mais escrever. E já que, as palavras eram ela, porque era assim que se dava o corpo dessa menina, formava-se por pontos, exclamações e tentativas de palavrear. Já que não havia mais verbo, nem sujeitos. E tudo estava bem longe de ser qualquer conto com final feliz. Essa moça, afogada em absinto e clamores internos... Se rendeu, aos ladrilhos azuis, cujo sangue perpassava e tornava-os roxo.
E eu vos digo, era tudo roxo demais, pra conseguir verbalizar.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Sobre ontem, sobre muita coisa.
-porque foi grande-
Foi lindo. Lindo mesmo. Ver o sangue que pulsava em todos aqueles corpos juntos. Que vibravam vozes, da onde emergia uma energia que eu não sentia faz anos em nenhum outro ato. Pois é Brasil, tomou a dimensão que tomou, por nós. Fomos nós que fizemos tudo aquilo. E justamente pelo fato de que fomos nós, fico me perguntando qual é a coerência de pessoas que defendem o não levantamento de bandeiras de partidos no ato e chega...m a depredar, a arrancar bandeira da mão do militante. E não tô dizendo isso da boca pra fora, porque eu vi do meu lado gente arrancando bandeira do PSTU da mão do que segurava e esbravejando "sem partido, sem partido". Cara, pra começo de história vou deixar claro que não sou filiada a partido nenhum, mas sinceramente, como um companheiro disse "Manifestação não é um mero passeio na rua, é sim um momento de nos educarmos politicamente.'' Portanto, eu esperava que no minimo as pessoas tomassem consciência de que sim se o partido é favor da luta, ele vai estar nas ruas, ele vai levantar a bandeira em prol daquilo. Seja o PSTU, o PSOL ou qualquer outro que estivesse lá. Estranho seria companheiros, ter uma bandeira do PSDB no meio daquela energia linda que conseguimos criar. Agradeceria se os que se dizem apartidários e depredam bandeiras alheias fossem no mínimo pesquisar a respeito do histórico do partido e tivesse a noção de que a rua não é sua, e usando até o que vocês mesmo dizem: A RUA É DO POVO SIM. E TEM POVO que se expressa por partido.
Partindo pra outro ponto, sinceramente, eu não ia cantar o hino nacional e glorificar um Estado que reprimiu de forma grotesca os atos anteriores e que age de forma truculenta com a população desde de sempre. Ou não é por isso que estamos as ruas? Sim, a pauta é aumento da tarifa. Mas sinceramente, vejo que o ato só tomou as dimensões que tomou porque tá todo mundo cansado, foi o estopim pra que as pessoas saíssem às ruas. Num mundo de exploração, muita causa é causa, companheiros.
E lembrem-se, agora a causa é a tarifa , mas ainda temos muita muita luta pela frente!
E por fim, queria agradecer a TODOS que estavam lá, aos companheiros do Juntos! (coletivo que faço parte) e um adendo especial a Sofia e Ellen que num momento (depois de andar quilômetros a pé) eu passei muito mal, quase desmaiei, e elas juntamente com muitas mãos que eu não consigo lembrar quais eram, Sâmia Bonfim, Gabriel Caetano foram as poucas que eu lembro, pois afinal, eu tava vendo tudo embaçado, rs, quero agradecer, mesmo, por me ajudarem. E algo que me emocionou muito foi uma moça que estava ali por perto, viu que eu estava passando mal e ofereceu o apartamento dela pra eu ficar um tempo, sim, ela abriu as portas pra alguém que nunca tinha visto na vida. E são essas coisas, esses detalhes, que me dão força pra seguir. Agradeço também pela agitação de Claudio Ramalho, Mariana Ortiz, Cindy e galerinha que tava ali tornando nossos momentos de cansaços extremos muito mais alegres!!! E a minha querida Ana que tava do Rio de Janeiro se comunicando por sms comigo!
É bom frisar também o meu NÃO agradecimento a uma mídia manipuladora e golpista, que a dias atrás estava resumindo o ato a "um bando de baderneiros" e a agora , quando não havia mais forma de esconder, começou a mudar seu discurso. Meu NÃO agradecimento também aqueles que quando a mídia estava cuspindo seu discursinho contra o ato estavam também contra nós, e que agora magicamente vieram dizer: ''oh, mas até que a causa é justa". Puta merda. Parem de ser manipulados por uma rede globo e abram um pouquinho a mente de vocês.
É minha gente, parece que o povo tá acordando.
Obrigada, a todos que começaram a sair da cegueira diária que vivemos.
Que estejamos juntos. E que não paremos!
Partindo pra outro ponto, sinceramente, eu não ia cantar o hino nacional e glorificar um Estado que reprimiu de forma grotesca os atos anteriores e que age de forma truculenta com a população desde de sempre. Ou não é por isso que estamos as ruas? Sim, a pauta é aumento da tarifa. Mas sinceramente, vejo que o ato só tomou as dimensões que tomou porque tá todo mundo cansado, foi o estopim pra que as pessoas saíssem às ruas. Num mundo de exploração, muita causa é causa, companheiros.
E lembrem-se, agora a causa é a tarifa , mas ainda temos muita muita luta pela frente!
E por fim, queria agradecer a TODOS que estavam lá, aos companheiros do Juntos! (coletivo que faço parte) e um adendo especial a Sofia e Ellen que num momento (depois de andar quilômetros a pé) eu passei muito mal, quase desmaiei, e elas juntamente com muitas mãos que eu não consigo lembrar quais eram, Sâmia Bonfim, Gabriel Caetano foram as poucas que eu lembro, pois afinal, eu tava vendo tudo embaçado, rs, quero agradecer, mesmo, por me ajudarem. E algo que me emocionou muito foi uma moça que estava ali por perto, viu que eu estava passando mal e ofereceu o apartamento dela pra eu ficar um tempo, sim, ela abriu as portas pra alguém que nunca tinha visto na vida. E são essas coisas, esses detalhes, que me dão força pra seguir. Agradeço também pela agitação de Claudio Ramalho, Mariana Ortiz, Cindy e galerinha que tava ali tornando nossos momentos de cansaços extremos muito mais alegres!!! E a minha querida Ana que tava do Rio de Janeiro se comunicando por sms comigo!
É bom frisar também o meu NÃO agradecimento a uma mídia manipuladora e golpista, que a dias atrás estava resumindo o ato a "um bando de baderneiros" e a agora , quando não havia mais forma de esconder, começou a mudar seu discurso. Meu NÃO agradecimento também aqueles que quando a mídia estava cuspindo seu discursinho contra o ato estavam também contra nós, e que agora magicamente vieram dizer: ''oh, mas até que a causa é justa". Puta merda. Parem de ser manipulados por uma rede globo e abram um pouquinho a mente de vocês.
É minha gente, parece que o povo tá acordando.
Obrigada, a todos que começaram a sair da cegueira diária que vivemos.
