sexta-feira, 19 de dezembro de 2014



Ser
nas tuas mãos
no teu abraço
na tua boca
na tua roupa
na tua coxa
louca
só posso ser isso
louca
de amar e desamar
perder e reviver
partir
e voltar

insisto insisto
amo uma vez
amo duas 
amo três
até quatrocentas
se necessário

amo porque amo
amo porque gozo
amo porque vivo.

in-festa

O bolo pequeno esfarelava por entre a mesa guarnida com guardanapos coloridos. Sua boca estava seca e não conseguia digerir nem ao menos uma pitada daquele doce que agora estava absurdamente enjoativo. Com as pontas dos dedos picotava os guardanapos enquanto ele falava sobre porque se sentia daquela forma. Roía as unhas. Doía o peito. Lacrimejavam os olhos. Farrapos de guardanapos espalhados pelo chão. Ao seu lado, perguntava-se o porque da recusa corpórea. Sendo o beijo tão delicado, o toque tão profundo... Por que hoje não? Por que manias estranhas? 
Ela compreender não significa que entende.
Porque sente. E o que sente fica grudado no fundo da pele. E sente que ele
recusa
amor
corpóreo
e que talvez ela seja o bolo pequeno e enjoativo. 
rasgos internos perpassam as palavras conturbadas que nada dizem direito.
recusa gera recúo.

-Desculpa por não ser bonita o bastante. -disse recuando o corpo para que ele não enxergasse as lágrimas de perto.-

-Você só fala besteiras.

Posava uma mosca no bolo de cobertura cor-de-rosa enquanto posava tristezas no coração da garota. Zunindo absurdamente, tanto a mosca quanto os pensamentos da menina, o mundo lhe escapuliu pelas mãos... Disse o que não queria. Sentiu o que não devia. Chorou o que não cabia.
Atrasou o moço que tinha horário para chegar em casa. Ele não jantou com o pai. Perdeu a hora assim como perderá a vontade de beijar. Não houve festa. Só duas pessoas, o açúcar oleoso do bolo, um comportamento peculiar que causou sentimentos horríveis à moça e mágoa. Houve mágoa.
Esfarelando-se em palavras, cuspiu-as para fora junto a saliva açucarada:
-Eu estraguei tudo.
Se quiser, não volto mais o ano que vem.
Boa sorte com os futuros bolos enjoativos que não dão pra comer.

''Made off
Don't stray''


malas cobertas de pensamentos que destroem o coração. mal feito,
mas, por favor, não se afaste.

móveis
mofados
pela sala vazia do hotel

pensamentos
parados
pelo quarto vazio do hotel

engasgo
enorme
escorrendo
por não ser escutada

dores
dantescas
destroem
minha pele
que sente sua falta

falta
fala
por mim
porque já não há mais palavras!

só um hotel vazio
e a vontade de morrer.
mundo vasto mundo
cadê drummond para nos salvar
da poesia escassa 
das convenções diárias

cadê clarice pra dizer por mim
sobre a hora da estrela que não chegou
sobre a morte provinda de dentro
que acordou-me ontem a noite
e disse que estava ali

cadê eu cadê você
cadê nós

na garganta enrolada
num poema cuspido 
de palavras grotescas
onde a rima nunca chegará.


domingo, 16 de novembro de 2014

Enrolados das mãos aos pés. Corpo a corpo. Boca a boca. Palavras insanas escorreram na noite anterior, diálogos eternos , pensamentos subjetivos perpassavam a mente dos dois que oscilavam entre choro e beijo, escorregando nas pronuncias tortas e medrosas da madrugada. Uma volta ao passado e foi suficiente pra que tudo desabasse. Quase. Quase tudo. Porque em meio ao choro, eles ainda permaneciam ali, com todo o amor do mundo. Horas contínuas que ali pareciam infinitas. Até que
-Eu te amo. Você sabe, não é?
-Eu. Eu. Eu acho que sei.
-Acha que sabe?
-Eu não sei se sei. Não sei de nada. Só sei que te amo.

O medo provindo dos cortes passados afincaram no coração da garota com tanta veemência a ponto dela não saber. Só sabia do seu amor pelo moço, que era imenso. Saudável. Doce. Cálido. Paz.
Chorou, pelo medo de conseguir conceber que alguém era capaz de ama-la. Pelo medo de dizer: Eu sei. Eu sinto. Eu vejo.

Aquela madrugada teve tanta lágrima e tanta palavra. Prosa mais profunda dos amantes. Porém, tudo estava bem. Houve choro findo, riso vindo...
corpo sendo, laço a dois que constrói 
o calor em meio a madrugada forte
houve chá
começo de filme
fim de prosa
receio pequeno
medo isento
choro passado.

Amanheceu. Suspiravam brincadeiras e algo sobre: gratidão pelo espaço cedido pra escuta e pra fala.
Gratidão pelo amor. 
Enrolaram-se nas cobertas
descobriram o sorriso
jogaram fora o medo
os olhos fitavam-se e diziam o quanto queriam estar ali.
as mãos tocavam delicadamente
na pele púrpura e viva 
abraços beijos 
quase um corpo só
gemidos
posteriores
prazeres
incansáveis 
orgasmos risonhos escancarados enormes
palavras gritantes afogavam a pequenina confusão
da madrugada...
o verso deles é grande, é prosa e poesia
aperto de mão. intimidade.
Amizade entrelaçada com a paixão
evidenciava que a madrugada
se torna dia
e tudo conjura-se sol
só-lar dos que amam e deixam
o dia chegar.





palavra travada.

O poema chora gotas ácidas de lágrimas, cai por entre o espaço branco do papel e borra cada parte com a tinta que gostaria de ser palavra, porém, não há mais poesia dentro de mim. Não há palavras clichês de amor, muito menos singelas flores que colorem o papel. A luta diária por espaço, cansou.
A luta das palavras dentro de mim, findaram.
Extasiada. 
Da vida. Dos gritos. Das falas. Da parte
de mim
que não consegue dizer
nem o que se passa. Mas está aqui, viva, tentando botar pra fora em forma de rabisco. Junto cada letrinha 
e nada.
vácuo.
espasmos literários espumam da minha boca amarga 
da rotina
que amarra, 
cerca, 
corta-me
as falas claras
o riso frouxo
versos soltos
percorrem
a garganta
que rasga
no engasgo
da parte
palavra
pausada
perdida
em mim.

Primavera





















Arraiguei-me
em teu corpo
e fiz dele
poesia:

do teu colo
eu fiz flor

da tua boca
eu fiz chuva

dos teus olhos
fiz sabor

do teu peito
só doçura

corpos-flores
campos claros
com clamores
curvilíneos
correm
regam
os meus versos
onde escorre
só nós dois.

