sábado, 25 de agosto de 2012



Peninhas vão-se embora e voam pra negritude de um céu anoitecido.  Uma por uma, como se eu as soprasse a cada segundo, e meu coração estava despenado, adormecido. Eram penas de pássaros mortos por mim mesma, que cortei-os um a um, pra formar balões, só assim, por bel prazer. E as penas desses foram parar em minhas mãos, e quando saiam iam formando novamente pássaros. Pássaros verdes que tingiram meu vestido, meu cabelo. E iam tingindo minhas mãos, cobrindo o sangue vermelho de verde, até que resolveram ir embora, e me levaram junto. Fomos todos nós, eu, o balão de pássaros e o sangue sonegado por menina.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012




E das botas batidas passadas firmadas no solo, veio o lodo. E do lodo expeliu as flores. E das flores brotaram cores, cores permeadas de passos surrados. E dos passos surgiu um brio pelos pés que ali andavam e semeavam uma nova partida, sem esse limo de penúria, que veio de você.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012



Tesouras cortam, ficam fechadas ou abertas, podem quebrar também. Tem aquelas, sem pontas da terceira série do fundamental, mas elas vão embora com o tempo, e cedem espaço às intrusas tesouras com ponta. Tesouras causam sangue, se quisermos, e se não quisermos também. Tesoura? Qual o motivo de escrever sobre uma reles tesoura? Pergunto-me o que fazer com as tesouras, que aparecem, assim na minha vida, sorrateiramente, e cortam-me os pulsos, por ora, fazem-me sangrar, mas quando surgem, me trazem um desejo de usa-las pra recortar papéis, pra recortar caixas de presentes e cartões, pra fazer e desfazer recortes. Um frenesi louco, por aqui. E só. Digo; é só, assim, isso.

Letras saindo.



(http://letras.terra.com.br/los-hermanos/71328/)

Será que os outros, aqueles que escrevem, também gostam de juntar as letras pra ver no que vai dar? Será que é só dizer ou é falar? A melhor maneira de expressar. Não sei direito como explicar, mas é aquela vontade sorrateira que sempre paira por aqui, vontade de somar as letras e pontuações e deixar sair, assim, soltando mesmo, fluindo. Sem usar dicionário ou definições concretas; sem me preocupar em dizer de fato algo que lhe faça diferença. Não tem que fazer. Tem que ser, ser sincero. Queria poder dizer a raiva que tô sentindo, uma raiva do que não houve, vontade de comer nuvens brancas e tomar banho de chuva, pra ver se passa. Ver se passa a vontade de chorar.


Tenho a impressão de que as cores andam imprimindo em mim com tanta vivacidade que não consigo mais tira-las de perto. Andam imprimindo, exprimindo. Essas cores assim, num vai e vem, cambaleando e tropeçando nas ideias insanas de uma menina que não sabe direito o que diz. Tenho dito da maneira mais torta, porém, mais sincera que consigo. Folhas têm reluzido por aqui e colorido minhas manhãs tão bem. As noites, então, que o digam. Serenamente vão tornando-se gravuras do dia-a-dia, daquelas que fazemos com goiva ou até mesmo com o instrumento perdido da gaveta. Aquelas que marcam.

polícia , pra quê?

http://letras.mus.br/titas/


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Estava eu, ouvindo minha música quando ela é interrompida por passos rasos e de fome. Era um morador de rua no metrô, com um marmitex na mão. Ouço o fiscal da estação dizer: Passa logo pro outro lado, menino. Ele atravessa as catracas com um sorriso de quem está fazendo arte, curioso, diríamos. Mas eu gostei dele. Continuei observando a cena, quando do nada como se houvesse saído de um conto do Poe um PM surge, oh, aqui há um erro, um PM nunca sairia de um conto do Poe, embora foi uma tentativa falha de introduzi-lo ao terror. Ele então, com sua pseudo-postura de ''estou defendendo a civilização'' com seus mais dois companheiros, olha para o garoto e não o dá nem tempo de respirar, começa a encara-lo com seus olhos profanos e grita:
 ''Por que não vai pra casa?'' O garoto se esquiva e diz: ''Não sei voltar pra casa não, tiu''. O PM continua gritando: ''Vai vaza, vaza muleque'' E o menino vai sendo enxotado escada à fora com um PM exacerbando: ''Quer apanhar? Quer apanhar?! Quer tomar no cu, em em?''. Meus olhos inconformavam-se com a cena, tinha raiva e ao mesmo tempo pena, não do menino que possuía menos de 12 anos e sim do policial que no fundo possuía só uma tentativa torpe de dizer ''eu mando nessa porra''. Esse não é um texto jornalistico, e bem longe de ser bonito ou bem escrito. É repugnância, repugnância pura e latente, daquelas que você exorta e joga assim, num texto seco e mal feito.


terça-feira, 31 de julho de 2012

Uma boca palavreando.


Engoli um livro ontem, cheio de palavras bonitas, elas entraram no meu corpo e me enrolaram de mansinho. Cheio de nuances, essas palavras sorrateiras! E ai elas colaram na minha boca e foram saindo pro mundo, tinha uma que eu simpatizei bastante, e ela mudava conforme as páginas, como se em cada página possuísse uma cor diferente, queria se mostrar entre as outras, mas ao mesmo tempo era tímida, tinha medo de dizer o que sentia, expressava e desesperava. Era curta , somente três letras, e passava por entre as folhas, metralhava sensações no meio das tristezas narradas no livro, tristezas do pobre, do que passava frio, do que vivia no mundo suburbano e esperava uma luzinha de calor, que esperava um carinho de mãe, essa palavra faminta perpassava o livro e chegou a mim, conforme fui mastigando-a, abracei e proferia ela com intensidade, pois eu tinha fome, fome de Amor.

vem aqui

Hoje me falaram que meu dois amores são o livro e a música, logo após eu ganhar uma clave de sol de metal para marcar livros. Em um ontem aí, um hippie que talvez estivesse um tantinho ébrio, que após termos um diálogo um tanto engraçado me deu um porta fotos artesanal de estrela.
Hoje eu vi a lua, ela tá tão bonita. Quero arranca-la do céu por um segundo, senti-la e depois devolve-la, assim do jeitinho que gostaria de fazer com você, gostaria também de que existissem mais palavras e pontuações...
Não consigo achar a certa. Procuro. Não acho. Cansaço.
Hoje não sei muito bem como dizer o que quero dizer. Em um ontem aí, talvez soubesse. 

É você. Tudo sua culpa. Menino dos olhos distantes que exala superficialidade mas tem um sorriso que gosto, que irrita quando é usado propositalmente para chamar atenção, mas que quando é natural -e olha que são poucas as vezes- me encanta. Não. Isso não é paixão. É qualquer coisa que não sei definir. Aliás, quem é você? Em? Me diga. Olhe pra mim e converse de fato comigo. Pare de ter medo do mundo. Você não é o único nele; querido distante, de hoje de ontem de amanhã


De quero ajudar.


Vamos, por perto. 
Com o por favor que você não usaria. 


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Sem título.

http://letras.mus.br/skank/36668/


Eu não sei como dizer e nem o que dizer. Tava fitando a lua hoje, e lembrando, do seu olhar pairando no meu, discretamente. Tão discretamente a ponto de você não conseguir encarar-me de fato. Uma imensidão de sentidos devem existir ai dentro, e você sempre mostrando apenas aquele sorriso , mostrando-se amigo de todos. Eu queria ser sua amiga. Queria ser sua. Mas não te conheço, me perco pensando no que realmente você trás ai dentro. Quem é você, afinal? Diga-me de uma vez por todas, diga-me o que pensa de mim, do mundo, de você. És tão peculiar, tão assim, tão você. Não sei definir se foi erro ou não, se foi erro, foram dois, duas vezes seguidas. Eu sempre insisti em você, há alguma coisa ai dentro que me atrai e me impulsiona a te observar, a desvendar cada vez mais o que você faria quando está perto de mim. Queria poder dizer que você é um bom amigo. Mas normalmente, são amigos aqueles que conhecemos, e a gente só conhece o que cativamos e o que nos cativou, e isso, infelizmente, não aconteceu com nós. Talvez assim, nos conformes, no tocar inusitado, no abraço singelo, na vontade de conhecer, talvez assim , cativar-se-á.

vermelhando


As unhas desbotavam , aquele esmalte vermelho-mate desgastando-se com o tempo, e a preguiça que me perseguia não permitia que eu tirasse-o dali. E ia caminhando, passando esmalte por cima de esmalte, e as intempéries do tempo vazavam e corroíam minhas unhas. O vermelho nunca se permitia sumir, e tava sempre me perseguindo, ora no vestido, ora nas unhas, ora na boca. Aquele vermelho vivo, vendo, vivendo voando.   E eu o amava, amava de uma forma tão vermelha, e não tem cor mais clara pra evidenciar o amor que eu sentia. Era amor vermelho. Amor menina. Amorcor. 