Que estejamos juntos. E que não paremos!
segunda-feira, 10 de junho de 2013
menina de prosa.
Esses dias eu quis fazer um poema
mas descobri que não sei fazer poesia
muito menos pulverizar
a quantidade de palavras
que perpassam minha mente
sabia que se eu usasse um pouco de pê
daria um som bacana
mas, poxa, pê não pontua tudo
minha mente se faz de tudo quanto é letra
aqui é mente de texto corrido
de rabiscos, contornos e cores
mente que pulsa para e anda
mente de quem é da prosa.
Pois então em prosa-verso
tento aqui poetizar,
porque de poeta tenho apenas:
amor e muito a falar.
Eu existo no amor. No amor por toda cor. No amor por todo cheiro, todo gosto, todo rosto. Eu existo. E você? Aliás, na confluência diária de pessoas e acontecimentos, qual é o exato segundo que você para pra pensar na sua existência? Hoje eu parei pra pensar, e descobri que apesar de tudo, o âmbito da minha existência se dá no amor. E isso inclui você, o moço da banca de jornal, a professora inesquecível da quarta série, o beijo roubado, o corpo estirado e junto, os frenesis sentidos com o amante, inclui tanta coisa! Inclui o mundo. Pois então, posso dizer que existo no mundo? Mas calma lá, mundo é amor? Reflita. Porque aqui, nem quem escreve consegue parar pra pensar no que se diz. Acho que isso é coisa de quem existe no amor, essa coisa de falar sem parar, de ser sincera no sentido mais lato da palavra, de amar as pessoas por inteiro, de viver memórias, de criar palavra onde não tem e de entender que nem tudo precisa de explicação. Onde vê-se que dizer e escutar, é necessário. Onde sentir, basta. Sinto-me completa no meio da conjunção frenética que me encobre. E de mansinho, sinto-me no direito de te pedir, pra vir viver no amor também.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Percebemos que não nos desvencilhamos na totalidade de algo, quando insistimos em revirar tudo o que já foi dito, quando mesmo depois do fim a gente insiste em contar a história pra mais umas dez mil pessoas, pra ver se ajuda a passar a dor. Temos a mania de nos livrar das lembranças assim, revivendo-as, relembrando-as, falando a respeito delas até que um dia, canse falar. Até que um dia, revigorado, a gente sinta na pele: Fim.
terça-feira, 4 de junho de 2013
Disseram-me uma vez que o céu estava engarrafado, pois então resolvi olha-lo e vi que ele tava sim, sendo sufocado pela pressa da manhã, eram tantos pés sincronizados, tantas mentes atreladas ao relógio, um vai e vem de gente e iam se esparramando pelo asfalto junto à poeira asfixiante, às bitucas de cigarro que ainda exalavam o cheiro de pulmão paulistano. Bocas acordando, buzinas a falar, olhares passando despercebidos. Vives correndo. Morrerás às pressas também? E céu estava ali, engarrafando-se, perdendo-se em meio a todos nós; estava quase ficando cego ao ver a nossa cegueira diária...
Mas o sol estava ali também, misturando-se ao azul do céu e lhe cedendo calma. Tava ali, parado, apenas refletindo seus raios matutinos em nossos fios de cabelos amanhecidos, perpassando nossa pele que se desgastará com o tempo junto com as solas de sapato que continuam andando sem parar. Sem parar pra ver uma luz que está ai todos os dias, ora a noite, ora de manhã ou no sorriso de alguém, no conversar do pipoqueiro, no toque do amante. Uma luz dentro de mim, de você. De todos nós. Uma luz despercebida.
terça-feira, 28 de maio de 2013
fim
A essa hora da noite os meus olhos que tanto te viram e já acostumados à cegueira mundana só pensam mesmo em se fechar. Se pudessem ficariam séculos fechados e abririam numa primavera qualquer para vi(verem). Adocicado o sabor da boca noturna desgastada pós-dia em que falas foram soltas , em que o ar saiu do âmago e expeliu. Boca. Mãos. Olhos. Vejo que acabou. Lamento, antigo companheiro de chuva e frenesis. Lamento do fundo dos olhos que logo mais esquecerão sua imagem. Lamento do fundo da boca que não lembrará mais o sabor do beijo. E das mãos, e do corpo e até mesmo da fala que desfalecendo-se esquecerá, esquecerá e só terá uns dizeres, dizeres de lembranças de algo que foi bom. Lamento de corpo e alma -eles, que me fizeram, tentar, até o mundo resolver que tinha acabado-
uns fragmentos da semana
Há uma coisa muito louca perpassando esse mundo frenético e esses corações pulsantes. Há várias coisas. Tá tudo tão revirado, e é tanto tudo, que nem cabe no papel.
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Respirando ora flores com pitadas de cânfora ora ladrilhos obscuros que rasgam as narinas. Respirando sem saber de onde nem para onde. Diria que minha respiração tá quase se mimetizando com meu pensamento. E sinto dizer, mas estou parando de respirar.
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Respirando ora flores com pitadas de cânfora ora ladrilhos obscuros que rasgam as narinas. Respirando sem saber de onde nem para onde. Diria que minha respiração tá quase se mimetizando com meu pensamento. E sinto dizer, mas estou parando de respirar.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
dezoito
Ouça ao ler o texto a baixo (ou não leia): http://letras.mus.br/red-hot-chili-peppers/546774/traducao.html
Dancei a noite toda, com a pulsação tão forte quanto o amor que tenho dentro de mim. Pulei e soltei-me de todas as amarras internas, o passado que acorrenta, a vida que rompe e aí, no meio das lágrimas dói demais levantar... Mas os dias vão passando, outras pessoas vão chegando, e amor passado, vira só lembrança bonita, ou uma cicatriz, daquelas que sai sangue e depois mimetiza-se em uma marca corporal. Diria eu, que hoje as palavras são tantas, pois propulsa tanta sensação aqui dentro, que eu nem sei bem como organiza-las. Ainda assim, vejo que, mesmo com esse mundo doido, com todos os pesares, tem-se amor. E ele é tão grande. Tão verdadeiro dentro de mim. Sinceramente digo, que ontem, ao sentir o cansaço, vi que estava viva, sentia a pele como faíscas que tem muito a conhecer. Depois de uma noite toda, entre corpos e pensares, meus olhos me mostraram que apenas queriam enxergar sinceridade daqui pra frente, as mãos diziam-me que podem alcançar o que está longe e a mente -sábia parte humanizada- me disse de mansinho: Calma dona moça, que a dor tá passado, e tem tanto a se viver. Foram 18. 18 anos. Poderiam ser 100, ou 5, duas idades que me apetecem. Mas são dezoito. Intactos e verdadeiros. Cheio de lembranças, de amores e desamores, de experiências e arte. E, artisticamente digo ao mundo: Viva.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
http://letras.mus.br/mariana-aydar/1460526/
''Eu não escrevo pra ninguém e nem pra fazer música
E nem pra preencher o branco dessa página linda
Eu me entendo escrevendo
E vejo tudo sem vaidade
Só tem eu e esse branco
Ele me mostra o que eu não sei
E me faz ver o que não tem palavras
Por mais que eu tente são só palavras
Por mais que eu me mate são só palavras''
segunda-feira, 15 de abril de 2013
"Que nada nos defina, que nada nos sujeite, que a liberdade seja a nossa própria substância".
