Este blog não tem a pretensão de ser nada além de um lugar onde eu tenha a liberdade de escrever o que quero e você tem a liberdade de dizer o que quiser.
sábado, 29 de outubro de 2011
Apartado.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Clichê verdadeiro.
Eu observo tudo a minha volta e percebo que a cada dia que passa as pessoas vão mudando cada vez mais, prometendo verdadeiramente cada vez menos, e indo embora. Pergunto-me entre tantas pessoas que conheço, quais realmente irão permanecer? Quais fizeram realmente diferença em minha história? Sinto medo. Medo de perder elas. Aquelas que sorriem para mim todos os dias sinceramente e que mesmo com os meus defeitos, me acolhem, me seguram quando estou caindo. Essas sim, eu sentirei falta. Porque eu sei que um dia tomaram seus caminhos, e estarão longe. E então, quando isso acontecer, quem eu vou abraçar? Tenho receio do tempo, gostaria de controla-lo, para que assim o vento soprasse quando eu quisesse e as folhas caíssem quando eu bem entendesse. Mas não sei se teria a mesma graça, talvez tenhamos que mesmo nos agarrar ao tempo que possuímos com essas pessoas especiais, e viver os momentos que ainda nos restam. Sinto que falo como se fosse morrer amanhã, mas quando olho para essas pessoas hoje é como se a cada dia eu fosse perdendo-as, não quero que olhar delas se dissipe com o tempo, nem que o sorriso se corrompa. Eu quero elas por inteiro, quero elas pra sempre. Mas o pra sempre, sempre acaba.
Pois então, como não as terei para sempre, peço a elas que hoje seja o sempre. E mesmo sabendo que tudo isso aqui é um tanto clichê, eu deixarei os clichês tomarem conta de tudo, porque às vezes é necessário simplesmente dizer, mesmo que de uma forma nem um pouco inovadora, dizer como você as ama.
sábado, 1 de outubro de 2011
Iluminada.
domingo, 28 de agosto de 2011
Por ali.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Momentaneamente, só .
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
(...) aurora
Árvores de inverno.
De preferência alto.
sábado, 20 de agosto de 2011
Sexta-feira
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Manchas.
E eu vos digo, novas machas acabaram de surgir, permeando minha vida de uma maneira tão estranha que nem consigo definir. Certas manchas me dão medo, de tão desconhecidas que são, mas intrusas já mancharam sem que eu vos pedisse. Mas de certa forma, são manchas tão interessantes de se ver, sentir, ouvir. Sim! Manchas falam! E como falam. Falam com seu enodoado, e nesse momento não coloque mancha como sinônimo de sujeira e sim de pureza. Porque elas purificaram, e eu lhes peço: Limpem, façam e causem.
Porém, algumas manchas são falsas, com o tempo somem ou logo que colocadas em água saem, essas eu retiro de cena, prefiro que não existam e que vão manchar a brancura de outra vida. Agora você, mancha nova, venha, fique e tome conta de tudo, manche-me por completo, e, por favor, seja uma mancha sincera.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Vontade.
Poderia falar de tantas coisas aqui, mas não consigo. No momento só desejo escrever o que eu quiser, e que isso se desenvolva como bem entender. Que as portas abram e o vento sopre, e que o texto, parágrafo, como quiser definir isso , torne-se uma junção de sentidos, vontades. Porque na verdade é isso que surgiu, uma vontade imensa de simplesmente escrever. Não me julguem, e não esperem um texto bonitinho como alguns outros dizendo sobre o que sinto ou deixo de sentir. Nesse momento eu só digo, e ponto.
É incrível como toda vez que estou ouvindo música a vontade de escrever nasce do nada, floresce sem que eu peça. E foi isso que houve agora. Gostaria desse momento de conseguir simplesmente dizer algo relevante para vocês, mas não consigo, será que uma vez na vida posso escrever sem regras sem imposições? Permitem?
Obrigado.
Sabe, quando fiquei doente e internada, conheci pessoas incríveis, e percebi como era bom estar com pessoas que não me julgariam por dizer o que eu quisesse, pessoas abertas a brincar, sorrir. Sinceridade. É isso que busco nas pessoas, mas nunca encontro. Eu sou sincera demais, e prezo muito isso. Mas por que digo isso no meio desse texto? Não sei. Porque deu vontade.
Acreditem, hoje não estou boa com as palavras, ou melhor, quase nunca estou. Mas de qualquer forma, escrevo, porque quero.
Quero que essa paz de espírito não finde, quero que sejam felizes, apesar de tudo.
E entendam, porfavor. Todos têm necessidades.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Um texto inacabado
Meus passos seguiam no encalço de Clair, chapinhando nas perturbações do caminho pedregoso — inumeráveis poças se estendiam diante de nós, um problema menos relevante quando tínhamos a fúria dos céus a nos despejar água gelada aos trambolhões.
A corrida infundada arrancou-me um bocado de energia e eu tive de parar. Molhado e enregelado até os ossos, não havia mais que fugir. — Espere, Clair! — E recostei, arquejante, numa parede próxima. O contato da pedra com minhas costas também geladas me provocou um tremelique, que foi logo acompanhado dum guincho. — Ah, quer saber? — eu disse, desvencilhando-me da construção e saltando da calçada, pronto a atrever-me bem no meio da viela — então deserta —, dando-me de todo à água celeste. — Como já estamos irreparavelmente molhados, que nos deixemos lavar por completo, não é? — Abri os braços a chamei-a com os dedos. — Venha!
Eu passei a caminhar paulatinamente sobre o chão irregular, sem sentir — ou, mais apropriadamente, sem me preocupar — os pingos que me rasgavam a pele, tão ardentes caíam.
Riamos para alto ainda, rodávamos acompanhando o vento, e deixávamos a chuva cair sem se preocupar com o resfriado que poderíamos pegar. Foi quando chegamos a um jardim, cheio de flores, eram lindas, permeadas por cores, sombras... E ele, em meio à chuva tornava-se mais bonito ainda, as gotículas caiam sob as folhas das arvores e eu me sentia tão bem, como nunca tinha me sentido antes. Era como se eu acabasse de entrar em um mundo subterrâneo, como Alice no País das Maravilhas. Como se eu e ele voltássemos a ser crianças, por um dia.
Era muito agradável o que o acaso nos reservava. Um jardim muito pomposo e diverso! Vi-me a sorrir dentro de uma pintura de Monet e, conquanto não houvesse sol, a paisagem parecia-me satisfatoriamente iluminada. Passeando entre uma sorte de flores que era um deleite, segurei o braço de Clair, pois ela caminhava com maior ligeireza — e, é certo, eu não desejava perdê-la naquela fatia de bosque. Encarando-a de frente, apontei para o caos de pétalas e cores. — De qual flor você gosta mais? — perguntei, eu próprio tentando encontrar minha favorita entre tantas belezas.
Sorri e disse — Gosto de todas. A coisa que mais amo nesse mundo são as flores. Sabe por quê? Porque elas não julgam ninguém e estão sempre abertas para serem tocadas. E você, querido? Hm Tem uma predileta?
Observando o local, olhei para o chão e encontrei um livro caído, tinha capa dura e preta, e era todo adornado com flores, mas engraçado, não possuía nada escrito dentro. Puxei-o para perto e disse: - Boris, o que é isso?!