[desabafo]



despedaçada
pelo mundo que corta feito lâmina das facas enferrujadas da cozinha velha lá de casa, onde brotam angústias pelas quinas dos armários empoeirados. 
cansada
pelo amigo que não escuta e se joga no âmbito da tristeza melancólica que mata.
o mundo não me é mais confortável.
ana cristina césar talvez me entenderia
clarice nem tanto.
se bem que
acho que com palavras tão tortas e mal escritas não há mais pessoas que entendam ou escutem ou... Enxerguem. O olhar ao outro cegou. 
Cegos que vendo, não veem. -já dizia Saramago-
Escuro. Engasgo de palavras cortadas que nadam entre os espasmos fluídos sangue corpóreo 
nojento
pútrido
suado
dos dias que correm
escorrem
controlam
o tempo 
não cedem espaço
nem pro respirar.
Lixo. Tudo isso que escrevo não passa de lixo fonético. Junções de palavras que não conseguem nem mesmo conjurar o tamanho da dor. Lixo feito o morango estragado que apareceu na minha bolsa semana passada. 
Epifanias literárias perpassam meu coração onde há vontade de encontrar algo que cure esse mundo tão insano. Onde tudo corre corre corre corre corre corre corre corre

explodo.
no lixo de palavras que há aqui dentro.
escarro
tudo pra fora.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Não sei se o mundo parou
se o sono chegou
se a vida sorriu
se o caso passou
se a noite surgiu

Não sei se a vida mostrou
pra mim
pra você
por onde seguir

só sei que aqui
me sinto melhor
nos braços 
de abraços
que esquecem o ''se''
e pensam em ser
somente nós dois.
Os olhinhos da menininha brilham
lá de cima do morro
onde o céu é mais perto da terra
e a terra mais perto de nós
terra farrapa
dos pés descalços 
bocas famintas
barracos caindo

pernas correndo:
cinco da matina. 
busão lotado. 
suor. 
sono acumulado.

-anoiteceu-

volto a ver a menina
lá em cima do morro
suspirando 
logo pesava a dor
apática. franzina. pequena.
só reluzia seus olhinhos
que esbugalhados
fitavam as estrelas
com vontade de alcançar o céu
e desejo de comer as nuvens.
Não sei se o mundo parou
se o sono chegou
se a vida sorriu
se o caso passou
se a noite surgiu

Não sei se a vida mostrou
pra mim
pra você
por onde seguir

só sei que aqui
me sinto melhor
nos braços 
de abraços
que esquecem o ''se''
e pensam em ser
somente nós dois.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

o mundo é imenso
hostil
intenso
viril
calda de morango em erupção
''porra, queimei o dedo!''
grita a moça sedenta pelo doce
da panela imensa onde borbulha
o sulco grosso da vida
que vermelha
escorre
por entre os dedos lambuzados
da garota que os chupa
como se tivesse cinco anos.

ela come vida
todos os dias,
come amor
come dor
momentos
pessoas
sorrisos
leituras,
deleite da linguagem!
faminta! por palavras
que tornam o mudo,
mundo.
até que
queima
os dedos
as mãos
que tanto querem tocar
trazer pra perto
e com afeto
tornar doce.


''When I think of all the things I've seen
And I know that it's only the beginning
You know, those smiling faces
I just can't forget them
But for now I love you''

Deitados. 
-Ei, tenho uma coisa pra falar pra você.
-Fala.
-Te amo.
Inesperado. Completamente inesperado.
Ainda tenho reflexões se não foi um momento ilusório ou se eu já não havia adormecido. Mas não. Foi dito. Verbalizado. Sorri. Sorri muito, mas como estava deitava de costas, ele não viu minha expressão. Contive a felicidade e logo saiu um:
-Eu também.

-Sério?

-Bastante.

É claro que era sério. Tão sério quando o eu te amo dito naquela carta piegas. Tão sério quanto o bem enorme que você tem me feito. Sabe, eu já não penso mais no fim. Você conseguiu me fazer parar de postula-lo antes dele chegar, conseguiu me mostrar que posso me permitir viver isso da forma mais saudável possível... Conseguiu me tirar toda a insegurança provinda das lágrimas anteriores.
Obrigada.
Pela parceria
as prosas
músicas
leituras partilhadas
noites quentinhas
beijos
tempos
riso
braços
abraços 
laço
que tanto se fez
sem dar nó
laço solto
quase uma fita de cetim vermelha solta no céu
feito pipa
empinada por criança
que solta-se nas nuvens
colorindo-as
logo, há o riso da infância
talvez
sejamos crianças
que têm aprendido
sobre o amor
cujo laço
pode ser leve
cheio de doçura
compreensão
troca
toque
diálogo
só(risos)
nos ditos

e digo:
te amo.
''Got no one to call your own
Got no place to call your home''


Você nunca vai entender o que um ''Te amo'' representa pra mim. Muito menos o motivo que me levou a escrever sobre um ''Te amo'' dito por você... Por alguém que eu também amo. Caso contrário, saberia a importância que aquele texto tinha. E eu não precisaria perguntar ''Você leu?'', horas depois de ter enviado, pra que só assim você dissesse algo. Algo como: Obrigada.
Não tem como a gente escolher a reação das pessoas perante nossa demonstração de afeto. E nem seria bom escolher. Nem justo.
Mas eu já nem sei mais o que é justo nesse mundo que se perde na correria diária e esquece das singelas ações que fazem toda a diferença. O relógio, as brigas, os desequilíbrios controlam mais que o amor. O tempo que não é seu. O tempo que te controla. Em tempos de extrema falta de atenção pergunto-me o que fazer quando as lágrimas enchem-me os olhos e me sinto só. Quando escrevo um texto como esse, um poema desabafo, ou qualquer maltrapilho de palavras que expõe o quão estranha sou. 
Ainda assim, eternizo algo em palavras e você mal percebe que não coloco qualquer pessoa no poema. E você mal percebe que faço de nós poesia. E mal percebeu que naquele texto eu perdi o medo do fim, eu já nem pensava mais nele... Além disso, havia todas as pequenas palavras que tentavam dizer sobre meu afeto absurdo por ti. 
E. Desatenção. Distância. Surge. Some. Uma fração de segundos e o relógio já volta a pulsar. 
Me sinto tão só.
Tão só que só de pensar
dói. As palavras lacrimejam junto aos meus olhos
e perdem-se no redemoinho interno que não sabe mais escrever. Nunca soube. 
Só sabe de afeto virando palavra e palavra virando afeto
e em nós,
tem faltado afeto virando palavra
como o texto que eu te dei
e você nem notou direito
o quanto de afeto virando palavra
havia ali.
não dá pra chorar lá em casa
porque nunca tive um espaço só meu
tem gente por todo canto
conflito por toda hora

-ninguém se conhece mais-

-Boa noite.

-Boa noite.

Jantei sozinha essa noite. Jantamos sozinhos todas as noites por aqui. Não há mais algo que nos ligue ou qualquer resquício de conexão. Tudo falho. Amor falho. Casamento deles, falho.
Infância falha. Abraços nulos. Ausência plena.
A única que ainda tenta unir-nos é a pequena, que aos seus oito anos ainda acredita na palavra: Família
e em bons poemas.
a rotina nos prende
nos come
nos fala: corre! anda! compra! faz! 
a rotina chegou
e tirou-me o tempo
pra fazer poesia

mas ainda há aqui
a poeta sedenta 
por palavra 
que grite
mais alto que o tempo

sem cronometro exato
sem horário marcado
a palavra pulsante
chega do nada
pedindo perdão
pela poesia falante
que está em falta.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

palavras cortadas
presença escassa
conversas
sem tempo
adio
confesso
que sinto
saudades.

beijo anti-rotina


bocas
beijam-se
sendo poesia
na vida labuta
que voltou
corrida
escassa

tão cheia
de gente
que corre
inspira
escorre
trans(pira)

acolha
então
os beijos
que quebram
com o tempo marcado
o gesto calado
a vida corrida
de toda essa gente
de mim
de você

que nos encontramos
no meio de todos
que acelerados
não sabem olhar

mas nós nos olhamos,
nos beijos falamos
sentimos que estamos
aqui pra viver.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

[Carta de uma não-poeta insegura.]