Que possamos andar nos jardins que aparecem por aí quando nos dispomos a acordar e ir ver o sol-nascer, que possamos dançar até doer os pés e cantar francês, irlandês e tudo que vir pela frente! Que se tenha força pra dizer não, e coragem de dizer sim. Que lutemos, por um mundo melhor. Que falemos clichês tão bobos e sinceros como esses aqui, pra que assim, solte-se todas as amarras moralistas e rotuladas num mundo que pulsa tão rápido que não consegue parar pra ver, pra respirar e pensar. Que coloquemos as bocas no trombone, como diria minha mãe. Saiamos às ruas, ocupemos as praças. Saudemos aqueles que vemos todos os dias, ou até mesmo, um mero transeunte que esbarra por ti num dia de metrô-cheio. Que se possa dizer o que se pensa, sem ser julgado por argumentos vis, que aprendamos com o outro e se perceba que todo mundo tem um tico a acrescentar, que se conheçam essências, e amores e que até nos desamores a gente viva. Mundo, podemos viver? Vamos lá, fazer um pacto de confiança e deixar as vergonhas de lado. Dance, pule, cresça! Ria e lembre-se dos seus dias de infância, das histórias contadas e imaginação a flor de pele. Lembre-se também da pré-adolescência, do primeiro beijo... Depois, do primeiro amasso. Das mordidas e carícias. Das madrugadas bem vividas ao lado de alguém. Grite muito, quando precisar. Desapareça quando bem entender. E ame, ame muito.
E se possível, entenda, que todos, todos têm necessidades.
domingo, 14 de abril de 2013
Amorando.
Um. Dois. Três. Escrevo. Ponto. Paro. Suspiro. Ah, mas que loucura, não? Essa reviravolta louca aqui de dentro, um medo pulsando, com medo de sentir coisa boa novamente. Sim, medo de sentir coisa boa, e sofrer tanto quanto... É, antes. Agitação corporal, como se tudo tivesse nascendo, como se eu olhasse pra fora e conseguisse ver nas árvores do outro lado da rua, um singelo e mistico jeito de ouvir um: Vamos, menina nova, vamos andar.
Que tem muito pra se ver! Pra sofrer, pra amar, pra dançar entre os ladrilhos de novas casas, e dias de café, e de chuva, e de sol com pitanga. Descanso. Descanso na confusão acelerada que me fez escrever. Descanso no pé de amora, que tem aqui do lado, que por mimetismo mental , eu criei, e ela existe, desde que conheci você, e hoje, hoje eu consigo olhar pra ela, e vê-la como uma árvore bonita dos meus sonhos passados. Passados. Passado! Passando. E eu sempre vou olhar pra ela, quando o sol estiver nascendo, e pedir bem baixinho: Espero que ele esteja bem. Porque eu amei ele tanto. Tanto, que ele nem sabe. Cuida dele pra mim, cuida. Cuida com o carinho que eu tenho aqui dentro.
Mas hoje, hoje eu tô saindo pra ver se nasce nova árvore, quem sabe, de amoras mais duráveis.
sábado, 13 de abril de 2013
Pass(ando).
Ao ler, ouça: http://letras.mus.br/paulinho-moska/125486/
''Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim''
Ai que delicia, que delicia gente nova, sabor de fruta mordida. Tudo bem novinho, recomeçando num bailado primário, nascendo pós-dor, pós muita dor. Delicio-me com essa sensação de que tá passando, de que tá fluindo e floreando, daquelas cores antigas e gostos passados, das dores posteriores a dias de amor. Gostaria de dizer nessa manhã nublosa que eu tô viva, como nunca estive antes. Os pés cansados depois de três horas e meia de teatro, o corpo dançando ainda a dança contemporânea da rotina de todas as minhas semanas, o céu olhando pra mim e de mansinho dizendo: Calma, alma. Calma.
Calada, no canto do meu quarto, com calças largas e mangas compridas confortavelmente pensativa, digo que estou bem. Estou bem por mim. Não mais por nós. Porquê... Nós? Que nós? Nós passou. Nós, acabou. Nossa noção nociva depois de amar. Nós, hoje, é apenas n, o acentuado e s. Pois hoje digo, que o tava mais pra nó do que pra nós, e por firmeza interna, aos pouquinhos, com ajuda dos sorrisos e dos meus viveres diários, permiti-me dizer que: Eu, basta. Eu tenho me deliciado com o que de fato, me faz bem. Prefiro eu e os tantinhos de coisas boas , como essa manhã, do que nós pela metade. Fica bem. Fica bem e um dia, lembre da gente. Como algo bom que...
Fim.
terça-feira, 9 de abril de 2013
sobre amor
As palavras estão trancadas, estão querendo ar, mas por descuido próprio, escondi-as de ti, por pensar mais em você do que em mim. Palavras respiram na liturgia diária que me leva a escrever, porém, respiram pra dentro, têm tanto medo de sair por aí, de soltar-se, de dizer o que sentem. Porque elas, até elas, sofreram. Até elas calaram, diante de tanta confusão. As pálpebras dos meus escritos fecham-se a cada vez que penso em dizer algo sobre você. Sobre cortejos de verão e beijos na chuva. Sobre isso sobre aquilo. Sobre abdicar um pouco, pelo outro. Sobre sentir que vale a pena. Ah, Deus, rogo-lhe epifanias literárias! Quem sabe assim mergulhada no tempo da saudade e no tempo que ora pulsa felicidade, ora, no breve espaço do lembrar, traz-me tristeza. Quem sabe mergulhando-me cada vez mais nas cálidas palavras que procuram por paz eu pare. E pense que para seguir , basta ser forte, tão forte como fui a seguir junto. Forte ao entender, que uma hora, finda. Afaste-me de mim a solidão narcótica dos vivos, que possa eu, viver só, mas sentir-me inteira. Que possa viver o outro, viver o eu, viver o nós. Que eu possa viver! Permite-me? Me ajude, ao menos, a te deixar. A esquecer os dedos nadando no sexo da flor, as mãos purpuras da pele real, pele que cola no corpo do outro e não larga mais. A esquecer que devo esquecer, e simplesmente, conseguir com a mesma força que me fez tentar, largar.