domingo, 1 de julho de 2012

manhã falante

http://letras.mus.br/tie/1978257/#selecoes/1978257/

Quero engolir um dicionário, e jogar as palavras vindas dele aqui. Exatamente aqui. Quero me perder nas pessoas, quero sentir o gosto amargo da dor , quero amar o gosto doce do amor. Quero viver! Tenho vivido, quase explodindo de tantas coisas aqui dentro, quase explodindo ao tentar dizer algo. Eu falo muito, sim falo. Mas eu tento falar pra conseguir assim, expressar o que sinto.... E já não é mais sentir, é além disso! Oh, palavras estupidas, não conseguem dizer o quero... Mas tudo bem, agradeço por estarem tentando, estarem tentando soltar-se das amarras que eu mesma criei, tentando criar nas entrelinhas um texto com algum viés de sanidade. Uma frase e ponto, é assim que tem sido os meus escritos, tão fragmentados, tão precipitados, mas tão sinceros, e é tão bom poder ir escrevendo sem parar, sem sentir, é bom não pensar. Estou me segurando pra não abrir o dicionário e procurar uma boa palavra, daquelas irreverentes que a gente usa em textos acadêmicos. Mas pra quê? Pra quê? Se eu só quero dizer assim, do meu jeitinho torto, com sabor de frutas mordidas. Umas palavras assim, encurralando-se no meu pensamento e tentando só expressar algo de uma manhã de sol, que gosta de falar.

sábado, 30 de junho de 2012



Depois de tanto choro, de tanta raiva e angustia aclamada , postulada em uma manhã de sábado e uma noite de sexta. Depois de tanta coisa, de tanto tanto. Depois a brisa leve bateu na porta, e ao abrir, as cores calmas começaram a dizer olá,começaram a balançar dentro de mim, e vieram tão discretamente, que não deu nem pra pensar em não abrir a porta. O tempo tem sido meio insolidário, mas , dá pra ir vivendo e sorrindo, e amando... Amando.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Eu estou viva. Vi-va . Dentes encostando nos lábios e pronunciando a palavra. Fonética, lembra-me as vezes em que eu falei sem parar contigo, falar sem parar matracando sem pensar. Feche os olhos e ouça uma boa música, ou simplesmente, consiga pronunciar: Viva. Consegue dizer as palavras e senti-las ao mesmo tempo? Evidenciar suas cores e nuances. Sim, palavras falam e cantam. Vivem assim, como nós.

Pulmões dizendo



Foi quando entrei no ônibus, que percebi os olhares perpassando-me o corpo, e eram tantas pessoas, mãos, corpos, todos juntos em um só local, todos perdidos encontrando uma fuga em plena quarta-feira. Respiração plena. Inspiro e expiro. Sinto o ar entrando em meus pulmões, pulmões cansados, exaustos, pedem por água, por flores, por cores. E foi quando minha respiração aliou-se com todos os outros sentidos de meu corpo, e foi atribuindo para si mesma uma noção do porque estava funcionando. Uns com respirações ofegantes, outros com uma respiração fragmentada pelo cansaço e eu ali respirando, olhando e sentindo o calor pungente de pessoas, que como eu, possuem sonhos, desejos. Mas nesse momento, eu só queria ouvir minha música, e respirar, sentir na pele o que é o ar entrando, ar sujo da cidade, ar pobre, ar preocupante, agitado e regido pelos relógios , ar faminto, faminto de amor que permeia tantos andarilhos como eu.

Palavras a tintilar


O que seria atingir as estrelas? Escrever sem parar, a ponto de abranger um universo inteiro. Sim, esse universo maior do que as palavras aqui colocadas. Talvez, aqui dentro existam mais palavras do que estrelas. Mas elas vão se mesclando, e se perdendo em um universo de sentidos e vontades. As palavras vêm brilhando em cada um, palavras de amor, de raiva, de dor. São como várias estrelas, a tintilar na nossa boca, querendo sair, e dizer. Dizer, expressar. Comunicar-se com os outros a ponto de ser tangível. Ou não. Ou simplesmente, expressam-se por si só, sem fazer sentindo completo, sem concretude, sem formalidade, simplesmente gostam de sair e brilhar por ai. É sempre bom, observar o brilho das palavras. 

domingo, 10 de junho de 2012

Bom dia amarelo.

http://letras.terra.com.br/caetano-veloso/43883/ 




Amarelo caminha na minha janela, reflete no vitral colorido e volta, fazendo uma dança de luz. Amarelo acata amor e abrange amar. Amando ver o amarelo pairando no beiral da janela. Abro-a e deixo-o entrar, e ele foi tão abusado que trouxe consigo o verde, sim! Aquele verde pacato que fica me espreitando toda vez que chego em casa. E o verde trouxe o azul, que vive dizendo pra mim parar de olhar pra ele. Eles estão invadindo meu quarto, um por um, é até bonito, não chega a ser magnífico, mas é de uma beleza tão pura que chega a ser sincero. Entraram os três. E a janela ainda aberta e eu fitando-os e vendo-os dançarem nas paredes do meu quarto, foi quando o vermelho apareceu, assim, sorrateiramente me puxando pra perto dele. Ah, vermelho, adoro-te! E quando ele chegou, as luzes se juntaram, fizeram uma festa de cores e tonalidades, até cantaram um pouquinho. Abracei aquelas cores e pedi pro vermelho vir toda manhã me visitar. 
Ah, e bom dia, amarelo; constante invariável de todas as manhãs.


sábado, 9 de junho de 2012

perdendo as palavras


Estava frio, as pontas de meus dedos congelavam, os fios de meu cabelo estavam sem oleosidade, e brilhavam. A sonoridade dos seus batimentos entravam em meus ouvidos profundamente, era compassado; mas tudo aquilo tinha uma ternura sem igual. Sua pele branca, e os olhos negros fechados, delineava seu rosto com meus olhos e com a mão sentia sua pele. Um frio imensurável. Foi quando a campainha tocou, já era dia, lá pras nove da manhã, o sol se abria levemente e entrava pelas frinchas da janela. Tim-dom. E eu continuei ali, entrelaçando meus pés aos seus, sentindo a sua respiração. Não queria sair dali nunca, era a sensação de que ia durar pra sempre. A sensação de que não sente-se nada além de estar. Deixei a campainha tocando, calcei meus chinelos de inverno, e fui até a cozinha, fiz chá de camomila com pitadas de gengibre. Sentei no sofá e tomei-o, estava quente, uma boa pedida pro inverno. Foi quando você levantou, encostou-se na parede e ficou ali parado, aquele olhar misterioso que sugava-me a racionalidade; mãos cálidas e abruptas. Cabelo. Nuca. Boca. Me perdia no sabor bom, um dos melhores. Perdi os sentidos. Perdi a saudade. Perder. Sofrer. Viver. Er. Eu tô perdendo, perdendo a linha de raciocínio ao mesmo tempo que perco a vontade de esperar, em meio a uma confusão de palavras perco o ponto de concretude e não quero perder mais amor, não quero perder o que não tenho. Quero perder a vontade de ter o que pensei que tinha.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

reticências



Palavras estão ai em um burburinho, me chamando, e eu acabei de perde-las, estava aqui escrevendo, quando elas foram apagadas e minha revolta foi grande, mas isso é outra história. Eu falava de palavras, sim, aquelas que andam me perseguindo, e querendo sair de alguma forma, porque a fala está rasa, voz -quase inexistente- dor, dor latente na minha garganta, então, não dá pra falar. Mas escrever, dá. E é isso, são as palavras procurando-me e eu não sabendo o que elas querem, digam-me, digam-me o que dizer! O leitor vai parar de ler, enquanto vocês não saírem. Sinto que vocês só vem à tona pra dizer sobre sentir. Não quero dizer sinto. Não quero dizer. Quero palavras, palavras vivas, latentes, com cheiro de pão fresco saindo do forno. Eu quero adjetivos, substantivos, verbos; ponto finais de vez em quando. Mas reticências, são bem vindas, sempre, sempre... Sempre...



sábado, 2 de junho de 2012

Não é pra Entender.



(http://letras.terra.com.br/los-hermanos/67390/)

Boca imaculada? O que é boca? O que é vermelho? Colar significativo pra mim. Música, andança, vento vento, palavras soltas(?) O que aconteceria se eu batesse nessas teclas como se elas fossem as teclas de um piano tocando Los Hermanos? Assim, do jeitinho que eu tô sentindo a música agora; se as notas musicais virassem palavras conforme eu fosse batendo em cada tecla, a mais b mais nota, mais música, sonoridade, lentidão, mais e mais! As palavras vão flutuando, sabe, vão saindo, e a gente nem percebe como. Sinta as palavras como a música... Essa mesmo. Essa música. Boca. Lábios. Língua. Você subverteu.


domingo, 20 de maio de 2012

Cabides.