Eu sei que eu não devia pensar nisso. Mas. Fico pensando como é que vai ser te encarar pelos corredores quando não estivermos mais juntos? 
Mesmo curso. Mesmo campus. Mesmo passo, agora, sincronia... Daqui um tempo, eu já nem sei.
E eu já nem sei de muita coisa, por que eu sou tão insegura sabe moço?
Não creio muito nas coisas, porque tantas coisas já passaram por aqui e logo, me perfuraram o peito e conjuraram meus poemas de luto. 
Não seja meu luto futuro, por favor.
Não importa o que for ocorrer. Mas que nenhuma montanha de coisas ruins esconda as coisas lindas que já vivemos, viveremos... Seremos?
Não sei o que seremos amanhã.
Achei que ao definir, eu me sentiria mais segura.
Mas não, namorados não têm garantia de nada. 
Pessoas não têm garantia de nada. A vida é uma compra sem garantia, e quando quebra, a gente tem que juntar os pedacinhos e reconstruir, e olha, fica o aviso: ela quebra demais.
Ainda existem uns resquícios de cacos antigos dentro de mim, talvez sejam eles que me trazem tanta insegurança. Não, o trauma passado não passou completamente. E chamo de trauma, porque você bem sabe o que o machismo foi capaz de causar.
Obrigada por só causar coisas bonitas e mesmo os pequeninos momentos de tensão se amenizarem quando te olho e vejo essa vontade de estar. Seu olhar me abraça e sussurra de mansinho: Calma, Iaiá.
Eu me acalmo, mas aí, passada algumas horas, a calmaria se vai...
Talvez se eu acreditasse mais em mim mesma, seria mais fácil. Mas eu sempre acho que você vai entrar ali, encontrar trocentas gurias bacanas e muito mais bonitas, e aí... Sei lá. Eu não confio muito em mim mesma e tem algo maluco que me fez confiar em nós. Talvez seja você, com esse seu jeito encantador de estar por perto e ceder espaço. 
Antes de tudo, você é um grande parceiro.
Espero que te esbarrar pelos corredores da faculdade não seja um problema depois que acabar.
Se acabar. Quando acabar. Eu insisto em falar do fim antes mesmo dele chegar , não é?
Mas é que. Insegurança.
Ainda assim, ao menos estou segura de que por hora, estamos
e tem sido a coisa mais gostosa do mundo.
aliás, dizem por aí
que encontros de afeto
tendem a durar.
Um passo
e estamos aqui
no doce estado do compartilhar

Dois passos
e estamos ali
na incerteza do por-vir

Três passos
e decidimos
estar juntos

daqui cinco meses?
não faço ideia

amanhã?
não tenho garantias
do futuro

hoje:
estamos
presentes
no abraço
confortável
nas prosas
conjuntas
no laço
saudável
de vida instável
que nos encontrou
e disse pra gente
que pode durar

que nem só de lágrima
se faz o poema
pois juntos estamos
em versos de amor.

sábado, 13 de setembro de 2014

lágrimas são loucas
são tontas
são tantas
são minhas
madrugadas
de palavras
escondidas
nos olhos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014



Não sei nada sobre nós, além do fato de que existimos. Agora, o que somos, pronde vamos, não sei. Você não me passa segurança alguma de que quer ficar. É tudo tão momentâneo, sabe? Como se agora você quisesse mas talvez amanhã, essa certeza pudesse não estar mais aqui. É claro que viver os instantes presentes é bastante importante. Mas eu não vivo de presentes incertos. Por que é tão difícil se implicar? Achei que noventa dias fossem o suficiente pra conseguir fazer escolhas. Eu sei o que quero, e quando conversamos, só não coloquei minhas certezas... Por medo.
Mas eu acho que não dá mais pra esconder. Que eu quero é só estar contigo mesmo
e mais ninguém.
Ainda assim, assumo que tenho os meus receios e todo o mais. Mas eles são bem menores do que minha vontade de estar perto de ti. Hoje quando eu te abracei algo dentro de mim disse: Sua certeza está aí. Para de esconde-la. Assuma.
Por que temos tanto medo de demonstrar afeto?
Quantas vezes engoli um ''Eu gosto muito de você.'' Quantas vezes guardei o que sinto comigo, lá no fundo, trancadinho à sete chaves.
Mas chega uma hora que não dá mais.
Achei até bonito esses dias, como você tem colocado pra fora. É muito fofo ver você demonstrando afeto. Na real, você sente muito mais do que expressa. Devia mostrar-se mais ao mundo, porque você é incrível.
Ah, e eu amo teu sorriso!
E eu amo seus cachos.
E eu amo sorrir com você.
E eu amo transar com você.
E eu amo dormir de conchinha com você.
E eu amo te zoar infinitamente.
E eu amo tanta coisa.
Eu. Sei lá, eu amo tanto a gente sabe?
E eu tô cansada de esconder esse amor
porque ele é real
e eu não sou uma guria de amores escondidos.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

palavra de poeta: 

corre
canta
some
volta
arde
chora
ama
pede:

venha
fique
num poema
feito nós.
não sei mais fazer poesia
nunca soube, na verdade
encaro madrugada adentro
e todas as palavras que sorrateiras
correm por dentro de mim
querendo cair no papel

elas bem sabem, 
que eu não sei fazer poesia.
safadas!
pulam gritam correm giram fogem caem 
escorrem
feito sangue
ou talvez
calda de morango

falam de mim
de nós
sempre a mesma história:
começo. paixão. reciprocidade. dias bonitos. paixão. fim.

aí lá vem elas
gritando: não aguento mais ficar dentro de você!
e logo se jogam pra fora de mim
desse jeito todo torto

hoje elas me lembraram
que o fim ainda tá longe
talvez eu ainda esteja em: reciprocidade.

não sei bem onde estou
da mesma forma
que não sei fazer poesia
mas sempre
logo que penso
ela vem

lá vem ela!
maldita
bendita
palavra
amor.
me encontrei
na poesia diária
do seu sorriso

nos versos cálidos
da tua boca

nas palavras agudas
do teu corpo

no conforto
criado juntos

nos dias debaixo das cobertas
nas prosas absolutas
no riso compartilhado
no abraço que emana amor
na vontade de estar
nisso
naquilo
em nós
a sós
conforme
o tempo
permitir.
nuvens

tu vens

sendo céu

cujo brilho
das estrelas

ilumina
sem medo

pois nosso céu
pelo medo
já passou

teve prosa
confiança,
sendo nossa.

a cada dia
que penso
no medo
lembro
que ele
já sumiu
que o receio
escapuliu
que agora
só tem céu
nuvens
nós
calmaria
feito noite de verão interiorana
toda estrelada.

domingo, 7 de setembro de 2014

Arejado

equilibra
corpo
mente
natureza

emana
amor
dentro de si

recebe
amor
dentro de nós

viajam
corpos
por entre as flores
que sorriem pra eles
que sorriem pra elas
que de tão coloridos
já não se sabe se são corpos
ou se são flores

dançam com o vento
correm sobre a água
caem na areia
riem com prazer
beijam feito flor
ficam sem temor.
a vida é imensa demais
com gente demais
amor demais
tristeza demais
choro demais
riso demais
pra pensarmos
que quando acaba
finda de vez
pra pensarmos
que depois dos fins
não existem começos
e depois dos começos
não existem fins

nesse momento
tô no meio de um começo
que me conforta
me rouba beijos
sorrisos 
reflexões

sinto
que esse começo
mesmo com fim
é um começo tão bonito
que vai ser começo pra sempre.
a vida cabe no mar
maré cheia de seus cabelos encaracolados
cama cheia de suas pernas saborosas
roçando as minhas
afogo-me em teu corpo
que me banha
com água salgada
provinda da boca
e logo depois,
gozo.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

maldita sina do poeta:
amar demais
num mundo que ama de menos.