quinta-feira, 28 de março de 2013
Em meio a um suor pútrido, que respinga das axilas que trabalham diariamente, que pegam ônibus lotado, que sentem corpos cansados esbarrarem em si sem ao menos ter a opção de não tê-los ali. Em meio a odores ruins das esquinas, a pedintes de cada farol, a dor de cada um, seja ela dor de fome seja ela dor de amor. Em meio a esse mundo revirado de tristezas, em que ter sobrepõe ser, em que rotula-se tudo e esmaga-se a cada passo, esmaga o próximo, esmaga as sensações internas, porque se tem medo, medo de sorrir, medo de dizer que ama, medo do carinho. Gostaria de pedir-vos então, que me permitam ama-los, em meio a toda essa loucura, loucura que me veio a tona quando parei pra pensar que às vezes, um abraço forte, já ajuda. Não recuse amor.
terça-feira, 26 de março de 2013
Me deparo com um teclado que possui inúmeras letras, pontuações, números. Tenho um universo de possibilidades a minha frente, de possibilidades pra juntar, formar, palavras que voam dentro de mim, tem tantas, que nem sei por onde começar! Oh, me veio amor. Foi a primeira palavra que me veio a mente, ou será que burlei as regras da escrita e a coloquei propositalmente aqui? Regras... Quem diria, se a escrita tivesse regras eu estaria perdida, mais do que já estou. Acho que é por isso que andamos de mãos dadas, eu e as palavras, porque elas são tão fugazes como eu, tão intensas, dizem por si só. Será que sou uma palavra? Uma palavra que canta, que ri, que chora, que ama. Será? Diga-me, leitor, diga-me o que sou. Porque já nem sei mais, não sei do que digo, pra quem digo, por onde dizer...
Sei simplesmente que há um desejo enorme de dizer algo pro mundo, sem até agora saber ao menos por onde começar. Digo que tenho muito amor dentro de mim, tenho tanto amor, que por ora, acho que vou explodir. As palavras me entendem. Porque elas saem assim como meus pensamentos internos, elas correm por aí e quando menos espero, uma palavra me escapa pelas mãos (vulgo: boca). Eu sou uma palavra em meio as trezentas mil que estão em minha mente, sou uma palavra sincera. Junta-se a mim? A minha loucura matinal? Sim? Diga-me moço, diga-me se esta disposto, disposto a me amar, assim como amo as palavras. Mas advirto: Sou daquelas que andam feito verbo, que param feito ponto, que sentem feito todas as classificações gramaticais juntas, que possui reticência no olhar e interrogações nos dizeres.
Sou uma palavra-menina que anda aprendendo a amar.
segunda-feira, 11 de março de 2013
velhos tempos (de amor)
Banhava-me da lua e das estrelas
Não trajava nada, além da concupiscência momentânea
permeada de saudade
de lembranças
de encantos
Banhava-me de lágrimas
que perpassavam-me os seios
e confundiam-se com as sensações primárias
daquela que não sabe ser poeta
daquela que é da prosa e do extenso
extensivamente, sinto.
sinto que devo parar por aqui, até que um dia, talvez, nas profundezas dos meus desejos, você volte e diga uma palavra boa.
como nos velhos tempos
em que conversar noites a dentro, bastava.
sábado, 9 de março de 2013
Meu corpo, é MEU.
''Psiu, ô gatinha''
A um tempo atrás eu ouvia caras falando esse tipo de coisa pra mim na rua e simplesmente ignorava, pensava ''ah, tudo bem, deixa pra lá, é normal existirem pessoas idiotas assim''. Mas não, não é normal. Não é normal sair com um vestido ou um shorts curto porque tá um puta calor ou até mesmo porque você se sente bem e a cada quarteirão receber um comentário pejorativo. NADA disso é normal. Não é normal eu ser reprimida cada vez que uso uma roupa ou uma maquiagem que me agrada. Sem contar que existem várias formas em que isso ocorre, o que me levou a escrever essa postagem foi um ocorrido num sábado de manhã (horário que estava indo para meu curso de francês), estava com uma calça jeans básica e uma camiseta amarela, sentei num banco do lado da janela, o homem que estava do meu lado começou a se encostar em mim , aquilo tava me incomodando, então me esquivei mais ainda pro lado da janela, até que ele começou a fazer desenhos pornográficos com os dedos no banco da frente , sim desenhos ao ar livre. Eu fiquei puta com isso, uma raiva absurda, porque pior que falar um ''ô gostosa'' é um cara que te reprime de uma forma tão discreta que você não pode fazer absolutamente nada. O que eu ia fazer? Dizer pras pessoas que o cara do meu lado estava fazendo desenhos pronográficos? Duvido que iriam acreditar. Duvido que ele não iria dizer algo ''o quê? que menina louca.''
Essa foi a gota d'água. A partir daí eu comecei a revidar verbalmente, esses dias mandei um tomar no cu, ontem eu estava chorando desesperadamente na rua e um cara começou a mexer comigo, eu já estava ligeiramente estressada e magoada e quase dei um murro na cara dele, sim, eu disse quase. Eu apenas mandei ele se foder. Mas vai chegar um dia que vai ocorrer um acúmulo tão grande de raiva que eu vou revidar, vou descontar em alguém tudo o que tenho passado dia-a-dia. Vou revidar e sim, eu sei que um dia vão revidar de volta. Mas eu tô cansada, cansada de ter que andar em alerta na ruas. E eu sei que não sou só eu. Não achem que isso é normal, não achem que pra mulher ouvir um gostosa na rua ou um comentário pejorativo seja agradável.
E outra coisa, praqueles que não mexem com mulheres mas que insistem a ficar com elas e a forçam a isso de alguma forma, mesmo ouvindo um não da guria. Uma coisa: NÃO é NÃO.
sexta-feira, 8 de março de 2013
Vomito.
As entranhas internas pulsam
pra sair e levarem consigo todas as dores;
mistura-se tudo: dor. amargo. calor. ácido estomacal.
Mistura-se amor. Postula-se: dor.
As veias pelas quais passam o sangue
estão agitadas e confusas, sem saber pra onde ir
querem expelir sangue, querem jogar pra fora
alguns dias de amor.
A mente pela qual pensamentos correm
está confusa e incerta, sem saber o que fazer
quer expulsar qualquer segundo de lembrança
de uma dança.
Aos mãos que tocaram-lhe o corpo
tocaram outros milhões de corpos
para tentar esquecer apenas um
doce ilusão corpórea, de que isso ia romper com tudo.
A boca procura-te
A mente diz: Não.
As coxas: Saudade.
O corpo cheio de volúpia: Querer.
Eu? Dois pontos. Não sei.
Não sei eu não sei como lidar.
pra sair e levarem consigo todas as dores;
mistura-se tudo: dor. amargo. calor. ácido estomacal.
Mistura-se amor. Postula-se: dor.
As veias pelas quais passam o sangue
estão agitadas e confusas, sem saber pra onde ir
querem expelir sangue, querem jogar pra fora
alguns dias de amor.
A mente pela qual pensamentos correm
está confusa e incerta, sem saber o que fazer
quer expulsar qualquer segundo de lembrança
de uma dança.
Aos mãos que tocaram-lhe o corpo
tocaram outros milhões de corpos
para tentar esquecer apenas um
doce ilusão corpórea, de que isso ia romper com tudo.