Encarava as flores, absorto em suas sutilezas várias, descobrindo raridades a cada porção de espaço que o olhar varria. — De fato... Elas são bem gentis. — Sorri. Ante a pergunta de Clair, pus-me a ponderar por um instante sumário, no qual lancei as orbes por todo o entorno, como que para confirmar o que diria a seguir. — Gosto muito dos girassóis. — E apontei para um amontoado de flores amarelas ali perto. O contraste das pétalas solares com o centro negro era admirável... bem como o porte soberbo das flores. — São lindos, não?
Fui despertado de meus distantes devaneios a fitar girassóis com um chamado da garota. Levei alguns segundos para atentar para o que ela me indicava — um livro? Olhei para o objeto e quis pegá-lo. — Deixe-me ver... — Folheei-o sem interesse e o passei a Clair. — Hm, não deve ser nada importante. — Com um suspiro, volvi a atenção ao cenário.
Então o olhei com surpresa e disse - São raras as vezes que um livro não te interessa, Boris.
Observei o livro, estava realmente em branco, suas folhas eram antigas, mas possuíam algo de muito peculiar. Resolvi então fazer um pedido a Boris. –Boris, que tal escrevermos nele todas as nossas aventuras ou se preferir passeios por Paris, aposto que dará uma excelente história! O que acha?
Sorri e lhe passei o livro em branco, e completei: - Quanto aos girassóis, são lindos sim, é como se eles sorrissem para a gente, não? Queria lhe agradecer, por essa viagem maravilhosa que estamos tendo juntos. Hm
Virei-me bruscamente, afetando indignação. Disse, divertido: — Pois são igualmente raros os livros em branco, não é? — Sacudi a cabeça e estalei os lábios, em desaprovação. — Gosto de ler o que há para ler, ora essa! — Com uma risadinha, apertei o passo. Mal havia notado que a chuva cessara de cair... apenas o ar frio da noite fazia com que bailassem as fileiras de flores, tão delicadas quando genuínas bailarinas de carne e osso.
Estaquei em minha caminhada e voltei a Clair. — É uma boa ideia, mas... — Com uma sobrancelha arqueada, olhei com desconfiança para o insólito livro que minha companheira carregava. — Mas e se isso pertencer a alguém? Quer dizer, nós estamos em terreno particular. — Lamentavelmente, aquele deleite de jardim não era público (e não era nosso, tampouco!) — Não devemos nos apoderar de coisas perdidas dessa forma... — Transfigurado num adulto responsável e ganhando ares de bem refletido, apertei o braço cuja mão segurava o objeto misterioso. — Deixe isso aí.
-Sim, são raros e por isso mesmo não posso deixa-lo aqui, jogado! Boris, pode até me importar o fato dele ser de alguém, mas se é de alguém, é de uma pessoa que o despreza, ele está jogado! E é lindo! Adornado com flores, eu sempre quis um livro assim, e você sabe disso mais do que ninguém. Não vou deixa-lo aqui. Está decidido.
Agarrei o livro com força, sorri para Boris e pedi a ele com os olhos para me deixar ficar com o achado precioso. Continuei andando e observando o local, que chegava a me parecer mágico. Chamei Boris que estava um pouco atrás e perguntei: - Que tal brincarmos de pega-pega? -Dei risos altos. - Deve estar me achando uma completa louca, mas acho tão agradável correr entre as flores, por favor, vamos, vamos! -Pedia como uma criança mimada, mas estava trajando um vestido branco e usava uma flor vermelha no longo cabelo, nada remetia a uma criança além do meu olhar suplicando para começarmos a brincadeira.- –Será divertido, está com você! Coloquei o livro em um canto e comecei a correr.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Bitucas de cigarro.
Pior que poluir-se é poluir o mundo. Mas não tem mais jeito, os cigarros são necessários não é mesmo? Joga-los no chão também é. Poluir já tornou-se intrínseco ao ser-humano. Daqui a pouco o mundo só vai ser feito dessas coisas.
A um enfermeiro que não lerá isso.
Só queria dizer para você, que no final... Tudo dá certo.
Não sei porque estou dizendo isso, acho que é só porque quero.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Esboço.
O esboço é o começo, o meio e o fim.
O esboço é ir contra qualquer paradigma e simplesmente tentar traçar as primeiras linhas de um novo quadro.
E nesse momento é isso que estou fazendo, um bosquejo de um projeto inacabado.
Mas esse projeto é diferente, é formado por uma junção de esboços.
Uma gama tão imensa de cores, sons, tentativas, que até me perco...
Me perco dentro das entrelinhas que formam o esboço chamado vida.
Nesse momento, sinto que não devo usar a palavra sinto, porque ela já está tornando-se praxe em meus textos, então eu direi: Desejo e não sinto, eu desejo que esse esboço nunca se torne um texto concreto, e que ele siga em frente conseguindo a cada momento traçar uma nova linha, que ele mude, faça e refaça. Que ele seja.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
O despertar da primavera.
Passáros voam
O vento canta
E a água corre entre as folhas
Respiração viva
Pulsante. Entra em meus pulmões
E purifica-os
Sinto um caláfrio das pontas do dedo do pé
Até o último fio de cabelo.
Sorrio e já nem sei porque
É uma felicidade pura, sincera.
Pois é, acho que a Primavera chegou.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
''Vomitei'' ao ver isso .
Retirado do : http://www.facebook.com/media/set/?set=a.106413292775478.13716.100002204245388#!/photo.php?fbid=111025735638944&set=a.111025725638945.17478.100001945558053&type=1&theaterMeu, por mais que eu não tenha embasamentos científicos para falar a respeito dessa foto, e esteja me baseando apenas em conceitos subjetivos e opinativos, eu digo logo de principio: Achei essa foto ridícula.
Não só a foto , mas o significado em sim. Como assim taxar a posição de seus melhores amigos? Meu Deus do céu, não sei se isso é infantilidade ou burrice mesmo, mas talvez uma junção das duas. Sei que serei super criticada por esse post, porque metade das pessoas que usam o facebook postam fotos desse genêro, mas passando por esse facebook e vendo isso, foi impossível não escrever.
Acham mesmo que podemos classificar nossas amizades, como se cada amigo fosse um troféu ganhado? Posso até estar sendo radical, mas para mim não precisamos de fotos toscas como essa para expressar nossa amizade por determinadas pessoas, muito pelo contrário devemos fazer isso de outras maneiras. Ninguém é objeto de ninguém.
Essa foto é a marca de uma mente corrompida, fútil e mais que isso: Sem essência.
Obs: Se liguem no primeiro amigo, ele tem até uma coroa, nossa que coisa maravihlosa não? Ele é o mais amado, venerado amigo dessa garota que postou a foto. É o rei, gente. ¬¬
Acordada.
Mas hoje sei que meu corpo entrelaçou-se com minha alma e pediu à ela: Paz, calmaria e equílibrio vivente.
Obrigado, querida alma, você me salvou.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Grão, granola.

Eram vários, uma junção de pequeninos grãos formando o composto chamado granola. Frutas cítricas, castanha e o próprio grão.
Era agradável colocar os dedos no pote e pegar um punhado do tão bom alimento.
O sabor não era doce nem amargo. Neutro. E é disso que eu gosto, de momentos neutros que ainda assim podem proporcionar tanta felicidade.
Fico imaginando, se fossemos formados de grãos, uns seriam grãos grandes e imponentes, outros pequeninos e delicados e teriam aqueles que desmontariam-se com um leve tocar de ponta dos dedos.