Rabisco das 22hh00

Não quero te magoar. Não quero ser magoada. Não quero que o que sempre acontece, aconteça com nós.
Já não sei mais o que somos. Nunca soube, pra falar a verdade. Mas sempre foi tão bom, que eu nunca me preocupei demais em definir. Estarmos por perto, bastava.
Mas já não sei se ainda basta. Você é um grande amigo, de fato. Mas você bem sabe que eu não quero ser só sua amiga.
E essa coisa de amigos que se beijam sempre foi tranquilo por aqui. Mas. Contigo é diferente, porque eu não te vejo só como um amigo. Na verdade, eu não sei como te vejo. Não sei nem se consigo ver a gente. É tudo tão leve que eu acho que vai voar pra longe, bem longe num instante rápido em que eu piscar os olhos e... Fim. Sumiu. Virou vento escapulido. Sinto nós mas não consigo tocar. Não tô falando de dizer nada ao mundo. Tô falando de dizer à nós. E. Acho que talvez a gente diga de formas muito diferentes... E não tá sendo tão fácil preu me acostumar. Aqui sempre houve tempestades absolutas cheias de intensos sentimentos... E agora, todo esse riacho de água doce, essa leveza, esse vento que sopra fraquinho. O que você quer?
Ou você ainda não sabe?
Ou tem medo de tentar saber?
Eu sei que está se permitindo, e estamos... 
mas me fala, por favor.
mas me fala de um jeitin leve
que nem a gente
me fala alguma coisa
sobre o que se passa aí dentro
sobre os momentos raros e preciosos
em que consigo tocar na gente
e sentir que de fato
existimos
(não só na poesia)

esses momentos
ah
me fazem sorrir.

sabe que hoje
nossa conversa ao telefone
foi a pior que já tivemos desde que nos conhecemos
pior que os momentos de conversas frágeis
pior, porque as conversas frágeis demonstraram 
o quanto estamos dispostos a entender um ao outro
mas hoje...
eu só liguei porque precisava esclarecer
algo que havia sido dito errado
e eu não queria que você fosse dormir pensando coisas erradas.
e eu queria que você dormisse bem...

-menos de um minuto. palavras frias. telefone desligado. tchau.-

foi estranho
porque eu não senti a leveza gostosa que existe em nós, juntos.
juntos?
é incrível como eu não consigo dizer as coisas que penso pra você a não ser através dos meus textos, não é?
perdão. acho que essa é a sina dos que se envolvem com poetas, encontram-se redoma de textos e versos rabiscados madrugadas a dentro. 
Eu queria poder falar essas coisas pra ti, sem ser por aqui. Mas não dá. Porque eu tenho medo, de você se assustar.
Mas isso aqui assusta muito mais, né?
[risos]
minha poesia só sabe assustar mesmo
essa então, toda confusa e rabiscada
só tá tentando dizer que mesmo que tu não saiba o que quer
quero que sabia
que eu quero estar com você.
Me encontra

nos meus olhos
nos meus lábios
na minha nuca
nos meus seios
barriga
cintura
pernas

me lambe
me aperta
me chupa
me vira
reviro
suspiro!

coxas entre-abertas 
que soam debaixo de ti
por cima de ti
e movem-se freneticamente 
no ritmo dos meus suspiros
cheios de tesão

dos seus suspiros
cheios de vontade

dos nossos suspiros
cheios de amor.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Soube que era amor, quando ficar deitados juntinhos debaixo das cobertas,
bastava.

Não deixe passar.

as pessoas passam
os dias passam
os momentos passam
as carícias passam
a vida passa
meus passos passam
e caminham nas escolhas 
de uma travessia que passa
tudo passa
só não me deixe
passar despercebida
diante de nós.

Sobre nós e meu coração bagunçado.


O chão da cozinha era cheio de ladrilhos coloridos. 
Flores sobre a mesa, num jarro de água simples. 
Cheiro de café fresco.
Eu olhava pela janela por onde o vento entrava percorrendo toda a sala e pensava em como é que tudo isso ia acabar.
Nós. 
Fitei o cursor que piscava na tela do computador e não soube prosseguir. Depois de escrever nós, assumo que deu uma pontadinha de dor. Dor ao pensar no fim. E sim, ele existe. Existe com tanta concretude, que às vezes consigo senti-lo sem ao menos ele ter chegado.
Ah, eu tenho pensado em tanta coisa, guri. Na vida, nas escolhas, nos espaços, ocorridos, pessoas... Laços. Acasos. Afeto. Fins.
Escolhas.
Não faço ideia de como fui capaz de escolher viver o que estamos vivendo. Não depois de tanta dor... Opressão. É , você sabe. E aí, você surgiu, do nada! Trazendo essa calmaria e esse jeitin tão doce de estar.
E estamos.
Mas...
Sempre que eu olho pro lado de fora da janela, eu penso que talvez você já esteja indo. Ou eu esteja indo.
Ou na verdade eu só tenha uma mania maldita de boicotar meus próprios relacionamentos.
Eu. Tenho medo de vive-los.
Porque,
tenho medo do fim.
Mas.
Droga.
Eu já te amo.
E eu amo demais tanta coisa nessa vida. 
Tem tanto amor aqui dentro, que eu acho que eu vou explodir.
Por que às vezes cai lágrima dos olhos e a gente não sabe o porquê?
Por que o céu é azul?
Será que eu vou conseguir montar minha trupe de teatro e sair por cidadezinhas do interior me apresentando?
Será que...
Paris já me é tão distante.
E o feminismo que pulsa em mim, onde estou depositando-o?
Tanta coisa.
Reflito.
Esqueço
De tudo

pois penso
em ti.

malditas palavras honestas
que rodeiam viram pulam
mas sempre caem
no que de fato se quer dizer
e eu acho
que eu já nem sei mais
o que quero dizer
porque tá tudo tão embaralhado!
tudo tão cheio de mim
de você
de vida
e tempo demasiado
pra se pensar
e penso
penso
logo
percebo
que tô com medo
porque já te incluí demais nas minhas poesias
e você definitivamente já está fazendo parte delas
e isso
é preocupante...

há afeto demais
certezas de menos

poesia exposta
falando de ti.

a felicidade é um bicho tão gostoso,
que chega a assustar corações que já passaram por muito caos.

meu coração
tem medo de ser feliz.

meu coração
teve caos até não caber mais

logo, se assusta
com essa leveza
tão arejada
e cheia de amor

medo coracional:
quando as veias corpóreas
enchem
de tanta alegria
que chega a dar medo de ter um enfarte.

sábado, 30 de agosto de 2014

acho que virei santa
logo após, virei puta
virei moça
virei louca
virei triste
logo, alegre

viro o que quiser
reviro ao avesso
toda a vida
que couber

viro à ti
viro à mim

vejo nós
virando amor,
sem temor
nem pudor.

domingo, 24 de agosto de 2014

Carinho bagunçado.