Procuro os cabides do guarda roupa, pra pendurar sentimentos, alusões de pensamento, sensações diárias. Cadê? Cabides sempre somem, e por aqui, eles quebram , quando eu coloco muita roupa. Mas eu gosto, gosto de por uma quantidade imensa de roupas, e costumo dividir por vestidos, calças e casacos. Roupas coloridas permeiam meu guarda-roupa, aquele , que quando criança eu abria e entrava achando que ia pra Nárnia. Hoje, são apenas roupas e cabides. Mas tem alguma coisa, querendo explodir dali, por isso tenho deixado-o aberto, aberto pro mundo, pra cabides quebrarem e sumirem. Cadê a palavra certa? Cadê a segurança? Eu não preciso mais de definições. Eu só quero cores, noites sem sono, dias raiando e amor - com cabides, também são bem-vindos. 

terça-feira, 1 de maio de 2012

Sem título, sensações.


Barulho das teclas, minhas mãos frias tocam o teclado e pensam em o que dizer. Mãos dizem? Talvez elas queiram dizer mais que minha mente. Fito as letras, e pergunto-me: Quero A ou Z? Quero todas. Quero sobrepô-las e confundi-las, até eu cansar. Queria poder dizer-te tudo, dizer: Eu te odeio. Eu te amo. Eu te quero. Queria poder gritar pro mundo que eu só queria você de volta. Mas... Amor é A e não Z. A de acaba, de ao menos que você queira... De: Aceite.
Palavras não vão dizer nada hoje, elas vão sair como eu bem entender, vão soltando-se dos meus dedos e amenizando minha dor. Vão ser dramáticas e sinceras. Dançando nas entrelinhas do meu ser, elas me falam cada coisa, elas mentem pra mim mesma, só pra que eu me conforte com as coisas, elas prometem e não cumprem, palavras malditas! Era preferível silêncio do que palavras ditas banalmente, mas eu já nem sei, nem sei se foram ditas ou caladas, naquele momento eu delirava nas sensações de tê-lo por perto, lembro-me do sabor dos lábios, do quero-te pra sempre aqui, do tocar da pele. Da intensa noção do que é sentir desejo. Do arrepio. Do eu, do você. Do nós? 

Do foi. 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

17



O que são dezessete? Dezessete anos, dezessete vidas, dezessete pensamentos soltos dentro de dezessete palavras com dezessete possibilidades de entendimento. Dezessete mais noventa-e-nove, eu gosto. Gosto de cem, também. Eu amo a vida mais que dezessete anos, amo os anos passados, futuros e até mesmo aqueles que não vão existir. Eu vou morrer. Você também. Mas e se eu puder morrer dezessete vezes? Será que foram dezessete vividos, de fato? Acho que sim. Foram ao meu modo, mas foram. Tantas risadas que sobressaíram de minha face nesses anos, e lembro-me de tantas vezes que eu me perdi nas mais de dezessete confusões internas, confusões que foram expelidas com palavras, palavras de menina. Não é o aniversário em si, não é o comemorar. É o estar junto, é o amar. Eu tenho medo, medo da morte, eu sou uma criança, ingenuamente tentando expressar pra você o que são meus dezessete.  Eu tenho uma caixinha de coisas especiais, dada por uma pessoa especial, eu guardo lá mais de dezessete lembranças, guardo beijos, abraços e mordidas. Borrões de lembranças estão ali; quando eu a ganhei pensei 'Não terei o que guardar', mas hoje já não cabem mais as lembranças, as fotos, os ingressos, o papel borrado de batom, o feijãozinho da terceira série, isso, aquilo, coisas que eu gosto de ter por perto. Preciso de uma nova caixa. É bom, sabe, abrir essa caixa de vez em quando e ver que eu tenho memória, e nesse momento, eu percebo que são mais de dezessete essências guardadas dentro de mim. Eu falo, falo, e tento dizer algo que nem eu sei o que é. Você tá entendendo? Tá entendendo que você também tem dezessete, dezessete menos dez, mais cinco ou simplesmente dezessete puro, intactos, só seus. Eu tenho sonhos, elocubro ideias e gosto de rock. Escrevo cartas e uso flores. Eu gosto de tomar café quente em dias de chuva, e gosto também de lembrar do sabor dos beijos, eu ando e desando... Ah, eu vivo! Eu canto em voz alta, eu invento a letra e emendo roupas, eu choro fácil, mas eu rio fácil, também. Eu gosto de amar. Me permite? Você me permite dezessete anos amados? 

Me deixa amar-te, meus dezessete. 

sábado, 21 de abril de 2012

Cidade-dorme.

Estavam demorando pra chegar, em palavras?
Uma semana: corpo cansado, mente agitada. Anda. Senta. Levanta. Faz. Fala e fala.
Mas hoje cessou, a angustia sumiu, o corpo cantou.
Como continuar? Se eu não sei ao menos o que escrever. É porque hoje, minha gente, quem quer falar é minha alma, alma essa que permaneceu uma semana trancada, sem poder respirar, que sorriu por segundos, mas estava suplicando espaço ao mundo; ela dizia baixinho para mim: Quero gritar! Gritar pra mãe, pra pai, pra Deus! Pro mundo...
O que eu quero gritar? Fale alma! Fale pra mim.
Tô me perdendo, nos enleios do meu pensamento, tentando escolher a palavra certa, mas pra quê? Hoje é só uma alma pequena, alma criança, querendo dizer com olhos ingênuos que acredita em si mesma.
(...) Pensamentos para final:
...Que acredita no mundo.
...Que acredita em você, 

ou simplesmente,

que acredita no amor.

sábado, 17 de março de 2012

Decida o título, e sinta o corpo.

Leia ouvindo: http://letras.terra.com.br/billy-joel/20077/traducao.html

Vem, vamos viver, nas alusões de pensamentos, no itinerário de um caminho, nos andaimes da construção.
Vai, corre e diga a verdade. Sinta a raiva e sinta o sol queimando sua pele. Sinta a dor pulsando em suas veias. O sangue escorrendo. As flores brotando. Sente o pé, a mão. Sente o beijo ávido de um amigo. O mistifório excitante que pulsa em seu coração. A risada alta e a potência de poder gritar: Eu amo. Eu odeio. Eu vivo.
Sente o vento na face, a água na boca que dá quando pensamos em uma comida gostosa, o sorriso tímido de quando a gente lembra do cálido toque do amante. Cara, sente a vida, por favor. Eu tô me perdendo, no meu próprio caminho, tô trançando, correndo, brincando feito uma criança, foi quando minha irmã falou: 'Quer brincar de barbie?' E eu disse: 'Não gosto de barbies' E ela falou: 'Tudo bem, vou chamar a Fernanda'. E ai é que paramos pra pensar, cadê a essência? Cadê a vontade? 
Eu só quero clarear o pulmão, sim pulmões sentem, minha gente. Quero clarear eles de ar, aspirar e expirar constantemente e perceber que a vida é uma só. É só isso que quero dizer? Ou melhor, eu quero dizer? Você quer ouvir? Não diga. Não pense. Só faça o sentido da palavra. Só solte-se do que acorrenta seu ser, solte-se das amarras da sociedade. Você pode mandar alguém se foder, pode pedir pra ser amado, pode chorar. Você pode ser você. Então seja, seja comigo, seja com outro. Quero dizer, sejamos. Sejamos nós. Sejamos Deus, cor, dor. Sejamos entendimento e desentendimento. Sejamos vida.

Ah, céus! O que estou dizendo? Tá perguntando isso também?

Não sei o que tenho em mente, nem o que dizer. A gramática pode estar incorreta, a vida em um ensaio cantado, a dor no caminho errado. Mas eu estou aqui, e você tá ai. E estamos. E basta.

Luz imarcescível.

A vida proporciona o viver ou o viver proporciona a vida? Eu vivo. Disso eu sei. Mas até que ponto estamos realmente vivos? Digo, na integra. O verbo viver é tão abrangente, o substantivo vida que o diga. 
Os dois estão ai, ora juntos, ora separados... Porque às vezes esquecemos de uni-los, esquecemos que a vida é o viver e o viver é a vida.
Muito confuso isso tudo, mas viver, no sentido lato do verbo, está tão presente em mim que torna-se impossível não escrever sobre isso.
Hoje agradeço ao céu, ao sol, vento, fogo e terra por me ceder vida.
Ouço vozes, leio palavras, sinto mentes, e percebo, meus amores, que vocês trouxeram-me vida de volta. Trazem-me vida todos os dias, a cada gesto, cada olhar. Abraços inesquecíveis de tão sinceros que foram, risadas sem nenhuma métrica dizendo a elas que não devem ser altas e abertas, clarões de vida. Tudo tão verdadeiro, que por ora até me pergunto se é de fato real.
Eu sou assim, tenho medo da morte, choro com lembranças, porém, vivo com o máximo de intensidade tudo, e é isso que desejo que possamos daqui pra frente, independente do tempo, da distância, dos motivos externos que nos rodeiam, dessa rotina que adora permanecer nos acorrentando, desejo que sejamos residentes de um tempo sem forma, de um tempo sem controle. Que seja insano, sem parcimônia. Que seja real. Vocês são luzes, são flores, são pedacinhos de vida me ensinando a viver.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Manifesto do sentir.