Agora eu sou um grão, forte e fraco, bom e ruim. Um grão em meio à outros, que ao tocado ouve-se o farfalhar dos outros que estão próximos- suave e barulhento, porém, era um barulho gostoso de ouvir. Tudo compactado, em um só pote.
Um grão mordível, mas que por vezes pode te fazer quebrar os dentes. Não sou um grão classificado, nem feito em industria. Longe de ser rotulado. Sou o grão da terra, o grão puro, o grão-menina...
domingo, 15 de maio de 2011
O Pouco Que Sobrou
Los Hermanos
Composição : Marcelo Camelo
Eu cansei de ser assim
Não posso mais levar
Se tudo é tão ruim
Por onde eu devo ir?
A vida vai seguir
Ninguém vai reparar
Aqui neste lugar
Eu acho que acabou
Mas vou cantar
Pra não cair
Fingindo ser alguém
Que vive assim de bem
Eu não sei por onde foi
Só resta eu me entregar
Cansei de procurar
O pouco que sobrou
Eu tinha algum amor
Eu era bem melhor
Mas tudo deu um nó
E a vida se perdeu
Se existe Deus em agonia
Manda essa cavalaria
Que hoje a fé
Me abandonou
Tem gente hipócrita,
Suja,
Nojenta,
Canalha,
Aproveitadora,
Imbecil,
Falsa,
Vulgar,
PARE
de julgar,
de falar por falar,
de mentir,
APRENDA
a dizer,
a ter boa fé,
a buscar ao menos o resto de valor que dá a vida, e...
MUDE
suas atitudes,
seus pseudos-discursos,
seu pérfido olhar,
Que sua aleivosia MORRA.
E nesse momento eu vomito toda a minha raiva por saber que tem gente que não se importa com o outro. Ou melhor, que finge se importar.
sábado, 14 de maio de 2011
Café sem leite.

Ele estava forte, quente, mas ainda assim com açúcar -pois o que seria dele sem uma doçura cristalizada?
Caneta em uma mão. Copo descartável vazio. Mordo o lábio inferior e sinto ainda um leve gostinho adocicado, aumento o volume da música e sinto o tocar do violão, meu corpo intuitivamente começa a balançar em um ritmo leve, acompanhando cada nota. As pálpebras fecham-se e deixo que a calmaria momentânea tome conta do meu ser, sinto o ar entrando em meu pulmão e penso no que escrever.
O som cessa, meus olhos abrem sem que eu peça a eles e eu vejo a vida nitidamente, como ao abrir uma janela e ver o raiar do dia, eu vejo a beleza de cada suspiro, cada passo dado, cada momento...
Duas moças conversam à minha frente, mas só enxergo os lábios abrindo e fechando em uma frequência pautada, soltando provavelmente palavras comuns.
Agradeço por estar nesse instante conseguindo tocar na caneta e desacolchetar a tinta azul que ela possui.
Que venham mais cafés, sem leite e com muito açúcar.
terça-feira, 12 de abril de 2011
A brisa do novo dia.
quinta-feira, 24 de março de 2011
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre."
Bruna Lombardi.
E como, como me identifico.
O desconhecido.
Então, nesse momento leitor, pergunte-se: O que é conhecer? Quantas pessoas você realmente conhece?
Independente dos clichês, se você tiver uma convicção própria de que deve tentar conhecer o "real-desconhecido" siga em frente, e mesmo com a timidez, o receio: Conheça. Porque essas chances só aparecem uma vez na vida, portanto, entregue-se ao desconhecido como se ele fosse seu amigo de infância, traga-o para si, permeie as entranhas daquele ser, e quando menos esperar estará: Conhecendo, andando, sentindo, falando e acima de tudo: Tocando. Tocando a singular essência do tão distante desconhecido.
Ps: Dedicado à alguém que me proporcionou uma boa conversa sobre as ideias colocas no texto. E mais, para alguém que pouco conhece de mim, e que tem muita muita coisa para mostrar. Para alguem que às vezes soa como o desconhecido em pessoa. Mas a questão é exatamente essa : Conhecer a mais profunda essência do próprio desconhecido.
sábado, 19 de março de 2011
Nada sai, as palavras estão engasgadas, ouço um burburinho de vozes e minha mente se enche de dor. Calafrios até o último fio de cabelo preto. Estava escurecendo, e na penumbra da dor resolvi sair, visitar mundos distantes. (...)
[Em breve continuarei o texto. Escrito em um dia tão peculiar, que eu nem lembro quando foi. Um achado em meio a todos os outros resquícios de papel em minha agenda.]
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Que?
Eu não desejo um produto
Nem mesmo etiquetas
Não quero o lucro,
Surto.
Que cada nota seja picotada,
Que o sistema afogue-se,
Que o fogo queime
Toda a hipocrisia.
Que ele não exista.
Que ela cure.
Que eu viva.
Que?
Que exista amor.
Onde?
Leve.
Forte.
Grilo canta.
Galo dorme.
Eu acordo.
Lua acende.
Árvores ouvem.
Terra sente.
Longe.
Onde?
Em qualquer lugar.
Obrigado.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Segundos.
A porta abriu. Entrei rápidamente com medo de perder o metrô. Sentei no primeiro banco que vi vazio. Abri o bolso da frente da mochila e peguei o mp4 , coloquei The Calling, sim eu precisava deles naquele momento. Olhei para o lado distraida e logo em seguida para o banco da frente, e vi ele. Normal, completamente normal. Mas era comum demais para não possuir nada além de aquele rosto agradavel. A questão é que era um comum diferente, estranho não? Mas era um comum permeado de mistérios.
Obervei-o, foi quando ele me viu. Olhou-me com intensidade e desviou o olhar. Acho engraçado como as pessoas têm medo de trocar o mais profundo olhar com um desconhecido. Acredito que embora seja só um olhar, e só um desconhecido, isso diz muita coisa. E naquele momento disse. Tentei me concentrar na música, mas era impossível. A todo momento que olhava-o era reciproco. Comecei a bater com os dedos levemente sobre minha mochila, e por algum motivo sorri - de uma maneira singela, completa e graciosa. Ele viu. E deu uma risada como de quem não quer nada, como se ele estivesse viajando pela vida. As perguntas passavam-me pela mente: ''Da onde ele veio? Como será que ele é? Qual seu nome?'' , fitei ele com mais intensidade do que da primeira vez, e nesse momento foi diferente, ele não desviou. Olhou-me, como se aquele ato fosse retirar todas as informações que desejavamos saber. Ouvi um som que me incomodou. Era a próxima estação. Pensei: ''Ele tem que descer aqui. Tem que.'' E sim, ele desceu.
Ele e muitas outras pessoas, loiras, morenos, altos, baixos, magros, gordos, cada qual com suas peculiaridades. Nosso passos foram dados juntos, tentei não perde-lo em meio a tanta gente, mas era impossível. Subi na escada rolante, ele estava do meu lado. Mas que vontade, que vontade imensa de dizer algo, e eu sabia que ele sentia o mesmo. O problema é que somos humanos, e nesse instante eu odiei ser comum, seguir padrões e me esquivar de dizer um simples: Tudo bem? A escada chegou ao fim. Um segundo. Dois segundos. Três. Quatro. Ponto. Perdi-o. Ele virou a esquerda e eu continuei, meus passos eram tão lentos como os dele, olhei para trás e foi a última vez, a última vez que obtive aquele tão sincero olhar. E só nesse momento percebi o que tocava no mp4, era: All you need is love. Peguei um laço vermelho da bolsa, prendi o cabelo e continuei andando, como mais uma transseunte em meio a regras, números, pessoas.. Mas percebi que não , eu não era só uma garota andando em meio ao mundo.