Acordei.
rodopiei.

pensei

em nós.

Refleti.
insisti.

desisti

de nós.

Repensei.

te olhei.
me olhei.

nos olhamos
e falamos
pelo olhar.

nesse instante
percebi
que não vou
desistir
nem de nós
nem de olhar!

muito menos de sentir
toda prosa
todo gesto
todo toque
sendo honesto

entre nós

manifesto
com amor.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014



Eu não quero ser a Iaiá só pros momentos felizes. Meu mundo, tava desabando hoje. Tinha lágrima pra tudo quanto é canto. Uma montanha de coisas borbulhando dentro de mim. E eu só queria um: O que tá acontecendo?
E se eu não respondi da primeira vez, é porque deu a leve impressão de que você não se importava de verdade.
Eu esperava que você voltasse a perguntar: O que tá acontecendo? E que dessa vez, eu sentisse que você se importava de verdade.
Mas você não voltou.
Falou sobre amanhã. Sobre o show. Sobre eu dormir aí.
Sobre isso , sobre aquilo.
E eu fiquei aqui, engasgada de palavras tortas e de lágrima.
Até que você foi dormir.
E eu continuei aqui, engasgada de palavras tortas e de lágrima.
Até que
você já deve estar dormindo.
E eu tô aqui, na tentativa falha de botar pra fora minhas lágrimas que escorrem
percorrem meu rosto
com palavras aquosas
que borram o papel
e fazem da tinta 
palavras escorridas
que não foram ouvidas
nem se quer percebidas.

E se tem uma coisa que eu faço,
é perceber a dor do outro.

Eu. Eu só queria poder ter contado contigo.
E hoje, não foi possível.
Eu precisava de alguém por perto. Precisava muito. Nem que fosse cinco minutinhos de afago. Mas você definitivamente não foi essa pessoa.

valeu, pela prosa em dias ruins


você que é tão cheio de riso
a onde foi parar teu sorriso?

pergunto à ti
pergunto à mim
que hoje, choro.

talvez você saiba bem o que é
chorar por dentro.

pensei em te fazer um verso
falando sobre as lágrimas de hoje
mas não cabe no poema.

pensei em te fazer um verso
falando sobre o riso de ontem
mas cabe muito menos.

pensei pensei
e não veio nada
além de: gratidão.
meus olhos encharcaram-se
meu coração encharcou
minhas mãos tremulas
não sentiam chão nem teto
pra tatear
segurança
cadê?

meus olhos lacrimejados
misturaram-se com meu coração
mudaram de cor
agora, ofuscados
sem o brilho anterior.

minha boca não profere palavras sensatas
muito menos coerentes

longe de ser poesia,
tento dizer
sobre como
eu
não sei
tem algo aqui dentro
que me diz que tá acabando, sabe?
uma insegurança absurda que me faz pensar o tempo todo:
ele já foi.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

[sobre hoje]

saudade
sopra
pitadas de incertezas

somente
saberei
o que somos
conforme o tempo seguir ?

suspiro
com um medo
bem de leve
...
mas eu sei
que eu gosto de ti
gostamos
estamos
sei lá como
sei lá pra onde
só sei que você me faz um bem danado
que eu amo seu sorriso
seu toque
a gente
bem junto

eu. só queria ouvir sua voz
ou lhe dizer como foi meu dia
mas eu sei que não dá pra estarmos sempre...

de qualquer forma,
pouco tempo
foi o suficiente preu sentir
saudade sibilando
sobre mim.
a diferença entre a saudade do que já foi e a saudade do que está sendo:
a primeira, encharca os olhos, aperta o peito e entorpece o corpo.
a segunda, enxuga os olhos, solta o peito e anima o corpo.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

a m o r: era formiga, virou elefante.

Uma formiguinha entrou dentro de mim e foi andando por todo meu corpo, passou pelo pulmão,artérias, faringe, garganta, narinas, boca, língua... até que: Atchin!!!!
Saiu como num espirro rápido e forte. Expeliu do meu corpo. E caiu no chão. Estava toda manchada de sangue, afinal, perpassara o meu corpo inteirinho, dos pés à boca. Vermelhinha, tentou se mexer, mas estava exausta de tanto caminhar por dentro de mim. Agachei, recurvei o corpo e deitei no chão ao lado dela; a peguei com a ponta dos dedos, que logo se mancharam de vermelho também. Observei, tão pequeninha, as patinhas mexiam de leve. Até que eu percebi que a formiga estava numa transformação corporal, se contorcia toda como num bailado contemporâneo, e foi expandindo suas patas, esticando... Crescendo. Seu corpo foi formando uma palavra. Meus olhos atônitos miravam a formiga, que já não era mais formiga. Era palavra, imensa, gigante, bem a minha frente. Escorria vermelho por todo o chão branco. E ela se contorcia cada vez mais: sim essa palavra dançava! O chão, agora rubro, começou a transbordar tinta vermelha -sangue do meu corpo- 
e num mar vermelho
a palavra
que de tão pequena
já fora formiga
agora era elefante
elefanteava pelos cômodos da minha casa
e os mais recônditos espaços do meu coração
pulsavam palavras vermelha-sangue-do-meu-corpo, amarelo-dia-a-dia, cinza-celestial, azul-nós-debaixo-da-coberta, branco-criança, verde-ciranda-na-praça
eu, na doce ilusão de que sabia pintar poemas,
juntava
cor com cor
letra com letra
e logo, formava amor
que com todas suas cores
bailava
tentando ocupar todo o espaço,
como se quisesse alcançar o céu.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

somos o vento
e o que estamos tendo
é algodão.

sinto que o vento
sopra em terra firme
cada vez mais
me trazendo a segurança
de que há nós
de verdade.

e sempre que te abraço
esqueço de tudo

é como se nosso abraço tirasse
todas as dores do mundo.

e sempre que te beijo...
ah...
e sempre que te sinto...

- cama. corpos enlaçados sem nó. prazer. -

e sempre que te tenho pertin
o relógio não importa
a separação do casamento falho deles
não importa
o choro antigo
não importa
as cartas rasgadas
não importam
os dias afogados em fel
não existem

porque
existe só a gente
sendo vento adocicado
que percorre o espaço azul
abraça. toca. sente. enxerga.

a vida torna-se:
corpos quentinhos debaixo das cobertas
que afagam
se encontram
na preciosidade do companheirismo.

a vida segue.
sempre segue.

mas eu te digo
que a vida moço,

fica bem menos pesada
com você.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

colhi no jardim
colei em minhas pernas
achei que assim
elas grudariam no meu corpo
eu viraria flor
e sendo flor
eu viveria
num jardim
imenso
de poesia.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014




a vida é meio bosta
muitas vezes
ela fede
ela soa
ela respinga
água salgada dos olhos
em litros
dispara
todo o mar
de dor
que há dentro de nós

a vida é meio bosta
direto
opressão
fome
cinza
vazio
cansaço
dor
lotado
são paulo
cansa
pessoas
cansam

mas
a vida ainda brilha
ao som do tim maia
na cama com nós dois
em dias coloridos
com amigos cheios de amor
tem tanta coisa boa
chocolate
música
dança rodopia
maracatu!