A boca procura-te
A mente diz: Não.
As coxas: Saudade.
O corpo cheio de volúpia: Querer.
Eu? Dois pontos. Não sei.
Não sei eu não sei como lidar.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Estômago embrulha, e quase que um líquido ácido sai da minha boca. Somente. Somente por lembrar dos abraços , amassos. Laços. Um turbilhão de coisas dentro do teu corpo, e todas essas sensações misturam-se com os pensamentos que surgem a medida que tu lembra da noite passada. E aí tudo isso se mistura com algumas semanas atrás e você vai quase enlouquecendo no meio das lembranças que perdem-se na cronologia interna. Memórias de verão. Memórias de chuva. Memórias de ontem, de hoje, do amanhã. Memorando o momento pra que algo em meio a vastidão de sentidos, escape.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Minha mãe me contou quando eu era pequena que Ina significava senhora e Iara mãe das águas e que portanto meu nome significava: Senhora mãe das águas. Eu abri um sorriso enorme e dei uma risada, tinha em torno de 10 anos. A internet me disse hoje, que Inaiara significa Raio de luar sobre as águas doces. Uma amiga um dia desses me apelidou de Iaiá por causa de uma música, uma grande amiga, ah. A maioria das pessoas me chamam de Ina, deve ser porque Inaiara é complicado demais pra pronunciar. Quando me apresento preciso dizer no minimo 5 vezes é Inaiara, III, tem I no começo. Rs. Eu não sei o que significo, não sei muito sobre nomes muito menos sobre significados. Me perco tentando dar significado a tudo. Sou uma junção de abstração. Se eu pudesse daria a cada dia um significado pro meu nome, de acordo com o que eu sentisse. Se eu pudesse, ah, se eu pudesse, eu faria tanta coisa. Eu não sei muito sobre o amor, nem sobre as pessoas e tô aprendendo, aprendendo a viver. Talvez Inaiara signifique mesmo: Muito amor pra dar.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Sobre lembranças e caixinhas
Eu tenho duas caixas de lembranças, uma eu ganhei a uns dois anos atrás, achava que não ia ter nada pra colocar, hoje tem tanta coisa que nem cabe mais. Entre as memórias ali dispostas, têm pétalas de girassol, um papel com batom borrado, uns ingressos, o feijãozinho da terceira série, tanta coisa.
A segunda caixa de lembranças eu ganhei ano passado, ela é grande e ainda não tá toda ocupada. Dá pra bastante memória.
Lembro-me das vezes em que achei que as lembranças se perdiam com o tempo, mas talvez não seja bem assim, talvez num vai-e-vem de acontecimentos, a gente consiga gravar na mente o que de fato importou.
Não gosto de cobrir lembranças boas com uma montanha de coisas ruins que surgem. Detesto rompimentos.
Sou frágil e prolixa. Me perco dentro de mim mesma. Perco-me nas lembranças.
Efemeridades ressurgem a cada instante, e ter as caixas é uma forma de guardar tudo, tudo que vai indo vai andando no gerúndio diário.
Aliás, nunca gostei de diários, de escrever todos os dias sobre as coisas que ocorrem.
Eu tenho cadernos de escritos mal feitos, sem estética alguma, sem pensar, só palavras jogadas pro mundo.
No dia que eu morrer, quero que os cadernos e as caixinhas de lembranças estejam lá. Quero que tenha música boa, café quente e muito doce.
Lembro-me de lembranças embaralhadas com sentidos que surrupiam e perpassam minha boca, até que eu vos diga o que tenho vontade.
Sou um relicário, daqueles bem antigos. Que podem quebrar a qualquer momento.
Memória, não se vá. Que se comemore o memorando da vida.
Um dia, terei uma caixa só de memórias boas. E cujas lembranças não precisem ser afogadas por decisões ruins.
''É através de lábios alegres, feitos de fios, que o frágil capricórnio desenreda palavras,
como traças em velhos cachecóis.
Eu sei que o mundo é cheio de falhas,
mas dissipe suas dores de cabeça, e chame-o de casa.''
Chame-o de casa, chame alguém pra chamar seu mundo de casa e dissipe quaisquer que sejam as coisas ruins. Não tenha medo de botar os pés em água gelada, muito menos de conhecer o que não se conhece. Não tenhamos medo de viver. Já que sempre existirão empecilhos no meio do caminho, por que não se afogar de vez em tudo, engolir com todas as forças o que aparece, se jogar de cabeça? Quando se faz o contrário, uma hora ou outra vai falhar mesmo. Pois então, que seja verdadeiro, que se for feliz: seja feliz, se for triste: seja triste. Sem máscaras, sem rotulações ou incertezas. Que sejamos o que somos. Que falemos o que sentimos. Chega de criar um mundo paralelo. Encare a fome, encare os erros e os acertos. Encare o mundo escancarado em nossa frente, sem tentar permear as coisas, mas que no meio do que é explicitamente verdade, enxerguemos esperança. O que seria da vida, se desistíssemos a cada vez que uma gota de lágrima cai do rosto?
Abra os braços, tome banho de chuva, leia poesia, ande descalço pela casa em dias de chuva, assista filmes bons, leia livros, aprenda coisas novas, aprenda com pessoas novas, beije, transe, corra em gramados, ouça as histórias de sua avó, tome cerveja (e não dirija), ouça músicas boas, apaixone-se (quebre a cara), apaixone-se novamente (quebre a cara novamente), coma chocolate, diga a verdade, e apesar dos pesares: Esqueça as mil e umas coisas que deram errado e tente fazer dar certo.
A porta está aberta,
O mundo está pulsando,
é só parar pra ver.
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Tentaremos então abordar o que acontece no cais da Bahia. Não sou de lá, não sou nem de cá. Não sei de onde sou. Falaremos então sobre o quê? O que há pra se falar quando somente se quer dizer? Sem saber nem bem o quê. Tentaremos então abordar o coração pulsante de São Paulo, onde os martírios encontram-se a cada esquina, onde o medo paira corações pequenos, e as lágrimas correm por entre olhos, elas escorrem com tanta voracidade que sentimos sal purpurando nos nossos olhos. Eles ficam vermelhos, em mim, normalmente as bochechas também denunciam, ficam róseas. Aí fica sal saindo do olho, queimaduras na face e dores posteriores a um carnaval de pensamentos.
Dizem por aí, que todo carnaval tem seu fim.
É fevereiro, é carnaval. Mas terei que postular o aval entre eu e a dor. Dai-me trégua, por favor.
Observo as palavras que aqui começaram com Bahia, mas nós temos a grande mania de se esconder no meio do que de fato se sente. Temos medo. Mede-se tudo. Mede-se o medo do mundo.
Medirei então as medidas que podem ser tomadas na atual situação. Leitores não precisam disso, de escritos mal ditos.
Mas eu preciso dize-los pra não me afogar.