Leia ouvindo: http://letras.terra.com.br/vander-lee/49221/

-esboço feito no ônibus-

É incrível como alguns seres humanos tem a capacidade de se apegar facilmente aos outros, de se doar e achar que receberá o mesmo em troca. Acreditamos em promessas, pronunciamos belas palavras e esperamos as mesmas com reciprocidade. Confiamos no sorriso, tragamos olhares. Sinceridade permeia nosso ser. Sofremos demasiadamente, choramos sem receio, falamos sem tabus. Amamos com a mente, com o corpo, sentimos o amar. Beijamos avidamente, tocamos com latência e verdade. Abraçamos com a vontade do ato, gostamos de sentir o corpo do outro nos protegendo.  Amplexos são bons, sempre.

Loucura, insanidade, busca por conhecimento. Ajudar. Permitir. Ceder.  É assim, que encaramos a vida.

E nesse momento eu só lhe peço, novo amigo, irmão, e se me permite, amante, seja como nós. Seja feliz.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Máscara de um olhar .

Leia ouvindo: http://letras.terra.com.br/vivaldi/1601437/ Caso contrário, não leia. hm



Encobria sua face, e delineava parte do seu rosto de uma maneira tão bela, que é difícil descrever. A renda preta era discretamente perfeita para seu rosto, parecia que fazia parte de sua pele. Seu olhar dissimulado enebria tão fortemente, eram negros -os olhos- de um negro intenso e fugaz, o mundo afogava-se nela. Seu vestido reluzia no salão principal, e os olhares eram todos voltados para ela. Não se sabia o nome, não se sabia nada sobre aquela mulher. Seus seios eram tenuemente delicados, e por tanta delicadeza, chamavam a atenção. O vestido contornava sua cintura tão precisamente, que parecia ter sido costurado exatamente para ela. Sua boca era frágil e pálida, virgem talvez, virgem de amor. Mas o que realmente levavam os outros convidados à outra orbita eram seus olhos, negros como a asa da graúna,  profundos, arrastavam qualquer um para dentro dela, tragava os sentidos de qualquer pessoa. E eu em meio a tantos corpos, música, cores, pensava em como dizer para ela que sua alma refletia naquele momento. Não conseguia tirar os olhos dela, seguia cada passo seu pelo salão, foi quando começou a tocar Vivaldi, com os braços meio cansados, ajeitei a gravata e fui ao seu encontro, suavemente toquei-lhe o ombro , e nesse momento ela virou, senti o o calor de sua face encontrando a minha, e então ela parou e simplesmente fitou-me. Eu não sabia o que dizer, meus pensamentos perdiam-se em meio a tantas alusões que essa mulher me trazia. Então, eu não disse nada. Só peguei sua mão, e a convidei com os olhos, a dançar. Ela não hesitou. Passou seus braços finos e alvos sobre meu pescoço e começamos a dançar. Nossos passos iam conforme o nuance da música, por ora rápidos e em pequenos intervalos de tempo devagar. Sentia seu perfume de flores, que me confundiam a mente. Ela possuía algo enfeitiçador. Foi quando a música parou. Ficamos abraçados, e tudo girava ao meu redor, estava ficando tonto, tonto de amor. As imagens foram sumindo, ouvia sussurros e sentia seu hálito fresco cada vez mais forte próximo da minha boca. Foi quando tudo apagou. A música cessou, as cores sumiram, eu só sentia uma coisa: Sua pele na minha, roçando-me o rosto e dizendo algo que eu tentava entender, mas não conseguia. Meus batimentos desvaneceram, o relógio foi voltando a bater e a cortar meus pulsos, que sangrando pediam socorro. Pausa. Eu nunca mais a vi.   


sábado, 3 de março de 2012

Sentir le parler



Nous pouvons parler d'âme
Raconter l'histoire dan les entre lignes
Utiliser le français autrement
Ne pas parler seulement, mais oui sentir, sentir la parole
Le naturel de l'oralitè
Aller pour Paris? Un songe, peut-être.
Mais pour le moment, ça suffit parler.
Dire, est nécessaire
Je m'exprime sans crainte
C'est bon parler, sentir, vivre

Alor, vivez, mais aussi ecoutez.

Inaiara Gonaçalves.

-

Tradução meia tigela rs:

Sentir o falar

Podemos falar da alma,
Contar a história nas entrelinhas
Usa o francês diferentemente
Não só falar, mas sim sentir, sentir a fala
O natural da oralidade
Ir para Paris? Um sonho, talvez.
Mas por ora, já basta falar. Dizer, é necessário.
Eu me expresso sem receios.
É bom falar, sentir, viver
Então, viva, mas também ouça.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Amor temporal

Ouvir a música http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/22489/ ao ler o texto. De preferência não muito alta. hm

"Somos tão jovens (...)"

De longe a vi, sentada entre uma comunhão de cadeiras vazias, a cúpula com a imagem de Jesus logo em a frente, santos de todos os lados suplicava-lhe atenção com o olhar lacrimejante. A menina tinha os cabelos pretos como a asa da graúna e a pele branca, olhos negros e distantes pediam para alguém que seu coração fosse abraçado. "Acalente-me", ela pensava. Os anjos observavam-na e sorriam, tocavam em seus cabelos e ela se arrepiava. Foi quando ela pensou: "Quem é Deus? Por favor, se apresente." Estava distante de toda aquela redoma sacramental, ela tinha a sua fé, sem depender de alguma religião. Os vitrais coloridos eram a única coisa ali que pareciam com ela, uma junção de pedacinhos de vidro colorido formando uma bela imagem, a menina era constituída assim, como os vitrais. Nesse momento era um vitral com medo de despedaçar, um tanto descrente do vai dar certo, não sabia como pensar, o que dizer. Medo de seguir pelo caminho errado. Trilhões de palavras foram jogadas em sua mente, foi obrigada a enxergar as coisas pelo olhar de outro. Confusão total. Por mais que tivesse sua fé própria, estava com a espiritualidade um tanto rompida, precisava sentir mais a presença de Deus. Mas foi observando os vitrais que lembrou de quando observava o céu, sentia o vento, e só dessa forma já tinha certeza de Ele estava ali, ao seu lado. Não precisava vê-lo, porque ele é o amor, e isso é o que ela mais tem.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Fique.

Leia ouvindo essa música: http://letras.terra.com.br/marcelo-jeneci/1524699/

O sol nunca brilhou tanto como ultimamente, a água nunca foi tão límpida, nem o vento tão gélido. O azul do céu toma conta dos meus pulmões, e eu aspiro esse ar novo como se tivesse nascido agora.
Talvez eu tenha mesmo nascido agora, nesse instante. Meus olhos são de criança, tenho me encantado com o novo, questionado o desconhecido, abraçado o sorriso adulto-adulterado. No fundo eu tenho vivido, como nunca havia feito antes. Hoje eu sinto o que é sentir, no sentido mais lato da frase. Redundante? Talvez. Sinto, sentir, sentido.

Por favor, fique. Fique áurea nova. Acalente-me, envolva-me. Viva-me como estou te vivendo.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Para alguém que longe está.

Ouvir ao ler o poema: http://letras.terra.com.br/5-seco/1902674/
De preferência não muito alto.

-

Vem e vai
Volta e fica
Pede e tem

O que estou fazendo?

Claridade de sentidos
Pensamento dançante
Curiosidade andante

O que estou fazendo?

Anceia e permanece
Promete e (des)promete

Saudades intermináveis.
Espero e canso.
Ando.
Volte!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

amo o amar.