água fresca
em riacho
novo
que me banha
me leva pras suas profundezas
tão purificadas
em dia claro
clareou!
passou!
o medo passou!
juro. moço, tá passando
aos tiquins
eu tô vendo
que eu não vou deixar
ninguém tirar meu brilho
minha força
e vontade
de viver
tudo que couber
na imensidão que há
dentro de nós.

[nunca ouse ir contra a força de uma mina-flor]

não sou sua
nunca fui
enfie isso na sua cabeça
de merda!

não sou sua propriedade
como você achava
não tô pra opressão
não há mais espaço, tá escutando?

eu sou mais forte
do que você imagina
nós somos
nós mulheres
imensas
de tanta força!

nunca mais
aponte o dedo pra mim
gritando esbravejando
palavras sórdidas
que queriam me ver chorando

chorei
chorei sim
mas voltei
cheia de riso
de brilho
de vida
que você
tentou tirar de mim!

machista!
maldito!
babaca!
some da vida
das mulheres lindas que querem espaço.

se enfia nesse buraco imenso
que tem aí dentro de você
e fica
sozinho
trancafiado
mas não me leva junto!

e não ache
que suas voltas
vão me assustar
sua tentativa
de me quebrar por dentro
já falhou, meu bem
falhou
porque aqui
tem luta pulsando nas veias
tem flor explodindo de mim
e você nem nenhum homem
nunca mais
vão amassa-las com as mãos
porque eu não ando só!
e eu tenho muita mina-flor
perto de mim!

meu sangue
carrega
as opressões de todas as mulheres
que como eu
encontram caras escrotos
como você.

meu sangue
tá pulsando
tão fortemente
de raiva
de tudo que tu fez
comigo.

da próxima vez que você aparecer
você fica esperto
e é bom ter medo
de mim e de todas as outras minas
que vão quebrar sua cara
suas palavras opressoras
e joga-las pra dentro de você
cobrindo-as com todas as nossas flores internas

logo após, sairemos nuas
flore(sendo)
gritando bem alto
pro mundo escutar: vitória!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

eu
não sei mais escrever.
nuca soube.

nunca soube de rimas
muito menos de métrica

aprendi jogando as palavras ao papel
como forma de botar pra fora
toda dor
amor
cor
repulsa
tudo
tentando ser poesia.

fui da prosa
uns bons anos
agora
tento versificar
mas não porque quero
simplesmente porque
elas só saem desse jeito!
essa palavras sorrateiras
só saem em verso

quem sabe um dia,
a prosa volte.

não me importo muito
com como elas vão ficar
só deixo elas explodirem no papel

elas têm vontade de gritar
girar e clarear toda forma de dizer
são puro sentimento
que pulsa pra fora de mim
expulsa
tudo!

palavras
ah, palavras
cêis sempre me disseram
que pra escrever
não precisava de diploma.
somos o vento:
sinto mas não vejo

adoro quando ele
me toca
beija
abraça
bem forte

o frescor
faz com que eu feche os olhos
e só me concentre na ventania
que me tira o ar
mas não vejo
não vejo nós
a não ser nos meus poemas

quando você disse: ''eu gosto de nós.''
fiquei pensando a que nós você tava se referindo?
porque eu não consigo segurar a gente
tudo me escapa pelas mãos
como o vento que eu quero tocar.

tenho medo
porque queria um tico mais de terra firme

já tive muitas ventanias por aqui
lindas
levaram toda a minha roupa embora
deixaram meus cabelos esvoaçados
me amaram
estiveram
mas logo,
foram
ventaniar por outros ares.

já tive mares também
com grandes tempestades
ondas salgadas
limpavam-me o fundo da alma
ondulavam-se em mim

teve mar
céu
vento
sol
chuva
tempestade

mas agora
tô num momento
que preciso de terra
onde eu possa pisar
me estirar no chão
saber que não vou cair
e ali, firme
poder sentir o vento
céu, sol, chuva
tudo que quiser vir.

não dá mais pra sentir só o vento
não agora
não pra mim

preciso conseguir
enxergar

e não somente,
sentir.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

de madrugada

ia dormir
mas antes
precisava guardar algum verso sobre você
pra sentir sua paz perpassando meus poemas
e dizer que se você fosse um verso
tu seria uma mistura de abraço
com dias da minha infância
-dos mais ensolarados-
cházinho quente
adoçado com cubinhos de açúcar
amor que acolhe
smiths
chocolate
nós dois
e todas aquelas
minhas coisas preferidas,
juntas
num verso só
sendo você.

sobre estar junto


suamos juntos
beijamos juntos
percorremos um
ao corpo do outro
numa dança frenética
e saborosamente boa

trocamos:
você por cima de mim
eu por cima de ti
risos
afagos
ofegantes
estávamos
diante de tanto tesão,
suas mãos
escorriam sobre meu corpo
sua boca chupava-me inteira
seus olhos
eu via de relance
nas frações de segundos em que
meus cabelos voavam
conforme a força
que nossos corpos
causavam juntos

explosão
das melhores

equilíbrio
gemidos
suspiros
sincronia

eu pedia mais
porque estava perto
perto do prazer máximo
que uma mulher podia ter.

gritamos juntos
através dos nossos suspiros
o ápice do prazer!

foi lindo,
porque foi mútuo

até quando
me deitei na cama
com aquele cansaço maravilhoso
e disse: obrigada.

e você: sorriu.
vento
ventania
você veio
vou tentar
não te fazer ir
por conta das minhas inseguranças
e poemas que assustam.

postulei um fim
antes mesmo dele vir

mas um poeta me disse
que a vida é que decide
quando acaba.
hoje
eu percebi
que todo dia
eu viro pra mim mesma e digo:
acabou.
é mais confortável lidar com o fim
antes mesmo dele chegar.
penso que assim,
quando ele chegar eu já vou ter me acostumado com a ideia.
criei verdades absolutas sobre nós:
não posso contar com você.
você vai sumir amanhã.
não estamos juntos. (essa é a única verdade que talvez eu acredite mesmo, porque eu nem sei o que estamos, nem como estamos, muito menos o que somos.)
você não existe.
sempre que você não está por perto
no sentido físico ou não estamos tendo as nossas boas prosas
eu lido com a sua ''ausência'' como se você não existisse pra mim
nem na minha vida. como se você não estivesse aqui. como se você fosse uma mera palavra imaginária na vida de uma menina que poetisa demais.
é mais fácil, porque aí
se amanhã você não estiver
eu já vou ter lidado com o sentimento.
na verdade, tudo isso é uma droga
porque eu finjo que não há você
quando há
eu penso que não há nós
quando há.
e tá sendo tão bonito
confortável. essa palavra diz muito sobre a gente.
mas é que todas as inseguranças
que estão absurdamente
imensas dentro de mim
me fazem pensar
que fim.
que foi.
que você é só um verso das minhas poesias mal escritas
um verso curto e bonito
azul feito o céu do fim de tarde
em que o sol se põe pra nós dois
só pra gente ficar vendo ele
abraçados.
aquele dia foi tão bom né?
mas você lembra como foi rápido?
um segundo
e o sol já tinha sumido do céu.
já era noite.
eu não queria imaginar o nosso céu com um sol que já se pôs eternamente.
com um fim já postulado. com um
você não está aqui.
mas.
eu.
já percebeu como eu não sei escrever poesia?
mas tudo sai em verso, porque ultimamente minhas palavras
estão todas fragmentadas. enroladas em laços de reflexão.
você é um sol tão bonito, que apareceu
num momento tão difícil...
tenta não se pôr rápido demais,
que eu prometo que vou tentar acreditar
em nós.