Eu era alguém que deu a importância devida a um olhar, que mesmo desconhecido dizia-me muita coisa.
E isso sim , minha gente, é amor.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Tudo.
Exergue-me
Beije-me
Toque-me
Abrace-me
Viva-me
Esteja-me
Consiga-me
Proteja-me
Clareie-me
Toma-me
Sem superficialidade.
Porfavor, preencha minha alma.
E arranque de mim o que desejar.
Sugue.
Quero sentir outro alguém comigo, quero estar por inteira e não pela metade. Quero chorar por quem valha a pena, quero sofrer por algo melhor.
Quero tudo, menos você.
As palavras só estão sendo jogadas aqui. Sepulte-as.
Sugue isso, como se fosse o único copo de água de sua vida inteira, porque será a última gota do meu ser que você possuirá.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Tarde de dezembro.
Era uma tarde de dezembro. A vida corria como um relógio pulsante, o mundo girava e as flores brotavam. Peguei um café forte, abri um jornal e comecei a folheá-lo, via os horrores que aconteciam no mundo, cada morte e cada assassinato, era cruel e frio ver tudo aquilo.
Abri em uma página sobre um acidente de carro, em que o único sobrevivente foi uma criancinha de 4 anos. Fiquei estática, paralisada, a angustia era tanta que não conseguia falar, observei bem a imagem da criança, meu olhos de um negro intenso estavam semicerrados e nem as lagrimas conseguiam sair. Era uma criança linda, de cabelos escuros cacheados, pele branca como uma flor de hibisco, graciosamente menina. Meu coração pulsava aceleradamente, e foi nesse instante que vi a foto do lado direito da página, dos pais da criança. Eles eram meus. Meus pais. E a sobrevivente minha irmã. Fechei o jornal e vomitei sem parar, meu estomago doía demais. Dei um grito extremamente alto e rasguei o jornal com tamanha voracidade.
A campainha tocou, eu não atendi. Depois de um segundo, resolvi abrir a porta.
Um novo jornal acabará de chegar. Olhei o relógio e vi que já era o do dia seguinte.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
→Ficar rabiscando alguma coisa enquanto fala no telefone;
→Ter que estudar para prova mas ao inves disso está na net;
→Todo fim de ano, dizer que o ano passou rápido;
→Receber a prova, dar uma lida rápida por cima de todas as questões e pensar: FODEU!
→Responder: “Não” quando alguém te pergunta “Tudo Bem? só pra ter assunto pra conversa;
→Sempre quando está jogando vídeo game em uma parte muito importante sentir coçar o braço/nariz;
→Falar para a mãe do meu amigo, que estava sem fome, mas estava com muita fome;
→Apagar tudo que estava escrevendo, quando vê que a outra pessoa está digitando alguma coisa no MSN;
→Ter sempre a última folha do caderno rabiscada;
→Ficar comendo milho que sobra da pipoca;
→Fazer moicano, no banho, com o cabelo cheio de espuma;
→Lamber os dedos sujos de Doritos;
→Sair do banho, notar que esqueceu a toalha e ficar gritando: 'manhêê'
http://www.orkut.com.br/Main#Community?rl=cpp&cmm=100938011
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
sábado, 22 de janeiro de 2011
Mas as segundas chances existem. E só não existem se você não quer ser feliz.
Amo-te.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A sensação é a seguinte: estar no cinema assistindo a uma colagem de questões intelectuais, angústias humanas, romance policial, cenas da guerra fria, loucuras do sonho. Talvez seja o melhor da obra de Rubem Fonseca, e não sou a única pessoa a afirmar isso.
Decididamente, ler Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos significa não conseguir parar um minuto sequer. É enxergar a vida e as situações cotidianas do homem dentro de uma ótica cinematográfica, na qual é necessário que haja uma lógica concisa e eficiente. Os personagens devem ser sempre muito bem definidos, suas ações delimitadas, seus sentimentos delineados para que o público capte "o quê o diretor quis dizer". E é aí que se encontra a confusão.
A história de um cineasta-narrador que se envolve com uma história de pedras preciosas e assassinato, ao mesmo tempo em que começa a ler os contos do judeu soviético Isaak Bábel. A tentativa de transformar tais contos em roteiro para sua nova produção, junto aos seus confusos sentimentos e amores acaba em uma mistura da lógica racional da linguagem cinematográfica, à completa falta de lógica da linguagem inconsciente dos sonhos e a tentativa de adaptar a linguagem literária à uma realidade. E então, qual a mensagem que deve ser passada? Há algo que deve ser passado? Como organizar as vastas emoções sem deixar com que se percam em pensamentos imperfeitos?
Rubem Fonseca não fornece respostas, mas incita questões - questões essas que valem muito a pena.
Retirado do site: http://www.mood.com.br/literatura/11.asp
Gente, sério, eu estou ainda no meio do livro e já me apaixonei por ele!
Uma história mágica, para ser lida e relida.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Bem-vindo ao mundo.
O que é o tempo para você?
É exatamente o que queríamos tratar nessa instalação feita no colégio Guaracy Silveira, por mim (garota da foto), Kaio Cassio, Érica Gonçalves e Beatriz Sugai.
Como o tempo pode ser usado de maneira cruel, não é mesmo?
Essa garota, estática , olhando para uma Televisão, que sim , como você vê, está desligada. O que vem a sua mente observando essas fotos?
Para mim, vem a perda da mais preciosa vida. É como se ela estivesse tentando enterrar todas as suas angustias e perdas vendo uma televisão, alienando-se diante das imagens manipuladoras.
Ela está morrendo, morrendo aos poucos, pois está perdendo a razão de viver. Falando superficialmente, o relógio representa a passagem do tempo, a flor murcha brotando dele a morte e as folhas secas, novamente, a passagem do tempo.
Mas a interpretação vai muito além disso, é uma interpretação pessoal, única de cada individuo. Tenho plena certeza que cada um que sentou ao meu lado nessa instalação teve uma sensação. O que eu senti?
Bom, aquele som do rádio que ficava tocando no fundo, aquele chiado era perturbador, e o fato deu estar olhando fixamente para uma tv desligada me angustiava. Naquele momento eu não era mais a Inaiara, era parte da instalação , e acredite , se você sentiu-se mal, para mim foi mais difícil ainda. Fazer um papel do qual eu discordo totalmente não foi fácil. Estática , quieta e olhando para o único objeto que havia ali várias coisas vieram em minha mente. Comecei a pensar na minha própria vida e nas minhas próprias alienações...
E percebi que as vezes eu me importo tanto com certas coisas, e potencializo tanto elas que acabo sofrendo, tem certas coisas na vida que devemos relevar, ou ao menos lidar com elas não como se fossem sérios problemas e sim ''só mais um simples desafio'' , contraditório, não é? Mas é isso mesmo, caro leitor, é exatamente isso, devemos enfatizar o lado bom da vida, sabe, e entender que a vida não é só adornada com flores , que ela possui espinhos também, espinhos que por hora machucam, ou até mesmo nos atinge de uma maneira tão intensa a ponto de sangrar.
Mas nunca devemos esquecer que todo corte sara.
Devemos viver e aceitarmos os caminhos que são colocados no meio da trajetória. Nunca devemos perder a nossa especial essência humana.