Que o engasgo, rompa-se. Que a roupa caia. Descalça num chão de ladrilhos vermelhos, um vestidinho azul, umas lembranças boas que veem a tona quando as tristezas surgem.
Mas que se consiga produzir, nua de você.
Estarei postulando que quaisquer ser-humano possa ser feliz.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Eu devo ter sido um pássaro em outra vida, porque nessa, eu não consigo parar , eu tenho que voar e voar e sentir-me cheia de asas, como uma pluma que não tem pra onde seguir. Eu tenho que ter asas imensas e cheias de vida, pra que eu possa voar com a maior velocidade possível. Até que. Até que. Ponto. Asas são cortadas.
Eu devo ter visto uma árvore florescer em outra vida, no beiral da minha janela, todas as manhãs. Porque sou tão apaixonada pelas flores, sinto-me intimamente ligada a elas. Até conversamos, por vezes. Eu, elas, o céu e o vento. Oh, o vento, a gente vive se adorando de baixo de árvores.
Eu devo ter muito mesmo guardado em mim, porque mesmo sem ter o que dizer, eu procuro alguma palavra concreta pra expressar-se no meio do mundo abstrato que tenho dentro de mim. Um mundo tão grande, tão grande quanto o de vocês. Cada um deve ter mesmo, um mundo tão profundo quanto a toca do coelho em que Alice caiu. Se eu pudesse, eu descobriria cada mundo de cada pessoa do mundo.
Se eu pudesse, ah, se eu pudesse, eu traria você pra perto.
Eu devo acreditar no sempre, no sempre por algum período de tempo. Eu de fato, tenho esperanças de que o pra sempre nem sempre acabe. Ou devo acreditar que por mimetismo interno eu tenha a capacidade de parar o mundo.
Eu devo cansar muita gente, com essas coisas, essas coisas de dizer o que sinto, de dizer o que quero. Devo mesmo. Mas o que posso fazer?
Todos têm necessidades.
Dizendo, da forma mais minimalista possível.
-Olá, quem é você?
-Olá. Sou.
(Inúmeras conversas. Sentimos que conhecemos.)
-Ah sim. Eu também sou. Mas aguento o tranco.
-Você está bem?
-Na medida do possível , sim.
-Vai dar tudo certo, viu.
-Eu espero.
-Eu quero.
(Foi-se embora
...
e eu dizendo que aguentaria o tranco.)
Mãos púrpuras com as cores mais rubras que um dia poderia tomar, digitam aqui como se pudessem expelir minha dor. Por dentro, às vezes, sofremos. Sentimos dor , daquelas que você não consegue nem conceber o tamanho, porque dói de verdade, como se você tivesse levado um tiro no peito. Dói tanto que parece que você pode sentir o sangue escorrendo. Por esse motivo, faço sangue virar palavra. Agradeço tanto por poder escrever, eis-me aqui uma válvula de escape. Eu escrevo, alivia um pouco. A dor não vai passar, mas ao menos, dá a sensação falsa de que amenizou.
Esse é o preço a se colher por amar tanto as pessoas.
Não me arrependo de me entregar, muito menos do vivido.
Não me arrependo de ser.
De ter. De ver.
De sentir.
Mas uma hora,
acaba.
Não.
Não é a hora.
É hora de recomeçar. De tentar. Se for pra sofrer, que se sofra.
Mas que se valha a pena.
Que se sofra por ser feliz.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Caminhos de Areia
Capitães da areia, livro de cunho realista e regionalista, escrito por Jorge Amado, publicado em 1937, discorre sobre a vida de um grupo de crianças abandonadas em um velho armazém de mercadorias, próximo ao cais da Bahia. O livro começa com reportagens de um jornal fictício que aborda varias visões a respeito dessas crianças, consideradas por muitos como marginais. Logo ao inicio já é evidente um caráter crítico em relação a como essas crianças eram vistas diante da burguesia e autoridades da época.
Após essa introdução com as noticias de jornal, o livro se divide em três partes, a primeira chama-se: “Sob a lua, num velho trapiche abandonado”- nos contextualiza ao ambiente em que viviam as tais crianças e introduz os personagens do livro. No grupo viviam mais de 50 crianças; Pedro Bala, filho de um grevista que morreu baleado, é o líder cuja cicatriz que possui no rosto evidencia sua audácia, organiza os assaltos e coloca ordem no trapiche. Sem Pernas, era coxo e o que mais sente falta de carícias, finge-se de órfão desamparado para posteriormente levar objetos de valores para os Capitães. Volta Seca era afilhado do cangaceiro Lampião e nutre extremo ódio pelas autoridades. Sem contar em Gato e Boa-Vida, dois malandros, um conhecedor da sedução e prazeres da vida logo cedo e o outro das festanças baianas. Professor, era o conhecedor dos livros e trazia o mundo sonhador da literatura para aqueles, que desde criança não tinham contato com as palavras. Sem contar em Dora, menina do corpo enfraquecido pelas dores do mundo e dos cabelos loiros como o sol da Bahia, esposa de Bala e mãe de todos.
O livro é um retrato de personagens, cada qual com suas idiossincrasias. Um retrato da Bahia dos pobres, e mais, do policial que mantem a ordem marginalizada e do reformatório que entulham crianças e as educam com bofetões. Dos meninos que parecem tão homens, mas no fundo possuem a pureza infantil. Sem casa. Sem pai e mãe. Que passam fome. Fome. Diria umas das maiores violências do Brasil. Uma história de crianças que seguem cada qual seu caminho, tentando fugir da miséria de uma sociedade determinada pelo poder e capital. Um anceio por liberdade.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Abri a janela hoje e vi um colibri. Ele era pequeno e receoso, tinha medo de amar. Tinha olhos de tristeza. Eu não sabia o que fazer. Só conseguia ter pensamentos tão pontuados como esse escrito. Então eu disse pra ele que a vida é curta demais pra não ser comemorada e ele disse coisas que me magoaram. Sim, colibris falam! E como falam. Hoje eu abri a janela. Hoje eu abri a janela pra respirar e ver o sol nascendo e ver a rua andando e as pessoas correndo e os colibris voando e ando ando ando. Hoje eu abri a janela e me senti viva. Com mãos, pés e pulsação. Colibri bonito, não vai embora e venha sempre me visitar todas as manhãs. Tem muita chuva pra tomar e muito sol de fim de tarde pra (secar) , viver. Vivermos. Veremos.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Andando por aí, em um chão cheio de paralelepípedos lembro de um gosto gostoso. De um sabor que eu nunca vou esquecer. Andando por entre paralelepípedos meus devaneios se misturam com as cores e construções que me cercam, e com os sons de São Paulo. Ah, São Paulo! Cidade da garoa, dos amores, dos encontros e desencontros. Da fome, da pobreza, da tristeza. Ah, São Paulo! Você me pediu pra ficar, pra ficar aqui , pertinho de você. Era mesmo, pra ser por Sampa, minha correria, meus pulsos acelerados, meus escritos mal-escritos, minha euforia, minha euforia pertence cada vez mais a essa cidade. E euforicamente eu digo: Tenho amado!