sábado, 9 de agosto de 2014

Esse é meu pior poema.

guri
tô pensando em ir
não é por ti
nem nada
pra falar a verdade,
não é nem por mim
mas é porque
puta merda
que bosta
que medo maldito
é esse que tá pulsando aqui dentro
tão desgovernadamente
que esse poema
é quase um papel rabiscado
com força
com choro
com
DROGA
por que?
por que o moço passado
fodeu tanto com as coisas?
por que tanta opressão?
eu. eu nunca tive medo de amar.
juro. nunca.
e agora
tem um medo imenso
pairando dentro do meu coração
da minha mente
do meu corpo
tudo tudo tudo
misturado
com as dores passadas.

choro.
sim, tem lágrima saindo
feito aquelas sinceras que saíram de ti
sabe, eu nunca achei que você ia me deixar te ver chorando...
você é mais forte do que eu imaginava.
você vai me perdoar se eu for embora?
por favor, não deixa.
não deixa que eu vá
me segura
de alguma forma
eu. porra
tá tudo tão engasgado
eu nunca senti o que tô sentindo agora
é enorme
absoluto
e corroí:
dor de fazer o que não se quer.
mas o medo tá sendo maior
medo de sofrer como foi da última vez
e você bem sabe, foi grotesco.
você não é ele, eu sei!
eu repito isso pra mim
todos os dias...
Mas, ele tirou uma parte tão bonita de mim
a parte iaiá que acreditava
no permitir-se
independente do fim
a parte iaiá que confiava
nas pessoas bacanas que apareciam no meio do caminho.
por favor. por favor. por favor, não seja a pedra no meio do caminho!
você...
quanto absurdo sendo expelido pra fora aos farrapos, não é?
obrigada pelo dia da praça. as noites juntos. os milhões de rolês nas férias. o dia da augusta. o dia ocioso na sua casa, tão quentinho. o dia que passamos na sua casa e eu ri de tanto prazer. e até mesmo a quarta-maldita [risos] se não fosse ela, eu não teria tanta certeza de que queria estar perto de ti. obrigada pelos milhões de momentos
pra tão pouco tempo...
ah moço, você me faz tão bem
nos fazemos tão bem
como eu faço
pra arrancar esse medo de mim?
como eu faço pra voltar a acreditar nas pessoas?
como eu faço pra destruir as marcas do machismo-opressor deixado por outrem?
como eu faço?
tá tudo tão embaralhado.
desculpa.
ao leitor, pelo desabafo
a você, por eu ter pensando
em ir embora.

as palavras não saem
nenhuma
nenhum verso final

poderia então
pingar uma das minhas lágrimas aqui
e deixa-la desbotar no papel
quem sabe, ela não diria mais
do que algo que não se verbaliza.

tinha terminado o poema
a uma meia hora atrás,
mas resolvi voltar
pra dizer
que eu gosto muito de ti.
muito. muito mesmo.
só não uso outra palavra
porque: medo.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

mundo,
mudo
de lado.

escasso de água doce
e de amores duradouros
mudo de espaço

crio meu mundo
num papel
num verso
onde tem comida pra todos
amores que nunca findam
menos água salgada
escorrendo dos olhos,
crianças brincando de ciranda
um beijo na testa
aperto de mão
é hora da festa
que cabe no vão
entre a minha utopia
e o meu coração.

eu acho que eu te amo
mas acho que eu tenho medo de te dizer que te amo
porque
eu tenho medo de amar.

artista, não aprende nunca

artista é foda
se fode uma,
duas.
três.
quatro.
cinco.
seis.
sete.
oito.
nove vezes.
se despedaça
com os amores-partidos-fodidos
e ainda cede espaço pra viver uma décima vez.
nunca soube escrever
mas sempre precisei
loucamente
jogar pra fora
o mundo que há aqui dentro

tô cansada
de falar de amor
e do que não cabe em mim

raramente, poesia política
raramente.
eu. só queria que escritos mudassem o mundo
queria poder escrever: adeus capitalismo
e pronto. tudo estaria diferente.
queria poder escrever: isso vai durar pra sempre
mas, eu já não acredito mais em conto de fadas.
não vai durar , não é?
puta merda, você de novo aqui
logo vem a palavra
maldita palavra que persegue meus escritos
minha vida
meus pensamentos-conturbados-em-versos
some por favor
ao menos nesse poema
fica longe
não é que eu não gosto de você
é que eu fico me perguntando
porque você aparece tanto por aqui?
quero poder mudar o mundo com arte
mas... o mundo tá tão doente

queria poder fazer algo imenso
que ajudasse o mundo
ou mudasse bruscamente algo
pra melhor

queria ser lispector
cora coralina
frida
mas não sou.
sou iaiá
cujas palavras tortas
tumultuam
dentro de mim
e explodem
falando do amor
que precisa ser divido
entre meu corpo e a poesia.


nadei sem rumo
no mar de palavras
que estavam aqui dentro
silêncio
nós dois
fitando um ao outro
uma fração de segundos,
tudo estava bem.


viver é abrir-se em feridas constantes
e alegrias-instantes
por hora, pensei que viver fosse simplesmente poder acordar e ver o sol. mas aí...
eu cresci e vi que viver é de uma imensidão danada
tão grande, que nem cabe no poema.
não que isso seja de fato um poema [risos]
eu. não sei nada sobre palavras prontas e bem feitas
da vida, sei que é bonita
principalmente quando posso ver seu sorriso
bem pertin de mim
e te abraçar bem forte
de forma que vejamos,
que vivos
estamos
e mesmo com as feridas passadas
enormes grotescas
mesmo com elas
eu tô aqui, viva.
Puta merda, como é bom viver!
Sentir o gosto do chá quentinho em dias de frio
rodopiar na grama, cair no chão
e ver o céu dançar sob meus olhos tontos de tanto girar.
e
eu gostei de te conhecer
sabe, sempre que penso em ti, minhas palavras ficam mais doces
cubinhos de açúcar no chá da tarde
bolo de chocolate. não. pera. você não gosta de chocolate, seu anormal!
foi mal
assim
pelo poema-não-poema
é que eu só queria te dizer
que a vida fica bem menos pesada
com você.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

flores:
façam
flutuar
qualquer
pessoa incolor.

por favor,
flores,
falem com eles
que não olham nos olhos
que têm medo de abraço
desviando da flor diária
que é o outro
desmembrando o afeto

somos tantos
únicos
num jardim de imensidão
chamado mundo

peço as flores
que os façam enxergar
que podemos ser jardim
juntos
em luta
contra qualquer forma de desamor.
amar: derramar: calor

desamar: desabar: em dor

roubar um tico de cor
do amor que me ensinou a crescer
pra ver se assim aprendo a lidar
com a dor que acabou de nascer.
liberdade
de prosa
verso
vida
ida
nós
a sós
numa palavra
que fale de amor