E eu, bom, eu acabei de pegar uma curva...
Porque as vezes devemos sair da estrada principal.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Alguém como você.
- É só abrir o link em outra janela e ouvir-
Ah, eu precisava tanto de você. Alguém exatamente como você. Inexperiente como eu, ou melhor, com experiências que não deram muito certo. Alguém que pudesse retirar toda a minha angustia com um só tocar de lábios.
Observo-o, a cada sorriso percebo que tem tanta coisa ai dentro, tanta coisa que eu desejava poder sentir. Você me parece uma pessoa tão incrível, que tem tanto a oferecer ao mundo...
Mas, por quê?
Por que não posso tê-lo ao meu lado?
Foi tudo tão rápido, não é mesmo?
E aqui com minhas meras palavras lhe peço perdão por ter sido tão precipitada. É como se o meu sentimento tão incerto e certeiro naquele momento tivesse entremeado ansiedade, angústia, desejo de um novo amor. Talvez seja pedir demais, mas era exatamente o que eu queria: Um novo amor.
E agora, ouvindo-o novamente, depois de tanto tempo, porque sim, para mim um mês foi como anos, anos em que eu poderia ter dito apenas uma palavra, anos perdidos, anos em que poderia ter me tornado uma grande amiga.
Sabe, eu nem sei mais o que quero. Mas uma certeza eu tenho, independente de como for eu quero ter a oportunidade de lhe fazer feliz.
Feliz aniversário adiantado.
Que ele soe como um solfejo: leve, calmo e pronto para ser ouvido.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Milagres acontecerão.
Henry tem toda razão. Possuímos dentro de nós algo tão precioso, tão intenso, e não é uma só coisa, são várias, somos permeados de sentimentos que quando emergem podem sair como um passaro ou como um dragão cuspindo fogo vermelho e ardente. Às vezes não conseguimos controlar nossas angustias, nossos receios e acabamos trazendo eles para fora. Mas em alguns momentos isso acaba sendo bom, porque no momento em que emerge é como se nos sentíssemos livres, leves, soltos. Eu pelo menos me sinto assim.
Somos uma confusão. Um enleio misturado com mistifório, se é que me entendem.
Somos o tudo e o nada. Somos um elefante e uma formiga.
E nossos sentimentos são só parte de todo esse embrulho.
Quanto a parte do "E quando trazemos para fora o que temos dentro de nós, milagres acontecem." Sim, milagres acontecem, e digo isso por experiência própria, quando deixamos nosso inconsciente alçar voô coisas maravilhosas acontecem. Diríamos que quando deixamos emergir a parte inconsciente calma e amorosa, minha gente, não estou dizendo para matarem Jorge Bush ou algum político que tenham vontade de fazê-lo. Estou dizendo para amarem as pessoas não só conscientemente, estou dizendo para colocarem suas angustias de forma graciosa. Abraçem o mundo. Amem. Sonhem.
E acima de tudo deixe que as coisas aconteçam como devem acontecer, não atropelem o tempo, não tentem controla-lo. Simplesmente viva.
E como Henry diz, milagres acontecerão.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Véspera de Natal.

E com essa post pretendo compartilhar um pouquinho do que estou sentindo, pois nesse momento sinto uma paz, tão calma, tão branca, tão florida. Uma paz completa.
ps: Foto minha, tirada por: Kaio Cassio.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Gita
Raul Seixas
Composição: Raul Seixas / Paulo Coelho
Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo procurando, foi justamente num sonho que Ele me falou:
Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado,
Não falo de amor quase nada,
Nem fico sorrindo ao teu lado.
Você pensa em mim toda hora.
Me come, me cospe, me deixa.
Talvez você não entenda,
Mas hoje eu vou lhe mostrar.
Eu sou a luz das estrelas;
Eu sou a cor do luar;
Eu sou as coisas da vida;
Eu sou o medo de amar.
Eu sou o medo do fraco;
A força da imaginação;
O blefe do jogador;
Eu sou!... Eu fui!... Eu vou!...
Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!
Eu sou o seu sacrifício;
A placa de contra-mão;
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição.
Eu sou a vela que acende;
Eu sou a luz que se apaga;
Eu sou a beira do abismo;
Eu sou o tudo e o nada.
Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra,
Do fogo, da água e do ar!
Você me tem todo dia,
Mas não sabe se é bom ou ruim.
Mas saiba que eu estou em você,
Mas você não está em mim.
Das telhas eu sou o telhado;
A pesca do pescador;
A letra "A" tem meu nome;
Dos sonhos eu sou o amor.
Eu sou a dona de casa
Nos pegue pagues do mundo;
Eu sou a mão do carrasco;
Sou raso, largo, profundo.
Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!
Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão;
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão.
Eu!
Mas eu sou o amargo da língua,
A mãe, o pai e o avô;
O filho que ainda não veio;
O início, o fim e o meio.
O início, o fim e o meio.
Eu sou o início,
O fim e o meio.
Eu sou o início
O fim e o meio.
domingo, 19 de dezembro de 2010
Não é o tédio que corrói as relações afectivas mas sim a inquietação e a insatisfação. Esse bichinho que nos leva a procurar constantemente novas sensações, emoções e experiências quilómetro zero, fazendo-nos menosprezar muitas vezes o que nos rodeia.
http://oamorpelascoisasbelas.blogspot.com/2008/09/aime-moi-moins-mais-aime-moi-longtemps.html
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Ontem a noite.
Estava em um sono profundo, confortante. Foi quando várias pessoas apareceram em minha mente, entre elas estava uma amiga, ele e eu. Era um lugar escuro, não enxergava nada muito bem. Foi quando ele me puxou em um canto e disse: 'Tenho algo para te mostrar, mas não aqui' . Então eu disse: 'Está bem'. Passamos por um jardim e entramos em um anfiteatro enorme, ele pegou sua flauta e começou a tocar, sentei na plateia e ouvi , ouvi cada nota como se fosse a ultima música de minha vida. Ele terminou , bati palmas e sorri, aquele sorriso sincero que ele tanto comenta. Foi quando ele disse: 'Compus para você' , eu fiquei atônita, não sabia o que falar, o que pensar, e então abracei ele e disse em seu ouvido suavemente: 'Talvez eu possa compor algo para você com o tempo...' Toquei em sua nuca , sentia sua respiração acelerada, foi quando ele me beijou e eu acordei meio assustada mas ao mesmo tempo tão contente, era uma confusão de sentimentos.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Quinto Andar
Composição: Tiê
Quando eu olhei pra cima e não te vi,
não sabia o que fazer,
fui contar praquele estranho que eu gostava de você.
Ai, ai, será que foi assim?
Que foi o tempo que tirou você de mim?
E ele num momento hesitou,
mas depois não resistiu,
me contou que mil balões voando foi o que ele viu.
Pensei: não é possível que eu não tenha reparado.
Eu devo estar completamente avoada.
Dei quase 5 passos e parei,
não podia andar pra trás,
mas confesso não cabia enxergar tantos sinais.
Alô, eu sei, se chega até aqui, tão no limite não dá mais pra desistir.
Amor, porque eu te chamo assim, se com certeza você nem lembra de mim.
Sim, essa é para você. Só sua. Mas nem tudo é nosso para sempre...
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Um sonho.