Ultimamente tenho tido medo de escrever, é como se as palavras possuíssem o poder de mostrar minhas fraquezas, meus defeitos. É como se toda vez que eu as colocasse no papel elas criassem vida própria e ao desabrochar falassem comigo. Eu as ouço toda vez que escrevo, umas são tímidas, já outras se expõe e gostam de serem vistas.
Certa vez um verbo me disse que não gostava muito de ser usado e que eu lhe dava muito valor. Era o verbo amar. Então eu lhe disse que ele deveria sentir-se lisonjeado por eu usa-lo tanto, e ele falou: -Use-me... Mas só se ao me escrever você me sentir. E eu lhe falei: - Eu te sinto todos os dias, te sinto em mim, nas flores, no céu, na boca, nos outros. Eu vivo você.
E vocês, já conversaram com ele? Já o viveu? Já o sentiu na pele?
Hoje o verbo rompeu meu medo e fez-me escrever. Não são belas palavras, mas são sinceras. Hoje eu só estou aqui porque descobri que eu amo isso. Eu amo escrever. Eu amo o amar.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

À Francesa

Marina Lima


Meu amor se você for embora
Sabe lá o que será de mim
Passeando pelo mundo a fora
Na cidade que não tem mais fim
Hora dando fora hora bola
Uma irresponsável pobre de mim
Se eu te peço para ficar ou não
Meu amor eu lhe juro
Que não quero deixá-lo na mão
E nem sozinho no escuro
Mas os momentos felizes
Não estão escondidos
Nem no passado e nem no futuro
Meu amor não vai haver tristeza
Nada além de fim de tarde a mais
Mas depois as luzes todas acesas
Paraísos artificiais
E se você saísse à francesa eu viajaria muito muito mais

sábado, 24 de dezembro de 2011

Cataventos finais.


Estava lá sentada, os grãos de areia tocavam-lhe os pés, o vento leve como uma brisa inebriam em sua face, seu tio que tinha síndrome de down estava estava ao seu lado cujos olhos brilhavam e refletiam uma alma sincera, foi quando ela lhe perguntou:

- O que se faz quando se está triste?

E ele lhe disse afagando a alma da menina:

-Não se faz nada. Só olhe para o mar.

Então ela olhou, fixamente, e via as ondas indo e vindo como um balaio ensaiado, pensou no ano que estava acabando, em tantas coisas vividas, boas, ruins. Mas será que podemos definir mesmo? Não é fácil se ter a certeza de que algo é realmente bom ou ruim. Talvez seja uma mistura de tudo isso, de sentidos. Pensou em tantas pessoas que participaram de sua vida, umas que permaneceram e outras que foram embora tão rapidamente mas deixaram um rastro.

Lembrou-se então dos cataventos, que tinha visto em uma tarde não muito distante, eles giravam, mas era o vento que comandava a velocidade, por ora eram rápidos e outrora paravam, como a própria vida, emitiam suas cores, um mistifório de vivacidade, e eram vários deles sobre a grama verde e intensa. Ao mesmo tempo pensou nas luzes de natal, e imagens foram perpassando sua mente, as luzes de natal... Remetem-nos a tanta coisa, talvez hipocrisia familiar, capitalismo em seu auge comercial, mas ao mesmo tempo, não tem como dizer que o espírito de natal não existe. Por mais simbólico que seja, no natal sentimos que o ano está acabando, por ora nos dá uma grande nostalgia mas ao mesmo tempo as coisas parecem mais claras, é como se conseguíssemos pensar no ano que passou e realmente dar relevância à algumas coisas. É tudo tão rápido como os cataventos citados acima, e se não pararmos como eles e obedecermos ao vento, tudo vira uma conturbação de sentimentos. Precisamos respirar. Respire fundo, sinta o ar entrando nos pulmões e saindo, você está vivo. Sim, estamos vivos. Juntos ou separados, estamos vivos. E isso não é suficiente? Que o ar límpido de seus pulmões traga paz pulsante para o novo ano que está nascendo. E só peço que comigo ou sem mim, vivam. Mas desejo intensamente que seja comigo.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

palavras mal-formuladas

Estou cansada da incompreensão das pessoas quanto a minha pessoa, será que é tão difícil entender que eu gosto do completo do louco do insano? Eu gosto do certo junto ao incerto, gosto do veneno mais amargo e da fruta mais doce, gosto da irreverencia em seu ápice.
Gosto de sentir. De falar, de expressar. E não importa, sempre falarei, escreverei da maneira mais torta, mas mais bonita que eu conseguir... Não espere que eu diga mentiras, muito menos que deseje seu mal, eu desejo o amor acima de tudo.
Não sou esteticamente dentro dos padrões impostos pela sociedade, eu choro desenfreadamente e rio tanto quanto. Eu abro, desencaixo e grito. Eu vivo.
Não espere que eu vá dizer não quando você precisar da minha ajuda, muito menos que deixarei de tentar o máximo criar um vínculo profundo, espere amizade.
Não gosto de hipocrisia, mas no fundo, sei que todos somos hipócritas, mas não espere que eu deixe isso e de lado e não tente mudar.
Não quero conclusões fáceis, admirações levianas, quero o completo, o literal, o verbo viver.
Não finja que se importa quando não se importar, nunca, acima de tudo, seja sincero.
Sou louca, imperfeita, tento ser politicamente correta e faço muito burrada, quebro a cara, procuro ombro amigo e dou abraços.
Sou sensível, amo flores irremediavelmente, cobro muito, sou perfeccionista... Tanta coisa.
Não ligo se me chamam de velha por usar flores, muito menos por gostar de MPB.
Que as invariáveis palavras soem como a poesia em sua boca, que você possa ouvir, falar e acima de tudo enxergar o brilho da pessoas.

sábado, 26 de novembro de 2011

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.

Clarice Lispector.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011



















Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo, mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo,
era uma coisa sua que ficou em mim,
que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás

Cazuza - Poema

O capitalismo é uma corrida.

por Inaiara Gonçalves e Rafael Magalhães

O capitalismo é uma corrida. Estamos sempre buscando desenfreadamente por novas técnicas, para assim obtermos um sucesso profissional ou até mesmo pessoal. Estamos sempre à procura de sermos melhores que os outros, e nos destacarmos em meio a todo esse sistema. A questão é que isso já está impregnado na sociedade, a própria ideologia criada pelo sistema estigmatiza isso na gente. E a partir do momento que pensamos só em um desenvolvimento próprio em relação às coisas chegamos ao ponto principal: O individualismo.

O capitalismo só é compatível com a liberdade individual, a propriedade privada dos meios de produção, visando assim objetivos de uma só parcela da população. Não tem como o sistema beneficiar todos, se seu principal objetivo é individualizar tudo. E então acabamos criando duas classes principais da economia capitalista: O proletariado e a burguesia. E é exatamente isso que acontece, o isolamento de pessoas, a individualização de soluções, e tudo isso beneficia o próprio burguês, que está sempre tendo lucro com a situação.

Mas como o ser humano chegou a ser tão individualista? A verdade é que o Capitalismo cria um ambiente favorável a isso. Aprendemos desde criança quando nascemos que o natal é a época de ganhar presentes, até o aluno de ensino médio de que deve estudar bastante para ter um futuro bom e um ótimo emprego (em parte isso é verdade, claro), no entanto, esse individuo quando pronto é jogado contra outros para disputar por um mesmo objetivo (poder aquisitivo) , iniciando um jogo de sobrevivência para ver quem se destacará, e ai que entra a ideologia capitalista de que o individuo deve progredir social e economicamente, não importando os artifícios que irá usar, ou caso não consiga será simplesmente descartado.

Muitos acabam aceitando o que lhe é imposto e se acomodam a ideologia, passando a agregar as próprias características capitalistas à sua visão de vida. E o que acontece? O sistema acaba manipulando o próprio ser-humano a acreditar que está tudo bem, a ter a ideia superficial de que ‘’pobre é pobre porque quer’’, a tornar-se cego e não perceber que a pessoas morando de baixo da ponte, a acreditar que ele não tem um dedo de culpa nisso e que é tudo culpa do governo, porque o sistema proporciona isso. Porque o sistema é movido pela própria desigualdade.

“O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem; a essência domina-o e ele adora-a.”

Karl Marx.

O ponto crucial está ai, criamos uma essência alienada. Nos tornamos meros fantoches de um sistema. E então, o homem rompe com os seus princípios e a essência, a real essência humana esvai-se.

domingo, 6 de novembro de 2011

Vivamente morta.


"Somos mostras e amostras (...)" Teatro Mágico.

Senhora de idade, cerca de uns 75 anos, fios brancos como pétalas de rosas caiam e escorriam até a nuca, nem lisos nem enrolados, eram diferente dos outros fios, estavam ali porque nasceram ali e morrerão ali, simplesmente, e não para se exporem comparativamente aos outros cabelos. Os traços da velhice eram evidentes envolta de seus olhos - mas esses ainda vivos mostravam ao mundo o introspectivo de uma alma que lutou e cantou a cada vitória, e nas perdas declamou Lispector. Trajava um vestido branco que usava desde a juventude, ele era rendado e delineava seu corpo marcando os traços pungentes de sua adolescência, os pés estavam descalços, as mãos leves e finas sob a colcha de retalhos. Em seu semblante pairavam as lembranças da infância, as cirandas, os beijos ingênuos, os olhares cálidos de frescor. Sua boca ladina e levemente sorridente evidenciavam os amores da vida inteira.