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
dia de maça
Um dia desses eu comprei três maças. Uma vermelha grande, uma verde grande e cítrica e uma pequena e singela. Um dias desses eu comprei três maças. Uma vermelha não tão boa, uma verde bem gostosa e uma pequena de dar gosto. Um dia desses comprei três maças. Ah, é, um dia desses, desse dia de maças, eu fui feliz. Eu senti sabores bons, chuva forte e corpo vivo. Um dia desses eu fui feliz. Nesses dias de maça eu fui feliz. Bem feliz. Eu senti olhares, volúpia e paz. Um dia desses saberei escrever, escrever sobre dias de maças, dias que trazem paz.
E como caminhasse vagarosamente, Uma moça, Iaiá, viu a máquina do mundo. A máquina fazia um barulho absurdo e era enorme, cheia de artifícios. Dificil era quem poderia entendê-la. Parecia tão complexa! Entretanto, Iaiá é uma pessoa que tem curiosidades e interesses especiais. Foi ver de perto. E Sentiu. O tempo que apressiona. A dor do descaso do outro. O coletivo descaso pelo outro. Motivos e desmotivos. Iaiá suspirou. Respirou. Percebeu uma entrada, foi correndo até lá. O corredor era cheio de peças complexamente entreligadas. Ao final, uma sala quase vazia, uma cadeira, um volante. Dizem que curiosidade mata. Mas Iaiá não se importa, quer mais descobrir, entender, viver. Assumiu controle. E voou! Sim, a máquina voava! Iaiá voou sobre as regiões verdes e cinzentas, pobres e nobres, montanhas. Havia vida, em todos os lugares, das mais diversas formas. Avistou sua casa! Percebeu que os mais vastos latifúndios também têm limites. Ver o mundo por cima amplia a linha do horizonte. Ao descer, era uma pessoa mais feliz, ao perceber que a máquina tinha sido colocada em seu caminho para lhe mostrar que ela, e somente ela, seria capaz de assumir o controle de seu próprio mundo. E que isso lhe traria algo bom. E como caminhasse vagarosamente, que uma nova fase se iniciara.
Seu sempre amigo e irmão, Klauss Schramm
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Um texto adolescente , mas sincero. Sobre acreditar.
Ai ela diz: ''Mas eu nunca vou gostar de outra pessoa, é ele meu, ele é o cara certo. Eu não vou correr atrás dele. Mas eu tenho tanto medo, tanto medo dele não correr atrás de mim''. Pois então, quando ela dizer isso pra você, seja ela sua amiga, sua irmã, ou uma conhecida, você fala pra ela, fala que vai passar. Porque sabe, essas coisas passam. E se ele não correu atrás é porque não era pra ser. Não, príncipes encantados não existem, nem histórias de amor que duram pra sempre. Mas uma coisa existe: Amor. Amor por si só. Amor dentro de cada um. E se esse existe, existe em outra pessoa pra ser compartilhada com você. Não existe ''cara certo, pessoa certa'' . Existem pessoas e amor. Somente. E existem coisas que dão certo e coisas que não dão. E existe uma palavra muito importante nessa história toda: Acredite. Talvez ela com mais três palavras fique melhor: Nunca deixe de acreditar.
Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Sou tão tranquilo e tão contente.
Tenho tentando seguir pelas entrelinhas torturantes que perpassam minha vida. Tenho tentado viver, apesar dos pesares. E tenho percebido que não é tão dificil assim, muito pelo contrário é bem fácil. Bem fácil viver, apesar da fome, apesar de tudo, dá pra conseguir. Pensando no outro, pensando no mundo. Aliás, vivemos sempre ''buscando a felicidade'', mas não paramos pra perceber que ela ta aí, em cada sorriso em cada esquina. É só enxergar. Parar pra ver. Não tem essa da ''felicidade surgir'', simplesmente, porque ela tá no abraço cálido de um amigo, no beijo ávido do amante, nos dizeres e nos pensares. É normal não dar certo. É normal dar certo. É tudo bem normal. A gente que cria dez mil expectativas a respeito da felicidade. Pois então, que seja-se feliz até na tristeza. E bom, a tristeza é sempre produtiva. Tudo tem um lado bom. É só parar para ver. E uma hora chega, bem de pertinho, e te acalenta por um bom tempo, até que você começa a acreditar... Nas coisas boas.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Hoje não quero falar sobre sentir.
Hoje não quero falar sobre o que sinto.
O que eu sinto? Do que importa?
Bato em casébres pra pedir uma gota d'água
Vejo meninos com pés ao léu
E barriga vazia.
Canto ternura
Mas tanto faz
Porque há dor.
Hoje não quero falar sobre sentir.
Bato na porta de casas vazias
De mentes profundamente
sem ter o que comer
Fome de educação
Fome de comida
Fome de ter fome.
Vejo olhares cansados
Bocas secas
E fome.
Vejo fome em todo canto.
Vejo cantos e cantares.
O que dizer se há pobreza?
O que dizer se há dor?
Os meus sentimentos
As minhas fraquezas
Hoje não importam.
Não há rima.
Não há casa.
Não há nada pra haver.
Só há eles, eu e você.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
disritmando, ando. parando.
Disritmia completa. Vou explodir! Lábios tremendo. Confusão interna. Um monte de coisa angustiando o coração. Vontade de arrancar com as próprias unhas qualquer sentimento que seja. Vontade de arrancar o que der. Minha retina tá cega. Meu corpo tá fraco. Minha mente tá translucida a ponto de sair voando por aí. Voe, voe, por favor, e leve tudo isso embora, depois traga de volta, reconstruído. Meus pontos estão pontuando demais tudo isso aqui. Digo e ponto. Ponto e digo. Só quero curar, curar essa coisa louca. Se ouvisse sua voz. É. Tudo estaria mais em paz.
http://www.youtube.com/watch?v=F1djIHS476o
Mordi a boca ouvindo uma música calma e comendo uma bala. Mordi a boca. E senti o sangue dos lábios. Sangue que pulsa dentro de mim, que corre pelo meu corpo. Não tô pra música calma. Não tô calma. Zé Ramalho, hm, até vai. Sangue escorrendo, tocando meus dentes brancos. Sinto-o na ponta da língua. Sinto na ponta da língua o que quero dizer. Mas não se diz tudo ao mundo. Calo-me com música e sangue.
domingo, 27 de janeiro de 2013
Engasgo como se tivesse comido um prato cheio de flores carnívoras. Flores tão vivas que oh, nem pareciam flores. Engasgo com minhas dúvidas e minhas perguntas (vãs). Engasgo com a vontade de ir correndo te buscar. Engasgo com essa montanha de coisas que estão borbulhando dentro de mim. Engasgo de saudade.
Não se dá título à essas coisas.