Estava ela sentada, agradecendo por cada milésimo de oxigênio que absorvia, olhava as nuvens e criava em sua mente fantasiosa as imagens que as nuvens formavam juntas, via castelos, príncipes, rainhas, flores.. Via tudo. Resolveu ligar uma música bem alegre, porém, ao mesmo leve e calma como aquele ambiente.
Colocou no último volume, soltou os cabelos e começou a dançar, seus pequeninos pés balançavam com o vento, os olhos intensos brilhavam e seu cabelo- nem enrolado, nem liso esvoaçava no ritmo da música.
E de sua voz suave saia bem baixinho: ' I wanted to control it But love, I couldn't hold it ' . Delicadamente ela rodopiava, sentia-se tão em paz. As flores sorriam para ela, e ele a observava escondido atrás de uma árvore, admirava cada passo que ela dava e como seu corpo ficava lindo naquele vestido branco, e a fita vermelha em seus cabelos. Sim, ela era uma menina graciosa para ele.
E em um momento ela sentou-se na grama, ainda cantando, e o viu atrás da árvore, sentia seu pulso acelerado mesmo distante, seu olhar era profundo e triste, foi quando calmamente em passos lentos ele chegou a seu encontro, pegou-a pelas mãos, tocou-lhe o rosto, sua respiração era forte, ele tremia; aproximou seu rosto e quando seus lábios tocaram os dela, tudo acabou.
Começou a chover, uma chuva forte e continua.
E foi nesse momento que ela acordou, e viu que tudo não passava de um sonho. Uma lágrima escorreu de seus olhos, virou-se para o lado, puxou o lençol que estava no chão e adormeceu até o despertador tocar outra vez...
sábado, 20 de novembro de 2010
O raiar da noite
Voltava da escola vendo o pôr-do-sol, as nuvens, aquele céu límpido, vivo.
Estava me sentindo tão bem. Fazia uma retrospectiva das palavras ditas por ela, do voto de confiança cedido, da melhor amiga que naquele dia estava comigo, que me entendeu, me ouviu e acima de tudo: Que falou.
Observava as flores, eram vermelhas, pétalas pequeninas, singelas e ao mesmo tempo imponentes. Estava chegando em casa.
Peguei a chave, abri o portão ainda observando o ambiente. Calmamente subi as escadas e foi nesse momento que minha irmã apareceu na janela e disse:
-O pai do nosso papai morreu.
Ouvi? Não.
Senti? Sim.
As palavra romperam. A vos no emergia. Eu apenas senti uma angustia profunda. Perguntei:
-O que?
Ela repetiu:
-O papai do nosso papai morreu.
Atônita respirei fundo e entrei. Vi minha mãe ao telefone, ela estava dando a noticia para alguém. E foi só nesse momento que acredite. Não conseguia chorar. Não conseguia pensar. Sentei na cama, parei por um instante e perguntei a ela:
-É verdade?
Ela disse o que eu não queria aceitar.
Fui até meu quarto e de minha avó, abracei-a fortemente, queria arrancar todo seu sofrimento. Queria que nosso sofrimento mutuo finda-se com aquele abraço.
Soltei ela levemente e peguei o telefone, liguei para aquela que citei a principio, amiga que tinha tornado o meu dia tão especial. Ela me ouviu e as palavras que ecoaram de sua voz foram tão confortantes como um abraço.
Eu não era tão próxima desse meu avô, e não entendia porque doía tanto e foi nesse momento que dos meus olhos fortes e intensos escorreram lágrimas tão frágeis como eu.
Fui ao velório, e nesse momento faltam 10 minutos para ele ser enterrado, estou sem forças, não durmo desde ontem, vejo ele no caixão: Tão sereno, tão calmo...
É a segunda pessoa que perco esse ano. Um bisavô. Um avô.
E eu vos digo, com a maior certeza: Amai a vida. Pois basta estar vivo para a morte bater à sua porta.
Somos Simulacros.
E quando pensamos no que somos, pensamos sempre em sermos superiores e melhores.
E quando nos achamos superiores e melhores nosso ego torna-se grande demais para a aceitar as diferenças e os erros, e é nesse momento que nossa essência esvai-se.
E quando a essência humana esvai-se... Pobre de nós...
Tornamos nossa realidade um simulacro de nós mesmos.
Dói-me saber que nesse momento ela torna-se um espelho.
Melhor dizendo, reflexo de um humano sem alma.
Pois afinal, a essência perdeu-se.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Clarice Lispector.
domingo, 7 de novembro de 2010
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Eu não aguento mais.
Não aguento mais nada
Não preciso de amor
Não preciso de flor
Não preciso de dor, de cor
Não preciso de paz
Não preciso de luz
Não preciso de voz
Eu não preciso de nada
Muito menos de você
Porque com você acabou literalmente tudo
Com você não existiu nada
Com você não existiu mundo.
- O poema foi escrito há uma semana atrás, em um momento de raiva e rancor profundo. Em um momento que eu achava que não precisava de você. Mas hoje eu vejo que sim, eu preciso.
Preciso da nossa amizade , para sempre.
Fim
Me sinto desamparada
Sinto que tudo acabou.
As lágrimas não para de cair
O mundo continuava girando
Mas o meu mundo havia parado.
O que eu mais desejava de você sei que não poderá me ceder.
Aliás, me deu o suficiente
Me proporcionou tudo que estava ao seu alcançe
Sinto muito por a música ter cessado
Mais ainda por saber que
Nossa dança acabou.
sábado, 30 de outubro de 2010
“Robert, há uma criatura dentro de você que não tenho capacidade de trazer para fora, que não tenho forças para alcançar. Às vezes tenho a sensação de que você está aqui há muito tempo, mais do que uma vida, e tem habitado lugares particularmente que nenhum de nós se quer sonhou. Você me assusta, apesar de ser delicado comigo. Se não lutasse para me controlar quando estou com você, acho que poderia perder meu centro e nunca mais voltar.”
“A análise destrói as coisas inteiras. Algumas coisas, coisas mágicas, devem permanecer inteiras. Se você olhar por partes, elas desaparecem. Foi isso o que eu disse”.
“Francesca nada disse, meditando sobre um homem para quem a diferença entre um pasto e um prado parecia importante, que se entusiasmava com as cores do céu, que escrevia um pouco de poesia enão muita ficção. (...) Que parecia amar o vento. E se movia como o vento. Que havia vindo do vento, talvez.”
“Depois se abraçaram por um longo tempo. E ele sussurrou:
-Tenho uma coisa a dizer, uma coisa apenas; nunca irei dizê-la outra vez, a ninguém, e peço-lhe que a guarde na memória: num universo de ambiguidade, esse tipo de certeza vem uma única vez, e nunca mais, não importa quantas vidas você atravesse.”
Pois é, hoje eu li em apenas um dia, As pontes de Madison, nunca me senti como me senti quando li esse livro, parecia estar em outra órbita, às imagens vinham em minha mente, como se essa estória realmente tivesse acontecido.
É a história de uma experiência romântica e sensual sobre memórias latentes e possibilidades perdidas; o encontro entre dois seres de meia idade que irá marca-los para sempre.
Eu ainda não assisti ao filme, mas pretendo o mais rápido possível, o livro é mágico, seu lirismo cativa qualquer um. Como Robert James Waller disse: “Nas áreas indiferentes de seus corações poderão até encontrar, como Francesca Johnson, espaço para dançar outa vez”.
Um livro para ler e reler.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Eles e Elas.