Ela estava diferente do mundo, não era massa moldável nem amostra exposta, era altruísta, falsidade estava longe, paz permeava seu ser. A janela em cima da cama estava aberta, o sol brilhava como nunca o azul do céu era límpido. Um sorriso abriu-se em minha face no mesmo segundo que uma lágrima escorreu. O quarto era isento de obscuridade. Fitei-a por inteiro, ela era minha mulher, lindamente graciosa e distante... Estagnada, morta, porém, mais viva do que nunca. Era minha, e agora de um mundo desconhecido.
A luz entrou e pairou em cima dela, foi quando eu percebi que doía. Doeu demais.
E em sua lápide havia o inscrito: O sol pairou aqui, a chuva veio, e o escuro resplandeceu.

sábado, 29 de outubro de 2011

Apartado.


Ela estava vulnerável a tudo que via e ouvia, estava descalça e nua, o sol queimava-lhe a pele e a chuva banhava seu rosto e ela nada podia fazer, seus pêlos arrepiavam-se e os longos cabelos encaracolados era a única coisa que cobria-lhe a pele; enxergava e ouvia tudo nitidamente e aquelas imagens e sons cortavam-lhe os pulsos, e as lembranças rodeavam seu corpo, sentia cada sussurro que foi dito em seu ouvido, ora sorria, ora lágrimas escorriam em sua face, perdida em si mesmo adoecia a cada suspiro, suas pernas tremiam e sua mente revivia o tempo de outrora.

Chovia e fazia sol, enfraquecia e fortificava-se, sua boca estava seca e fria, tinha sede de amor. A chuva ia aumentando e ao mesmo momento o sol abria cada vez mais, identidades perpassavam-lhe o coração, os rostos entrelaçavam-se com as frases e promessas não cumpridas.

Seu corpo não aguentava mais a falta de algo que lhe vestisse a alma e alastrasse seu corpo... Foi perdendo os sentidos e seus pés foram escorregando até que quando estava prestes a calar-se por dentro, sentiu algo lhe segurando, a mão roçava sua nuca e a outra delineava seu corpo, não via seu rosto mas sentiu seus lábios intensos e pungente, sugavam sua fraqueza e sediam-lhe vida, seu corpo junto ao dele era um só, ela procurava os olhos que um dia tragaram-lhe tudo, olhar que roubava seus sentidos e dissimulava verdades, mas nesse momento não os encontrava, a cada segundo que os lábios contraiam-se aos dela a cor ressurgia em seu corpo e foi nesse momento que ela viu seus olhos cor de mel afastando-se, e então percebeu que ele não estava pela metade como um dia esteve, que ele não estava por inteiro como um dia ela sonhou e sim estava lhe dando Adeus.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Clichê verdadeiro.

Eu observo tudo a minha volta e percebo que a cada dia que passa as pessoas vão mudando cada vez mais, prometendo verdadeiramente cada vez menos, e indo embora. Pergunto-me entre tantas pessoas que conheço, quais realmente irão permanecer? Quais fizeram realmente diferença em minha história? Sinto medo. Medo de perder elas. Aquelas que sorriem para mim todos os dias sinceramente e que mesmo com os meus defeitos, me acolhem, me seguram quando estou caindo. Essas sim, eu sentirei falta. Porque eu sei que um dia tomaram seus caminhos, e estarão longe. E então, quando isso acontecer, quem eu vou abraçar? Tenho receio do tempo, gostaria de controla-lo, para que assim o vento soprasse quando eu quisesse e as folhas caíssem quando eu bem entendesse. Mas não sei se teria a mesma graça, talvez tenhamos que mesmo nos agarrar ao tempo que possuímos com essas pessoas especiais, e viver os momentos que ainda nos restam. Sinto que falo como se fosse morrer amanhã, mas quando olho para essas pessoas hoje é como se a cada dia eu fosse perdendo-as, não quero que olhar delas se dissipe com o tempo, nem que o sorriso se corrompa. Eu quero elas por inteiro, quero elas pra sempre. Mas o pra sempre, sempre acaba.

Pois então, como não as terei para sempre, peço a elas que hoje seja o sempre. E mesmo sabendo que tudo isso aqui é um tanto clichê, eu deixarei os clichês tomarem conta de tudo, porque às vezes é necessário simplesmente dizer, mesmo que de uma forma nem um pouco inovadora, dizer como você as ama.

sábado, 1 de outubro de 2011

Iluminada.

[Peço-lhe que ouça a música a baixo enquanto ler o texto:

Não sei como começar.
As palavras fogem de minhas mãos e atrapalham-se em meus pensamentos. O sol de meio-dia encobre minha face e seus raios me cansam o corpo, porém, eles possuem uma vivacidade única, e só escrevo aqui hoje por pedido deles, é como se a luz intensa e quente existente neles me aguçassem a desdobrar palavras que andavam tão distantes do meu ser.

As atividades pragmáticas consomem minha energia e tem de certa forma vetado os meus sentidos literários, e o sol não só de hoje mas de todos os dias tem aspirado meus pensamentos e descobrindo aos poucos o quão desordenados eles estavam.
Todos os dias sorvendo minhas energias e renovando-as. Talvez esteja difícil para você imaginar como o sol foi capaz de tudo isso, mas para entender basta sentir como eu.

Agora resta-me todos os dias difundir meus pensamentos aos seus raios e obter a troca mútua de carícias... Enquanto ele traga meus pensamentos e cria uma redoma de calmaria, eu recebo os seus raios inebriantes, afago-os e como quase ninguém faz: Agradeço por existirem.
Pois é disso que eles precisam, de alguém para lhes dizer o quão importante eles são para o mundo.
Por onde anda?
Os passos resolveram encobri-lo.
Eu fui desarmada.
E o que resta?
Um vácuo pedindo para ser preenchido por outrem.
Descalça os pedregulhos machucam-me e não resta-me nenhuma maneira de traze-lo para perto.
Sem saída, sem entrada.
Nem meio, nem fim.
Começo? Ora, é o que procuro.

domingo, 28 de agosto de 2011

Por ali.

Vejo a vida a olho nu, pássaros gorjeiam, árvores sorriem, crianças nascem ao mesmo tempo que as flores murcham- pois assim a própria natureza determina. É domingo, comércio fechados e o lixo das ruas fica mais evidente, porém, o sol fúlguro como está, encobre as imperfeições do mundo e sua luz jorra vida, enquanto o vento lança paz. E os dois juntos completam-se e fazem desse domingo um sorriso de alguém.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Momentaneamente, só .

Raiva de um completo sentido que faz com que os passos estraguem e rompam com a construção inexistente. Traços riscam fortemente as paredes, e fazem um som insuportável, como gritos em um dia de chuva, chuva essa que não passa. O sol pede para ficar fechado e as nuvens insistentes como são tapam tudo e atrapalham o caminho que eu desejava seguir.
E tudo foi perdido, e o problema é que talvez não haja possibilidade alguma de começar novamente... O que nunca começou.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

(...) aurora















A aurora do dia, é exatamente isso que vejo agora.
Pedaços entrelaçados de sons, cores, vidas.
É como se dentro de um andaime tivesse vários transeuntes, cada qual com seu objetivo. E o meu? Qual é meu objetivo?
O sol encobre minha face e ilumina ligeiramente parte dos meus fios de cabelo emaranhados, e procuro no ápice dessa luz uma resposta , um procura ou até mesmo um achado. É, acho que achei.


[um fragmento de pensamento]

Árvores de inverno.


















obs: Leia ouvindo a música do link a seguir:
http://letras.terra.com.br/the-beatles/95/traducao.html#selecoes/95/
De preferência alto.