.contra-dor.
conta-gotas
de calor
pinga em mim
e livre
escorre
esquenta
afaga
toda a liberdade
que está se formando
aos tiquinhos
entre nós
que a sós
viramos poesia
de verso livre
feito uma cantiga cálida
que cura
a dor.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Soltei os cabelos
Abri minha roupa
Despi minhas vestes
Tentei um poema
Joguei as palavras
Caí num enrosco
pensei em você.
o sono cobriu-me inteira

pensei: porque diabos
deixei a prosa e nos últimos tempos
só tem tido espaço pra versos

será que é uma fase?
será que voltarei aos meus textos com falas
narrativa e palavras formadas em sentenças extensas?

será que há espaço pra poesia no mundo?
será que há espaço pra tentativa de fazer arte?
mas pera, o que é arte?
nunca fiz um soneto na minha vida
não sei nada sobre métrica
nem mesmo sobre amores pequenos
deve ser por isso
explodo
explodo em palavras
que tentam expressar
tamanho sentimento que há aqui

sou toda desajeitada
feito minha poesia
que roda dentro de mim
respinga no papel
e encharca-o
espalhando histórias
cheiros
cores
pessoas
momentos
pequenos momentos
de palavras pequenas
que provém de um coração grande demais.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

[sobre orgasmos múltiplos]

contornou-lhe o corpo
como se a estivesse pintando

sua língua pincelava
suas mãos nadavam no sexo da flor
e percorriam pelas pernas
coxas
cintura
num ritmo
que crescia
conforme a respiração ofegante
denunciava
a vontade de continuar

encarar
aqueles olhos
que lhe comiam

aquela boca
que lhe tirava o ar
ao chupar seus seios

aqueles corpos
que nus
se entendiam
por entre os risos

e brincando
se divertiam
enrolavam-se
gemiam

já não sabiam mais
sobre relógio
ou medo do tempo

suspiros
encontros
de cada partezinha
dos corpos
que juntavam-se
freneticamente
e bailavam
numa melodia
sem fim

suavam
os dois

giravam
cantavam
gemidos

excitados
sentiam

ofegantes
calavam

quase que como uma nota
musicalmente forte
penetrou-lhe
profundamente

suplicava por mais
e mais
e mais

dança que
ia e vinha
vinha e ia
intensamente
ria

de tanto prazer.
Durante a noite,
uma sentença
mudou tudo.
trouxe diversos pensamentos
confusões lágrimas insegurança
tantas palavras perpassaram minha mente
tantas sensações escorreram dentro de mim
logo pensei:
ele tá indo embora.

mas aí
vi suas lágrimas
pequeninas
tentando me dizer
que não sabiam de nada direito
e que apesar de tudo,
queria estar ali. gostava de nós.

tem sido coisa demais pra ti, não é?
sentimentos novos demais
pessoas
prosa
vestibular
pensamentos
incertezas
mas e
a confiança?
confie mais em si, passarinho
passarinhe por aí
assovie nos dias vazios
assovie uma música bem bonita
como aquelas que você toca no violão

você
é tão bonito
sabia?

eu sei
que às vezes
parece que a gente não vai sustentar
mas você é tão capaz de expandir
conhecer
transcender
qualquer medo!

gosto
tanto
do seu
sorriso

sabe,
sorria
só ria
e segue

se permitir
te abraço
sempre que precisar
sentir-se vivo

te prometo
que te dou a mão
quando precisar

e se quiser
dar-te-ei infinitos beijos
como esses
recentes,
presentes
em nós.

Carol
Caroline-se por aí
nos caracóis que surgirem
nos caminhos que percorrer
carolina
bem assim
do seu jeito carol de ser
e quando tudo enroscar
desenroscará
você sabe
que cabe
do rolo ao desenrolar
das histórias imensas
que nos puxam
enrolam
amam
machucam
vão
mas
você carol
você fica
e brilha
como seus cachos
que encaracolam-se
nessa vida toda emaranhada
e tornam ela menos árdua

tem mais amor
com carol
que carolina
chega a ser um verbo
carol carolina
caroline-se: ato de emanar amor

cacheie-se
carol,
bem desse seu jeito
raro
de ser.

sábado, 2 de agosto de 2014























tenho uma cabeça de flor

que conforme a vida passa
floreia umas ideias jardinescas
sente com asa
danças pitorescas diárias
que fluem
nos dizeres insanos da meninice

confluência de palavras
todas cheias de flor
e amor
pra doar

ando ando ando
e minha cabeça fica lá no jardim
brotando pensamentos
que mimetizam-se em poesia-mal-feita

corro corro
e percebo
que estou flore(ando) demais

meus caules cortados no passado
estão frágeis
precisando de água
terra firme
mãos que afagam
e procuram plantar novo jardim

preciso preciso
de palavras não tão incertas
nada de chuvas tempestuosas
que me arrancam do chão
porque tem muita palavra
e sentimento
pro tamanho da flor.
então,
só me rega
e não permita
que eu morra novamente
num jardim tão colorido
que é a vida.


quinta-feira, 31 de julho de 2014


desculpa moço,
pensei
pensei
e descobri
que não sou poeta.

não sei fazer
poemas quentinhos
que afagam
e suspiram
notas musicais
confortáveis.

não sei de versos
que acolhem
e abraçam
ficando
bem pertin

talvez seja porque sempre
despem minhas roupas
arrancam minhas tristezas
conjuram meus poemas
me enchem de paixão

e
um segundo depois

desistem.

talvez seja porque
não sei fazer poesia mesmo

talvez seja porque
palavras não foram feitas pra esquentar

mas sabe
quando pensei
em versos quentinhos
pensei na gente
numa cama com várias cobertas
nos esquentando
com a boca
olhos
mãos
pulso
coxa

tudo!

pensei também
num dia de praça
violão
e friozin
que nos obriga
a ficar bem perto.

pensei
pensei
e descobri que não sou poeta
de versos quentes
muito menos coerentes
e metricamente bonitos

pensei
em te agradecer
por me esquentar
pós-tantos-versos-frios

e te dizer
que você
não precisa
ter medo

não sou poeta
nem tenho versos lindos
mas tenho amor
abraços honestos
beijos que sentem
dias que esquentam
versos que caem
procurando
um fim
mas,
sempre
que pensam em ti
preferem terminar
mimetizados
em pensamento
de dias musicalmente
bonitos.

terça-feira, 29 de julho de 2014

explosão
confusão

decisão
corre
na contramão
do desejo

brinca comigo
poema
como se houvesse
segurança nos meus versos tortos
por favor
poesia
pontue-me algo
no emaranhado
de reflexão
que pulsa
para

pera

como prosseguir?

lembranças
frouxas
perpassam
a poesia que não sai

inseguranças
tolas
decidem
indecisões

confiança?
esperança?
inconstância
de memórias
das histórias
que não deram certo.

poema
encontre um jeito
de terminar
dentro de mim
e me trazer o afago
das palavras honestas
que não querem fim

poema
grita grita
grita pra mim
qualquer coisa
sobre esclarecimentos
sobre histórias boas
e sinceras.

fala de qualquer coisa
que não seja dor!
fale-me de versos
que mesmo incertos
têm coragem
de sair
e ficar

mesmo que aos garranchos
como esses aqui
que escorrem
feito chuva
tempestuosa
de pensamentos.