Essa foto foi tirada no dia em que terminei as folhinhas nas quais escrevi para quatro amigos. Mas eles não são simplesmente amigos, cada um com sua peculiaridade única me consquistou de uma maneira impossível de verbalizar. Uma eu conheço desde a quinta série, é uma grande amiga, aquela que está sempre ali para dize algo, para me ouvir. Outro que conheci em tão pouco tempo e se tornou tão especial. E outros dois que são aqueles que te dão os melhores conselhos, que desejam a todo momento te ver feliz, que são sinceros, amigos, divertidos,importantes.
Não é um ou uma, são : Eles e Elas.
Pois é, essa folhinhas com minhas modestas palavras são minímas em relação ao que eu realmente sinto por vocês.
Eu te amo,
Beatriz,
Kaio,
Arthur e
Estela.
A amizade é um meio de nos isolarmos da humanidade cultivando algumas pessoas.
Carlos Drummond de Andrade
Sociedade Corrompida.
A cada grito
A cada fato
A cada laço
Agonia
Atrito
Caso
Descaso
E o dia passa
O grito ecoa
O laço desfaz
O fato voa
Jaz aqui a Sociedade Corrompida.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
?
Eu sou o desconhecido. O inesperado, o inexplicável. Eu sou o que eu quero ser, independente de julgamentos externos ou de padrões impostos pela sociedade. E mais, muitas vezes sou o que você deseja que eu seja em determinado momento.
Eu sou o tudo e o nada, eu sou o começo e o fim.
Sou o a flor de lírio que um dia irá murchar.
De onde veio o mundo?
O mundo veio dos meus pensamentos. Eu o crio a cada dia.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Emocional.
O emocional é algo tão complexo. Cada um tem o seu. O meu diríamos que é peculiar, intenso, confuso e estranho. Tento entende-lo a todo o momento, mas parece que quando consigo entende-lo surgem mais trilhões e trilhões de enigmas, como se ele fosse um mistério a ser descoberto a cada sensação.
Meu emocional é tão forte, que consigo passar ele para as pessoas com palavras. Já senti ele vir a tona em um dia , e vinha como se eu não pudesse controla-lo, como se naquele momento tudo acontecesse pelo emocional e não pela razão e foi uma sensação tão boa, intensa, gostosa. Foi tão bom sentir que tinha alguém comigo, que conseguia entender meu emocional por completo naquele momento e que eu entendia o dele também. Foi um momento único.
E é por isso que valorizo tanto o lado emocional das coisas, por isso que o enxergo com o maior cuidado e com toda atenção, por isso que eu sou assim, tão emocional, porque sem ele não existe razão para nada.
Sem ele não existe razão para a vida.
Obs: E não, essa é não é uma post emo, que fique claro. Rs.
Um segundo de melancolia.
As coisas ficam, somem, acabam...
E muitas coisas acabaram.
O problema é que nem sempre quando algo morre outra coisa nasce.
No meu caso tudo morreu.
Às 19:00, em um segundo de melancolia , em um ponto de ônibus, ao final de um dia.
Pois às vezes essa face do ser humano aparece do nada.
domingo, 12 de setembro de 2010
Rs.

Eu senti que esse blog precisava de umas postagens mais cômicas, a coisa aqui está tão triste, séria, consfusa, sincera... Ah, vocês sabem, eu só meu dou para escrever textos lirícos, portanto, como com textos cômicos eu não sou boa, vai ai duas imagens para vocês rirem , ou não. Rs. :D
sábado, 11 de setembro de 2010
algumas citações , consideradas por mim profundas demais, para serem denominadas de citações, rs
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!
Cecília Meireles.
A palavra nasce-me
fere-me
mata-me
coisa-me
ressuscita-me
Murilo Mendes.
Há vários modos de matar um homem:
com o tiro, a fome, a espada
ou com a palavra
- envenenada.
Não é preciso força.
Basta que a boca solte
a frase engatilhada
e o outro morre
- na sintaxe da emboscada.
Affonso Romano de Sant’Anna.
Para mim a palavra é permeada de mágia.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Felicidade não tem validade , nunca terá.
Publicado em 14.05.09 por Kaio Cassio em http://minhaidiossincrasia.wordpress.com/
Sim. Em uma sociedade onde o ser humano vive os gozos da vida material, a felicidade está a cada dia tornando-se mais volátil. Tanto da parte simbólica como também a sentimental.
Sentimo-nos no direito de ser felizes diariamente. Essa busca é, na verdade, insana, pois nem mesmo o faraó mais rico e poderoso do Egito conseguiu ser em todas as facetas da vida plenamente feliz. É uma questão que vai além do nosso entendimento. E a felicidade é, em tese, a solução dos problemas da vida. Mas quanto mais a procuramos, ora estamos cegos por seu excepcional valor, ora estamos ignorando o fato de não haver felicidade eterna. A felicidade tem validade, pois mesmo quando a possuímos, desejamos que ela não acabe. E quando realmente percebemos que estamos felizes foi porque, de alguma forma, a felicidade esvaiu-se.
Já a variante infelicidade pode ser mais duradoura. É por isso que eu digo: Amai a infelicidade, pois é dela que tiramos as lições mais importantes da vida e é com ela que pernoitaremos mais vezes. Quanto à felicidade finja não vê-la. E se a ver, esqueça-a e siga em frente. Afinal, não se pode prender-se a uma lembrança.
Então, eu estava ''passeando'' pelo blog do Kaio e li essa post, achei muito bem escrita, belas palavras, mas discordo de algumas coisas, e por algum motivo inexplicável resolvi escrever o que penso a respeito do assunto, HAUSHA, segue a baixo a minha 'visão' da felicidade.
Felicidade não tem validade , nunca terá.
Sim, a felicidade está se tornando cada vez mais volátil como muitas outras coisas, porém, discordo de muitas coisas colocadas por ele; primeiro: o fato de sentimo-nos no direito de sermos felizes diariamente é só uma maneira de ofuscar as infelicidades, e nós precisamos disso, embora seja errado, precisamos, precisamos em alguns momentos esquecer a infelicidade e fingir que está tudo bem. Pelo menos nos sentimos confortados. Às vezes é preciso criar uma imagem de que está tudo bem, às vezes é preciso sonhar, para nos ofuscarmos dessa realidade fria e cruel. Isso não quer dizer que não estamos encarando as infelicidades e sim que estamos guardando elas, para que possamos primeiramente enxergar a beleza da felicidade.
Claro que nunca conseguiríamos ser completamente feliz, pois afinal nada é bom por completo. Mas não acho que a felicidade tenha validade, pois acredito que se estamos felizes não ficamos pensando em quanto tempo isso vai durar, e sim aproveitamos, aproveitamos como se fosse durar para sempre. Se quisermos a felicidade pode ser duradoura também, por isso eu digo: Amai tanto a felicidade como a infelicidade, pois as duas se completam, precisamos tanto de uma quanto da outra. Nunca finja que a felicidade não existe, nunca a esqueça. Porque as lembranças são feitas para serem lembradas.
domingo, 29 de agosto de 2010
Assim.
O lago estava lá. Intacto. O vento soprava e levava os dois barquinhos de papel para qualquer sentido. Não importa que lago era esse e nem porque existiam dois barquinhos de papel em sua superfície, o que importava é que eles estavam ali, juntos.