Rua tomada pela calmaria e a mocinha com sobretudo vermelho anda tão calmamente quanto o ambiente da rua. O sapato bate no chão fazendo um som compassado e a frescura do local lhe afrigiam até o último fio de cabelo, ela ouve Beatles e pensa no que sente, é como se a música tocada tomasse conta do seu ser e lhe respondesse todas as questões irrespondíveis, mas será verdade? Fita as árvores, árvores de inverno - pálidas e distantes, mas ainda assim vivas. E imagina o quão privilegiada é por ter aquelas árvores em frente a sua casa, e pensa se elas também lhe darão respostas. Não consegue acreditar que está novamente deixando o sentimento tomar conta de tudo, sempre. Sempre assim. Mas é como se ele preenchesse todos os vácuos existentes em seu coração, e dessa forma adquirissem uma vontade própria , sim : Sentimentos dominando o homem. E naquele momento os sentimentos queriam gritar para o mundo, queriam romper o silêncio da rua , queriam ser tudo. E conforme ela andava e ouvia sua música eles divagavam junto a garota, confusos como são entrelaçavam-se aos pensamentos dela e perdiam-se de tão veementes que eram, e insistentes também, eles falavam em seu ouvido: É isso. Isso mesmo.
Mas por um momento ela não suportou mais, aumentou a música e deixou gritar das entranhas de seu ser, o tão oculto: Estou apaixonada.
E as árvores de inverno responderam com o vento: Ou não.

sábado, 20 de agosto de 2011

Sexta-feira



Tudo para. Os carros andam, as luzes acesas permanecem acesas. O revérbero me separa de tudo e e sua concentração da luz externa recrudesce a cada minuto que não passa. As únicas que andam são as buzinas -descontroladamente barulhentas. Em torno das seis horas da noite São Paulo para para mim, e observando-o percebo o contraste de um céu de várias tonalidades de azul, pondo-se a escurecer com o barulho dos ensurdecedores carros. Trânsito intenso, corpo cansado, mente aberta e alma limpa.
Vejo os transeuntes a andar pela calçada, uma sexta feira qualquer, mas nem tão qualquer assim, porque afinal nenhum dia é qualquer, cada dia possui uma linearidade única, é como se nossos passos formassem o dia; mas não se esqueça que o calçado se desgasta com o tempo.
O calor toma conta do ambiente, o ônibus está mais abafado do que nunca, vejo que os parágrafos aqui não fazem sentido juntos e nem possuem uma ligação lógica, mas isso traduz exatamente o pensamento de uma pessoa que sente como se o mundo tivesse parado para ela, para que ela o espiasse minuciosamente e tirasse todas as conclusões possíveis e impossíveis.
Quantas pessoas nesse momento nascem? Quantas morrem? E quantas dançam, comem, amam? Gostaria que nesse momento alguma pessoa do mundo estivesse como eu, dentro de um ônibus colocando seus devaneios em um papel e tentando sentir assim, sem anseios ou pretensões o ar fresco de uma sexta-feira a noite, uma sexta feira que se desfez do relógio e parou... Só para ser observada. Porque ela , minha gente, também precisa de atenção.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Manchas.

As manchas de batom denunciam, mancham e desmancham. Vejo minha boca com o batom de um rosa intenso e imagino o que as marcas causariam. A mácula de uma cor, ou de uma boca simplesmente. Mas não são só as manchas de batom, são as manchas da nossa vida. Manchas que borram e enfeitam. Colorem e descolorem. Queria nesse momento, manchar tudo, com várias cores, para que de algo intacto formasse um quadro de manchas, claras e escuras, feias e bonitas. Ao invés de apagar eu colocaria uma mancha em cada coisa que desejasse tapar, e as que eu desejasse ver colocaria uma mancha do mesmo jeito, para que assim no final não pudesse ver nada, a não ser manchas de vários tons. Têm momentos que gostaríamos que tudo fosse apagado, mas cansei de tentar apagar as coisas, prefiro nesse momento refaze-las com manchas.

E eu vos digo, novas machas acabaram de surgir, permeando minha vida de uma maneira tão estranha que nem consigo definir. Certas manchas me dão medo, de tão desconhecidas que são, mas intrusas já mancharam sem que eu vos pedisse. Mas de certa forma, são manchas tão interessantes de se ver, sentir, ouvir. Sim! Manchas falam! E como falam. Falam com seu enodoado, e nesse momento não coloque mancha como sinônimo de sujeira e sim de pureza. Porque elas purificaram, e eu lhes peço: Limpem, façam e causem.
Porém, algumas manchas são falsas, com o tempo somem ou logo que colocadas em água saem, essas eu retiro de cena, prefiro que não existam e que vão manchar a brancura de outra vida. Agora você, mancha nova, venha, fique e tome conta de tudo, manche-me por completo, e, por favor, seja uma mancha sincera.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Vontade.

Penso. Paro. Respiro. Existe uma vontade compulsiva de escrever, mas não tenho o que dizer, talvez eu tenha, sempre temos. Cansei de escrever sobre o que sinto, vocês não precisam disso, seria egoísmo meu escrever só para mim, mas em alguns momentos somos egoístas, fazer o que.
Poderia falar de tantas coisas aqui, mas não consigo. No momento só desejo escrever o que eu quiser, e que isso se desenvolva como bem entender. Que as portas abram e o vento sopre, e que o texto, parágrafo, como quiser definir isso , torne-se uma junção de sentidos, vontades. Porque na verdade é isso que surgiu, uma vontade imensa de simplesmente escrever. Não me julguem, e não esperem um texto bonitinho como alguns outros dizendo sobre o que sinto ou deixo de sentir. Nesse momento eu só digo, e ponto.

É incrível como toda vez que estou ouvindo música a vontade de escrever nasce do nada, floresce sem que eu peça. E foi isso que houve agora. Gostaria desse momento de conseguir simplesmente dizer algo relevante para vocês, mas não consigo, será que uma vez na vida posso escrever sem regras sem imposições? Permitem?
Obrigado.
Sabe, quando fiquei doente e internada, conheci pessoas incríveis, e percebi como era bom estar com pessoas que não me julgariam por dizer o que eu quisesse, pessoas abertas a brincar, sorrir. Sinceridade. É isso que busco nas pessoas, mas nunca encontro. Eu sou sincera demais, e prezo muito isso. Mas por que digo isso no meio desse texto? Não sei. Porque deu vontade.
Acreditem, hoje não estou boa com as palavras, ou melhor, quase nunca estou. Mas de qualquer forma, escrevo, porque quero.

Quero que essa paz de espírito não finde, quero que sejam felizes, apesar de tudo.

E entendam, porfavor. Todos têm necessidades.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Um texto inacabado

Estávamos em Paris, juntos. Quando uma garoa começou a cair... Olhamos um para o outro com um ar de desespero e resolvemos encontrar um lugar coberto. O problema é que ali não havia nenhum lugar coberto, RS A chuva engrossava conforme andávamos para fugir dela, como se ela nos perseguisse e quisesse nos dizer algo. Então começamos a rir, aquela risada sincera. Via em seu olhar, a felicidade.

Meus passos seguiam no encalço de Clair, chapinhando nas perturbações do caminho pedregoso — inumeráveis poças se estendiam diante de nós, um problema menos relevante quando tínhamos a fúria dos céus a nos despejar água gelada aos trambolhões.
A corrida infundada arrancou-me um bocado de energia e eu tive de parar. Molhado e enregelado até os ossos, não havia mais que fugir. — Espere, Clair! — E recostei, arquejante, numa parede próxima. O contato da pedra com minhas costas também geladas me provocou um tremelique, que foi logo acompanhado dum guincho. — Ah, quer saber? — eu disse, desvencilhando-me da construção e saltando da calçada, pronto a atrever-me bem no meio da viela — então deserta —, dando-me de todo à água celeste. — Como já estamos irreparavelmente molhados, que nos deixemos lavar por completo, não é? — Abri os braços a chamei-a com os dedos. — Venha!
Eu passei a caminhar paulatinamente sobre o chão irregular, sem sentir — ou, mais apropriadamente, sem me preocupar — os pingos que me rasgavam a pele, tão ardentes caíam.

Riamos para alto ainda, rodávamos acompanhando o vento, e deixávamos a chuva cair sem se preocupar com o resfriado que poderíamos pegar. Foi quando chegamos a um jardim, cheio de flores, eram lindas, permeadas por cores, sombras... E ele, em meio à chuva tornava-se mais bonito ainda, as gotículas caiam sob as folhas das arvores e eu me sentia tão bem, como nunca tinha me sentido antes. Era como se eu acabasse de entrar em um mundo subterrâneo, como Alice no País das Maravilhas. Como se eu e ele voltássemos a ser crianças, por um dia.

Era muito agradável o que o acaso nos reservava. Um jardim muito pomposo e diverso! Vi-me a sorrir dentro de uma pintura de Monet e, conquanto não houvesse sol, a paisagem parecia-me satisfatoriamente iluminada. Passeando entre uma sorte de flores que era um deleite, segurei o braço de Clair, pois ela caminhava com maior ligeireza — e, é certo, eu não desejava perdê-la naquela fatia de bosque. Encarando-a de frente, apontei para o caos de pétalas e cores. — De qual flor você gosta mais? — perguntei, eu próprio tentando encontrar minha favorita entre tantas belezas.

Sorri e disse — Gosto de todas. A coisa que mais amo nesse mundo são as flores. Sabe por quê? Porque elas não julgam ninguém e estão sempre abertas para serem tocadas. E você, querido? Hm Tem uma predileta?

Observando o local, olhei para o chão e encontrei um livro caído, tinha capa dura e preta, e era todo adornado com flores, mas engraçado, não possuía nada escrito dentro. Puxei-o para perto e disse: - Boris, o que é isso?!