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Era uma vez uma Lhama chamada Rudá. Mas não era uma Lhama comum. Não era, porque Rudá na verdade não era uma Lhama. Rudá era um garoto que fingia-se de Lhama e que fingindo ser uma lhama usou de suas lhamicidades e cativou uma garota qualquer. Garota que abria sorrisos quando falava com ele. E ela disse, que lhamicidades duram muito mais do que semanas. Elas duram.
Quando eu tinha 12 anos eu pintava. Quando eu tinha 12 anos eu dizia que ia ser artista quando crescesse, que montaria um atelie e venderia meus quadros. Que espalharia arte por aí. Quando eu tinha 12 anos eu acreditava mais no mundo. Quando eu tinha 15 eu fui pra Salvador, e eu gostei de ver o mar azul. Quanto eu tinha 15 eu conheci uma pessoa especial que hoje é um grande amigo. Quando eu tinha 8 meu livro preferido era sobre uma centopeia que sonhava em voar, nadar e fazer tudo que suas 100 perninhas não permitiam. Quando eu tinha 16, oh, eu não lembro muita coisa dos meus 16, deve ser porque foram bem conturbados. Hoje tenho 17, quase 18, e tenho tanta coisa pra falar, tanta coisa pra ver, pra ouvir, pra viver, aprender. Do 1 até os 17 eu conheci bastante gente. Gosto de gente. Gosto de abraços, de euforia, de beijos, de corpos. Gosto de ter 17. De lembrar dos 13 , de viver os anos. Gosto de escrever. Sempre gostei.
Abro uma aba com dicionário, pra ver se encontro alguma palavra que de fato expresse o que sinto. Mas não, não há nada pra dizer. É uma dor louca aqui dentro, uma confusão doida. Olhares perdidos. Tocares lembrados. Mas que inferno. Por que diabos complicamos tanto as coisas? Se há vontade, se há tudo aquilo que de fato é necessário... Bom, deixa pra lá. Meus pulsos tão quase explodindo, expelindo uma coisa doida que tá pulsando aqui dentro. Ah, nessas horas, só resta respirar fundo, e bom... Apontar pra fé e remar.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Não nasci pra poesia
Nem pra poetizar
Sou da prosa e do verbo
Do falar sem parar
Mas às vezes, tento fazer uns versos
E não dizer muita coisa
Porém vejo que versifico como se estivesse
narrando (falando)
não tem estrofes nem rimas perfeitas
só tem palavras pronunciando permanentemente
o que se sente.
Pieguice.
Sou piegas mesmo
Piegas ao falar
Piegas ao beijar
Piegas de natureza.
Mas em meio a pieguice nata
encontro uns amores por aí
encontro uns odores
uns clamores
tão vividos
tão piegas
mas tão fortes
intensos
latentes.
Pulsam junto comigo
dentro de mim
sinto-os dentro de mim
cada vez que aquela respiração
paira em meus lábios
cada vez que vejo no meio da pieguice
uns dizeres intensos
uns falares sinceros
é, bem que dizem, que clichês só são bonitos quando vividos.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Somos finitos? Ou infinitos? Uma música toca, com batidas escorregadias, batidas que me lembram batidas de corações. Batidas de sentidos , que romperam. Batidas posteriores a uma noite qualquer em que se diz o que quiser, sem concretude ou entendimento. Só diz. Não pense, não. Não hesite. Não pense por um instante em pensar. Somente diga, diga pro mundo o que te acorrenta. E ouça uma música boa, coloque-a no volume mais alto , ou se preferir, deixe baixo... Digo isso, porque música alta me faz lembrar melhor. Minha prima me perguntou hoje porque eu tava prestando letras, e eu respondi: Porque eu quero. É, eu quero, quero escrever por aí, viver por aí, dançar por aí, lembrando de lábios, vivendo lábios e corpos... E nesse momento usando os meus próprios lábios para dizerem ou expelirem da forma mais sincera e nata ao mundo , o que quero dizer. O que quero dizer.... É que tem amor por aí. Digo, que tem amor em nós. E esse amor, faz-nos infinitos por alguns instantes. Eu sou infinita de amor.
Vou fazer um verso branco, sem rima pralá nem pracá.
Um verso áspero e cálido, que diga somente por dizer.
Não sei fazer versos lindos,
nem mesmo versos calados
eu sou o que digo
eu sou o que faço
sou poema
e acaso
enfrentando
teclado e letras
entrelinhas e dizeres
confusões ocasiões
rabisco e canto
sem cantar bonito
digo o que penso
digo o que quero
digo que penso
que deve-se ter
mais amor ao pensar
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Iáiá se enojou, ao ver tanta dor, gente por aí que não sabe o que é o amor, nem mesmo aquele amor minimalista que deve-se ter ao próximo, ao colega que seja. Ao vendedor de pipoca. Aleivosia com pitadas de egoísmo, egoísmo que perfurou pele de Iáiá, que foi perfurando até rasgar-lhe os pulsos. Expelia sangue de Iáiá. Era um sangue tão vermelho como o amor que pulsava dentro dela. Amor de amiga, amor-Iáiá. Não é pra entender. Iáiá em meio a tristeza sentia gente por aí que não sabe o que é no minimo, respeito. Iáiá só queria ter tido respeito. Iáiá falava por aí, ria e chorava. Iáiá era sincera. Iáiá tava morrendo, no meio de uma poesia mal feita misturada com seu próprio sangue amargo. Sangue cuspido por outro. Proferido as palavras, Iáiá as engoliu e teve que lidar com todas elas sozinha, sem ser ouvida. Sangue sinceramente sereno pós-chuva. Pós-raiva.
Pois, pôs uns pós em tudo pra ver se passava.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Sampando por aí,
na São Paulo noturna
cheia de encontros e desencontros
cheia de amores e desamores (dores)
Sampando por aí,
entre esquinas e doçuras
nas mordidas memoráveis
nos clarões iluminados
de ruas oportunas
que ainda assim possuem algo
algo bom, algo vivo.
Sampando por aí,
entre beijos e choros
entre fome e cores.
miseramente, se é que posso pedir,
peço-vos amor, amor noturno. amor diário.
amor sincero que vive sampando por aí.
Somos um bicho estranho. Sai sal dos nossos olhos misturado com água. Sai risos de nossas bocas até doer a barriga. Amamos corpos e bocas. Temos tristezas certas e certezas incertas. Vivemos correndo por aí, buscando coisa nova, gente nova, vida nova. Ser feliz? O que é isso? Felicidade é levantar de manhã, é abrir a porta pro sol nascente, é escrever besteiras como essa sem ligar pro que vão dizer. É ler Poe e sentir calafrios na barriga, ou ficar drummonizando por aí com pitadas de lispector. É falar, gritar pro mundo: Estou viva. Estou vivo. Eu amo. Eu sinto.
E no meio da noite, do sono latente percebo sem nenhuma percepção concreta que somos um mistifório de sentidos estranhos. Sentidos humanos.
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