Nas margens, d’ onde narcisos brotavam lívidos, a relva também despertava guarnecida de gotículas de orvalho fresco. Mas o lago também tinha, ainda que estivessem preguiçosos pássaros. E era uma verdadeira legião deles, multicoloridos. Emplumados, cantavam como uma festa sambada, seus bicos afinados e seu rechonchudo tórax, amarelo. Diversas vezes, um peixinho azul vinha até a superfície quebrar o espelho d’água, tornando diversas ondinhas que se dissiparam até a margem, crispando-a.
E tudo isso, formava um local mágico, permeado de cores, tons, sombras. Quanto às sombras, não eram qualquer uma, eram as sobras das árvores que ficavam á margem do lago. Nunca tinha visto árvores com uma vivacidade tão verdadeira, e mesmo as mais velhas, elas possuíam algo tão peculiar em suas folhas que é impossível passar ao papel o que eu sentia e via naquele momento.
Quando por fim os barquinhos beijaram a margem do lago circundado de verde (puro verde, verde intenso e intacto), era como se um vendaval tivesse despertado. Como se os barquinhos fossem válvulas de uma hidroelétrica que despertava a sua fúria, ora molhados, ora violentos, em um ritmo acelerado e, ao mesmo tempo, em câmera lenta. Sentia seu cheiro. Cheiro de chuva no deserto. Foi quando tomei posse do que estava acontecendo.
Tomei consciência de que o vendaval já havia passado. A questão é que nem todo vendaval é ruim, e no fundo esse vendaval fez muito bem aos barquinhos, naquele momento. Por alguns instantes parecia mesmo que o local em que os barquinhos estavam era mágico, pois até o vendaval diferia de qualquer outro vendaval ocorrido no mundo, pois esse não possuía vento. Esse foi um vendaval único. Intenso e singelo. O problema é que são nas coisas mais singelas que eu enxergo a beleza, como Cecília Meireles mesmo disse: “(...) uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante da minha janela, e outros finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.” E talvez um dos barquinhos precisasse olhar dessa forma, para que nesse momento da narrativa quando o vento voltava a soprar calmamente, esse barquinho não fosse embora.
Tão era a incapacidade de permanecerem juntos que, mesmo os barquinhos tendo, na alvorada, uma grande luta pela frente – pois eu vos digo que o pé d’água não cessara tão cedo, pois não só da chuva vinham as gotas, como também da fina proa dos barquinhos, vazados ao fundo. Terminada a viagem, a aventura, por assim dizer, o psicótico vento oeste carregou finalmente um deles, tendo como intuito fazer o que a própria natureza desejava, para infelicidade dos itinerantes que ali queriam viver e viajar, juntos naquelas torrentes incessantes. Há males que vêm para o bem.
Por Kaio Cassio e Inaiara Gonçalves, em um dia ensolarado.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Palavra.
As palavras vão soltando-se no papel, vão caminhando como se não existisse o ponto final, mas quando ele vem... Rompe. Rompe não com minha linha de pensamento e sim com minha “linha de sentimento”. Pois a palavra para mim não é apenas uma junção de sílabas, a palavra é algo tão profundo que é como se ela estivesse guardada lá no fundo do âmago e emergisse; muitas vezes emerge da boca para fora, mas quando é dessa forma é como se a palavra perdesse sua essência, seu sentido.
A palavra amor, por exemplo, quando fala, vê ou escreve ela aposto que veem trilhões de coisa à sua mente: o primeiro beijo, aquela época em que você tinha 10 anos e gostava do seu melhor amigo, a sua primeira paixão- aquela intensa e fugaz; o amor não correspondido- aquele por qual você sofre, chora, perde o espírito de ir em frente e tentar de novo... Traição. A falta de amor lembra traição, mas essa lembrança eu não desejo a ninguém. Mas no momento amor lembra-me você. O problema é que eu nem sei se é amor, no fundo eu nem sei o que é, só sei que resolvi denominar esse sentimento-sem-nome de amor.
Eu disse para vocês como solto as palavras no papel, minhas palavras já estão confundindo-se, embaralhando-se e o foco do texto já está perdendo-se em meio aos meus sentimentos jogados aqui.
Acho que é hora de chamar aquele que eu citei a princípio. Chamar o ponto final, para infelizmente romper minha “linha de sentimento”.
Ponto.
Porque no fundo ela sempre se rompe.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
O último inverno.
Era inverno, as flores não possuíam aquela vivacidade única, o céu estava turvo, e o verde das folhas, ah o verde intenso das folhas estava fosco.
O dia marcante não é apenas um dia em que algo extraordinário acontece, ou algo inesperado, um dia marcante pode ser o dia mais simples e mais bobo da vida, um dia marcante pode ser todos os dias. O fato marcante pode ser sempre, só basta aproveitarmos cada segundo como um fato marcante. Embora, nesse dia algo inesperado tivesse acontecido.
E aquele segundo foi marcante. Eu estava sob a janela do meu quarto, observando as ruas, as pessoas com a suas rotinas e manias diárias (detalhe: detesto rotina), como o senhor que passava na banca de jornal e logo após ia tomar um café na lanchonete ao lado, ou o cara que passeava com o cachorro no mesmo horário, todos os dias, ou aquela mulher da rua que vivia com o fone de música ao ouvido, e como mais que a metade da população brasileira se isolava do mundo e das pessoas dessa maneira. Foi quando o telefone tocou, em um sobressalto fui atender, estava tão entretida com a paisagem da minha janela que me assustei. Desci as escadas correndo para atender, não sei por que estava tão apressada se nem sabia a respeito do que era o telefonema, mas sentia que era algo importante, simplesmente sentia.
Atendi ao telefone:
“Alô? Quem fala?” Era meu pai.
Ele com um tom de preocupação, como quem não sabe qual será a reação da pessoa, disse:
“Inaiara, seu bisavô está muito doente, e iremos visita-lo amanhã no hospital.” Quando ele disse isso fiquei quieta por uma fração de segundos, que parecia ser eterna. Não acreditava no que ele disse, então suspirei um:
“Está bem.”
Acordei no dia seguinte com meus pais me chamando, dizendo que já estávamos atrasados para ir ao hospital, coloquei a primeira blusa que achei na cabeceira o jeans que estava jogado no sofá, e fomos.
Chegando lá, minha mãe subiu primeiramente ao quarto com minha avó e meu pai, fiquei esperando no andar de baixo, foi quando meu pai desceu com o olho lacrimejando, e disse um:
“Ele está muito mal.” Então, eu subi, passei pela sala de espera e vi minha avó chorando muito, ela estava realmente mal, afinal, era seu pai. Entrei no quarto, e quando vi meu bisavô deitado naquela cama: Com os braços fracos. Os olhos fechados. A face gélida. Lembrava-me de quanta vida ele já havia possuído um dia. Foi então que minha mãe que ainda estava lá sentiu a pulsação dele, nesse momento eu disse ao seu ouvido:
“Vô? É a Inaiara.” E ele não respondia, senti que não estava respirando. E minha mãe com os dedos em seu pulso disse:
“Inaiara, chame o enfermeiro, acho que ele se foi.”
O enfermeiro entrou na sala, tentou achar a pulsação em vários lugares, nos olhou e disse:
“Ele morreu.”
Eu não acreditei no que ouvi, mesmo sabendo que tinha sido melhor para ele, afinal ele possuía 90 anos, chorei tanto, não consegui controlar, as lágrimas desciam sob meu rosto sucessivamente. Foi a minha primeira experiência com a morte.
E nesse dia eu descobri que a morte é muito mais que cinco letras.