Encarava as flores, absorto em suas sutilezas várias, descobrindo raridades a cada porção de espaço que o olhar varria. — De fato... Elas são bem gentis. — Sorri. Ante a pergunta de Clair, pus-me a ponderar por um instante sumário, no qual lancei as orbes por todo o entorno, como que para confirmar o que diria a seguir. — Gosto muito dos girassóis. — E apontei para um amontoado de flores amarelas ali perto. O contraste das pétalas solares com o centro negro era admirável... bem como o porte soberbo das flores. — São lindos, não?
Fui despertado de meus distantes devaneios a fitar girassóis com um chamado da garota. Levei alguns segundos para atentar para o que ela me indicava — um livro? Olhei para o objeto e quis pegá-lo. — Deixe-me ver... — Folheei-o sem interesse e o passei a Clair. — Hm, não deve ser nada importante. — Com um suspiro, volvi a atenção ao cenário.

Então o olhei com surpresa e disse - São raras as vezes que um livro não te interessa, Boris.

Observei o livro, estava realmente em branco, suas folhas eram antigas, mas possuíam algo de muito peculiar. Resolvi então fazer um pedido a Boris. –Boris, que tal escrevermos nele todas as nossas aventuras ou se preferir passeios por Paris, aposto que dará uma excelente história! O que acha?

Sorri e lhe passei o livro em branco, e completei: - Quanto aos girassóis, são lindos sim, é como se eles sorrissem para a gente, não? Queria lhe agradecer, por essa viagem maravilhosa que estamos tendo juntos. Hm

Virei-me bruscamente, afetando indignação. Disse, divertido: — Pois são igualmente raros os livros em branco, não é? — Sacudi a cabeça e estalei os lábios, em desaprovação. — Gosto de ler o que há para ler, ora essa! — Com uma risadinha, apertei o passo. Mal havia notado que a chuva cessara de cair... apenas o ar frio da noite fazia com que bailassem as fileiras de flores, tão delicadas quando genuínas bailarinas de carne e osso.
Estaquei em minha caminhada e voltei a Clair. — É uma boa ideia, mas... — Com uma sobrancelha arqueada, olhei com desconfiança para o insólito livro que minha companheira carregava. — Mas e se isso pertencer a alguém? Quer dizer, nós estamos em terreno particular. — Lamentavelmente, aquele deleite de jardim não era público (e não era nosso, tampouco!) — Não devemos nos apoderar de coisas perdidas dessa forma... — Transfigurado num adulto responsável e ganhando ares de bem refletido, apertei o braço cuja mão segurava o objeto misterioso. — Deixe isso aí.

-Sim, são raros e por isso mesmo não posso deixa-lo aqui, jogado! Boris, pode até me importar o fato dele ser de alguém, mas se é de alguém, é de uma pessoa que o despreza, ele está jogado! E é lindo! Adornado com flores, eu sempre quis um livro assim, e você sabe disso mais do que ninguém. Não vou deixa-lo aqui. Está decidido.

Agarrei o livro com força, sorri para Boris e pedi a ele com os olhos para me deixar ficar com o achado precioso. Continuei andando e observando o local, que chegava a me parecer mágico. Chamei Boris que estava um pouco atrás e perguntei: - Que tal brincarmos de pega-pega? -Dei risos altos. - Deve estar me achando uma completa louca, mas acho tão agradável correr entre as flores, por favor, vamos, vamos! -Pedia como uma criança mimada, mas estava trajando um vestido branco e usava uma flor vermelha no longo cabelo, nada remetia a uma criança além do meu olhar suplicando para começarmos a brincadeira.- –Será divertido, está com você! Coloquei o livro em um canto e comecei a correr.


Por Renato Trevizano e Inaiara Gonçalves.




segunda-feira, 18 de julho de 2011

Bitucas de cigarro.

Andava pela cidade e observava a cada rua centenas de bitucas, em cada esquina, em cada vão, em cada canto.
Pior que poluir-se é poluir o mundo. Mas não tem mais jeito, os cigarros são necessários não é mesmo? Joga-los no chão também é. Poluir já tornou-se intrínseco ao ser-humano. Daqui a pouco o mundo só vai ser feito dessas coisas.

A um enfermeiro que não lerá isso.

Eliomar, ou Eliot com eu gostava de te chamar. Sei que não vai ler isso, mas ainda tenho esperanças que você entre aqui, rs , afinal eu te dei o link.
Só queria dizer para você, que no final... Tudo dá certo.
Não sei porque estou dizendo isso, acho que é só porque quero.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Esboço.

Começar, criar, findar.
O esboço é o começo, o meio e o fim.
O esboço é ir contra qualquer paradigma e simplesmente tentar traçar as primeiras linhas de um novo quadro.
E nesse momento é isso que estou fazendo, um bosquejo de um projeto inacabado.
Mas esse projeto é diferente, é formado por uma junção de esboços.
Uma gama tão imensa de cores, sons, tentativas, que até me perco...
Me perco dentro das entrelinhas que formam o esboço chamado vida.
Nesse momento, sinto que não devo usar a palavra sinto, porque ela já está tornando-se praxe em meus textos, então eu direi: Desejo e não sinto, eu desejo que esse esboço nunca se torne um texto concreto, e que ele siga em frente conseguindo a cada momento traçar uma nova linha, que ele mude, faça e refaça. Que ele seja.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O despertar da primavera.

Folhas caem
Passáros voam
O vento canta
E a água corre entre as folhas

Respiração viva
Pulsante. Entra em meus pulmões
E purifica-os
Sinto um caláfrio das pontas do dedo do pé
Até o último fio de cabelo.

Sorrio e já nem sei porque
É uma felicidade pura, sincera.
Pois é, acho que a Primavera chegou.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Peço perdão aos leitores, mas passei por um período um tanto conturbado, e por motivos de saúde parei de postar aqui.

Mas agora as coisas melhoraram. E tudo voltou a florescer.

Estou de volta, pessoal.

By: Inaiara, para alguns.
Ina , para outros.
E Flora para poucos.

domingo, 12 de junho de 2011

''Vomitei'' ao ver isso .


Retirado do : http://www.facebook.com/media/set/?set=a.106413292775478.13716.100002204245388#!/photo.php?fbid=111025735638944&set=a.111025725638945.17478.100001945558053&type=1&theater


Meu, por mais que eu não tenha embasamentos científicos para falar a respeito dessa foto, e esteja me baseando apenas em conceitos subjetivos e opinativos, eu digo logo de principio: Achei essa foto ridícula.
Não só a foto , mas o significado em sim. Como assim taxar a posição de seus melhores amigos? Meu Deus do céu, não sei se isso é infantilidade ou burrice mesmo, mas talvez uma junção das duas. Sei que serei super criticada por esse post, porque metade das pessoas que usam o facebook postam fotos desse genêro, mas passando por esse facebook e vendo isso, foi impossível não escrever.
Acham mesmo que podemos classificar nossas amizades, como se cada amigo fosse um troféu ganhado? Posso até estar sendo radical, mas para mim não precisamos de fotos toscas como essa para expressar nossa amizade por determinadas pessoas, muito pelo contrário devemos fazer isso de outras maneiras. Ninguém é objeto de ninguém.
Essa foto é a marca de uma mente corrompida, fútil e mais que isso: Sem essência.



Obs: Se liguem no primeiro amigo, ele tem até uma coroa, nossa que coisa maravihlosa não? Ele é o mais amado, venerado amigo dessa garota que postou a foto. É o rei, gente. ¬¬

Acordada.

Letras sobrepostas, parágrafos cruzados, pontos e vírgulas andantes. Ultimamente é isso que minha vida tem sido, uma junção de sentidos, de odores e paladares - alguns amargos, outros doces, secos, gelados... Todavia, hoje sinto o pão-fresco saindo do forno, a amora mais vermelha que já vi. Hoje sinto-me nova. Eu renasci. Porque passei pro duas semanas em que eu simplesmente esqueci os meus objetivos, erros e acertos, nada importava, nínguem me despertava o sorriso. Não olhava, não sentia, não falava.



Mas hoje sei que meu corpo entrelaçou-se com minha alma e pediu à ela: Paz, calmaria e equílibrio vivente.




Obrigado, querida alma, você me salvou.

Queridos leitores, se é que vocês existem, HAHA, eu voltei a tona . Me perdoem, essas últimas semanas foram um tanto complicadas. Mas agora está tudo bem.

Postarei alguns textos um tanto subjetivos, que provavelmente muitos não entendam, outros se identifiquem e alguns poucos gostem.


Porque como eu sempre digo, aqui você pode tudo. Pode gostar, desgostar, odiar, amar, fugir, cantar, chorar. Aqui podemos o que quisermos.


Obs: Essa semana que vem será minha semana de provas, portanto, ficará difícil entrar, mas farei o possível. Obrigado.